quarta-feira, 25 de março de 2009

O problema, a solução (25/03)

Guerra contra o tráfico no Rio e na fronteira dos Estados Unidos com o México. O secretário de Segurança do Rio dá declarações sensatas:
    “As ocupações que estamos fazendo não vão acabar com o tráfico, não vão acabar com a violência. Isso vai existir e o tráfico vai migrar. O tráfico vai sempre aonde existir viciado. O que nós não vamos admitir é essa territorialidade que o tráfico tem”, afirmou Beltrame, que voltou a afirmar que o usuário tem uma participação importante nessa cadeia, assim como o produtor e o fornecedor. “As pessoas brigam, no fundo, por dinheiro. E de onde sai o dinheiro? De quem consome. Naquelas áreas se paga e se paga muito bem”.
Hora de lembrar o que se escreveu aqui em Financiadores do terror:
    Na sua configuração atual, o crime está indexado ao tráfico de drogas. E só se traficam drogas onde existe mercado. Então, para combater o crime na sua versão mais moderna (a criminalidade terrorista), o melhor a fazer é achar um jeito de travar a guerra total ao tráfico de drogas. Aí aparece um problema: não há como combater radicalmente o tráfico de drogas sem atacar o mercado de consumo da droga. O terreno para que prosperem o crime e o terrorismo no Brasil vem sendo adubado pela tolerância ao consumo das drogas. Você, que além de desfilar de branco pedindo paz também gosta de consumir sua droga na intimidade, é o principal financiador da barbárie que ameaça os seus entes queridos.
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14 Comentários:

Blogger Ukyo-br disse...

Alon, uma coisa interessante dessa declaração do Secretário é um questionamento: se sempre vai existir consumo, porque não legalizar?

No Brasil temos uma contradição fascinante. O tráfico é combatido, mas o usuário é tratado como viciado, o que, convenhamos, é uma abordagem hipócrita. Não tenho dados em mãos relativos à proporção de viciados entre o público usuário, mas por um comentário do âncora Boris Casoy, nesta terça feira 24/03, essa proporção seria de 15% do público consumidor. Quer dizer, 85% dos consumidores consomem por simples interesse recreativo, mas tem suas cabeças afagadas quando flagrados portando o entorpecente.

Eu, pessoalmente, acredito que a criminalização só serve para irrigar o submundo com dinheiro, lubrificando as engrenagens da corrupção e, em última análise, enfraquecendo o Estado e enriquecendo alguns membros deste. Sou plenamente a favor de legalização, a começar pela maconha, com pesada regulamentação e campanhas educativas, tal qual se faz hoje com o tabaco.

Mas, dito isso, a política atual antidrogas é esquizofrenica. Só faz sentido a tolerância com usuário se isso for visto como uma tendência que levará à legalização.

quarta-feira, 25 de março de 2009 08:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A declaração do secretário Beltrame, vem na hora certa, em meio aos caos que se formou em bairros, antes considerados tranquilos, do Rio de Janeiro, as autoridades competentes poderiam abrir uma discussão de como acabar com o mercado de drogas. No meu ver, não basta entrar na favela e cassar traficantes como animais, talvez seja o alvo errado, talvez seja hora de cassar quem consome drogas, a discussão teria como foco principal como fazer os usuários pararem de comprar drogas dos traficantes, o que muitos dizem por aí, até o ex-presidente FHC já disse, seria a descriminalização do uso de drogas.

Luciel Ribeiro
expressorede.blogspot.com

quarta-feira, 25 de março de 2009 10:21:00 BRT  
Blogger sergio ferreira disse...

Como usuário de drogas, eu pergunto:
Se eu pudesse plantar meu vaso de maconha, como estaria contribuindo para o tráfico?
Se eu pudesse sintetizar meu LSD, como estaria contribuindo para o tráfico?

abçs

quarta-feira, 25 de março de 2009 10:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quarta-feira, 25 de março de 2009 12:03:00 BRT  
Anonymous Carlos disse...

Vamos continuar repetindo as palavras do carrasco que talvez conseguiremos enganar alguns que somos como o nobre capitão Nascimento (aproveitemos e comecemos a marchinha totalitária que nem fazem nos EUA sobre "support our troops" ou o que valha)? Desculpa, mas esse lance de "tolerância zero" é apenas a forma super-macha de pessoas definirem seu "pensamento crítico zero".

Já usei várias drogas, e admito minha cumplicidade (já não uso nada faz uns anos). Que tal os que realmente importam adimitirem sua cumplicidade? Policiais, a polícia de forma sistemática, deputados, governo em geral de forma sistemática, uma das grandes fontes de tais políticas (EUA) e seu papel em tal mercado negro (e os pontos já provados como Iran-Contra e coca, afeganistão e ópio, Noriega, colômbia, o aumento do mercado onde o DEA se faz presente etc)?

Não dá mais para ficar gritando "É GUERRA!" e tocando o tamborzinho da marcha enquanto se aumenta o perfil do inimigo do estado (alguns diriam como um puppet, mas nem é necessário - é apenas necessário apontar as causas de tal mercado e as razões do uso, não?).

Quando o que se lamenta é que a política com viciados ficou mais humana (depois de décadas tentando mudar isso -- e precisando mudar mais: pobre e negro não são tratados como doentes, mas como criminosos ainda) se percebe que estamos em uma direção lamentável.

Mas continuamos então batendo com a mão no peito fazendo cara braba, marcando território, e transformando favelas em pequenas concentrações de um estado policial enquanto continuamos com o role-playing de sermos generais ferrenhos de cadeira-e-teclado.

quarta-feira, 25 de março de 2009 12:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon,

Desta vez não concordo contigo. Dizer que o consumidor financia o mercado de drogas é muito pouco. Qualquer um pode falar isso. O problema está também relacionado com a questão da criminalização. As drogas nos acompanham desde os tempos mais remotos. É hora de lidar a questão com menos moralismo e menos frases de efeito e começar a atacar a arquitetura social, que gera a vinculação entre violência e o mercado de drogas. Culpar o consumidor implica em desenvolver uma análise do processo, que não consegue ultrapassar a aparência de toda esta configuração. A droga é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

quarta-feira, 25 de março de 2009 12:55:00 BRT  
Blogger Richard disse...

É, podiam acabar com o usuário ou simplesmente LIBERAR O CONSUMO.
A combinação bebida+carro é bem conhecida pela periculosidade, mas ninguém pensa em proibir carros ou bebidas separadamente, só juntas.
Enquanto o cidadão não puder comprar a marofinha dele, como quem compra uma cerveja, sempre existirão os "facilitadores"... igual era quando computador era algo difícil de importar legalmente, lembra?!

quarta-feira, 25 de março de 2009 13:30:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Há um pequeno-grande problema. Concordamos que o consumidor é parte do problema e parte grande. A solução para alguns é a legalização de algumas drogas, a maconha mais precisamente, por ter maior procura. Outros mais intransigentes declaram que seria o momento de endurecer com o consumidor e colocá-lo na cadeia.

Bom, minha pergunta: no nosso sistema carcerário, haveria tantas "vagas" em nossas cadeias para os usuários, já que falamos em centenas de milhares os usuários de cocaína e alguns milhões os usuários de maconha? Incharemos ainda mais esse sistema já falido? Isso resolveria o problema?

quarta-feira, 25 de março de 2009 13:32:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

quarta-feira, 25 de março de 2009 14:10:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caros, infelizmente não costumo postar comentários sobre assuntos alheios ao post, ou particulares. Para isso, peço que entrem em contato pelo email alon@blogdoalon.com. Obrigado pela compreensão.

quarta-feira, 25 de março de 2009 14:14:00 BRT  
Blogger Andre disse...

As pessoas não vão parar de tomar drogas. Sejam elas legais ou ilegais. Por isso, a política menos pior seria a legalização. A luta internacional contra as drogas já completou 100 anos. E os resultados, como todos sabem, são pífios. Nos últimos 10 anos a produção de ópio e cocaína continuou a mesma, a de maconha cresceu. Apenas os EUA gastam US$ 40 bilhões/ano no combate as drogas. 1/5 da população negra americana vive atrás das grades. Comparando as estatísticas em países com diferentes abordagens ao problema mostram que leis mais duras contra as drogas não significam menos usuários. Ou seja, talvez a legalização não signifique necessariamente o aumento no número de drogados. É preciso lembrar que muito dos consumidores de drogas ilegais, inclusive cocaína e heroína, as usam ocasionalmente. E fazem isso porque sentem prazer. Assim como sentem prazer em tomar um whisky. Não é trabalho do Estado fazer com que elas parem de agir assim. A legalização não vai acabar completamente com o tráfico, nem vai trazer consolo para as famílias de pessoas viciadas. É preciso reconhecer que existe o risco de haver um aumento do número de pessoas com problemas com droga. Mas esta abordagem pelo menos vai fazer diminuir muito a entrada de quase US$ 300 bilhões/ano para financiar o crime organizado. De qualquer modo, esta tem que ser uma decisão de mudança na política mundial. O Brasil não pode sozinho decidir legalizar a venda e o uso de entorpecentes. O que foi dito aqui é apenas um resumo de um excelente artigo do The Economist, deste mês. http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=13237193

quarta-feira, 25 de março de 2009 14:59:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

O seu raciocínio político-econômico está correto, Alon. O médico - sobretudo psiquiátrico - não.

O caso americano é mais gritante. Nos tempos de estudante, fiz uma reportagem sobre a economia da coca na Bolívia, sob a direção do professor Bernardo Kucinsky. Os dados do próprio governo americano (DEA) mostravam que o preço da droga subia uma infinidade ao cruzar a fronteira americana, não antes.

Ou seja, os gringos ficam com a grande maior parte do lucro. No entanto, a repressão estava toda na Colômbia. Um bom jeito de ficar bem na fita com os consumidores locais e, ainda por cima, posar de democratas e defensores do direitos humanos.

As ações da CIA contra os traficantes latinoamericanos jamais seriam possíveis dentro do território norteamericano.

quarta-feira, 25 de março de 2009 15:34:00 BRT  
Blogger Andre disse...

A droga é cara dentro dos EUA, porque o mais caro, o mais trabalhoso, o mais arriscado, é colocar a droga lá. O consumidor chega a pagar 100x o valor do custo da produção. Mas dizer que a repressão está toda na Colômbia é um pouco demais. Um milhão e meio de americanos são presos todos os anos por crimes ligados às drogas. Acho que basta dizer isso.

quarta-feira, 25 de março de 2009 16:14:00 BRT  
Blogger Richard disse...

Pelo visto, se o Brasil não pode unilateralmente liberar a venda e o consumo, pode, pelo menos, iniciar um debate amplo, transparente e cientificamente embasado.
Acho que teria grande projeção internacional, para o Brasil e o governo Lula, do que ficar conhecido como o país do futebol, mulher bonita e do Capitão Nascimento!!!

quarta-feira, 25 de março de 2009 17:41:00 BRT  

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