quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Escolha racional no bunker (04/02)

Há certa estupefação diante da (cada vez mais) alta popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, dado que a curva ascendente coincide com a economia descendo ladeira abaixo. Uma explicação possível é que as pessoas ainda não têm a percepção da nova realidade. Eu prefiro outro caminho de análise. Lula está crescendo na crise porque quem se opõe a Lula não consegue responder a duas perguntas. O que o governo deveria fazer e não está fazendo? O que o governo deixou de fazer e deveria ter sido feito? Há os juros estratosféricos (do Banco Central para os bancos e destes para o tomador), mas a oposição não parece ter mais apetite para enfrentar o problema do que o governo. O ato de escolher um líder tem sempre a ver com a avaliação de seus atributos de liderança -e da adequação desses atributos aos desafios colocados. Imaginem um grupo de pessoas encerradas num bunker, enquanto suas casas são demolidas por bombardeios aéreos. E imaginem que o grupo não coloca em seu líder a culpa pelo bombardeio. A situação objetiva está piorando, já que eles estão perdendo suas casas. Mas isso não se reflete no prestígio do líder, já que ele, pelo menos, providenciou o bunker. Alguém vai morrer? É possível. Pode haver feridos? Sim. Mas se o líder tiver feito tudo que as pessoas acham necessário para enfrentar o problema é improvável que o grupo queira trocá-lo.

http://twitter.com/alonfe

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog.

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

10 Comentários:

Blogger Maybe Tomorrow disse...

Alon, parabéns disseste tudo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 19:07:00 BRST  
Blogger Briguilino do Blog disse...

Absolutamente correta sua analise. É para ver como os "analfas do bolsa familia", ignorados pelos tucademos sabem mais que eles.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 19:39:00 BRST  
Anonymous Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
Para quem tem pisado muito na bola ultimamente essa sua análise supera as expectativas.
Não sei se foi a sua intenção, mas como está redigido, parece que você descartou a possibilidade de as pessoas ainda não terem a percepção da nova realidade. Eu não descartaria essa possibilidade, e a avalio como fato importante. Como torço para o governo, espero que ele seja suficiente habilidoso para impedir que a nova realidade não perdure tal como está por tempo suficiente a possibilitar que as pessoas a percebam.
Outro ponto em que eu apresentaria uma análise diferente seria no tocante ao juro. Eu simplesmente não tocaria nesse assunto. Afinal, o que o juro estratosférico tem haver com a crise (Expressa no Brasil pela redução da produção industrial)? Absolutamente nada.
Se fosse para tocar no juro, eu escreveria esse texto seu dizendo que felizmente para o Brasil, enquanto o mundo todo entra em recessão com o juro lá em baixo e, portanto, com os Bancos Centrais praticamente com as mãos atadas, o Brasil possui um juro lá nas alturas que se o país precisar dar uma retomada na economia basta reduzir o juro em 10%, 20%, 30% 40% ou até mesmo 50% que a queda será mais do que suficiente para retomar até uma economia hibernando no Círculo Polar Ático
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/01/2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 22:48:00 BRST  
Blogger Jefferson Milton Marinho disse...

Caro Alon,

Ótima análise, parabéns. O fato é que mesmo com a crise, o governo reina absoluto.

Sobra para a oposição apoiar as medidas que o governo vem tomando, reforçando ainda mais o apoio da população ao governo.

Jefferson

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 10:03:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

"a oposição não perece "...(mas não parece, né?)

Ato falho ou proposital?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 11:10:00 BRST  
Blogger Richard disse...

As razões para a alta popularidade do Presidente Lula são basicamente duas:
1)O carisma que a história pessoal de Lula, seu discurso popular, com erros de concordância perfeitamente normais para as massas. A própria figura do presidente destoa tanto do modelo tradicional quanto da maioria dos seus congêneres de outros países.
2)Os programas sociais, a maioria combatendo os efeitos e não as causas, e que tem origem em idéias, projetos ou ações que já existiam em âmbito regional. Um exemplo é o Fome Zero, derivado da Campanha Natal Sem Fome, do saudoso Betinho.
Só a conjunção destes já garantiria uns 50% de aprovação para qualquer um. Soma-se a estes os anos de descaso dos governos anteriores e chegamos neste patamar histórico!
Desde o fim do regime militar, o Brasil foi governado por diferentes visões político partidárias. E em todas não conseguimos avançar muito, em qualquer direção! Passamos os anos 80 tentando pagar a dívida externa, com o custo da hiperinflação. Nos anos 90, aprofundamos o modelo neoliberal, desta vez ao custo de empregos, direitos e qualidade de vida.
Agora, vamos completar a primeira década do novo século com um crescimento mediano, fruto mais das condições mundiais favoráveis, e gastando tempo e dinheiro em Bolsa-família, Prouni, Projovem e outros que apenas atacam os efeitos (baixa-renda, escolaridade e trabalho) mas não as causas dos problemas (salários, modelo educacional e geração de empregos).
Lembrando que nestes 30 anos elencados, fomos superados por alguns países que, à rigor, não diferiam muito do Brasil nem tem à mão os nossos recursos naturais.
Diante dos desafios que temos de enfrentar (aquecimento global, crise alimentar, energia, combustíveis, etc) e das opções apresentadas por Lula, Dilma e os partidos da base, mesmo uma aprovação de improváveis 99% não afetará o Brasil... pode, quando muito, salvar a biografia do Presidente Lula!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 11:53:00 BRST  
Blogger Richard disse...

E só para completar: não estamos num bunker, isolados do mundo em crise.
Devido as decisões equivocadas do Presidente, algumas contrárias ao que pregava, o Brasil está linkado ao resto do mundo!
A decisão salvadora seria uma retirada estratégica para posições menos dependentes de uma melhora geral. E, claro, dispensando os "remédios" tradicionais do "mercado" (consumir, consumir, consumir)!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 12:06:00 BRST  
Anonymous Too Loose Lautrec disse...

A pesquisa da CNT, ainda que por pequena amostragem, aponta a baixa percepção da crise e suas conseqüências dentre a população. Entretanto, mantido o tranco atual, isso não invalida a tua opinião de que Lula dificilmente por ela será atingido.
Primeiro, é maior e mais ampla do que a sub prime americana, no entanto, a paternidade está consagrada: os Estados Unidos. E ainda tem cara: Bush. Atendido, em conseqüência, o primeiro pressuposto do álibi eficaz: “não fui eu!”.
Ademais, o governo pode afirmar que segue integralmente o receituário tucano-neoliberal, e que, portanto, se erro houve, é da invenção dos outros. Afastada a possibilidade do “eu não sabia”, se reforça o álibi alternativo: “não começou comigo”, “tem de olhar os outros!”.
Não há o menor risco de vir a ser desmentido. Ao contrário. A depender da oposição o boné não ficará no ar por um segundo. Consolida-se a defesa ideal.
Essa defesa é até desnecessária. Elege-se o governo e a oposição merecidos. E se um não apresenta grandes luzes, ainda menos se diz das qualidades dos opositores. Se esses existissem como tais.
Limitar a possibilidade de seus ataques à taxa de juros, esquece a cotidiana omissão com a fartura de oportunidades para a ação política oposicionista gerada por práticas governamentais não-ortodoxas, por assim dizer.
Muito menos há quem lembre as contradições do discurso pré-eleitoral e das ações no governo.
Um doce para quem na oposição tenha cogitado cobrar do governo não ter aplicado a política econômica que preconizava enquanto na oposição.
Nada se aprendeu com o PT velho de guerra e nem se aprenderá com os republicanos em plena inauguração do governo Obama.

Mas o gato está aí, gordo e presunçoso, o guizo também. Falta mesmo é quem saiba lhe dar o nó.
Não há, pois, como não concordar contigo. E tem mais. Em caso de nada dar certo, o FHC está aí para responder por qualquer coisa.

Seria até injusto se ocorresse o contrário. Lula é muito mais competente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 18:10:00 BRST  
Anonymous Luca disse...

A história tem mostrado que crises econômicas sempre trazem impacto de igual intensidade no equilíbrio das forças políticas. É questão de tempo e prognóstico de quão intensa ou duradoura será esta depressão mundial.
Quase dois anos resta a este Governo. É pouco para quem etá lá em tempos de vento a favor. Porém, pode ser uma eternidade se a economia seguir ladeira abaixo.
Acredito, de qualquer forma, que o Brasil vai sair fortalecido e renovado desta crise.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 21:06:00 BRST  
Anonymous Ary disse...

Por que a popularidade de FHC - e a confiança no seu governo - despencaram quando das crises de então? O fato é que Lula faz um bom governo, apesar da crise. A oposição não sabe o que propor pois seu modelo faliu.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009 23:17:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home