segunda-feira, 16 de março de 2009

Deflação (16/03)

De Alvaro Gribel (no blog da jornalista Miriam Leitão):
    Inflação segue perdendo força

    O IGP-10 de março registrou deflação de 0,31%, divulgou hoje pela manhã a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em fevereiro, a taxa havia registrado alta de 0,54%. Tanto os preços agrícolas quanto os industriais no atacado sofreram deflação. Os agrícolas sairam de uma alta de 3,24% em fevereiro para queda de 1,49% em março. Os industriais, de -0,45% para -0,26%. Na avaliação do economista Gian Barbosa, da Tendências Consultoria, os IGPs devem continuar perdendo força no acumulado em 12 meses ao longo do ano, (...) hoje estão em 6,97% mas devem fechar na casa dos 3%. Para o IPCA, a previsão da Tendências é de 4,2%, já abaixo do centro da meta de 4,5%, e a consultoria ainda avisou que vai refazer os cálculos para baixo. A mesma coisa vai acontecer com a previsão para a taxa Selic, que hoje está 10,25%. (...) o economista acredita que o repasse cambial na indústria já foi feito, ou seja, não existe mais risco inflacionário por conta de desvalorização do real.
Leia a íntegra. O Banco Central deveria convocar uma reunião extraordinária e baixar a Selic mais uns dois pontos percentuais. Alguns leitores questionaram a minha conta de que um juro nominal em torno de 9% representaria um juro real de 6% (Inação desastrosa). Está aí: "Na avaliação do economista Gian Barbosa, da Tendências Consultoria, os IGPs devem continuar perdendo força no acumulado em 12 meses ao longo do ano, (...) hoje (...) em 6,97% mas devem fechar na casa dos 3%". Outro detalhe: estamos só em março mas as projeções do IPCA já ficam abaixo da meta. Qual é o sentido de empurrar a inflação para um alvo abaixo da meta numa situação como a atual? Alguém pode explicar?

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14 Comentários:

Blogger averdade disse...

Deflação é bom para o povo. Ruim para a economia a longo prazo. Torço por preços mais baratos. Afinal mais barato, mais dinheiro para gastar, mais economia movimentada.

Daniel
http://papodepolitica.blogspot.com

segunda-feira, 16 de março de 2009 17:20:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

Alon, fui eu que apresentei os números de que os juros reais estariam abaixo de 6%.
O Copom deveria se reunir quinzenalmente nesta época de crise (mesmo que não mexesse na taxa em todas as reuniões). Concordo que não dá para esperar 45 dias.
Só tenho uma ressalva em seu argumento. A projeção se inflação para fechar na casa dos 3% é se taxa de juros cair ao longo do ano, conforme antevê o mercado, chegando a 1 dígito no fim do ano (se não me engano).
Se mudar esse cenário, a projeção de inflação não será 3%.
De qualquer forma você está certo em dizer que nada justifica empurrar a inflação para abaixo do centro da meta (4,5%) no cenário atual.

terça-feira, 17 de março de 2009 03:48:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

Alon,

Não adianta querer um choque de juros. Veja a encrenca que o Governo está com a remuneração da Poupança. Vc viu algum analista alertando para o fato?

Se tivesse ocorrido o choque de juros como vc prega, todo mundo teria fugido dos titulos do Governo (inclusive eu, afinal Poupança nao paga IR e nem taxa de administraçao).

Uma fuga dos titulos teria efeitos catastroficos, e num ambiente já turbulento como esse poderia jogar toda o esforço de estabilização no ralo.

Lembre-se, sempre te disse aqui, o problema da divida do Governo nao é o tamanho e sim o perfil de curto prazo (apesar da melhorias que o Governo Lula implantou).

A critica ao BCB é ter sido muito lerdo pra abaixar os juros, mas pra mim, principalmente sempre colocar muitas ressalvas nas atas, o que não permitiu uma recuperação mais ampla da confiança do empresario. Parecem adolescentes, timidos e sem confiança (proposital?). Tambem tenho uma critica pontual ao fato do BC nao ter abaixado os juros em Dezembro.

No medio e longo prazo, o BCB nao aproveitou as janelas de oportunidade para derrubar um pouco mais juros e aliviar o Tesouro. Mas isso é ideologico, não tem jeito.

No momento o BCB esta fazendo o que tem que fazer e no ritmo certo, com pequenas divergencias qto ao ritmo. Devemos criticar a visao curta dos gestores que lá estão só isso.

Só espero que qdo a crise passar o BCB tenha trazido os juros a niveis "normais". Só isso já me deixaria satisfeito.

terça-feira, 17 de março de 2009 10:10:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

Se vc fizer a pergunta certa, terá a resposta correta.

A PREVISAO da Tendencias é de inflação ABAIXO da meta. Só AGORA. Só uma consultoria pode confiar nessa previsão. O BCB pode? O BCB deve?

Por isso que todas as vezes q imagino opções para serem colocadas na cadeira do BCB fico meio desiludido.

Em situação normal, todo ano a previsao da inflação começa abaixo do centro da meta.

Mas ninguem mais se preocupa com a inflação. Só nao adianta querer dar um choque de juros. Não vai resolver.

Esses dados não estavam tão claros em Novembro. Não dá pra dizer que o BCB cometeu um erro craso. Se tivesse abaixado os juros em Dezembro, teria sido corajoso e confiante. Não é o perfil desse BCB.

Pra analisar corretamente, vc deveria fazer o contrario, analisar os efeito nocivos na economia da necessidade de aumentar os juros no medio prazo. Já disse que isso iria fixar um piso pros juros e ficaremos anos empacados nesse nivel.

Acho que o BCB poderia fazer mais na comunicação com o mercado, ser mais confiante com a recuperaçao da economia, retirar todas as ressalvas e elevar a queda pra 2%. Isso faria os consumidores, empresarios e investidores pararem de olhar o mercado externo e olhar o interno.

terça-feira, 17 de março de 2009 10:39:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

Alon,

A questão realmente importante no momento é essa que está nos comentarios o Hermê.

Spread. Mas tem só um probleminha...

http://ohermenauta.wordpress.com/2009/03/13/o-psdb-e-os-juros/#comments

terça-feira, 17 de março de 2009 10:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A deflação pode tornar-se problema quando perdura por muito tempo. As pessoas, com a percepção de que os preços cairão mais, adiam as compras, acumulam-se estoques, os preços caem mais ainda, ocorre desemprego e a economia trava. Talvez o BC não baixe os juros básicos abruptamente, agora, pelo fato de que o efeito do câmbio na inflação ainda não está claro (houve praticamente uma maxi de cerca de 50% em prazo curto) e pode ser que tal alta ainda não tenha refletido nos preços. A desinflação sentida agora, pode ser efeito de ajuste de estoques e não necessariamente de aumento de produtividade ou de contenção de gastos públicos de custeio. Assim, talvez nas análise do Copom, a inflação ainda pode ser ameaça a médio ou longo prazos.
Ainda mais que a economia desacelerou fortemente no último Tri de 2008 apesar do programa de aceleração do crescimento.

Swamoro Songhay

terça-feira, 17 de março de 2009 11:43:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Quero meus royalties, Mr. Talk of the Town: "Veja a encrenca que o Governo está com a remuneração da Poupança. Vc viu algum analista alertando para o fato?"

"Artur Araújo disse...
Sabe-se - e a construção gramatical adotada é a filha dileta do off - que a redução da SELIC parou em 1,5% não por qualquer preocupação com inflação de demanda, mas por um singelo cálculo sobre:
a) eventual fuga de aplicações para cadernetas de poupança, de menor rentabilidade para a banca;
b)risco de redução de margens, pois taxas de juros "muito baixas" não permitem bons spreads;

Sexta-feira, 13 de Março de 2009 14h17min00s BRT"
hehehe... E nem analista eu sou...

terça-feira, 17 de março de 2009 12:35:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

“Desde a Revolução Industrial a teoria econômica tem sido um instrumento para justificar internamente o capitalismo e para evitar que os demais países que ficaram atrasados em seu processo de industrialização também cresçam e lhes façam concorrência. Para isto, os economistas neoliberais, em vez de verificarem empiricamente como os mercados coordenavam os sistemas econômicos, como fizeram Adam Smith e Malthus, adotaram um método hipotético-dedutivo e, do conforto de suas poltronas, “deduziram” sua capacidade de mantê-los equilibrados.Dessa forma, embora a teoria econômica fosse elegantemente matematizada graças ao método hipotético-dedutivo utilizado, deixava de explicar a realidade para se transformar em fundamentalismo de mercado.”

O “furibundo comunista” autor dessas linhas é ninguém menos que Luiz Carlos Bresser-Pereira, no prefácio que fez para a edição brasileira de “Os Maus Samaritanos – O Mito do Livre-Comércio e a História Secreta do Capitalismo”, de Ha-Joon Chang, professor de Economia em Cambridge.

terça-feira, 17 de março de 2009 13:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Taxa de Juros, é como uma corda amarrada numa pedra.

Quando você aumenta a taxa, você puxa pedra, ela vem, tem efeito.

Quando você abaixa a taxa, é como tentar empurrar a pedra com a corda, nada acontece

terça-feira, 17 de março de 2009 14:36:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

Durma-se com um barulho destes:

Três das sete capitais pesquisadas pela FGV registram avanço na inflação semanal ...

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/03/17/materia.2009-03-17.2863521699/view

terça-feira, 17 de março de 2009 19:03:00 BRT  
Anonymous Manoel Teixeira disse...

Não podemos esquecer que entre 2007 e 2008, com a economia crescendo acima de 5% a.a., a Selic ficou durante sete meses no mesmo patamar que está hoje, quando vivemos uma recesessão técnica, deflação, queda no emprego....
O BC do PT-PSDB realmente vive em outra realidade.

terça-feira, 17 de março de 2009 19:49:00 BRT  
Blogger Manoel disse...

Não podemos esquecer que entre 2007 e 2008, com a economia crescendo acima de 5% a.a., a Selic ficou durante sete meses no mesmo patamar que está hoje, quando vivemos uma recesessão técnica, deflação, queda no emprego....
O BC do PT-PSDB realmente vive em outra realidade.

terça-feira, 17 de março de 2009 19:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Essa teoria da corda é furada, tanto que uma das primeiras providências dos bancos centrais na crise foi baixarem coordenadamente os juros. A queda de juros aumenta o dinheiro em circulação, o que anaboliza o crédito e portanto o consumo. E a economia se mexe.

terça-feira, 17 de março de 2009 19:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuewerker,
As opiniões enviadas cobrem todos os leques de assuntos desse post. Concordo aqui, discordo ali, mas nada de importante.
Averdade disse que a deflação é boa para o povo e ruim no longo prazo para a economia. Bem, talvez eu encontre nessa observação de Averdade dois assuntos para algumas palavras.
Existe um momento em que a inflação ou a deflação seja boa para o povo e boa para a economia no longo prazo? Seria inflação Zero ou deflação Zero esse momento? O que é ser bom para o povo? É deixar o povo (na sua maioria) satisfeito? Se aumenta o desemprego e diminui a inflação (ou aumenta a deflação)o povo fica mais ou menos satisfeito?
Quando Gustavo Franco começou a baixar a inflação além daquele patamar que parecia razoável, os comentaristas econômicos, provavelmente teleguiados, começaram a fazer referência a estudos que mostravam que a inflação ótima é inflação de 9% (Essa de 9% eu lembro, mas havia outras).
Eu nunca soube qual era a inflação ótima. Sabia que em 1984 com inflação de 220% ao ano o país cresceu 4% e em 1985 com inflação de 220% ao ano o país crescera 7,8% (Essa foi a taxa fornecida em 1986, mas depois com as revisões os valores ficaram sendo outros, mas não muito longe desse valor).
Sabia que na China, no final da década de 80, o crescimento era de mais de 10%, mas a inflação chegou a 20% ao ano. Coincidentemente, naquele período houve revolta dos estudantes resultando no "Massacre da Praça Paz Celestial". De todo modo, sempre aguardei que algum grande teórico do mundo econômico escrevesse um livro definindo o índice ideal de inflação (Para a economia do país, é claro, pois para o povo não seria assunto sobre o qual se debruçaria um economista).
Outro assunto para algumas palavras diz respeito ao Banco Central. Acho que o Banco Central tem agido da melhor forma que ele pode agir. Como subordinado ao governo, ele se dedica a que se tenha um índice de inflação que deixe o governo bem com o povo. E tem de dar ao país um índice de crescimento que permita ao país recuperar os quase quinze anos de atraso que se verificaram de 1986 até 2002. E ele tem de considerar que a inflação boa para o governo pode ser também aquela que é boa para assegurar a manutenção das instituições, em especial, o processo democrático.
Provavelmente haja quem seja capaz de fazer melhor que o Banco Central. Infelizmente não se sabe quem seriam esses e não existe a possibilidade de se testar. Enfim comparando com o que tivemos antes (Com Gustavo Franco um Banco Central independente e com Armínio Fraga um Banco Central dependente dos humores internacionais), penso que o que se tem está de bom tamanho.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/03/2009

terça-feira, 17 de março de 2009 21:23:00 BRT  

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