segunda-feira, 30 de março de 2009

Ladeira abaixo (30/03)

Deflação forte no IGP-M:
    O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), referência para o reajuste de aluguéis, registrou em março uma queda bem maior que a esperada pelo mercado, refletindo uma forte diminuição nos custos no atacado. O indicador declinou 0,74%, ante alta de 0,26% em fevereiro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta segunda-feira. Esta foi a maior retração desde junho de 2003, quando o índice recuou 1%. No ano, o IGP-M acumula queda de 0,92%, mas nos últimos 12 meses tem alta de 6,27%.
BC e mercado reduzem ainda mais a projeção de crescimentodo PIB. O BC:
    O Banco Central (BC) reduziu para 1,2% a previsão para o crescimento do do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. Há três meses, a expectativa da autoridade monetária era de evolução real da atividade em 3,2% neste calendário. Essa mudança, conforme o Relatório de Inflação de março, é "consistente com a evolução na margem dos principais indicadores do nível da atividade da economia brasileira e com a deterioração das expectativas, registradas no início deste ano".
O mercado:
    O mercado financeiro brasileiro continua vendo a economia estagnada e a inflação abaixo do centro da meta este ano e começa a sinalizar um corte maior na taxa de juro em abril, segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira. A previsão para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 caiu de 0,01% na semana anterior para zero. O cenário para 2010 permaneceu em 3,50%.
Mas o BC, segundo o mercado, parece perseguir uma inflação abaixo do centro da meta:
    A estimativa para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano caiu de 4,42% para 4,32%, enquanto para 2010 ficou estável em 4,50%. O número previsto para este ano está abaixo do centro da meta perseguido pelo governo, que é de 4,5%.
Todos os textos são de reportagens no globo.com. E uma observação: os números do mercado para a inflação estão defasados. A prova é que a deflação do IGP-M (-0,74%) veio bem mais forte que se previa (-0,34%). Alguém pode explicar qual é o sentido de se perseguir uma inflação abaixo do centro da meta numa economia que afunda?

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

A leitura pode ser outra:cartomantes da economia, abundam, e nehum acerta.Lembre do PIB de 2008, que mais se proximou,citava 3% ou perto disso. Essa crise, é para quem aprecia e suporta fortes emoções.Lembra, as sofisticadas e criminosas "montanhas-russas" , da Flórida.Pelo menos, está servindo para desmoralizar, os "colunistas especializados" e seus proselitismos produzidos nos gabinetes dos seus patrões.

segunda-feira, 30 de março de 2009 16:12:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

Alon, ok que não há qualquer sentido em perseguir uma inflação abaixo do centro da meta.

Mas só quero lembrar que apenas a SELIC não evitaria a queda na atividade econômica.
Bancos Centrais dos países ricos, todos baixaram juros (alguns negativos) e não evitaram recessão nos EUA e na Europa.

Com isso, nem se a SELIC estivesse negativa há 1 ano, eles importariam mais do que importaram do Brasil neste período, e o setor exportador, seja industrial, seja de commodities sentiria o baque do mesmo jeito.

Para a economia real, e para o mercado interno, o spread bancário é muito mais grave do que a Selic.

E é o spread, além da oferta de crédito que secou, que irá determinar um maior aquecimento da economia no mercado interno, do que a Selic.

A Selic baixar é importante para sobrar mais recursos no orçamento da união, e reduzir o próprio principal da dívida. Acho que a crítica é cabível, mais por este caminho.

terça-feira, 31 de março de 2009 00:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ao que está ocorrendo com os índices de inflação, remonta mais à queda da atividade econômica. Ou seja, a desaceleração está fazendo o papel de derrubar os preços.

Swamoro Songhay

terça-feira, 31 de março de 2009 10:40:00 BRT  
Anonymous André Egg disse...

O Spread bancário é diretamente derivado da SELIC extratosférica.

O que adianta os países centrais reduzirem taxas de 2% para 1%? Não faz muita diferença. Mas um país que ainda tem taxa acima de 10% realmente tem muitos benefícios a colher.

O J. Augusto não poderia imaginar uma economia puxada pelo mercado interno? Estamos a viver de exportações desde Cabral, acho que já é hora de mudar alguma coisa.

terça-feira, 31 de março de 2009 14:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Há três maneira de analisar esse seu post. Uma é não dizer nada. Basta ler o seu texto e chegando ao final perceber que se trata de situação inexplicável. Então relê-se o texto novamente e verifica-se que está tudo bem explicado.
A segunda maneira é contar a história do argentino da piada. Quem é o argentino da piada? Bem, argentino da piada é um gaúcho, filho de índio que fala espanhol, tem sobrenome italiano e pensa que é inglês. O argentino da piada serve para introduzir o Presidente do Banco Central do Brasil. Quem é o presidente do Banco Central do Brasil? É o Henrique Meirelles. O Henrique Meirelles é presidente do Banco Central do Brasil para o argentino da piada, isto é, Henrique Meirelles é presidente do Banco Central para inglês ver.
A segunda história está incompleta, afinal o Henrique Meirelles passa por Presidente do Banco Central aqui no Brasil. É verdade, mas isso se deve a que há muitos brasileiros ainda que o sobrenome não seja inglês que se tomam por ingleses. Muitos desse brasileiros que se tomam por ingleses se manifestaram agora contrariados com a declaração do presidente de que a crise foi causada por louros de olhos azuis.
E há uma terceira forma que seria acompanhar a subserviência do Banco Central à vontade do presidente nos últimos 6 anos do governo Lula.
Assim, no segundo semestre de 2003, o governo mandou o Banco Central baixar bastante o juro porque o governo precisava se fortalecer nas eleições de 2004. Dito e feito, o Banco Central baixou o juro em uma taxa mais rápida do que o que se tem hoje, embora ele tenha começado a baixar o juro no segundo semestre, contanto, portanto, com um tempo mais curto. Quando o crescimento de 2004 já estava assegurado o governo mandou o Banco Central subir o juro novamente. O mesmo governo, em abril de 2008, ali enquanto o Banco Central relutava em aumentar o juro, definiu o que era inflação de tal forma que o povo entendesse: “ a desgraça da inflação” e não fazendo uso do enunciado catedrático mas provavelmente falso dos tucanos: “a inflação é o mais injusto dos impostos” . A fala de Lula era a senha para a subida de juro, que só agora em 2009 começa a cair.
Felizmente ainda há muita gordura para fazer o juro cair, sem atrapalhar a necessidade de financiamento dos cofres públicos. E se tudo der certo e a possibilidade para que isso ocorra é muito grande, teremos em 2010 taxas de crescimento expressivas. Para que esse crescimento seja duradouro seria importante que os esforços fossem no sentido de manter o real desvalorizado para que lá na frente não se tenha crises no Balanço de Pagamentos tão freqüentes como tivemos no período de FHC.
Se se pensa que o saldo na Balança Comercial é que evita a crise, e que o saldo é um sacrifício imposto a nação para que ela não fique sob o jugo do capital internacional e que há três formas simples de impor o sacrifício: cortar gastos, aumentar impostos e aumentar os juros, se conclui que a alternativa do aumento de juro não é tão má, principalmente levando em conta que a alternativa de minha preferência, o aumento dos impostos, conta com a oposição da maioria. É verdade que o juro alto ajuda a crescer o montante da dívida, mas dizem que isso é bom para que grandes investidores como o Daniel Dantas possam transferir recursos de um setor com sobra para outro com carência.
Dê uma olhada nos anos de 2003 e 2004 e responda em que a situação lá era melhor do que a de hoje para se ser tão pessimista como você está sendo. Talvez o que se tivesse lá melhor era o total da dívida pública o que facilitava o trabalho dos Daniéis Dantas. Não sou muito favorável a essa teoria econômica, mas penso que ela é um alerta para que os que querem acabar com a dívida a todo custo.
Quanto aos comentários, eu estou com o Anônimo: os nossos videntes econômicos não fazem um trabalho melhor do que o meu que sou leigo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 31/03/2009

terça-feira, 31 de março de 2009 21:59:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

Caro André Egg

O que aumentou a participação do mercado interno na economia foram os programas de recomposição e de distribuição de renda, além do crédito consignado (único com juros menos altos).

A diminuição do spread é outro fator crítico que ajudará o mercado interno.

A spread no Brasil é completamente descolado da Selic, diferente dos países ricos.

Quando a Selic caiu 12,75% para 11,25% (corte de 1,5%), os bancos reduzem os menores juros ao consumidor de 50% para 48,5% (ao ano) por exemplo, ou seja corta o 1,5% mas sobre um juros já estratosférico que pouco significa para o microempresário ou cidadão comum.

Se o BC cortasse 3% que seja, colocando a SELIC a 8,25%, os bancos ofereceriam juros a 45,5% (ao ano). Você acha que isso é solução para um microempresário ou consumidor? É claro que não.

Para diminuir o spread, o governo tem usado a CEF, o BB, o BNB, para reduzir os juros oferecendo concorrência aos privados. É preciso que todos os cidadãs não se acomodem e troquem de banco para um estatal, caso seu gerente de banco privado não lhe dê as mesmas taxas que os estatais estão oferecendo. Do contrário, os privados continuarão deitados em berço esplêndido, sendo xingados de noite, mas usados de dia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009 00:49:00 BRT  

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