sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

E a vida real mandou mesmo lembranças (13/02)

Duas leituras no The New York Times para os que sonham com a entrada em massa do etanol brasileiro nos Estados Unidos:Uma leitura, também no NYT, sobre as dificuldades da energia alternativa diante da crise planetária:Escrevi aqui em dezembro (A vida real manda lembranças), a propósito de uma reportagem publicada na revista Veja (Três ícones no abismo):
    A última moda é relacionar a crise das montadoras americanas à suposta perda de protagonismo do petróleo. Do petróleo caro. Ora, se o problema de Chrysler, General Motors e Ford fossem carros ávidos por gasolina cara, o cenário global seria de esperança para as três, e não de ameaça. O barril de petróleo, que esteve no patamar de 150 dólares, patina hoje na faixa dos 40. Está muito barato, e nada indica que vá voltar ao nível estratosférico de meses atrás. Até porque só uma parte do preço era consumo. A maior parte era demanda financeira superaquecida, dinheiro em excesso procurando o melhor destino. Um dinheiro que desapareceu, dado que não representava valor real. Daí que o mundo pós-crise esteja mais amistoso ao petróleo, e portanto mais complicado para as fontes alternativas de energia. Em que situação a energia dita verde será capaz de derrotar estrategicamente os combustíveis fósseis? Quando ficar mais barata do que eles. A não ser que você acredite em histórias da carochinha, de que a humanidade vai optar por uma energia mais cara só para combater o aquecimento global.
E não é que a vida real mandou mesmo lembranças?

http://twitter.com/alonfe

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3 Comentários:

Anonymous Julio disse...

Alon,

por outro lado estão agurando os investimentos da Petrobras na extração de petróleo do pré-sal.

http://www.economist.com/world/americas/displaystory.cfm?story_id=13110394

Tudo bem que o risco é alto, mas não parece que o pânico energético não se alastrou além do razoável em função da crise? Em menos de 5 meses, todas as fontes energéticas, incluído o petróleo, passaram a ser vistas como investimentos ruins, sem futuro. Não há sinais de especulação financeira nesta história não?
Abs,
Julio

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 12:58:00 BRST  
Anonymous Ricardo Melo disse...

Alon, o lapso possível nessa sua análise é o fator tempo. E a sua "torcida" contra o etanol também.

Já que é assim, vou fazer uma análise usando "probabilidades" futuras e a minha "torcida" a favor do etanol:

1) Certo, temos barril de óleo a 43 dólares por causa da crise. Será que a crise vai ser eterna? Não.

2) Como a crise não é eterna, em dado momento o consumo de energia sobe. Isso aumentará o preço do petróleo e da competitividade das energias renováveis.

3) Obama tem necessidade estratégica de investir em biocombustíveis. Pode anotar: no futuro, os EUA consumirão muito biocombustível.

4) Quando a produção de biocombustível dos EUA não suprir mais a demanda interna, eles terão de importar etanol. Acredite, a frota dos EUA é enorme.

5) Como o Obama quer alternativas renováveis, ele deverá entrar na onda do etanol. Ele vai colaborar para fazer do etanol uma commoditie, o que ainda não é.

6) Quando o etanol virar commoditie, ninguém segura mais. Vai ter etanol caro produzido nos EUA, caro e pouco para o consumo dos EUA. O resto será importado do Brasil, América Central, África.

Certo, só falta combinar com os russos.

Mas a fonte de energia solar, nós temos. E a biotecnologia para aproveitá-la também.

Então, o caso é fazer como os países dominantes fizeram no passado: usar as vantagens internas para um projeto de sucesso global.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 13:55:00 BRST  
Anonymous JV disse...

Na mosca, Alon, ....

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 20:38:00 BRST  

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