quarta-feira, 18 de março de 2009

O ônus do poder (18/03)

Armínio Fraga e Affonso Celso Pastore acham que os juros reais podem cair para 4%. Leia aqui. Outra coisa. O debate em torno da caderneta de poupança, cujo rendimento atual é um limite à redução da Selic, indica que o governo não se preparou adequadamente, previamente, para um cenário de queda forte dos juros. Se estivesse preparado, teria a solução já engatilhada. É visível que o governo -ou as autoridades econômicas- acharam que iriam atravessar a crise sem precisar derrubar o juro a machadadas. Vai ver acreditaram na "pressão inflacionária devido ao câmbio", tese que deve ter feito a alegria de muita gente esperta nos últimos seis meses. Gente que hoje incha a veia do pescoço para dizer o contrário. Daí o atraso do Banco Central no afrouxamento da política monetária. O governo tem mesmo que mexer na poupança, e que pague o custo político por isso. É o ônus do poder. O principal agora é derrubar os juros. Do jeito que for.

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10 Comentários:

Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, ônus do poder é não poder ficar fazendo "achismo" sobre juros reais (e ter de ouvir o achismo de quem não é responsável pela decisão). Quanto a mudança da poupança, tem um ônus político claro, mas as soluções tecnicas não apresentam grande diversidade (cortar a TR? reduzir os juros de 6%?) e não demandam muitos preparativos.

quarta-feira, 18 de março de 2009 12:04:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

Finalmente meu caro,

Voltamos a concordar em alguma coisa.

Os tais desenvolvimentistas só sabem reclamar do BCB, qdo os juros baixarem eles vão ficar como a oposição ficou qdo o Lula abocanhou o discurso da austeridade fiscal e da estabilidade.

quarta-feira, 18 de março de 2009 14:36:00 BRT  
Blogger Dourivan Lima disse...

Mas por que o governo "tem mesmo que mexer na poupança", "cujo rendimento atual é um limite à redução da Selic"?

Só para não comprometer o rendimento dos bancos?

O preço para ter um sistema bancário "hígido" (arre) é atender uma chantagem depois da outra?

quarta-feira, 18 de março de 2009 17:54:00 BRT  
Blogger Richard disse...

O Dourivan falou TUDO!
Isto é apenas a confirmação de que a estratégia do governo para crise está ERRADA. Lula, influenciado por Meirelles e outros (acho até a Dilma) não quer partir para mudanças radicais, nas causas e nos agravantes da crise.
Está gastando nossa "gordura", o dinheiro do Tesouro, com os bancos. Vai continuar privilegiando CONSUMO, ENDIVIDAMENTO ao invés de buscar o verdadeiro desenvolvimento sustentável.
Hoje, ele está arrotando com a plataforma da Petrobras (PAC)... mas não tá nem aeh p/ pessoal demitido pela Embraer, da qual ele não comprou 1 teco-teco!!!

quarta-feira, 18 de março de 2009 18:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A estabilidade herdada, antiga herança ruim, para ser mantida dependeria do manuseio adequado dos mecanismos de política fiscal, monetária e cambial implementados por ocasião do Plano Real. O que pode estar salientando-se é a pressão sobre umas das colunas, a fiscal, fortemente pressionada por gastos rígidos para baixo. Na época de bonança, medidas de contenção ou ajustes puderam ser proteladas. Agora, com a agudeza da crise, a fragilidade fica exposta.

Swamoro Songhay

quinta-feira, 19 de março de 2009 09:26:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

@ Richard, Dourivan

O Governo tem que mexer no rendimento da poupança, pq, como todo Governo é deficitario, e pra rolar sua divida ele emite titulos no mercado. Sobre esse titulo incidem o IR e a taxa de administraçao. Isso é o que vc faz qdo investe num fundo de renda fixa por exemplo.

A poupança, nao tem nem IR nem taxa de administraçao, o que é uma diferença significativa. O que ocorre qdo vc diminui a remuneraçao dos titulos do Governo (SELIC), todo mundo pode correr pra poupança pra nao pagar, basicamente IR. Atualmente, já tem fundos que rendem menos que a poupança (questão de gestao). Qdo o Governo cortar mais 1,5% ou 2% praticamente nenhum vai render, em termos, liquidos mais que a poupança.

A questao politica é mais grave, qdo sabe-se que a Poupança é um patrimonio brasileiro. E só o trauma de ver o Collor de novo da midia já é um pesadelo. Imagine explicar tudo isso pra populaçao?

O Governo está enrolado, tem que reduzir a remuneraçao, sem causar panico ou revolta.

Esse é o problema de quem só sabe reclamar, qdo precisa fazer não sabe nem por onde começar.

Abçs,

quinta-feira, 19 de março de 2009 10:15:00 BRT  
Blogger Richard disse...

Oi Talk, como o governo não vende títulos direto ao consumidor, é uma transação interbancária, deveria ficar a cargo dos últimos criar investimentos mais rentáveis.
Uma das propostas para resolver o enigma da poupança é criar uns prazos de carência para regate... já foi feito isto!
Para o poupador tradicional, esperar uns 4 ou 5 meses, só depositando, para a retirada não é problema. Os prazos de carência poderiam ser proporcionais, em crescendo, ao valor empatado.
Acho uma saída melhor do que punir todos para afastar alguns "espertos"!

quinta-feira, 19 de março de 2009 10:29:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Richard, o Tesouro vende, sim, títulos direto ao consumidor. A operação tem exatamente esse nome: Tesouro Direto.

quinta-feira, 19 de março de 2009 11:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

De todo modo, mexer na poupança, seja por qual motivo for, tem potencial de fogo em palha seca. O Plano Collor, que congelou ativos financeiros ainda está muito claro na memória. Guardadas, é claro, as devidas proporções de cada evento. Deu no que deu.

O que não dá, em meio ao agravamento dos efeitos da crise internamente, ocorrer tateamentos de medidas que tinham de ser mais certas em direção ao alvo.

Swamoro Songhay

sexta-feira, 20 de março de 2009 10:23:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

Richard,

Nao duvido que o Governo vá optar por essa opçao. Nao pelos motivos que vc expos, mas simplesmente, é a que causa menor marola politica.

sexta-feira, 20 de março de 2009 12:14:00 BRT  

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