sábado, 14 de março de 2009

Um apelo à ortodoxia (14/03)

O mais triste nos monetaristas é eles nos faltarem quando mais precisamos deles. Estudaram tanto e estão ausentes na hora H. Não sei se o monetarismo chega a ser uma corrente econômica, mas sei que funciona. Retire-se o dinheiro da praça e a inflação despencará. Se inflação é a desvalorização da moeda, reduza-se a oferta de moeda que esta se valorizará -e assim se combaterá a inflação. Dada a plena vigência da lei da oferta e da demanda. Os americanos mataram desse jeito a sua inflação dos anos 70. Aqui no Brasil, o Plano Collor fez o mesmo duas décadas atrás e funcionou temporariamente. Quase todo mundo elogiou na época, inclusive gente que hoje critica. Gente que quando Fernando Collor caiu em desgraça política virou rapidamente crítico do "sequestro da poupança". Mas este post não é sobre as convicções flutuantes e de conveniência. É sobre o silêncio dos monetaristas. Puxa vida, se o monetarismo vale para combater a inflação, por que não vale para atacar o antípoda, a deflação? Se retirar dinheiro de circulação é uma boa medida para impedir a corrosão monetária, inundar o mercado com dinheiro é uma ótima providência para ajudar a lubrificar as engrenagens de uma economia que breca. E quando ela breca por absoluta falta de demanda, então, é sopa no mel. Injete-se dinheiro no mercado até ele dar sinal de vida. É como num pronto-socorro. Você toma uma série de medidas para salvar o paciente. Uma vez salvo, você adota providências para atacar as sequelas das medidas que você tomou. Assim deveria ser no monetarismo. A deflação é um horror, entre outras coisas porque as pessoas adiam suas compras à espera de que os preços caiam. Uma vez debelada a deflação, combater-se-á a inflação resultante. Então, eu sinceramente não compreendo a timidez dos monetaristas. Tão ciosos quando se trata de combater a inflação. Tão ausentes e passivos quando o risco é de deflação. Ao pedir um ataque rápido e radical aos juros, não se está praticando qualquer tipo de heterodoxia. É um apelo à ortodoxia. Mas parece que os nossos ortodoxos monetaristas operam em mão única. Eles gostam mesmo é de fazer o país brecar. Quando se trata de reanimar o paciente, eles desaparecem.

12 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

alon,

penso que,

quem manda no pais são os bancos.

para eles está bom do jeito que está.

os economistas querem ficar de bem com quem manda:

os bancos.

a grande midia faz a cabeça do povo publicando o que interessa aos seus maiores anunciantes:

os bancos.

então fica tudo como dantes .....

emerson, santos sp

sábado, 14 de março de 2009 21:24:00 BRT  
Anonymous Bruno R. Santos disse...

Quantos trilhões de euros/dólares foram despejados a fundo perdido "no mercado" para combater a deflação desde Outubro passado?
Está funcionando às maravilhas no primeiro mundo, certo? Rar Rar Rar!

domingo, 15 de março de 2009 03:39:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, deflação? Onde? O IPCA acumulado nos últimos 12 meses é quase 6%, bem acima do centro da meta, e 4,5%, a meta, é a projeção do mercado divulgada pelo BC para os próximos 12 meses. Há duas maneiras de por e tirar dinheiro, via fiscal (emprestando ou comprando ou mesmo presenteando os amigos, como o mundo todo vem fazendo, um imenso almoço gratis...) ou reduzindo os juros o que faz os bancos emprestarem mais... o prolema é que eles mem sempre emprestam mais. Já quando os juros sobem, o efeito sempre se faz sentir. Percebe a diferença?

domingo, 15 de março de 2009 11:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Não é assim tão simples. 90% da economia estão funcionando como antes. 10% estão uma desgraça. O dinheiro que está circulando na economia, não sabe como distinguir os dois setores.
O que é necessário é política micro em cada um dos setores onde o dinheiro tem de circular mais rapidamente.
Felizmente para o governo a paralisia nos 10% atingiu a inflação nos 90% e o governo não precisou subir o juro e está até o abaixando. Alias a redução do juro é apenas uma antecipação de seis meses daquilo que o governo costuma fazer no ano anterior ao de eleição: abaixar o juro no segundo semestre.
E como uma vez escreveu Mário Henrique Simosen falando de Marx, Hayek e Friedman, mas aqui só nos interessando o Friedman. Com o atual nível de conhecimento não dá para levar o Milton Friedman a sério.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/03/2009

domingo, 15 de março de 2009 23:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

O monetarismo nunca se tornou parte do "mainstream" - nem nos EUA, nem aqui. Se voce pretende criticar economistas de bancos ou do BACEN, esta atirando no alvo errado. O duelo intelectual na economia "ortodoxa" se da' entre os chamados "novos keynesianos" (que hoje dominam o debate) e os "novos classicos" (a "escola de Chicago", que esta' na defensiva no momento). Quanto 'a politica monetaria, uma metafora muito utilizada para explicar porque ela e' muito eficiente para esfriar o nivel de atividade, mas nao para aquece-lo, e' a da corda - boa para segurar (ou puxar), mas nao para empurrar o cachorro. Os economistas "novos classicos" (Lucas, Sargent, Fama, Cochrane) nao defendem nenhuma medida para aquecer a economia - eles acreditam que todas sao inuteis, ou mesmo contraproducentes e prejudiciais. Portanto, segundo eles, o governo nada pode, e nada deve fazer. Deve deixar o circo pegar fogo, i.e., o desemprego aumentar, empresas e bancos quebrarem, pois, nesse caso, o sistema economico terminara' por se recuperar mais rapidamente. Os "novos keynesianos" - que dominam a academia ortodoxa - defendem a intervencao governamenal, com aumento de deficit. Os mais 'a "direita" (como Mankiw) acham que ela deve se dar por meio de reducao de impostos e concessao de incentivos fiscais, e os mais 'a "esquerda" (como Krugman) por meio de aumento dos gastos do governo.

segunda-feira, 16 de março de 2009 00:20:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

Alon,

Se com o post, vc queria atacar a politica atual do BCB, parece que o tiro saiu pela culatra. Não há deflação, na verdade o IPCA (indice oficial das metas) de Fevereiro veio elevado (devido ao reajuste da educação, entre outros).

Ou seja, não há deflação, a inflação oficial ainda não está "abaixo" do centro da meta. O que vale realmente nesse regime que vivemos são as "expectativas". Um BCB eficiente, saberia conduzi-las para aquele lugar aonde ele quer. No nosso "macho-monetarismo" o BCB tem sido eficiente em derrubar a atividade, mas incapaz (como exposto pelos outros comentaristas) de dar um alivio para que ações anti-ciclicas tenha efeito pleno na economia.

Eles se esquecem do peso dos juros na nossa divida (seja por incompetencia, seja por proposito).

De qualquer forma, seu post é exatamente a justificativa que o BCB poderia usar pra nao baixar os juros em 2% por exemplo (espera a ata da reuniao, eu aposto 2x1 que o BCB vai fazer a festa com o ultimo IPCA, tipo, "-Eu não disse que a inflação "ainda inspira cuidados" ?".

Todo mundo ve o caminhao lá na frente em sentido contrario, mas os nossos "gestores" só conseguem olhar no retrovisor.

É mais ou menos isso.

Mas fico feliz que vc tenha se unido aos "monetaristas" (mesmo que inconscientemente". (rs).

segunda-feira, 16 de março de 2009 09:31:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não há risco inflacionário. O que há são fatores pontuais que, dessazonalizados, adquirem sua real (pequena) dimensão. Se as projeções de inflação fossem essas, acima da meta, o BC não estaria derubando os juros a (na visão deles) machadadas. No atacado há sim deflação, apesar, vejam só!, do d´lar mais caro. O que indica a debilidade do consumo. E se não houver consumo interno o investimento não vai acordar. Como se sabe, na economia, diferentemente da Física, é possível o sujeito elevar-se puxando os próprios cabelos.

segunda-feira, 16 de março de 2009 10:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon feuerwerker,
O Anônimo do comentário de 16/03/2009 às 00h e 20min fez os esclarecimentos suficientes sobre as correntes econômicas. Eu mencionei o Simonsen com o que eu guardava na memória. Aqui fica a fonte com a frase tal qual apareceu no artigo dele na revista Exame de 5 de fevereiro de 1992, pág. 13: "De fato, é preciso certa pobreza de espírito para levar qualquer dos três (Marx, Milton Friedman e Friedrich August von Hayck) a sério, pelo menos dentro da perspectiva dos conhecimentos atuais".
Não tenho a autoridade do M. H. Simonsen, mas não penso ser sério os que recomendam uma política diferente para o juro sem alterar quatro outras amarrações que Lula herdou. As quatro amarrações são: 1) regime de metas de inflação, 2) câmbio livre/flutuante, 3) superávit primário para pagar a dívida pública e 4) comércio exterior relativamente liberado (Pelo menos parece que é isso que o Pascal Lamy está elogiando hoje nas páginas da Folha de S. Paulo).
Se Lula fosse presidente da Argentina pelo partido justicialista, sem dúvida que não haveria essas amarras, mas caso elas existissem, ele teria cacife político para livrar-se delas. No Brasil, se ele tributar as exportações de produtos primários e semielaborados (não agora, mas a qualquer momento em que os preços no mercado externos estivessem subindo) o "mainstrain" (gostei desse termo) empresarial o tirava do poder.
Lula faz o que pode e a única coisa que ele pode fazer é mandar o H. Meirelles só subir o juro a partir do segundo semestre do ano eleitoral e descer o juro a partir do início do segundo semestre do ano anterior ao ano eleitoral.
Se se analisasse a realidade brasileira sem ansiedade deve-se chegar a conclusão que Lula está rindo à toa porque agora essa medida de redução do juro pode ser tomada bem antecipadamente. Embora em 2003 a taxa de câmbio tivesse maior capacidade de fazer a economia se relançar pelo mercado externo, a situação atual é muito mais favorável para se ter um crescimento superior em 2010 ao que se teve em 2004.
Ah, ele pode também deixar claro para o H. Meirelles que ele é presidente do Banco Central, mas apenas para inglês ver, pois Lula sabe que isso vai ter grande influência uma vez que todos esses poderosos de São Paulo se tomam por ingleses e assim não vão queixar de juro para o Lula.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 16/03/2009

segunda-feira, 16 de março de 2009 23:01:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

Opa, ninguem falou em risco inflacionario. Vc disse deflação. Não esta ocorrendo isso.

Vc entrou em um lado da arena muito dificil de te apoiar. O fato que a inflação de janeiro é devido a fatores sazonais não significa que não há perda no poder de compra.

Isso é muito comum aos "velhos desenvolvimentistas", brigar com o termometro nao com a febre.

Sobre a deflaçao no atacado, está ai uma coisa que nunca entendendo. Qdo ela está elevada, os desenvolvimentistas dizem que a "metodologia" dela não é correta, por isso não pode servir de referencia para as metas (pesquisa-se a intenção e nao o valor de fato das vendas no atacado). Qdo ela vem com uma "deflaçao" ela é a justificativa para um corte drastico nos juros.

Lá fora se tanto valor aos indicies do atacado como do vareja. Aqui nao. Conseguimos fugir dos IPCs, e seguimos basicamente o IPCA. O IPA tem seu peso, mas não como lá fora. Então ou fazemos como eles lá fora, ou seguimos no nosso curso.

Desta forma, pra mim, uma sinalização forte no IPCA de Março é motivo pra um corte maior no juros (se somente se, o Governo resolver a equação da remuneração dos titulos vs (nao vou usar o vis-a-vis tradicional...rs) poupança.

Ter que aumentar os juros lá na frente pode ter efeitos catastroficos (como fixar no mercado que existe realmente uma barreira "natural" para o piso dos juros). Leve isso em consideraçao nas sua analises.

No momento, tudo o que vc disse é só uma tentativa de adivinhar se vai chover ou não olhando para as nuvens. É quase certo que vai chover, mas não basta. No longo prazo, prefiro os meteorologistas com todas as suas falhas.

Abçs,

terça-feira, 17 de março de 2009 10:27:00 BRT  
Blogger marcela disse...

Achei curioso ninguém ter comentado nada a respeito da seguinte frase contida no texto:
"Aqui no Brasil, o Plano Collor fez o mesmo duas décadas atrás e funcionou temporariamente."
Todo mundo sabe que o problema da inflação brasileira da década de 80 e início de 90 era inflação de demanda, o que significa que não adiantava mexer na quantidade de dinheiro disponível, pois não havia produtos suficientes para atender a demanda da população. Foi só com a abertura dos mercados, muita dor e quebradeira de empresas que o Brasil se tornou competitivo e capaz de suprir a sua demanda interna, dando possibilidade de vencer a inflação, o que veio a acontecer com o Plano Real. O Collor e a Zélia foram, sim, um fracasso.
Outro ponto que gostaria de salientar está nos comentários.
"O monetarismo nunca se tornou parte do "mainstream" - nem nos EUA, nem aqui. Se voce pretende criticar economistas de bancos ou do BACEN, esta atirando no alvo errado. O duelo intelectual na economia "ortodoxa" se da' entre os chamados "novos keynesianos" (que hoje dominam o debate) e os "novos classicos" (a "escola de Chicago", que esta' na defensiva no momento)."
Eu discordo que o monetarismo nunca tenha sido mainstream. Milton Friedman, expoente máximo da escola de Chicago, e um dos maiores expoentes do monetarismo, conseguiu infiltrar suas idéias em todos os setores do governo norte-americano, e em muitas de suas instituições, como FMI e Banco Mundial, o que acabou por levar o monetarismo a todos os cantos do mundo que transacionaram com estas entidades a partir dos anos 70.
Até hoje, o que são as metas de inflação senão um predicado monetarista? No seio do governo brasileiro.
De qualquer forma, invocar os monetaristas é como invocar a direita.

quarta-feira, 18 de março de 2009 14:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Falo como leigo em economia, o que não parece ser o caso da Marcela pelo teor do comentário dela enviado em 18/03/2009 às 14:06. Para mim, o modelo de Milton Friedman só foi aplicado em algumas republiquetas de banana. Mesmo aqui no Brasil vigorava a crítica de um dos mais conservadores dos nossos economistas, Mario Henrique Simonsen. Dai eu ter transcrito no email que enviei anteriormente o trecho da revista Exame em que M. H. Simonsen recomenda não levar o M. Friedman a sério.
E nos Estados Unidos vale o comentário que enviei para o texto acima intitulado "Simples e esclarecedor" de 20/03/2009. Os governos americanos foram sempre grandes gastadores. Até que Clinton fez um controle melhor dos gastos, reduzindo o déficit público, mas fez isso principalmente pelo lado dos aumentos dos impostos que ele sabiamente não prometera nem aumentar, nem diminuir.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/03/2009

sábado, 21 de março de 2009 19:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O que aconteceria se tds num determinado país resolvessem guardar dinheiro sob o colchão? Ocorreria inflação ou deflação? Os bancos fechariam as portas, ou a bolsa de valores se dissolveria por si? Quais seriam os efeitos práticos na Economia, e Finanças, de um país?...

sábado, 19 de novembro de 2011 23:55:00 BRST  

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