terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quer apostar? (24/02)

Quem lê este blog lembra que eu escrevi em dezembro, em O próximo passo será pedirem preço mínimo e estoques reguladores...:
    Vamos fazer uma aposta? O próximo movimento da turma [do etanol] será tentar repassar ao Tesouro, mais uma vez, o custo de seus equívocos empresariais. Sem ter onde enfiar o produto, vão pedir que o governo compre o álcool que não conseguem vender no mercado. E por um preço que remunere, inclusive, o dinheiro caro que tomaram nos bancos para não ter que esperar o dinheiro baratinho que, graças a Luiz Inácio Lula da Silva, o BNDES iria colocar à disposição dos de sempre. Para fazer o de sempre: embolsar os eventuais lucros e repassar ao contribuinte os eventuais prejuízos.
Bem, dias atrás o Valor Econômico trouxe uma reportagem com o título Usinas tentam renegociar dívidas de R$ 3,45 bilhões. Um trecho:
    Preocupada com o alto nível de endividamento e as dificuldades para levantar novos recursos no mercado, a indústria [do etanol] reclama dos baixos preços e pede um amplo plano de reestruturação com medidas emergenciais e ações estruturantes de longo prazo. O financiamento dos estoques de etanol daria, segundo dirigentes do setor, estabilidade de preços e garantiria o abastecimento do mercado interno. Sem capital de giro, algumas indústrias têm fabricado mais etanol para cumprir compromissos. Mas isso deprime ainda mais as cotações. Nem mesmo a entressafra provocou uma elevação dos preços.
Eu escrevi O tantinho e o tantão quatro dias depois dessa reportagem do Valor, a qual confesso não tinha lido quando rascunhei as idéias do artigo. A matéria do Valor fala em algo como R$ 6 bilhões de benemerência para os usineiros. É cerca de metade do orçamento anual do Bolsa Família. Você acha que alguém vai reclamar, ou pedir "portas de saída"? Você acha que alguém vai falar em "paternalismo estatal", em "clientelismo"? De novo, vamos apostar?

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4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Vamos ver o que vai fazer o governo do Coroné. Sabe como são os coronéis, né? eles dão um tantão prá uns e um tantinho prá outros...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 19:11:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Quando puder, dê uma olhada no BIOCOMB.com.br e veja a quantas anda o investimento em pesquisa e unidades de produção do etanol celulósico fora do Brasil. Se esse movimento em direção ao etanol de celulose é bom ou não para o mercado brasileiro exportador eu não faço a menor idéia.

Viu a reportagem de hoje na FSP? A produção subiu de 262 milhões de toneladas em 2006/2007 para 345 milhões em 2008/2009. Os preços por tonelada desabaram de R$ 85,00/t para R$ 65,00/t na última safra.

A perda acumulada na cadeia é de R$ 10 bilhões. Não há mercado futuro para o etanol, ou seja, o que vale é o preço do dia. E como o setor estaria com problemas sérios de fluxo de caixa, os compradores (um oligopsônio) aproveitam.

A queda de preço não chegou ao consumidor final, informa a reportagem. Se a minha leitura está correta, a lógica diz que as distribuidoras (oligopólio) neste mercado estão ganhando muito dinheiro, incluídíssima a Petrobras.

Ou seja, os distribuidores (um oligopsônio na compra e oligopólio na venda) perceberam a corda no pescoço na produção e estão nadando de braçada, em prejuízo das duas pontas da cadeia. O consumidor não percebe que não houve repasse porque o que interessa ao crescente mercado de carros flex é a paridade de 75% em relação ao preço da gasolina. Ou seja, o preço do álcool na bomba só cairá para manter a paridade que o consumidor aceita. Ou seja ainda, o preço do álcool na bomba é determinado pelo preço da gasolina na bomba. Um verdadeiro absurdo.

Se minha análise está correta, o que deveria ser atacado pelo Estado é a estrutura de distribuição e não simplesmente abrir as burras para socorrer os produtores. Mas aí entra a variável Petrobrás que é parte importante da equação da distribuição. Então, eu acho que o governo vai mesmo jogar dinheiro na mão dos produtores e depois cobrar a conta dos contribuintes, como sempre acontece.

A porta de saída é mais concorrência e menos interferência estatal onde não deve.

Perguntas:

1. Liberar as usinas para comercializar diretamente a produção com os postos de combustível não seria melhor e mais barato para o contribuinte, ao mesmo tempo que contribui para aumentar via mercado a remuneração dos produtores?

2.Pode-se alegar que o Estado não teria estrutura para fiscalizar a qualidade do combustível e evitar fraudes e sonegação, em defesa do atual status quo na distribuição. Mas não é essa (a fiscalização) exatamente uma das funções principais do Estado?

E se a estrutura não existe, investir em agências estatais de fiscalização seguramente exigiria recursos menores, relativamente aos que hoje o setor alcooleiro reclama ao governo, isso sem falar que essa fiscalização é tarefa por excelência do Estado.

PS: No começo de 2008 rolou uma discussão em torno da MP 413 que legislava sobre impostos e sobre a possibilidade comercialização direta. No que deu? Alguém sabe?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 22:08:00 BRT  
Anonymous Marcelim disse...

Essa é a agro-bolsa. existe há anos, os latifundiários pegam dinheiro emprestado e na hora de pagar... renegociam! Ou melhor, dão o calote mesmo, que é o que essa renegociação significa na realidade.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009 00:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Você continua contra o mercado do etanol. Você quer que todo o campo brasileiro esteja produzindo alimentos. Não sei se você deseja que haja exportações. Certamente se adotar o seu modelo o Brasil terá uma super oferta de alimentos. Os preços vão diminuir e nós iremos cair numa nova esparrela de estrangulamento externo no Balanço de Pagamentos.
Bem, e que tal a solução do aumento da quantidade de álcool na gasolina? Você dirá como outros que isso significa beneficiar os produtores de álcool às custas dos consumidores. É, você pode ter razão. Principalmente se procuparmos com os pobres consumidores brasileiros possuidores de veículos e esquecermos os ricos pequenos agricultores brasileiros que tem a sua produção valorizada com a destinação das grandes glebas para produção agrícola diferente das deles. Felizmente, até aqui e nesse campo, parece que o governo brasileiro não está contando com a sua assessoria.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/02/2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009 01:54:00 BRT  

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