quarta-feira, 11 de março de 2009

Inação desastrosa (11/03)

Hoje termina a reunião do Comitê de Política Monetária. Vamos ver quanto o juro básico vai cair, depois do desastre do PIB do Q4 de 2008. A queda do juro deveria ser de pelo menos uns quatro pontos percentuais, para que a taxa real chegasse a algo em torno de 6%. E isso para começar. Para não haver risco imediato de fuga de dólares (vejam como estou sendo conservador). Juro real de 6% num mundo de taxas reais negativas ainda será uma ilha da fantasia. Hoje, meu colega de muitos anos Clóvis Rossi, que teve que trabalhar em dobro durante a cobertura da Olimpíada de Barcelona (1992), quando tive uma crise renal, faz uma referência em sua coluna na Folha de S.Paulo a eu ter dito um dia que no Brasil os pessimistas sempre têm mais chance de estarem certos do que os otimistas. Parece que infelizmente a regra está valendo. Mas não se trata de uma fatalidade, de um destino. Nesta crise, por exemplo, os pessimistas estão sendo fortemente ajudados pelo próprio governo, que há seis meses assiste à secura do crédito interno sem reagir. E dando trela à conversa fiada do "risco inflacionário". Isso vem sendo notado aqui neste blog desde outubro. E por que o governo não reage? Talvez por acreditar numa retomada mais rápida da economia global. Talvez pelo excesso de compromissos com o capital financeiro. Talvez por acreditar que a sorte de Luiz Inácio Lula da Silva nos tirará desta de forma relativamente indolor. O fato é que a inação de Lula diante da ditadura financeira num cenário benigno era não apenas tolerável, mas até defensável. Por razões políticas. No cenário atual, quando a secura do crédito simplesmente trava a economia, a passividade governamental é o caminho para o desastre. O governo precisa urgentemente encontrar um jeito de fazer os bancos emprestarem dinheiro a um preço razoável para as empresas e as pessoas. Deveria, por exemplo, tabelar e congelar as tarifas bancárias num nível bem abaixo do que estão hoje. A redução radical da Selic também ajudará. Enquanto os bancos puderem viver bem sem ter que cuidar do que deveria ser o core business (emprestar dinheiro para as empresas e as pessoas), estaremos todos atolados. Ah, sim, e a queda dos juros, ao reduzir a despesa financeira do Tesouro, abrirá espaço para que a contenção dos gastos de custeio se faça de maneira socialmente mais justa. Talvez sobre dinheiro para aumentar ainda mais o salário mínimo e, por que não?, a renda dos aposentados. Pobre e aposentado não poupa, consome. A hora é de colocar dinheiro na mão de quem vai consumir. Para estimular quem pode investir. Leia o que venho escrevendo sobre o assunto desde a eclosão da crise. Ou faça uma busca seletiva neste domínio (blogdoalon.com.br) por crise+juros+lula. Pode ser na caixinha no alto à esquerda desta página ou nas opçao de busca avançada no Google.

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8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Os petistas só gostam da árvore da globalização na hora de comer a maçã. Quando são expulsos do paraíso...

quarta-feira, 11 de março de 2009 08:38:00 BRT  
Anonymous Danie Barreto disse...

Olá,
Espero que pode ser do seu interesse.
Tem um enfoque interesse em Política e Relações Internacionais

http://papodepolitica.blogspot.com

quarta-feira, 11 de março de 2009 11:52:00 BRT  
Blogger Zé Augusto disse...

Alon de onde você tirou que cporte de 4% de juros dá juros reais de 6%?

IPCA de fev acumulado nos 12 meses = 5,9%

SELIC = 11,25%

Juros reais = 5,35%

Outra coisa: quem vai financiar a rolagem da dívida, se a SELIC ficar abaixo do rendimento da poupança?

quinta-feira, 12 de março de 2009 06:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon: você já leu algum livro de teoria econômica convencional, aquela que é ensinada na esmagadora maioria das escolas do mundo?

quinta-feira, 12 de março de 2009 22:43:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Sim, já.

sexta-feira, 13 de março de 2009 00:57:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Árvore da globalização?! Essa que deu os frutos da quebradeira internacional? A que fez os EUA estatizarem bancos? Que vai fazer dos trabalhadores da GM e da AIG servidores públicos? Ou será aquela que leva M. Sarkozy e Mr.Brown a pregarem imediato retorno do Estado ao posto de comando?
Minha velha avó sempre disse que o pior cego é aquele que não quer ver. O que tem de cego ruim, de Wall St. à PUC-Rio, passando por blogs aqui e ali, é p'ra Padre Chico nenhum botar defeito...

sexta-feira, 13 de março de 2009 05:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Por curiosidade, qual livro?

sexta-feira, 13 de março de 2009 19:14:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Diversos. O melhor acho que foi O Capital, obra hoje recomendada por gigantes como George Soros. Um abraço.

sexta-feira, 13 de março de 2009 20:22:00 BRT  

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