segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O antissemitismo, o pragmatismo e o horror da guerra (12/01)

Houve alguma polêmica sobre a nota na qual o PT acusa Israel de práticas semelhantes às dos exércitos nazistas, pois Israel, segundo o PT: 1) ataca em Gaza, para efeito de dissuasão, alvos urbanos densamente povoados (como em Guernica, na Guerra Civil Espanhola) e 2) ataca em Gaza civis para retaliar contra ações militares (como em Lídice, na hoje República Tcheca, na Segunda Guerra Mundial). Israel nega que esteja fazendo coisas assim. A posição do PT despertou reações entre os judeus. O Centro Simon Wiesenthal atirou no PT, acusando-o de antissemitismo e simpatia pelo terrorismo. Teve chiadeira até no gabinete israelense. Mesmo dentro do partido a coisa não fluiu assim tão tranquila, visto que alguns segmentos partidários mostraram desconforto. E até gente do governo teve que vir a público para relativizar a coisa, depois de ter inadvertidamente dado com a língua nos dentes. Mas a nota do PT não foi um escorregão. Trata-se de uma posição política, que busca uma situação favorável para o combate e recorre a ferramentas normais da propaganda. Demonizar o adversário faz parte do jogo nas guerras. O PT não é neutro. Juntamente com outros partidos de esquerda no Brasil, ele apóia politicamente o Hamas na guerra em Gaza contra Israel. Assim como apoiou o Hezbollah na guerra de 2006 travada por Israel em território libanês. As principais referências da esquerda brasileira hoje em dia no Oriente Médio são a Síria e o Irã. O que eu acho disso? O que escrevi em A esquerda será novamente salva de si mesma:
    (...) num mundo hipotético dominado pelo fascismo islâmico, os comunistas e socialistas estariam atrás das grades ou dentro de covas.
Atenção: eu não disse que o Islã é sinônimo de fascismo. Eu não penso assim. Eu disse que há um fascismo de origem islâmica, o que é uma coisa bem diferente (assim como há fascismos de outras origens). Sobre isso, registre-se que os comunistas iraquianos estiveram na primeira fileira dos festejos depois da derrubada de Saddam Hussein pelos americanos. Aliás, quem foi ao último encontro internacional de partidos comunistas organizado pelo PCdoB em São Paulo e tomou conhecimento da intervenção do Partido Comunista do Irã (Tudeh) percebeu que a esquerda iraniana não bate palmas para o governo daquele país. Com bons motivos. Escrevi em Passado e futuro:
    Lembro que a esquerda mundial vibrou com a revolução islâmica que, em 1979, derrubou o xá Reza Pahlevi e instituiu no Irã a república dos aiatolás. Havia ali um forte partido comunista, o Tudeh (Massas), que decidiu apoiar a revolução e participar do governo. Poucos anos depois, o partido foi banido e milhares de seus dirigentes e membros foram presos. Hoje, o Irã tem um presidente que nega o Holocausto e prepara bombas atômicas para estender a influência do fundamentalismo xiita pelo máximo de espaço geopolítico que conseguir.
Falar que o PT envereda pelo antissemitismo é um exagero. Ainda que haja esse tipo de coisa no PT, mais provável é que a sigla esteja animada por um mix de anti-imperialismo e pragmatismo. E que busque uma posição moralmente "superior" para vitaminar-se na polêmica. Só isso. Mas por que o pragmatismo? A resposta pode ser encontrada numa entrevista que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, deu ao Estadão, e que o Luis Favre republicou no blog dele. Um trecho de O mundo vai financiar nossa infraestrutura:
    O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, tem um plano para financiar as obras de infraestrutura e exploração de petróleo no Brasil, em tempos de seca no mercado financeiro internacional. Com a bênção e a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Coutinho pretende visitar os países com dinheiro em caixa, especialmente na Ásia e no Oriente Médio, para buscar investimentos para o Brasil. O BNDES vai criar fundos para atrair esses recursos e investi-los em obras no País, acenando com retornos altos para os investidores internacionais. Essa é a resposta de Coutinho para aqueles que dizem que o Brasil não pode crescer muito em 2009 porque corre o risco de não ter como se financiar. “Há, de fato, um desafio de financiamento externo”, disse Coutinho. “Mas tenho muita tranquilidade quanto à capacidade de o Brasil obter capitais.”
Escrevi Janela de oportunidade antes de saber dessas informações trazidas pelo presidente do BNDES. O governo do PT precisa de dinheiro para alavancar investimentos e tentar impedir que o país entre em recessão. E onde está o dinheiro? Tem uma boa quantidade dele em fundos soberanos de países exportadores de petróleo. Trecho de Notícia veiculada faz um tempo pela Agência Senado:
    O futuro embaixador brasileiro junto aos Emirados Árabes Unidos, ministro de segunda classe da carreira diplomática Raul Campos e Castro, pretende atrair para o país uma parte dos US$ 900 bilhões que compõem o fundo soberano de Abu Dhabi. A intenção foi anunciada pelo diplomata nesta quinta-feira (3), quando a sua indicação para o posto recebeu parecer favorável da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). Castro informou aos senadores que uma das prioridades de seu trabalho será a de conhecer melhor o fundo, para saber "em que medida poderemos atraí-lo para aplicações no Brasil". Os fundos soberanos administram grandes reservas internacionais de países exportadores de petróleo ou de produtos manufaturados. Entre os mais importantes, estão os de Cingapura, China e Emirados Árabes.
No Brasil, expansão anual de 2% a 3% no PIB pode até não ser academicamente recessão, mas é recessão. Só fazer a conta de quanta gente tem para entrar no mercado de trabalho todo ano. Além disso, Luiz Inácio Lula da Silva vê desde o início o conflito em Gaza como uma janela de oportunidade para o Brasil alavancar um protagonismo planetário, objetivo estratégico da política externa brasileira. Lula inaugurou sua participação no conflito de Gaza com um discurso na véspera da passagem do ano, logo antes de tirar férias. E deixou o checeler Celso Amorim encarregado de articular um encontro internacional sobre o assunto. No discurso, Lula foi duro com a ONU e com o direito de veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança. Para azar do presidente, desta vez os Estados Unidos decidiram não vetar a decisão da ONU sobre o cessar-fogo, mas ainda assim a resolução adotada pelo conselho enfrenta dificuldades. O que relativiza o diagnóstico presidencial. Ou seja, é provável que sem a participação decisiva dos Estados Unidos fique mais difícil achar uma solução permanente para o conflito. Decorre daí a ansiedade com que o mundo espera para saber o que Barack Obama e Hillary Clinton vão fazer quando chegarem à Casa Branca e ao Departamento de Estado. Respectivamente. Mas eu falava de pragmatismo. O mesmo pragmatismo que levou em 1975 o então governo Ernesto Geisel a apoiar na ONU uma resolução equiparando o sionismo ao racismo. A posição da ONU foi revogada em 1991. Ainda que Geisel, pessoalmente, tivesse um pé no antissemitismo, o alinhamento brasileiro decorreu do mesmo motivo que agora: pragmatismo, necessidade de recursos. Na época, por causa da crise trazida pelo primeiro choque do petróleo, após a Guerra entre Israel, Egito e Síria dois anos antes. Como disse então nosso chanceler, Azeredo da Silveira, ao seu colega americano, Henry Kissinger:
    “Se vocês tivessem um milhão de barris de petróleo para nos fornecer diariamente, talvez essa mudança [de posição brasileira] não fosse tão brusca.”
Hoje o Brasil tem bastante petróleo, graças a Deus, mas precisa de dólares. As posições do governo brasileiro e do PT são portanto explicáveis racionalmente. Qual é o problema, então? Dois problemas. No caso do governo, talvez ele sofra de alguma incompetência operacional. Sintoma disso são as trapalhadas verbais. E a posição brasileira está um tanto desequilibrada a favor do Irã. O Itamaraty e Lula deveriam saber que o mundo árabe vê no Irã um perigo bem maior do que o representado por Israel. Mas o atual giro de Celso Amorim pelo Oriente Médio pode ajudar a reequilibrar a balança. No caso do PT, o problema maior é o desconhecimento da História. O PT acusa Israel de práticas nazistas quando as ações israelenses matam civis em tempo de guerra, e usa exemplos do conflito de 1939-45 (inclusive o "ensaio geral", em terras espanholas, entre 1936 e 39). Israel nega e repudia a comparação. Mas como algo não tinha me caído (intelectualmente) bem nas comparações históricas feitas pelo PT, resolvi matutar. E lembrei de como naquela terrível guerra do século passado as maiores matanças de civis, para efeito de dissuasão, partiram não dos nazistas, mas dos adversários dos nazistas. Vou pegar só dois exemplos. Um é o bombardeio de Dresden, na Alemanha, em fevereiro de 1945, quando a guerra já estava decidida. Os aliados ali não atacaram alvos militares. Só civis. Os cálculos mais modestos falam em dezenas de milhares de mortos em três dias de ataques. Era uma política deliberada do governo britânico de Winston Churchill. Da Wikipedia (Area bombardment):
    (...) the nearest the British got to a declaration was in an Air Ministry area bombing directive issued to RAF Bomber Command on 14 February 1942, which said "You are accordingly authorised to use your forces without restriction", and listing a series of 'Primary targets' which included Essen, Duisburg, Düsseldorf and Cologne. 'Secondary targets' included Braunschweig, Lübeck, Rostock, Bremen, Kiel, Hanover, Frankfurt, Mannheim, Stuttgart and Schweinfurt. It stated that "Operations should now be focused on the morale of the enemy civilian population and in particular, the industrial workers". Lest there be any confusion, Sir Charles Portal wrote to Air Chief Marshall Norman Bottomley on the 15 February "..I suppose it is clear that the aiming points will be the built up areas, and not, for instance, the dockyards or aircraft factories"
Os ingleses tinham motivos para estarem chateados com os alemães, por causa do lançamento de bombas sobre Londres anos antes, para abater o moral da população civil. E, por falar nisso, quem inaugurou a moda de mandar foguetes sobre alvos civis (coisa muito popular hoje na Palestina) foi a Alemanha nazista, com seus V-1 e V-2. Mas, convenhamos que arrasar cidades alemãs quando a guerra já estava decidida foi mesmo uma resposta para lá de desproporcional dos ingleses. Naquela guerra, a única coisa mais desproporcional do que isso, que eu me lembre, foi feita pelos americanos, quando jogaram as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Onde não havia alvos militares. Só civis. Lídice, Guernica, Dresden, Hiroshima, Nagasaki. Guerra sem horrores? Infelizmente, só no cinema.

23 Comentários:

Anonymous Jura disse...

Alon,

Você já reparou como seus textos ficam imensos quando você aborda essa pauta?

Eu continuo querendo ajudar. Em todo lugar eu vejo uma imensa confusão (por que será?) entre antisemitismo e antisionismo. Até aqui:

"O mesmo pragmatismo que levou em 1975 o então governo Ernesto Geisel a apoiar na ONU uma resolução equiparando o sionismo ao racismo. A posição da ONU foi revogada em 1991. Ainda que Geisel pessoalmente tivesse um pé no antissemitismo"

Se você nos ajudar a entender a diferença e explicar qual dos dois você apóia, este blog continuará sendo de esquerda. Espero.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 18:19:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Jura,

É mesmo? Você se deu ao trabalho de medir todos os quase dois mil posts deste blog? Ou está simplesmente chutando que este assunto tem posts maiores do que a média? Eu acho que você está chutando. Mas concordo que este texto ficou particularmente grande. O assunto é complexo, e eu procurei construir o texto com base em referências objetivas externas, para fugir do achismo. Quanto a Geisel, minha conclusão é mesmo que ele tinha um pé no antissemitismo, mas não por causa do voto do Brasil em 1975, que como disse foi mais motivado pelo pragmatismo. Foi por tudo que li sobre ele. Quanto ao sionismo, se você também o considera como uma forma de segregacionismo, eu tenho uma pergunta para você: o Hamas é segregacionista, por advogar a formação de um estado único islâmico na Palestina? Estado islâmico, como se sabe, é aquele no qual os seguidores do Islã são mais iguais que os outros, já que as diretrizes da fé islâmica comandam inclusive os seguidores de outros credos. A República Islâmica do Irã é segregacionista? O Talibã é segregacionista? Qualquer regime que não seja laico é segregacionista? Veja que debate interessante. Vamos fazer o seguinte. Você vai pensando nessas minhas perguntas enquanto em me preparo para responder à sua, ok?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 18:46:00 BRST  
Blogger Adrian disse...

Alon
Fico muito feliz de poder ler a lucidez dos teus comentarios no que se refere à conjugação de uma visão progressista em um quadro tão confuso e complexo do jogo economico /poítico internacional onde o antisemitismo/antisionismo aparece como amálgama da chamada esquerda que perdeu a direção depois da queda do muro de Berlim
Abraçosde um velho amigo
Adrian Levinson
Duluth,GA US

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 19:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Impressiona a sua capacidade de alinhavar argumentos. Você é um debatedor complicado de enfrentar. Você não se emociona com nada? Que frieza!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 19:59:00 BRST  
Anonymous  disse...

De onde vc sabe tudo isso? Vc nao fez mais nada na vida a nao ser estudar essas coisas?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 20:09:00 BRST  
Anonymous JV disse...

Alon, parabens pela coragem. Todos seus amigos "progressistas" querem ver Israel pelas costas e os judeus nadando no Mediterrâneo. Realmente não entendo como é possível pessoas que defendem os ideais "progressistas" se aliem a radicais fanáticos, que querem transofrmar o mundo num estado religioso nos moldes do século 7. Ginecofobia, homofobia, infanticidio, tudo é tolerado por seus antigos parceiros, pois acham que Israel atrapalha o socialismo. Um abraço de seu leitor reacionário.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 00:04:00 BRST  
Anonymous Paulo Araújo disse...

Alon

A caracterização do Fatah como organização laica está para ser provada. O que se observa são evidências que indicam o contrário. Talvez al-Fatah seja mais dissimulado que o Hamas, mas organização política laica al-Fatah ainda não deu provas que é.

Não existe algo como um Estado secular ou democrático no mundo árabe. O Islã é a religião oficial de Estado em praticamente toda nação árabe. A hipótese de um Estado laico palestino secular e democrático é uma ficção inventada no Ocidente. Tal idéia nem sequer passa pela cabeça das lideranças árabes.

A proposta dos "dois Estados" é correta e vem sendo apresentada desde 1937, mas sempre de algum modo recusada por uma mesma parte.

Por que Israel conseguiu fazer acordos de paz com a Jordânia e com o Egito e não conseguiu até hoje fazer o mesmo com os representantes palestinos?

“Jamais foi oferecido aos palestinos um Estado próprio”.

Histórico

Na verdade, os palestinos já tiveram inúmeras oportunidades para criar um Estado independente, mas recusaram reiteradamente as ofertas:

1.Em 1937, a Comissão Peel propôs a partilha da Palestina e a criação de um Estado árabe.
2.Em 1939, o Livro Branco britânico propôs a criação de um Estado árabe somente, mas os árabes rejeitaram o plano.
3.Em 1947, as Nações Unidas teriam criado um Estado árabe ainda maior como parte do seu plano de partilha.
4.Israel não controlou a Cisjordânia entre 1948 e 1967. Os palestinos poderiam ter exigido dos jordanianos um Estado independente.
5.Em 1979, as negociações de paz entre Egito e Israel ofereceram autonomia aos palestinos, o que conduziria à independência plena.
6.O processo de Oslo, iniciado em 1993, estava levando à criação de um Estado palestino antes de os palestinos violarem seus compromissos e anularem os acordos.
7.Em 2000, o primeiro-ministro Barak se ofereceu para criar um Estado
palestino, mas Arafat rejeitou o acordo.

Razões político-religiosas das recusas:

Têm sido apresentadas muitas razões para justificar por que os palestinos, nas palavras de Abba Eban, “nunca perderam uma oportunidade de perder uma oportunidade”. O historiador Benny Morris considera que os palestinos têm razões religiosas, históricas e práticas para se opor a um acordo com Israel. Ele diz que “Arafat e sua geração não podem abrir mão do sonho da grande terra de Israel para os árabes. ... (Isso é verdade porque) essa é uma terra sagrada. Dar al-Islam (o mundo do Islã) já esteve em poder dos muçulmanos e é inconcebível (para eles) que infiéis como nós (os israelenses) a recebamos”. Os palestinos também acreditam que o tempo está ao seu lado. “Eles acham que a demografia vai derrotar os judeus em cem ou 200 anos, assim como
foi com os Cruzados”.

Mahmud al-Zahar é médico, fundador e um dos principais líderes do Hamas. Ele confirma as análises de Benny Morris. Abaixo, partes reveladoras do seu pensamento político-religioso em uma entrevista em 2005, pouco antes de Israel desocupar a faixa de Gaza. Al-Zahar é considerado hoje o principal chefe político do Hamas em Gaza. Note-se, principalmente, a coerência das suas respostas em 2005 com os princípios programáticos da carta de fundação do Hamas de 1988.

P: ¿No concibe usted la posibilidad de que esta tierra pertenece tanto a judíos como a musulmanes y que todos juntos deberán hallar la forma de compartirla, sin guerras?

R: En 1492 España erradicó la existencia de los judíos del país y en esa ocasión, así como en muchas otras, la tierra islámica fue la única capaz de recibirlos. Pero vivían bajo el control islámico, bajo el régimen islámico. Bajo el Islam, todos tienen derecho a vivir como musulmanes, con igualdad de derechos y deberes. Pero no pueden vivir como los dueños de Palestina, especialmente considerando que es tierra "waqf", o sea pertenece sagradamente a la nación islámica. Esto no puede ser propiedad particular ni siquiera de musulmanes, o sea que es inaceptable que los dueños sean judíos o cristianos. TIENEN QUE VIVIR AQUÍ COMO MUSULMANES, JUDÍOS O CRISTIANOS PERO NO BAJO LA BANDERA DEL SIONISMO SINO DE ISLAM, QUE ÉS LA RELIGIÓN DE ESTA ZONA.

P: ¿Para usted, no sólo Cisjordania y la Franja de Gaza son territorio ocupado, sino que todo el territorio de Israel lo es?

R: Estemos hablando de 1948, o de 1956, de la ocupación de 1967, o de la ocupación del Líbano en 1982 y luego en 2000 la nueva ocupación de nuestra tierra, lo que hay es ocupación, algo ilegal. Un metro cuadrado de tierra ocupada, es una existencia ilegal.

P: ¿Eso significa que no los puede aceptar en el marco de un Estado? En su opinión, el Estado de Israel todo es ilegal ....

R: Si, con mayúscula, es ilegal, es una gran ilegalidad.

P: O sea que si Israel realmente cumple con el plan de retirada de la Franja de Gaza nada estaría cambiando...

R: Esos se van de nuestra zona no porque nos den un regalo sino porque fracasaron en el enfrentamiento con nuestro pueblo. No es un obsequio a los palestino, sino porque han sido derrotados. Hace un año decían que Netzarim es parte de su seguridad nacional y ¿por qué se van ahora? Por la lucha armada efectiva y sus pérdidas en Zaitun, porque allí dejaron sus cuerpos, por la efectiva guerra de los túneles, por nuestros sacrificios. Repito por centésima vez: no nos están regalando nada, sino que han sido derrotados. Por eso se van.

P: Mi pregunta es si acaso cuando Israel se vaya nada habrá cambiado porque de todos modos seguirá habiendo otras tierras que usted considera ocupadas, no sólo en Cisjordania, sino también lo que es el Estado de Israel propiamente dicho. ¿Cree que algo estará comenzando a cambiar de fondo si Israel realmente se retira de Gaza o es un pequeñísimo punto en el mapa?

R: Nuestra tierra no es la Franja de Gaza o Cisjordania, sino TODA PALESTINA. Cuatro millones viven fuera de Palestina, aunque su patria está en Haifa y Jaffa. Nuestra patria es toda Palestina, lo repito.

P: Desde el río hasta el mar.....

R: Desde el río hasta el mar, de norte a sur, desde Egipto hasta Líbano. Esta es la TIERRA SAGRADA, es lo más sagrado para el Islam y no aceptamos que esté ocupada por nadie, ni judíos ni cristianos. Ni siquiera musulmanes seculares deberían establecer un Estado en esta zona, porque es waqf islamico (waqf é o nome árabe para “dotação religiosa”.).

P: ¿Usted concibe la posibilidad de reconocer alguna vez al Estado de Israel?
R: No, le diré varias veces, no, no, no, no. Puede preguntarme varias veces y ésta seguirá siendo la respuesta.

P:¿Y existe la posibilidad de negociaciones o diálogo con Israel?

R: ¿Para qué tenemos que dialogar? Ya hay una Autoridad palestina que admira el diálogo y considera que el diálogo es una política estratégica.

P: Usted usa un tono sarcástico al hablar de la Autoridad palestina como quien "admira" las negociaciones.¿Cree que la ANP comete errores de fondo?

R: Claro que sí, comete errores fundamentales. Ellos fueron a Oslo, reconocieron a Israel a cambio de nada, negociaron en España, en Taba, trataron todo con los israelíes y lo que nos trajeron fue un cero absoluto.

http://letras-uruguay.espaciolatino.com/jerozolimski/nunca_reconoceremos.htm

Abs.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 00:56:00 BRST  
Anonymous roberto disse...

Alon, o que está acontecendo com a esquerda mundial. Um deputado esquerdista holandêz promove passeata com a palavra de ordem "Hamas, hamas, judeus para o gás"; PT, PSTU e Psol promovem passeata pró-Hamas em SP ao lado de skinheads. Aqui parece ser uma das raras páginas escritas por esquerdistas que não tem se alinhado automaticamente ao Islã, nessa sanha de combater o império.
Lembro de amigos meus trotskistas que se alinharam a Galtieri quando este partiu para a aventura nas Malvinas/Falkland. Alguns comemoraram o atentado às torres gêmeas anos depois. Que se sucede com estas mentes? Raciocinam que o capitalismo é tão ruim que seria melhor substituí-lo pelo feudalismo? O modelo de estado ocidental é tão ruim que seria bom substituí-lo por um estado religioso?
Vc que é de esquerda, por favor, me explique o que se passa na cabeça dessa gente.

Outra coisa: pq Lula manda Amorim fazer pirotecnia no Oriente Médio e ficou mudo na guerra das papeleiras aqui na vizinhança? Será que ele se acha capaz de mediar a solução do problema de árabes e judeus?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 01:26:00 BRST  
Blogger Leonardo Bernardes disse...

Sua leitura da posição do PT é perfeita. É indisfarçável o protagonismo que o governo tem lutado para alcançar -- e algo até patético.

Mas há outros alvos no texto. As boas referências históricas que você trouxe para apontar a reincidência com que ataques contra civis aconteceram na história não mudam absolutamente nada acerca do juizo que inapelavelmente todos os seres humanos deveriam fazer dos ataques de Israel. O termo terrorismo de Estado, aliás, veio bem a calhar. Que as guerras tragam sempre horrores, ninguém duvida. Mas isso não é uma carta branca para cometer atrocidades. Sobre isso nenhum, absolutamente nenhum indivíduo pró-Israel se pronuncia. Vejo belos exemplos de acontecimentos históricos semelhantes sendo convocados a respaldar a conduta de Israel, o argumento de autodefesa está na linha de frente. Mas ninguém, absolutamente ninguém, fala das quase 300 crianças mortas, do uso de fósforo branco (componente das bombas de Napalm, de uma crueldade assustadora), do bombardeio indiscriminado de escolas, prédios públicos, delegacias, dos tiros disparados contra aqueles que tentam socorrer vítimas, da morte de médicos, das ambulâncias destruídas, dos civis conduzidos e abrigados, em segurança, por soldados israelenses e depois mortos por outros soldados, da proibição do acesso da imprensa internacional, da forte investida midiática de Israel e das manipulações que tem sido orquestradas, dos ataques cuja imperícia chega a vitimar soldados da próprio corpo israelense. E agora, do uso de DIME (Dense Inert Metal Explosive) -- o que para mim constitui o ponto mais alto de toda essa crueldade. A impressão que se tem, Alon, pra ser honesto, quando você e outros destacam que as guerras sempre produzem horrores, é que "os fins justificam os meios" e que TUDO tá valendo.

Eu gostaria de ler um texto ocupado em justificar tudo isso. Que numa guerra tudo pode acontecer. Pois, sinceramente, não sei pra você, mas os horrores já cometidos no mundo para mim não tornam menos bárbaras e condenáveis as coisas que Israel vem fazendo em Gaza, contra 1,5 mi de pessoas PRESAS. Nenhuma queixa (ainda que legítima) quanto a falta de atenção do mundo a respeito de outros massacres muda o fato de que Israel está atacando Gaza sem o menor cuidado, com armas as mais mortífertas que se tem notícia.

O artigo de Robert Kurz que você compartilhou é bela amostra do esforço para contaminar um argumento furado com uma bela análise. Um texto excelente que desemboca numa "autodefesa" contrabandeada sorrateiramente. Cai de paraquedas ali dentro, como se fosse ponto pacífico. A perna manca -- e única -- da ofensiva militar israelense aparece como se fosse um "fato" sobre o qual duvida não resta dúvidas. Chega a ser desconcertante ver o circo montado para tentar despitar esse gesto abrupto e completamente ilegítimo.

PS. Tudo isso sem falar no sem sentido de imaginar que a estratégia militar pode ser uma saída eficiente para os problemas trazidos por questões ideológicas ou "culturalistas", nas palavras do senhor Kurz. Você já leu alguém sensato que, mesmo apoiado no argumento da autodefesa, acredite que a solução militar livrará Israel dos problemas aos quais ele pensar estar combatendo?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 02:45:00 BRST  
Anonymous Paulo Araújo disse...

Alon

Esqueci de avisar que a entrevista do Mahmud al-Zahar continua. mandei apenas parte dela.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 09:08:00 BRST  
Anonymous tiago mesquita disse...

Alon, você não acha que existe um fascismo israelense? Você não acha que a idéia de estados religiosos são ruins por princípio? Você não acha que a colonização da palestina por assentamentos armados em terras férteis é uma arbitrariedade?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 09:48:00 BRST  
Anonymous tiago mesquita disse...

Duas coisas:
Marwan Barghouti poderia ter sido esse líder palestino de que você fala, não foi porque está na cadeia
Camp David não deu certo porque o governo israelense não teve a competência de parar a colonização e o controle das estradas em território palestino.

Alon, o esforço é grande, mas acho que enquanto a economia palestina estiver estilhaçada, as fronteiras de Israel não regredirem ao que eram no último acordo entre os países, não haverá paz.

Pode me chamar de anti-sionista, o que for, mas não entendo estados fundados em grupos religiosos ou étnicos. Acredito na livre circulação de pessoas no mundo, no direito de cidadania baseado no nascimento e no respeito às leis de um país. Não consigo entender a idéia de uma pátria dos judeus, uma pátria dos católicos, budistas, muçulmanos, bascos, tchucarramã. País para mim é país moderno, não país tribal.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 10:01:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O islamismo é segregacionista, assim como o sionismo.

Certo está Christopher Hitchens que diz "a religião envenena tudo".

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 11:21:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

O ódio é cego, Alon, e faz a gente andar em círculos. Você continua justificando a violência de Israel com a comparação a todas as outras. Eu também sou violento, mas Fernandinho Beira-Mar é pior do que eu, e assim vai.

Você diz bem: o Hamas quer um Estado Islâmico na Palestina. Não em Israel. Porque Israel tomou a Palestina e como um pequeno país conseguiu produzir tanto frutas no deserto quanto a bomba atômica é algo que eu deixo para você retrucar com todo o seu poder de fogo.

Sobre islamismo, segregacionismo e sionismo, acho que são todos equivalentes, ramos do mesmo tronco, frutos da mesma raiz, e que um não vive sem o outro.

Sobre antisemitismo seria capaz de pegar em armas para combatê-lo, como faria se vivesse em Gaza para combater o sionismo.

Se você me escolheu como inimigo entre tantos outros leitores, é sinal de que estou chutando bem. Se quiser jogar bola aqui, vamos lá. Se prefere as armas, vamos para Gaza. Lá poderemos trocar tiros de verdade e não haverá dúvidas sobre o vencedor.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 11:50:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Esqueci de responder as suas perguntas:

Sim, Irã e Talibã são tão segregacionistas quanto Israel. Ou você vai me dizer que os árabes vivem tão bem quanto os judeus em Israel? Como também os judeus também não vivem bem no Irã.

Bom, aqui estão as minhas respostas. Eu me contentaria em ouvir as suas ao invés de receber novas perguntas e provocações infantis.

Minha dúvida principal continua sendo a origem do poderio militar israelense, que se tornou o único tiro pela culatra de Israel nessa guerra: a desproporção. Não acredito que tenha sido obtido com nenhuma arrecadação de fundos da comunidade israelita mundial.

Em tempo: se você aceitar meu convite para a guerra em Gaza, saiba que poderá matar um marrano. Como boa parte da população nordestina, eu também descendo de marranos. Todos os sobrenomes de meus ascendentes constam do dicionário de nomes sefarditas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 12:13:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Jura, você deve ter mesmo alguma ascendência judaica, dada a tendência para a dramatização em seus comentários. Não te escolhi como "inimigo", mas tenho prazer em tê-lo como interlocutor. São duas coisas diferentes. E me limitei a responder as suas perguntas, além de colocar alguns questionamentos. Se você viu ódio em algum lugar deste blog, seja post ou comentário, mostre-me que eu corrigirei -ou mesmo removerei. Quanto a andar em círculos, peço então que você me ajude, mostrando exatamente onde e como isso acontece em meus textos, para que eu possa evitar essa falha. Sobre o segregacionismo, eu adianto minha posição, que será objeto de um post. Nem Israel, nem o Irã, nem a Faixa de Gaza do Hamas nem o Afeganistão do Talibã são ou foram segregacionistas. São apenas sociedades em que a religião está imbricada com o Estado, em maior ou menor grau. São escolhas que cada sociedade faz, e responde por elas. Quanto ao sionismo, ele é um movimento para criar e desenvolver um estado judeu num pedaço de terra entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. Portanto, quem é contra o sionismo é contra a existência de Israel como estado judeu. É uma posição política, como qualquer outra. Só que, infelizmente, não dá para o sujeito ser "a favor do direito de Israel existir" e "contra o sionismo". É uma impossibilidade teórica, além de prática. Quanto ao Tiago, é preciso saber por que o Marwhan Barghouti está na cadeira. Você sabe? Então me conte. Talvez tenha algo a ver com atentados suicidas cometidos pelas Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, se eu não estiver enganado. E eu também adoraria um mundo em que as pessoas tivessem o direito de circular livremente. Mas enquanto isso é só uma miragem, talvez seja melhor cada povo cuidar de ter seu próprio país.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 15:42:00 BRST  
Blogger Paulo A. Lotufo disse...

Brasileiros não podemos criticar Estados religiosos como Israel e os países árabes. Aliás, não sei que país no século XXI pode considerar-se 100% laico.
Sem maiores justificativas: religiosos não pagam impostos. A renúncia fiscal torna todos os contribuintes financiadores das diversas religiões existentes no país. Isso para não citar países onde há apoio direto a organizações religiosas educacionais, salvo erro o subsídio é norma na Argentina e na iluminista França com a Igreja Católica.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 19:45:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Lotufo

Concordo com as suas ponderações. O que não concordo é com as generalizações que igualam o que na história é desigual (armadilha relativista). Aos historiadores não-relativistas, que fundamentam suas análises nos elementos lógicos e empíricos, interessa, sobretudo, conhecer e entender o específico, que é o que distingue e nos afasta das relativizações que tudo explicam ou justificam.

O que hoje incomoda e espanta nos mais velhos é a indigência intelectual de muitos que se reivindicam herdeiros da tradição de pensamento marxista. Tal indigência, ativa militantemente as generalizações, que são hoje o caminho suave que conduz ao inferno relativista. Lá, imperam as equivocadas e absolutistas noções do conflito de religiões ou de civilizações.

Pode anotar na sua agenda que a bola da vez no debate sobre Oriente Médio será a denúncia do horroroso caráter teológico do Estado de Israel, opressor, no particular, da esquerda israelita ateia ou laica e, no geral, opressor dos israelenses árabes. Algumas cabeças coradas da academia já começaram a enunciar este tipo de crítica/ denúncia.

Confessar ateísmo ou defender o laicismo do Estado em Israel e nas democracias é considerado direito inalienável do indivíduo, garantido na Constituição. Nas ditaduras fundadas no fanatismo religioso tal expressão de livre-pensamento é tão somente a marca da infidelidade, não raro um pecado punido com a pena de morte. Algo a ser combatido e aniquilado no nascedouro, isto é, extirpado como a doença que infecta o corpo social. Conseqüência lógica, extirpe-se a origem do mal (Israel) e o sacrossanto equilíbrio (proporcionalidade) se restabelecerá no Oriente Médio. Nem preciso dizer que já vimos esse filme muitas vezes na história.

O que considero crucial no conflito está longe de ser apenas uma reflexão sobre disputas entre religiões ou civilizações. Sou católico, mas não sou ingênuo ao ponto de ignorar que na disputa pelo mando as religiões devoradoras de homens apregoam a superioridade essencial do seu credo sobre todos os demais. É extremamente atual o alerta do ateu Diderot a todos os crentes: “É preciso não transformar Deus num punhal”.

Qual é a reflexão estratégica que este horrível episódio deve suscitar? Como opera a racionalidade terrorista que ainda não chegou ao poder de Estado? Existe uma razão democrática que se opõe à racionalidade terrorista? Estas as questões que necessitam reflexão e resposta, principalmente neste início de século. Uma análise nestes termos é necessária porque na história os fatos demasiadamente humanos, para o bem e para o mal, não brotam do nada.

Abs.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 13:15:00 BRST  
Blogger José Maurício disse...

Existe facismo israelense? Em que ele se diferencia do facismo islâmico?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 21:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

NA VERDADE NINGUEM É A FAVOR DO HAMAS, MAS SIM DO POVO PALESTINO...
O QUE VC ACHOU DE ISRAEL BOMBADEAR PREDIO DA ONU E QUEIMAR A AJUDA HUMANITARIA?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 13:45:00 BRST  
Anonymous Serginho/Sampa disse...

Esqueceu de lembrar que junto com a ajuda humanitária haviam provavelmente terroristas do Hamas usando a população civil como escudo humano. Como sempre.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 15:30:00 BRST  
Anonymous Tiago disse...

Acho a idéia de estados tribais muito primitiva. Acho que se a Palestina propusesse um estado em que a nacionalidade não fosse dada por religião, seria melhor. O risco de limpeza étnica sempre acontece quando se fala dessa idéia primitiva do 19 de nações baseadas no sangue.

Aliás, acho engraçado você ter tanto receio das nações indígenas terem autonomia política e achar tranquilo fiéis de outras agremiações religiosas o terem. Eu também via com reservas a demarcação contínua da reserva, mas não entendo essa posição favorável a estados étnicos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 20:20:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Esta discussão acabou ficando chata. Querer trazer a debate da situação do Or. Médio para o campo da vida partidária no Brasil é, no mínimo, ingenuidade. Mas, de qualquer modo, quero que os senhores reflitam sobre um ponto: o apregoado antissemitismo do PT é mais equívoco, ou míope, do que o "semiticismo" norte-americano?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009 18:38:00 BRT  

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