segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O tantinho e o tantão (16/02)

No Brasil, dinheiro público dado ao rico significa modernidade. Quando é dado para o pobre, representa atraso e clientelismo

Na entrevista que deu à edição desta semana da revista Veja, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), além de acusar o seu próprio partido de corrupto, disse que o Bolsa Família "é o maior programa oficial de compra de votos do mundo". Eu acho que entendi o que o senador quis dizer. Que a pessoa que recebe o Bolsa Família fica tão grata ao governo que se dispõe a votar em candidatos apoiados pelo governo.

Não vejo muita novidade nisso. Em geral é assim. Se o governo faz algo de bom para você, é natural que você fique mais propenso a votar na situação do que na oposição. Não sei se o Bolsa Família é —como diz o ex-governador de Pernambuco— "o maior" programa planetário de "compra de votos". Mas ele sem dúvida tem sido eficaz para trazer à administração federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoio político entre os mais pobres.

Por que o Bolsa Família é politicamente eficiente? Porque dá a um tantão de gente que não tem quase nada um tantinho de alegria para cada um. Há outras maneiras conhecidas de o governo proporcionar felicidade. Em certas privatizações, por exemplo, a turma que arremata ativos estatais a preço de banana fica tão agradecida ao governante que se dispõe a apoiá-lo politicamente. É do jogo.

A desvantagem eleitoral das privatizações localiza-se num aspecto muito particular. É que, amiúde, o tantão de alegria que elas proporcionam só beneficia um tantinho de gente. É diferente do Bolsa Família. O multiplicador eleitoral é mais modesto, dado o pequeno contingente de felizardos. Pois, infelizmente, muitas vezes o que sobra para o cidadão comum é a conta a pagar. O Brasil tem um dos serviços de telefonia celular mais caros do mundo. Para não falar na energia elétrica.

Voltando ao Bolsa Família, eu sempre me espanto com a virulência dos ataques ao programa, que do ângulo orçamentário é até relativamente modesto. Eu não vejo a gritaria contra o Bolsa Família reproduzir-se, por exemplo, quando o agronegócio vem a Brasília exigir o perdão das dívidas que fez no Banco do Brasil. Ou quando empresários tomam os palácios da capital a impor que o governo abra mão de impostos. No Brasil, dinheiro público dado ao rico significa modernidade. Quando é dado para o pobre, representa atraso e clientelismo.

Em relação ao Bolsa Família eu sou radical. Sigo a cartilha do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O programa deveria ser expandido a toda a população, na forma de um imposto de renda negativo. Todo mundo teria direito a uma renda mínima, capaz de evitar o mergulho na pobreza extrema. Para o meu gosto, o governo Lula é até tímido nessa área. Ele costuma ficar refém do discurso das "condicionalidades". Como se a mãe de família pobre precisasse ser coagida para mandar os filhos à escola. Ninguém é idiota por ser pobre.

Lembro bem da gritaria que houve na Constituinte quando se implantou a aposentadoria rural universal, independente de contribuição. Diziam que o país não suportaria. Pois bem, hoje a aposentadoria rural, somada ao Bolsa Família, é um poderoso instrumento para movimentar a economia dos pequenos municípios. Num Brasil em que a reforma agrária dorme na gaveta, o repasse de recursos públicos às populações mais pobres do interior ajuda também a evitar um fluxo ainda maior de gente para as regiões metropolitanas.

A oposição já perdeu uma eleição presidencial por não saber defender suas privatizações junto ao eleitor. Agora, a julgar pelo discurso articulado do senador pernambucano, arrisca-se a naufragar diante da acusação de que, se vencer em 2010, vai acabar com o Bolsa Família. A oposição nunca soube mesmo lidar com as políticas sociais de Lula. Azar dela.

Para quem precisa desesperadamente conquistar votos entre os mais pobres e no Nordeste, a oposição está começando a campanha eleitoral com o pé direito. Isso foi uma ironia. Ou, se quiserem, um trocadilho.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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24 Comentários:

Anonymous Briguilino disse...

Genial, Genial, Genial!!!
Vou reproduzir no meu blog.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 10:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, convenhamos que a clivagem "tantinho/tantão" não contribui em nada ao debate sobre a eficiência anti-pobreza das políticas, certo? Não se analisa a eficiência de um programa somente olhando que dele se beneficia. A privatização da telefonia, p. ex., foi eficiente não por ter beneficiado todas as camadas da população (e de fato o fez), mas por ter proporcionado uma inegável melhoria no setor. Caricaturizar argumentos contrários não contribui para o debate, tampouco tentar, veladamente, enquadrar como elitista quem questiona a eficiência do BF. Me diga, sinceramente, esse programa acaba com a pobreza crônica ou aprisiona ainda mais parte da população, tornando estado-dependentes? De minha parte, ante a flagrante penúria em que vive mergulhada parte do brasileiros, concordo com a utilização imediata de programasde transferência de renda, DESDE QUE NÃO SEJAM PERENES E PREVEJAM MECANISMOS QUE AJUDEM OS BENEFICIÁRIOS A SAIR DO CÍRCULO VICIOSO DE DEPENDÊNCIA E ESTÍMULO À INDOLÊNCIA.

Kbção

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 10:40:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Estou completamente de acordo com Kbeção. Sua visão de quem é contra o Bolsa-Família NO FORMATO ATUAL é, por osmose, a favor das privatizações com participação do BNDES é falsa e retrógrada.
Sou privatista por achar que o Brasil precisa de MENOS Estado (aquele que o Lula tão bem representa, com cargos para toda a cumpanherada) e mais LEI APLICADA. Não concordo com refinanciamento para os tubarões muito menos com presença do BNDES para negociatas como a BrOi.
Então, deixe de ser maniqueísta e achar que quem é contra o sistema atual de compra de votos e caridade populista é automaticamente pró-benesses aos grandes empresários.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 12:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, perdoe a crítica, porém seus ataques ao Senador Jarbas Vasconcelos, lembram a definição de editor de jornais: separa o joio do teigo e fica com o joio".
O Bolsa Família é a parte menor da entrevista. A corrupção e a política são os temas principais. Ele bateu pesadíssimo no PMDB e no Governo.
Seu silêncio quanto aos apontes ali havidos deve ser entendido como concordância com as colocações do Senador?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 15:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É sempre assim, num post o dono do blog apresenta estaística que, em tese, provaria que o BF, além da renda imediata, estimularia também a expansão do emprego entre seus beneficiários. Contestada tal ligação, o Dr. Jekyll, que numa argumentação racional utilizava números a favor de sua defensável tese, transforma-se num Mr. Hide da demogagia, emulando a lorota eliogaspariana de tantinho/tantão - andar de cima/andar de baixo, como se a eficiência de políticas anti-pobreza pudesse ser aferida com essa ridícula clivagem. Abandona uma discussão racional, e resolve jogar pra platéia, com um discursozinho que cai como uma luva em um clima de palanque, mas que, bem analisado, mostra sua tibieza. A verdade é que políticas aparentemente utilizadas em prol do tantinho podem sim beneficiar o tantão. O que tira o pobre de seu estado de eterno dependente de esmola? Emprego. Qual a melhor maneira de gerá-lo de forma duradoura? Desenvolvimento econômico e educação. O PROEST, programa de reestruturação dos bancos estaduais, por exemplo, pôs fim à espiral de endividamento dos entes federativos, proporcionando-lhes uma abertura ao crédito que permitiu-lhes sonhar com desenvolvimento. Estados pobres, como Pernambuco, cresceram além do ente central, gerando emprego e renda. Pois é, aparentemente, tal programa beneficiaria o tal tantinho, né? A realidade demonstrou que foi bom para um tantão. Esse apelo sentimentalóide à demagogia, ao palavreado fácil e vazio, em nada contribui ao debate, principalmente quando tenta pregar pechas em um dos contendores. Os críticos do BF nem sempre são elitistas desalmados que não gostam de pobre e adoram quando o dinheiro público é gasto perdulariamente com os ricos. Por essa ótica, o sertanejo Luiz Gonzaga, oriundo do Brasil Real de Ariano Suassuna (outra baboseira, pois o Brasil é um só, com toda a sua complexidade), seria um membro da elite egoísta e perversa pois, junto a seu companheiro Zé Dantas, cantou: "Esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão. ..."; enquanto Cazuza, oriundo da classe-média alta carioca, seria um legítimo espécime dos oprimidos só por cantar que a burguesia fede... Poupe-me.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 15:57:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Tomara que eles continuem atirando nos próprios pés, direito e esquerdo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 16:46:00 BRT  
Anonymous Jonas disse...

Muito bom texto, Alon. O Bolsa Família é um sucesso retumbante. O resto é choradeira e inveja da oposição, ou críticas inconsistentes de pessoas que jamais passaram fome ou penúria na vida e não sabem a enorme diferença que esse belo e digno programa social faz na vida dos que são beneficiários dele. Outra coisa, há muitos outros programas sociais como o Luz para Todos, o
Brasil Sorridente, o Farmácia Popular, o Prouni, entre outros, que vêm trazendo melhores condições de vida para a população. E o que dizer da política de aumento real do salário mínimo aplicada pelo governo Lula? Quando FHC terminou o seu governo o salário-mínimo não chegava a 60 dólares. Hoje o salário-mínimo já passa dos 200 dólares. E o número de empregos formais, com carteira assinada? FHC em oito anos não chegou a 800 mil novos empregos formais; no governo Lula só em 2008 houve o aumento de 1 milhão e 500 mil empregos formais. O governo tem investido muito em praticamente todas as áreas. Veja, por exemplo, na Educação a enorme expansão das escolas técnicas federais (várias dezenas já foram construídas e outras tantas dezenas estão em construção) e também a expansão de novas universidades federais e do número de vagas para as universidade federais. E o programa de biocombustíveis? E a expansão do etanol? E a descoberta do pré-sal? Outra coisa, jamais houve um governo que combateu tanto a corrupção como o atual, através de um sistema de inteligência integrado pela Polícia Federal, pela Controladoria Geral da União, pela Receita Federal, pelo Banco Central. Se o governo Lula se compõe com o PMDB, por exemplo, é porque no nosso sistema político o Executivo depende do Legislativo para governar, e essa governabilidade só é possível com uma grande base de aliados no Congresso Nacional. Não foi Lula quem colocou esses políticos na Câmara ou no Senado, foi o povo. E esse mesmo PMDB, pela mesma razão, também fazia parte da base aliada do governo FHC. Alon, o trabalho que o governo Lula vem fazendo é maravilhoso, só não vê quem não quer. Dizer que o governo Lula é medíocre, como disse o senador Jarbas Vasconcelos, me desculpe, é ou coisa de cego ou de fanático de oposição ou de gente muito invejosa, despeitada. Para mim, o governo Lula é o melhor governo que este país já teve, sem desmerecer grandes governos como o de Getúlio Vargas e o de JK.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 17:24:00 BRT  
Anonymous Edivaldo Tavares disse...

Muito bom realmente.Parabéns ao Alon.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 18:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ótimo texto. Por incrível que pareça, é raro ver algum jornalista defender um programa tão justo quanto o Bolsa Família.

Jão Carlos - São Paulo - SP

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 19:04:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Parabéns ao Kbção: disse tudo. Ninguém quer ver gente sofrendo: não apoiar o BF, ou sugerir mudanças em seus critérios, não quer dizer que se tem desprezo pelos pobres.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 22:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Pelo teor dos comentários vê-se que o bolsa Família está matando de fome muita gente.
Você realmente não falou tudo sobre a entrevista de Jarbas Vasconcelos à revista Veja. Há um trecho que o ínsito varão de Plutarco apresenta como o grande trunfo dele em defesa dos valores morais tao aviltados no país impedir a aprovação da CPMF.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/02/2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 08:41:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

O mal dos críticos do BF é não conhecerem o programa.

O BF paga entre R$ 20,00 até, no máximo, R$ 182,00 por família.

Ninguém largaria, nem deixaria de aceitar um emprego formal de salário mínimo de R$ 465,00 (com direito a férias, 13o., FGTS, abono de férias) para receber algo entre R$ 20,00 e R$ 182,00 do bolsa família em sã consciência.

Não há qualquer estímulo à indolência porque o valor é bem abaixo do salário mínimo. Com isso o impacto da perda de renda na vida do pobre é muito mais danoso do que alguém da classe média deixar de trabalhar na ativa espontaneamente com salário de R$ 4650,00 para aposentar-se precocemente por um valor entre R$ 200,00 e R$ 1820,00.

Além disso, para incluir-se no programa, a renda per-capta precisa ser menor do que R$ 120,00 (viver com menos de R$ 4,00 por dia). Essa é a linha de pobreza.

O BF é voltado para dois perfis:

1) pessoas que vivem na informalidade sem conseguir renda suficiente, apesar de trabalharem como catadores de lixo ou agricultura de subsistência ou trabalhos assemelhados. Portanto não são indolentes, pelo contrário muitos trabalham em condições árduas e degradantes e mesmo assim não conseguem fazer uma renda de R$ 4,00 por dia.

2) famílias ganham salário baixo como o mínimo, um dos conjugues está desempregado, e tem 2 ou mais filhos na escola. Logo, o salário mínimo divido por 4 ou mais pessoas dá menos de R$ 120 per-capta. O complemento de renda evita de retirar os filhos da escola precocemente para trabalhar e complementar renda.

Até do ponto de vista ideológico, neoliberais que conhecem bem o programa o aprova, porque está em conformidade com o conceito de renda mínima pregado também por Milton Friedman. O economista neoliberal sempre pregou que em vez do estado criar burocracias para dar cestas básicas e outros socorros sociais, defende a entrega do dinheiro na mão do cidadão beneficiário, para que ele mesmo exerça o controle sobre a verba na condição de consumidor, deixando as forças de mercado se encarregarem de fazer a verba render mais do que a burocracia estatal.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 10:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Concordo com a afirmação de que um imposto de renda negativo poderia ser mais coerente, do ponto de vista distributivo, do que é o Bolsa Família hoje. Isso pelo fato de dar uma visão de sustentação futura do processo, apesar de tal instrumento depender de receita futura lastreada em algum bem que a propiciasse. O Bolsa Família depende quase que exclusivamente de recursos orçamentários advindos de impostos. De todo modo, vejo como impossível qualquer governante vir a propor a eliminação dos programas componentes da rede de proteção social. Eleitoreiro não seria tanto o Bolsa Família, mas, sim, passar a idéia de que se não houver continuidade de governo, a rede de proteção social seria extinta.

Swamoro Songhay

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 11:27:00 BRT  
Anonymous Paulo Skora disse...

Alon, ninguém comentou até agora o por que das ferozes críticas do Vasconcelos. É simples, depois do bolsa-família, o PMDB pernambucano não elege nem mais síndico de prédio. Suas críticas não aconteceram por ele ser bonzinho, mas sim no desespero de quem sabe que a sua carreira política acabou. Outra, ele diz que o Sarney vai transformar o Senado num grande Maranhão, isso para mim soa como inveja, de uma raposa (não vejo diferença entre eles, são dois coronéis que representam o atraso neste país), que apoiou o lado errado, no caso do Vasconcelos, os tucanos e colhe os frutos disso. Só verificar quem comanda o governo de PE (PSB), a prefeitura (PT) e outras cidades deste estado, são todos aliados do Lula.
É a síndrome de colonizado, enquanto na Europa chamam isso de welfare state, aqui é compra de votos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 12:52:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

J. Augusto, gosto quando surgem argumentos e não anátemas. Por isso, vos digo, há um estímulo à indolência sim, pois com o valor do BF muitos deixam o trabalho de lado. Uma coisa é a realidade dos grandes centros, outra muito diferente é aquela encontrada no sertão ou na zona da mata norte de meus estado, por exemplo. Ou vc acha que é melhor trabalhar num regime semiescavista das usinas de cana pra ganhar um SM ou viver do BF? Vá lá, se vc olhar lá em cima, vai ver, muito por ter lido o Friedman, que concordo com o Alon quando este diz que melhor seria extinguir com a burocracia em torno do BF, até porque o BF tornou-se uma política perene, que não vai ser revogada por governo algum, infelizmente.Paulo Skora, é impressionante como no afã de refutar o senador, vossa senhoria acaba concordando com ele. Ora "É simples, depois do bolsa-família, o PMDB pernambucano não elege nem mais síndico de prédio". Eis a prova irrefutável de que o BF tornou-se um megacabresto eleitoral,

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 15:18:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

A crítica do anônimo 15h57min00s BRT é dura no estilo, mas pertinente no conteúdo.

Trazer ao debate sobre o BF a falácia lulista do ricos X pobres é pisada feia na bola.

O governo Lula joga o velho jogo das oligarquias: migalhas aos pobres e fartura na mesa dos ricos, sempre, é claro, em troca de votos e da reprodução da velha política.

Para quem acha que o futebol da política deve ser jogado assim...

Para lembrar e nunca esquecer:

Os ricos Sérgio Andrade e Carlos Jereissate receberam, com a chancela e o denodo dos amigos no Palácio do Planalto, R$ 6,87 bilhões de dinheiro público para que, em nome do bem público, a Oi e a Brt se fundissem para criar uma empresa de telefonia 100% brasileira, mas que pode ser vendida ao capital estrangeiro, se assim decidirem os ricos Sérgio Andrade e Carlos Jereissate. Bacana, né?

A indignação a favor da BF e contra o seus críticos é seletiva. Depende do ponto vista de quem se diz indignado.

Abs.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 15:20:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

Caro Anônimo (15h18), uma pessoa que consegue escapar do trabalho semi-escravo, seja para criar cabras ou plantar feijão em agricultura de subsistência, está trabalhando de outra forma, por conta própria, complementando renda com o bolsa-família enquanto não consegue gerar renda per-capta acima de R$ 4,00 por dia.

É o mesmo que qualquer um de nós fazemos quando trocamos de emprego, de trabalho ou de negócio: fazemos uma análise custo-benefício. Tem mães de classe-média que preferem trabalhar em meio-expediente porque um aumento de salário para um turno de 8 horas, não compensa o gasto com creche em horário integral.

O caso da Usina Pagrisa é típico. Havia trabalhadores com carteira assinada, com salário mínimo. Mas muitos recebiam menos da metade porque descontavam coisas como remédios que na farmácia da cidade mais próxima eram vendidos pela metade do preço. Os fiscais do trabalho que autuaram a fazenda encontram alguns casos de trabalhadores que recebiam zero de salário em alguns meses.

Pensemos no caso de um deles que deixa sua família em um pedacinho de terra no polígono da seca, com produção de subsistência, e vão trabalhar em outro estado, como em uma fazenda no Pará. Sua expectativa era receber R$ 465,00 por mês e mandar, digamos, R$ 250 para a família. Mas com os descontos da fazenda, recebe só R$ 150,00.

Além de sobrar pouco dinheiro para mandar para a família, ele é um desfalque na família como força de trabalho para produzir alimentos, o que pode deixar seus filhos e esposa em situação difícil.

Não é melhor voltar para seu pedacinho de terra com a família, ingressar no bolsa família, e procurar produzir algo por conta própria? Além de alimentos para o próprio consumo, insumos para biodiesel ou excedentes de alimentos para vender, coisa que, com o tempo, acabe gerando renda suficiente para sair do programa BF?

O problema de muita gente assim, não é indolência, é falta de acesso a mercados para vender sua produção por um valor que gere renda suficiente.

Asssim, o argumento do Alon está certo, de que o empregador precisa pagar mais pela mão de obra. Não é o bolsa família que está errado, é a baixa qualidade do emprego e remuneração que não oferece um custo-benefício suficientemente atraente.

Quanto ao caráter eleitoral, o próprio presidente já cansou de dizer que está apenas fazendo o que tem que ser feito e seus antecessores deixaram de fazer.

Eu desde de criança ouço governos das mais diferentes ideologias prometerem acabar com a fome no Nordeste, volta e meia assistia um Globo Repórter mostrando o flagelo da fome no Nordeste. Isso acabou.

Veio esse governo e fez o que outros prometeram a vida inteira e não fizeram (o BF tem um custo muito baixo diante do orçamento da união, qualquer governo poderia ter feito antes). Quem acha essa política certa, seja beneficiário ou não dela, é natural que votem em quem acredita que está governando bem de acordo com os critérios de avaliação pessoal de cada um.

Chamar isso de compra de voto, é negar cidadania aos mais pobres, é negar o direito de votar consciente em quem governa atendendo também suas demandas, suas expectativas que eles sempre tiveram de um governo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 18:31:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, dmocracia é quando 2 lobos e uma ovelha votam para escolher o cardapio do jantar, república é quando a ovelha está armada.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 21:07:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Continuo pensando que a declaração mais aproveitável do Jarbas Vasconcelos diz respeito a defesa que ele fez do feito da oposição em conseguir barrar a CPMF. A CPMF que representava mais recursos para os cofres públicos e que dada a saída de capital que tivemos desde o início de 2008, funcionária como um mecanismo de redução da saída e de tributação sobre o que saísse. E se existisse hoje poderia ser utilizada mediante a redução dela como um bom mecanismo de incentivo ao consumo. A oposição vangloria-se do feito de ter acabado com ela.
Jarbas Vasconcelos compunha a esquerda do PSDB. Eu fico tentando entender . . .
Bem, lembrei-me da frase que penso ter lido em Paulo Francis a respeito de Mary McCarthy e a reproduzi no seu blog em um comentário sobre a impossibilidade de ser imparcial na questão Israel x Palestina. Dizia a Mary McCarthy: "An open mind about Vietnam has no mind at all". Eu estendo essa frase para tudo. Tentar entender essa realidade leva a perda da razão.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/02/2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 21:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Belo post. E o impressionante aqui na caixa é que os "críticos" reproduzem exatamente o que é desmontado pelo texto: bolsa para pobres é compra de votos, a despeito da carrada e mais carrada de evidências do quanto de positivo o programa tem.
João Paulo Rodrigues

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009 10:20:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Aos críticos seletivos

A lógica binária do amigo-inimigo apenas emburrece e não leva a lugar algum, com exceção do inferno.

A educação pela pedra
João Cabral de Melo Neto)

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta;
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.

Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra; lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

Na primeira estrofe, a educação que é luta diária na materialidade dos fatos de carnadura concreta e impossíveis de serem maleados a golpes de enfáticos blá, blá, blá.

Na segunda estrofe, a outra (des)educação pela pedra do terreno hostil e que entranha a alma. Pedra de nascença, assentada na alma como indestrutível ideologia de granito.

Não duvido que o blogueiro prefira a primeira educação. Já deu mostras disso aqui.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009 18:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
João Cabral de Melo Neto foi mencionado. Eu coloquei lado a lado o Senador por Pernambuco com o Senador pelo Rio Grande do Sul. Tudo isso me fez lembrar uma crítica que eu fazia ao historiador e diplomata Evaldo Cabral de Melo. Em um texto, ele dizia que não havia a idéia de pernambucabilidade. Como Evaldo Cabral era diplomata e historiador eu entendi que ele, como deveria ser um frequentador assíduo das blibliotecas espalhadas pelo mundo, certamente, ele não via distinção entre as bibliotecas do mundo. Para ele, mesmo se o irmão dele tivesse vivido nos pampas gaúchos, o irmão teria escrito “Vida e morte severina”.
Clever Mendes de Oliveira
187/02/2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009 00:36:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Para aqueles que acham que tantinho é muito, acessem o site http://tivibrasil.wordpress.com leiam "BOLSA FAMÍLIA NA ALEMANHA"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009 01:55:00 BRT  
Blogger Richard disse...

Pergunta: o Jarbas Vasconcelos é da oposição?! Pensei que dissera ser Senador pelo PMDB?!?!

sexta-feira, 6 de março de 2009 17:29:00 BRT  

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