terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ainda sobre a indignação seletiva e a guerra em Gaza (06/01)

Alguns comentaristas lembram que minhas opiniões sobre o Oriente Médio são influenciadas por eu ser judeu. Sim, mas só parcialmente. Ser judeu aguça os sentidos em relação a um assunto-chave: o direito de Israel à existência. Mas o que define minhas posições não é o fato de ser judeu, é a convicção de que Israel tem o direito de existir. E a convicção de que a existência de Israel é uma coisa boa. Assim como é positiva a herança política de Mustafa Kemal Atatürk na Turquia. Assim como é bom que o secularismo militar tenha prevalecido na Argélia. Eu também acho bom o laicismo nacionalista dos atuais dirigentes do Egito, herdeiros de Gamal Abdel Nasser. Eu não tenho problemas em discutir esse assunto, caro Luiz Lozer, nem acho que deveria evitá-lo. É saudável para a humanidade uma presença "ocidental" forte no Oriente Próximo. Quando falo "ocidental" incluo a Rússia. Penso que o mundo deve estar com saudade do papel estabilizador que a União Soviética desempenhava na região, ao oferecer uma alternativa anti-imperialista ao fundamentalismo. Leiam o que escrevi sobre o assunto em Duas táticas na relação com o Hamas e uma visão tardia sobre a invasão soviética no Afeganistão, há quase três anos. Leia também Passado e futuro, escrito um pouco depois. Mas voltemos à vaca fria. Na sua maior parte, os que hoje fazem biombo político com o terrível sofrimento dos palestinos em Gaza são contra a existência de Israel como um estado judeu. Uma posição política, e que portanto deve ser politicamente enfrentada. Não vale, por exemplo, argumentar que os judeus têm direito a um estado por terem sido vítimas do Holocausto nazista na Segunda Guerra Mundial. O critério da vitimização é pernicioso, porque a coisa não tem fim. Ser vítima não dá a um povo a prerrogativa automática de formar uma nação, um país. Isso é coisa que se conquista, com força e sabedoria. Ainda sobre o judaísmo do blogueiro, uma última observação: não é mesmo necessária muita coragem hoje em dia para "acusar" um judeu de defender a sobrevivência de Israel por interesse próprio. Eu quero ver é o sujeito ser valente para dizer, por exemplo, que os negros que defendem as cotas raciais fazem isso porque são pretos e estão agindo em causa própria. Não é tampouco preciso grande esforço intelectual para reduzir o debate sobre qualquer assunto a uma guerra de facções que disputam cegamente o monopólio da superioridade moral. Difícil é argumentar. Como tento sistematicamante fazer aqui. Nos dois post anteriores eu coloquei algumas questões para debate. Por que certas tragédias humanitárias despertam fortes e justificados sentimentos, enquanto outras quase não provocam reação? Ninguém se aventurou a responder, pelo menos por enquanto. Por que o terror sunita contra os xiitas e eventualmente os curdos no Iraque, com seu estoque de vítimas teoricamente inocentes, não merece a mobilização dos que hoje se levantam contra o brutal sofrimento em Gaza? Por que o governo brasileiro, por exemplo, não está nem aí para o genocídio no Sudão, como lembrou aqui um comentarista? Talvez porque em alguns casos as vítimas estejam "do lado errado". Chegamos ao ponto. Na disputa política, a indignação costuma ser seletiva. Foi o que escrevi em Coração quente, cabeça fria e Kaliningrado, por ocasião da guerra entre Israel e o Hezbollah em 2006:
    (...) quem usa a tragédia e o sofrimento humanos como biombo para seus propósitos políticos acaba desmascarado quando exibe a própria incapacidade de se compadecer do adversário exposto à desgraça.
Indignação e superioridade moral são armas dos propagandistas, não dos analistas. Os líderes políticos, cuja ação deve ser o objeto dos analistas, usam os propagandistas, mas não se confundem com eles. Vamos em frente. A violência atual cria ódios que tornarão mais difícil no futuro um entendimento entre as partes? Talvez. Mas há exemplos de que a coisa não necessariamente funciona assim. De que na política o que vale é a correlação de forças. Veja-se por exemplo o caso das relações entre Israel e o Egito. Israel ganhou três guerras contra os egípcios: 1948, 1956 e 1967. Uma deu empate, com viés para vitória do Egito, em 1973. O resultado das quatro guerras foi um acordo de paz em 1978, apenas cinco anos depois de o Cairo ter atacado Israel no dia mais sagrado para os judeus. Um acordo de paz amplo, com o estabelecimento de relações diplomáticas. Um acordo, aliás, fechado entre um governo de direita em Israel e um governo egípcio herdeiro da tradição de Nasser, talvez o líder árabe que mais perto tenha chegado de ser um Kemal Atatürk. Hoje o Cairo não apoia o Hamas na guerra contra Israel, e aqui estou sendo comedido na caracterização. Outro exemplo é o Líbano. Com todas as suas trapalhadas e incompetências, a guerra de Israel contra o Hezbollah gerou um statu quo de relativa paz, dado que o próprio líder do partido guerreiro xiita precisou pedir desculpas ao povo libanês e dizer que se tivesse avaliado previamente a escala da reação israelense não teria ordenado que suas tropas atravessassem a fronteira e sequestrassem dois militares -o que desencadeou a guerra. Hoje, o Hezbollah e o Líbano sabem que qualquer ação do grupo contra Israel será encarada por Jerusalém como agressão de país contra país. E, visto que o projeto político do Hezbollah é se apresentar como uma força genuinamente nacional no Líbano (não apenas um braço armado da Síria ou do Irã), de algum modo o Hezbollah está momentaneamente contido pelas circunstâncias. Ou então o Líbano vai pagar a conta. É hora de mais uma pergunta aos nossos comentaristas. Por que nem o Egito nem a Jordânia nem a Autoridade Palestina apoiam o Hamas na guerra? Aliás, nem a Síria. Não estou falando em apoiar com palavras, mas com armas. Uma resposta possível é que todos esses atores têm algum interesse em enfraquecer o Hamas, porque enxergam no grupo uma ameaça política. Anotem aí que eu incluí a Síria no rol. Hora de outra pergunta, já feita em post anterior: por que Israel bloqueia Gaza mas não bloqueia a Cisjordânia? Talvez o Hamas tenha cometido agora o mesmo erro de Mikhail Saakashvili, o presidente da Geórgia, que achou ano passado que poderia despejar fogo sobre duas regiões separatistas e com isso retomá-las da influência russa. Assim, no braço. O malucão do Cáucaso acreditou que a reação da opinião pública impeliria a Europa e os Estados Unidos a entrarem na guerra pela "liberdade" e pela "democracia" contra o malvado urso de Moscou. Saakashvili deu-se mal e hoje está por um fio. Depois que os russos o colocaram em seu devido lugar. Desde então, aliás, tanto a Europa como os Estados Unidos acharam melhor pôr as barbas de molho e baixar o tom da agressividade antirrussa. Agora, o Hamas, que controla Gaza, achou que poderia impor unilateralmente um novo statu quo simplesmente rompendo o cessar-fogo e iniciando uma aventura militar contra o estado judeu. Achou que Israel não reagiria maciçamente, por estar praticamente sem governo, com um premiê "pato manco" e eleições marcadas para fevereiro. Foi um erro grosseiro, pelo qual o Hamas terá que responder a seu povo. Até porque Israel estava há tempos em preparação para a possibilidade de um confronto em Gaza. E em véspera de eleição, com um monte de foguetes caindo diariamente sobre o país, a última coisa de que um político precisa é passar por frouxo. O mesmo se dá do outro lado. O Hamas até certo ponto necessitava do confronto, para se tornar uma força política que pudesse exibir no currículo uma guerra contra Israel. Medalha que o Hezbollah já tinha. Um último detalhe: não me parece que Israel tenha interesse em liquidar politicamente o Hamas, pois isso entronizaria a Fatah como detentora de todo o poder na Palestina. A atual divisão entre os palestinos é confortável para Israel, desde, é claro, que não implique problemas adicionais de segurança. Daí que as chances de um cessar-fogo tenham crescido. E reparem bem que a ação israelense tem mirado principalmente na ala militar do Hamas, não na sua ala política.

http://twitter.com/alonfe

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31 Comentários:

Anonymous Reinaldo (historiador) disse...

Pois é, infelizmente, o blogueiro, a quem admiro a maior parte dos textos, usou de seu direito de censura sobre meu comentário e segue em seu pressuposto básico segundo o qual defender a existência de Israel significa relativizar as ações militares em favor do interesse político necessário que seria o de sustentar a importância de Israel para o equilíbrio de poder na região. Até aí tudo bem, não fosse cair no equívoco sincero da maioria dos judeus que conheço, que não reconhecem Israel como um Estado super-poderoso que DESEQUILIBRA a região. Israel não é o pequeno país que precisa a todo custo defender-se. Israel montou uma superestrutura de poder econômico e militar incrustrado na Palestina. Que tem o direito de existir, isso não está em questão agora. O que está em jogo (e não diz respeito às situações que você descabidamente traz à tona) é uma política sistemática de opressão social e étnica. Queira você admitir ou não.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009 19:36:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Alon,

Peço permissão para tentar ajudá-lo nessa tarefa.

É óbvio que o que não falta na história da humanidade é sacanagem na luta pelo poder. No caso específico de Israel acho que há dois pontos básicos que você menciona mas não explora. Acho importante esclarecê-los para que ninguém possa acusá-lo de pensar - e agir - por emoção. São eles:

1. "a União Soviética desempenhava na região, ao oferecer uma alternativa anti-imperialista ao fundamentalismo"

2. "Não vale, por exemplo, argumentar que os judeus têm direito a um estado por terem sido vítimas do Holocausto nazista na Segunda Guerra Mundial. O critério da vitimização é pernicioso, porque a coisa não tem fim. Ser vítima não dá a um povo o direito de formar uma nação, um país. Isso é coisa que se conquista, com força e sabedoria."

Ora, exatamente o argumento da vitimização foi e é ainda amplamente usado para justificar a existência de Israel. O outro argumento, que é mais propriamente um motivo, foi conter a influência soviética no oriente médio, terra do petróleo que continua sendo a mãe, ou o pai, de todas as guerras na região. A força e a sabedoria que permitem as conquistas de Israel estão indissoluvelmente ligadas a essa disputa.

Se você acha que sou simplista ou mal informado, pode descer a lenha. Se você tiver uma justificação melhor do que a comparação com as malvadezas e virtudes alheias, eu terei te ajudado a defender a existência de Israel.

Em matéria de malvadeza, aliás, a história do nosso Brasil também não deve nada a ninguém. O Brasil merece existir como é? Temos ou não uma dívida em relação e negros e índios, como você também às vezes observa? E a dívida dos israelenses, qual é? As semelhanças são muitas, mas não me parece que os casos sejam idênticos, inclusive sob o ponto de vista da expansões colonialista e capitalista ultramarinas.

Ajudei?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009 19:48:00 BRST  
Anonymous Radical Livre disse...

Alon,

quanto ao Sudão, ou aos massacres sunitas contra curdos e xiitas, acho que a bola está com vocês, da Imprensa formal e blogueiros políticos em geral. Estes temas simplesmente não são abordados.

Para saber sobre o Sudão ou o Iraque ou o Congo ou qualquer outro lugar em que um conflito esteja acontecendo (e genocídios sendo cometidos às nossas costas) tenho que lutar muito com o Google News e as línguas estrangeiras.

Aqui, não sai nada. Só para comparar indignações.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009 20:27:00 BRST  
Anonymous Clever Mendes de Oliveira disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 01:21:00 BRST  
Anonymous Serginho Moura disse...

O direito dos Judeus a um estado não muda o fato de Israel ser considerado um enclave ocidental imposto artificialmente no coração do oriente médio. Podemos argumentar aspectos históricos. Que os palestinos ocupavam uma região judia por origem, qual arrozeiros na reserva indígena. O fato é que, passar a ser cidadão de segunda classe em uma terra em que seus antepassados há séculos lançaram suas tendas e espalharam suas ovelhas deve ser muito duro. Isso não ia dar certo. Espero que esteja errado. Mesmo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 01:24:00 BRST  
Anonymous Paulo Araújo disse...

Caro

Li os comentários nos posts. Apenas imaginei o conteúdo dos que não foram publicados.

Eu gostaria de ler respostas para estas perguntas: como é possível obter a paz se o Hamas, o movimento que hoje representa majoritariamente os palestinos, tem como objetivo a destruição de Israel, justamente o Estado com quem o Hamas vai “negociar” a paz? Ora, a paz que o Hamas almeja significa a liberação de toda a Palestina, desde o Jordão até o Mediterrâneo. Então, quem não quer ceder? Israel?

Um comentarista anotou que a sua origem judaica torna os seus argumentos previsíveis. Sei. É o mesmo que dizer que judeus só têm boa vontade com judeus. Lembro que este é o “argumento” que fundamenta a idéia de uma “conspiração judaica mundial” no velho conhecido texto apócrifo anti-semita “Os Protocolos dos Sábios do Sião”. Não por acaso este “documento” sobre a grande “conspiração judaica mundial” é ativado pelos autores da Carta de Fundação do Hamas, como veremos abaixo.

Um comentarista escreveu assim:

“Quanto a Atatürk, foi o mais radical dos modernizadores ocidentalistas do mundo muçulmano e tal modernização fracassou, por desrespeitar com arrogância a cultura islâmica. São os filhos e netos de Atatürk, Nasser, Bem Bella e outros que questionam a ocidentalização forçada.
É preciso ultrapassar os paradigmas superados da Modernidade (a heurística pós-moderna está aí para ajudar a quem tiver boa vontade)”.

Um outro escreveu assim:

“Até aí tudo bem, não fosse cair no equívoco sincero da maioria dos judeus que conheço, que não reconhecem Israel como um Estado super-poderoso que DESEQUILIBRA a região. Israel não é o pequeno país que precisa a todo custo defender-se. Israel montou uma superestrutura de poder econômico e militar incrustado na Palestina”.

Não vou comentar os comentários. E não vou comentar os trechos da carta de fundação do Hamas, escrita em 19/08/1988. Apenas observo que a carta de princípios do Hamas explicita ao seu modo o que é a “cultura islâmica”, os “paradigmas superados da Modernidade”, o “desequilíbrio” judeu na Palestina e que o Estado de Israel “não é o pequeno país que precisa a todo custo defender-se”, mas o corpo estranho a ser devidamente eliminado. Para o Hamas, os territórios ocupados são...TODO ISRAEL.

Utilizo a versão em espanhol:

Pacto del Movimiento de Resistencia Islámica (HAMAS) – Palestina

Palestina,
1 Muharram 1409 Hégira
18 de agosto de 1988

“Israel existirá y seguirá existiendo hasta que el islam lo aniquile, como antes aniquiló a otros.” (El Mártir, imán Hassan al-Banna, de venerada memoria)

La universalidad del Movimiento de Resistencia Islámica:

Artículo 7) El Movimiento de Resistencia Islâmica (Hamas) es uno de los eslabones de la cadena de la lucha contra los invasores sionistas. Se remonta a 1939, a la aparición del mártir Izz al-Din al-Kissam y sus hermanos los combatientes, miembros de la Hermandad Musulmana. Se extiende para unirse con otra cadena que abarca la lucha de los palestinos y la Hermandad Musulmana en la guerra de 1948 y las operaciones de Yihad de la Hermandad Musulmana en 1968 y después.

El Profeta, que Alá le bendiga y le dé la salvación, ha dicho: “El Día del Juicio no llegará hasta que los musulmanes combatan contra los judíos (matando a los judíos), cuando el judío se esconderá detrás de piedras y árboles. Las piedras y los árboles dirán: Oh musulmanes, oh Abdulla, hay un judío detrás de mí, ven a matarlo. Sólo el árbol gharkad (evidentemente cierta clase de árbol) no lo hará, porque es uno de los árboles de los judíos”. (Narrado por al-Bukhari y Moslem)

El lema del Movimiento de Resistencia Islámica:

Artículo 8) Alá es su meta, el Profeta es su modelo, el Corán su constitución: la Yihad es su senda, y la muerte por Alá es su más alto anhelo.

Artículo 11) El Movimiento de Resistencia Islámica considera que la tierra de Palestina es un Waqf islámico consagrado a las futuras generaciones musulmanas hasta el Día del Juicio. Ni ella, ni ninguna parte de ella, se puede dilapidar; ni a ella, ni a ninguna parte de ella, se puede renunciar. Ni un solo país árabe ni todos los países árabes, ni ningún rey o presidente, ni todos los reyes y presidentes, ni ninguna organización ni todas ellas, sean palestinas o árabes, tienen derecho a hacerlo. Palestina es un territorio Waqf islámico consagrado a las generaciones musulmanas hasta el Día del Juicio.
Ésta es la ley que rige para la tierra de Palestina en la sharía (ley) islámica, e igualmente para todo territorio que los musulmanes hayan conquistado por la fuerza, porque en los tiempos de las conquistas (islámicas) los musulmanes consagraron aquellos territorios a las generaciones musulmanas hasta el Día del Juicio.

Artículo 12) El nacionalismo, desde el punto de vista del Movimiento de Resistencia Islámica, forma parte del credo religioso. Nada es más significativo o más profundo en el nacionalismo que en el caso de que un enemigo pise tierra musulmana. Resistir al enemigo y eliminarlo pasa a ser el deber individual de todo musulmán, hombre o mujer. Una mujer puede marchar a combatir contra el enemigo sin el permiso de su marido, e igualmente el esclavo, sin el permiso de su amo.

Soluciones pacíficas, iniciativas y conferencias internacionales:

Artículo 13) Las iniciativas, y las llamadas soluciones pacíficas y conferencias internacionales, están en contradicción con los principios del Movimiento de Resistencia Islámica. El insulto a cualquier parte de Palestina es insulto dirigido contra una parte de la religión (...)Esas conferencias sólo son maneras de instalar a los infieles en la tierra de los musulmanes en calidad de árbitros. ¿Desde cuándo han hecho justicia los infieles a los creyentes? “Pero los judíos no estarán satisfechos de ti, ni los cristianos tampoco, mientras no sigas su religión. Di: La dirección de Alá es la dirección verdadera. Y ciertamente si sigues sus deseos, después del conocimiento que te ha sido dado, no tendrás protector ni defensor frente a Alá.” (C 2:120)
No hay solución para la cuestión palestina si no es a través de la Yihad. Las iniciativas, las propuestas y las conferencias internacionales son todas una pérdida de tiempo y empresas vanas.

Artículo 15) El día en que los enemigos usurpan una parte de la tierra musulmana, la Yihad pasa a ser deber individual de todo musulmán. Frente a la usurpación judía de Palestina es obligatorio alzar el estandarte de la Yihad (...) Es imperativo instilar en las mentes de las generaciones musulmanas que el problema palestino es un problema religioso, y que hay que acometerlo sobre esa base. Palestina contiene lugares santos islámicos. En ella se encuentra la Mezquita al-Aqsa, que está unida a la gran Mezquita de La Meca con un lazo indisoluble mientras el cielo y la tierra hablen del Isra (el viaje nocturno de Mahoma a los siete cielos) y el Miraj (la ascensión de Mahoma a los siete cielos desde Jerusalén).
“Un día de servidumbre por Alá es mejor que el mundo y todo lo que hay en él. El sitio que ocupa el látigo en el Paraíso es mucho mejor que el mundo y todo lo que hay en él. La ida y la venida de un devoto al servicio de Alá es mejor que el mundo y todo lo que hay en él.” (Narrado por al-Bukhari, Moslem, al-Tarmdhi e Ibn Maja)

Fuerzas de apoyo tras las filas del enemigo:

Artículo 22) Durante mucho tiempo los enemigos han estado planeando, hábilmente y con precisión, para el logro de lo que han conseguido. Tomaron en consideración las causas que incidían en la marcha de los acontecimientos. Se esforzaron por amasar una grande y sustantiva riqueza material, que dedicaron a la realización de su sueño. Con su dinero tomaron el control de los medios de comunicación del mundo, las agencias de noticias, la prensa, las empresas editoriales, las emisoras de radio y otros. Con su dinero atizaron revoluciones en distintas partes del mundo para alcanzar sus fines y cosechar sus frutos. Estuvieron detrás de la Revolución Francesa, de la revolución comunista y de la mayoría de las revoluciones de las que hemos sabido y sabemos, aquí y allá. Con su dinero formaron sociedades secretas, tales como la masonería, los clubs de Rotarios y de Leones y otras en diferentes partes del mundo, para sabotear las sociedades y alcanzar los fines sionistas. Con su dinero lograron controlar los países imperialistas e instigarlos a colonizar muchos países para poder explotar sus recursos y extender en ellos la corrupción.
Dígase lo que se quiera de guerras regionales y mundiales. Ellos estuvieron detrás de la Primera Guerra Mundial, cuando lograron destruir el Califato islámico, obtener ganancias financieras y controlar recursos. Ellos consiguieron la Declaración Balfour, formaron la Sociedad de Naciones para dominar el mundo a través de ella. Ellos estuvieron detrás de la Segunda Guerra Mundial, mediante la cual obtuvieron enormes ganancias financieras con el comercio de armamentos, y prepararon el terreno para el establecimiento de su estado. Fueron ellos los que instigaron la sustitución de la Sociedad de Naciones por las Naciones Unidas y el Consejo de Seguridad, para poder dominar el mundo a través de ellos. No hay guerra que se libre en ninguna parte en la que ellos no hayan puesto el dedo.
Las fuerzas imperialistas del Occidente capitalista y del Oriente comunista sostienen al enemigo con todas sus fuerzas, con dinero y con hombres. Esas fuerzas se turnan para hacerlo. El día en que apareciera el islam, las fuerzas de la infidelidad se unirían contra él, porque los infieles forman una sola nación. (eu observo: eis aqui com todas as letras a reprodução do “argumento” dos “Protocolos” sobre a “conspiração judaica mundial”).

C. La Organización para la Liberación de Palestina (OLP):

Artículo 27) La Organización para la Liberación de Palestina es la más cercana al corazón del Movimiento de Resistencia Islâmica (...) con todo nuestro aprecio por la Organización para la Liberación de Palestina –y lo que puede llegara a ser–, y sin restar importancia a su papel en el conflicto árabe-israelí, no podemos cambiar la Palestina islámica presente o futura por la idea secular. La naturaleza islámica de Palestina es parte de nuestra religión, y todo el que se tome su religión a la ligera es un perdedor.

D. Los países árabes e islámicos:

Artículo 28) La invasión sionista es una invasión pérfida. No se priva de recurrir a todos los métodos, utilizando todos los medios perversos y despreciables para alcanzar su fin. Se apoya fuertemente en sus operaciones de infiltración y espionaje en las organizaciones secretas a las que dio origen, tales como la masonería, los clubs de Rotarios y Leones y otros grupos de sabotaje. Todas esas organizaciones, sean secretas o declaradas, trabajan en favor del sionismo y siguiendo sus instrucciones. Buscan socavar las sociedades, destruir los valores, corromper las conciencias, deteriorar el carácter y aniquilar el islam. Están detrás del comercio de drogas y el alcoholismo en todas sus formas para facilitar su control y expansión.

Artículo 32) El sionismo mundial, juntamente con las potencias imperialistas, intenta, a través de un plan estudiado y una estrategia inteligente, sacar a un estado árabe tras otro del círculo de la lucha contra el sionismo, para que al final sólo tenga que enfrentarse al pueblo palestino. Egipto fue, en gran medida, sacado del círculo de la lucha mediante el traicionero Acuerdo de Camp David. Están intentando llevar a otros países árabes a acuerdos similares y sacarlos del círculo de la lucha.
El Movimiento de Resistencia Islámica llama a todas las naciones árabes e islámicas a adoptar la línea de una acción seria y perseverante que impida el éxito de este plan horrendo, que advierta a la gente del peligro resultante de salir del círculo de la lucha contra el sionismo. Hoy es Palestina, mañana será este o aquel país. El plan sionista es ilimitado. Después de Palestina, los sionistas aspiran a expandirse desde el Nilo hasta el Éufrates. Una vez que hayan digerido la región que ocuparon, aspirarán a una nueva expansión, y así sucesivamente. SU PLANO ESTÁ ENUNCIADO EM LOS “PROTOCOLOS DE LOS SABIOS DE SIÓN”, y su conducta en la actualidad es la mejor prueba de lo que decimos.
Abandonar el círculo de la lucha con el sionismo es alta traición, y maldito sea el que lo haga.

Artículo 35) El Movimiento de Resistencia Islámica contempla seriamente la derrota de los Cruzados a manos de Salah ed-Din al-Ayyubi y el rescate de Palestina de sus manos, así como la derrota de los tártaros en Ein Galot, el quebrantamiento de su poder a manos de Qataz y Al-Dhaher Bivers y la salvación del mundo árabe de la acometida tártara que se proponía destruir todo sentido de la civilización humana. El Movimiento extrae enseñanzas y ejemplos de todo esto. La presente acometida sionista también ha sido precedida por ataques de los Cruzados desde Occidente y otros ataques de los tártaros desde Oriente. Lo mismo que los musulmanes hicieron frente a esos ataques y planearon la manera de combatirlos y derrotarlos, deben ser capaces de hacer frente a la invasión sionista y derrotarla.

Fonte: http://martinito.blogspot.com/2006/01/la-carta-fundacional-de-hams.html

Traduzida do da versão oficial em inglês que pode ser lida aqui

http://www.mideastweb.org/Hamas.htm

O Hamas não combate a ocupação israelense. Combate o Estado de Israel e a sua existência. Seu objetivo é a destruição do Estado de Israel e sua politica é a Jihad. Segunda esta visão, tanto os colonos dos assentamentos como os civis de Tel Aviv ou Haifa são objeto de ataques.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 05:14:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Suas perguntas:

1. O problema com Israel é ser apoiado pelo império mais mentiroso e covarde da história humana, o americano. Israel precisa continuar existindo, mas o impérialismo americano tem que parar. Imperialismo responsável por Suharto, pelo Napalm, fóforo braco e agente laranja na Indochina, pelos contras da Nicaragua, etc... E o bom povo americano vai agradecer por isso.

2. O Hamas é um grupo assassino e assassnos têm que ser chamados do que são. Assim como qualquer um que mata idosos, mulheres e crianças em seus ataques desmedidos e estúpidos.

3. A Cisjordânia não está bloqueada por quê o governo corrupto de Abbas tem se comportado "direito" aos olhos de Israel. Isso não muda o fato que existe um muro da vergonha circundando-a e circundando as dezenas de assentamentos judeus ilegais que os palestinos têm dentro de sue território.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 09:02:00 BRST  
Anonymous olhosdonorte.wordpress.com disse...

Você colocou o ponto da existência do estado de Israel. Eu digo que devemos colocar (ou acrescentar) o ponto da existência do estado Palestino. Creio que seria melhor colocar, já que não tenho muitas dúvidas que Israel é o único que existe enquanto estado e não perderá isto. Possui instituições consolidadas, exército muito forte e modernos armamentos. E a sabedoria? Desviando ou diluindo a atenção desta guerra com outras,importantes em si, mas que neste caso serve para outros fins?!; Garantindo uma divisão interna na palestina entre Hamas e Fatah?!;Utilizando a cisjordânia como propaganda: Está vendo, se vocês não me enfrentarem e seguirem as coisas como tem quer ser não invadirei seus territórios! E se invadir vocês deverão se justificar justo a sua população e perderão força política!.
Uma das identidades do Hamas está em ser um grupo político e militar que se diz enfrentar sem medo e jogar duro com Israel na defesa dos direitos palestinos e na busca do fim de Israel (Adiantando a críticas: quem garante que Israel e seus grupos políticos também não desejam o fim dos Palestino?). Qual a força e sabedoria que a Palestina possui? Um estado insuficiente? Dois grupos armadas? A vitimização, pela morte e sofrimento dos civis?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 09:54:00 BRST  
Anonymous Reinaldo disse...

Não sei se vale a pena, mas vá lá. Já que meus argumentos foram utilizados com o fim de desqualificá-los e, como já de praxe, tentar associar questionamentos a Israel a anti-semitismo, vamos a uma decupagem:
1) "como é possível obter a paz se o Hamas, o movimento que hoje representa majoritariamente os palestinos..." Quem tornou o Hamas forte o suficiente para chegar a esta condição? Já sei sua resposta: os países árabes, manipulando os palestinos e jogando-os contra Israel, num jogo de poder que serve apenas para manter intacta a fantasia de uma unidade árabe. Tudo bem, mas será que a política expansionista e de opressão étnica israelense nada tem a ver com isso?
2) "Hamas, o movimento que hoje representa majoritariamente os palestinos..." Representa majoritariamente mesmo? Ou é importante que o Hamas seja apresentado como aquele que representa os palestinos para, assim, desqualificar o movimento independentista? Quem assassinou Rabin? O Hamas? Será difícil lembrar que, após Camp David, a virada na política israelense se dá após o assassinato de Rabin? E quem foi o assassino?
3) "Ora, a paz que o Hamas almeja significa a liberação de toda a Palestina, desde o Jordão até o Mediterrâneo. Então, quem não quer ceder? Israel?" Assim como a paz que o IRA ou o ETA diziam almejar significava posições também extremadas, escritas em centenas de manifestos. Mas, corretas ações de políticas dissuasivas foram, aos poucos, isolando os mais radicais (hoje são minúsculos grupos desesperados) e trazendo para a cena apenas as vertentes dispostas a atuar como interlocutores, como o Shin Fein e o Batasuna. Agora, quem não quer que o Hamas se transforme em algo parecido ao Shin Fein? Os palestinos, você dirá. Você tem certeza disso?
4) "O Hamas não combate a ocupação israelense. Combate o Estado de Israel e a sua existência. Seu objetivo é a destruição do Estado de Israel e sua politica é a Jihad. Segunda esta visão, tanto os colonos dos assentamentos como os civis de Tel Aviv ou Haifa são objeto de ataques." Quanta diferença em relação aos israelenses radicais, não? A única, simples, diferença, parece ser o número de baixas. Mas isso é desprezível, não é mesmo? Vidas são vidas. Ocorre que, de um lado, há uma máquina de guerra superpoderosa e moderna e, do outro, há uma guerrilha (isso mesmo, uma guerrilha, qualquer tentativa de afirmar que se trata de um exército formal é um rigoroso exagero).
5) Antes de atacar o Hamas, Israel precisa domar seus próprios radicais. Se não, como gêmeos siameses, vão agir sempre do mesmo modo. De resto, é a contínua auto-vitimização daquele que, há muito, deixou de ser um Estado indefeso diante de vizinhos poderosos inóspitos. Que o Estado de Israel seja tratado como de fato é: um Estado superpoderoso, com poder bélico sem comparação na região. E que pratica sistemática opressão étnica.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 11:45:00 BRST  
Anonymous Clever Mendes de Oliveira disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 12:17:00 BRST  
Anonymous Maurício Rayel disse...

Guerras e mortes no momento existem algumas no mundo , com mais ou menos violência como as de Gaza . No entanto qualquer assunto que envolva aquela região faz brotar de nossas entranhas espirituais a nossa opinião. A favor ou contra. Sendo ateus ou não, mais ou menos religiosos, de certa forma todos estamos ligados a ´Terra prometida´. Eu como um cara religioso estou achando muito interessante todos os olhos e corações estarem voltados á Eretz Israel.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 13:52:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Tenho dois comentários:

1. Não é necessário provar imparcialidade. Todos somos parciais. O que precisa é ser honesto, e isto você já tem provado.

2. Li hoje um artigo interessante de um fracês (judeu), em que ele reconhece que a reação de Israel é "desproporcional", e leventa a pergunta: o que deve Israel fazer? Esperar que o Hamas se torne tão forte quanto Israel militarmente para ai ser proporcional?

Demais, parabéns pelas suas posições em relação à Israel. Não é facil ser judeu, de esquerda, nacional e democrático.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 14:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, independentemente de vc ser judeu, o fato é que eu não vejo como ser possível comentar essa questão sem tomar partido. Estamos falando de um tema que nasceu comprometido sem que as partes hoje envolvidas tenham qualquer culpa inicial. As mortes, as dores, o ressentimento amplificados ao longo dos anos, também legitima as diversas formas de violência de cada parte. É pena que as razões de estado de Israel ou o comportamento insano de grupos islâmicos, representem uma carga tão grande que judeus e arábes do mundo tenham que carregar na forma de discriminação.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 14:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

É interessante como tem passado batida no debate a posição do Egito. Não abriu a fronteira com Gaza para salvar quem quer que seja. Pobres palestinos. Impedidos de fugir pelo Egito. Reféns e escudos humanos do Hamas. Parece que a idéia de sua utilidade por esses "irmãos" passa por sua disponibilidade aos tiros israelenses. Uma hora serão acertados. Seu "martírio", porém, servirá à causa. Muitos crimes se creditam a Deus; esse é só mais um. Luta infindável e de vitória impossível. Os dois lados pensam de modo parecido e ainda imaginam que não precisam sequer de ddd para falar com Deus. É ligação local.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 14:59:00 BRST  
Blogger RICARDO SANTOS disse...

Caro Alon,
Eu entendo que o conflito é doloroso para a população civil dos dois lado,são perdas inumeráveis.Mas Israel desde 2006 usa a força de forma desproporcional contra essa gente.Na guerra contra o Líbano, eu acho que não ficou um prédio em pé tudo por causa de um soldado.

A única democracia do oriente médio tem o direito legítimo de uma resposta militar contra inimigos que usam o extremismo como arma.

VISITE O BLOG DO RICARDO: RICARDOSANTOSDF.BLOGSPOT.COM

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 16:44:00 BRST  
Blogger Paulo A. Lotufo disse...

Alon e leitores: impressionante os comentários nitidamente antisemitas publicados em outros blogues.
Principalmente, naqueles que utilizam vestes de esquerda e indumentárias progressistas.
Algo que merece estudo imediato.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 22:02:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

caro alon, nos conflitos que vc citou, a maioria dos casos trata-se de conflitos ocorridos entre etnias, e não de um país agindo brutalmente contra uma etnia. talvez por isso, haja mais manifestações públicas de repúdio. isso não significa necessariamente que o repúdio seja maior ou menor.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 22:39:00 BRST  
Anonymous rends disse...

argumentar não é fácil, neste mar de ignorância e posições forjadas pela imprensa burra que nada sabe da História..bobagens pré-definidas e inflexíveis...preconceituosas..mas neste ponto a soberba ignorância não é privilégio do Brasil...veja o que aponta "o abrupto" (www.abrupto.blogspot.com)

...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ...
(Sá de Miranda)

6.1.09

08:24 (JPP)

A FALSA EQUIDISTÂNCIA E A IRRELEVÂNCIA DA POLÍTICA EUROPEIA NO MÉDIO ORIENTE




O Público publicou (2/1/2009) uma dessas periódicas missivas de senadores internacionais sobre o conflito do Médio Oriente, neste caso com o título ameaçador de “a humanidade está em jogo em Gaza”. Assinam esse texto um conjunto de personalidades heteróclitas, como de costume ecleticamente representando “civilizações” distintas, para dar um ar de universalidade. Bastava esta composição dos abaixo-assinados para nos fazer desconfiar de tanto politicamente correcto: o checo Vaclav Havel, o príncipe Hassan bin Tala, tio do actual rei jordano, o teólogo progressista Hans Küng, o neo-zelandês Mike Moore, antigo director da Organização Mundial do Comércio, Yohei Sasakawa um filantropo japonês , Desmond Tutu, Prémio Nobel da Paz , e um nobre Karel Schwarzenberg, actual ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa. Esta última assinatura, de um ministro que está neste momento em exercício na Presidência da UE, dá ao documento o ar oficioso de uma declaração da célebre (e na verdade inexistente) “política externa europeia”.

Temos pois, como deve ser, dois europeus do Leste, um plebeu e um nobre, um alemão, um principe árabe, um bispo anglicano africano, um japonês, um representante dos antípodas, ou visto de outra maneira, um bispo, um benemérito, um escritor, um árabe moderado, e um político no activo, ou visto de outro modo, um branco, um árabe, um negro, um amarelo, ou visto ainda de outro modo, um cristão católico, um cristão anglicano, um muçulmano, um xintoista, um agnóstico, etc, etc. O mundo como os multiculturalistas pensam que ele é.

O texto permite entender as razões pelas quais a política europeia para o Médio Oriente é o fracasso conhecido, e comporta um visão que, pretendendo-se equidistante, legitima a violência palestiniana radical, e acaba por ser mais condenatório de Israel do que da beligerância do Hamas, cujo objectivo de destruir o estado de Israel nunca entra em conta nestas equidistâncias. Nada que não seja habitual neste tipo de “equidistância”, muito comum na Europa “comunitária”, e uma das razões pelas quais a União Europeia, sendo o principal apoiante humanitário da Autoridade Palestiniana, não tem qualquer papel de relevo no conflito palestiniano e que não é reconhecida por nenhuma das partes como protagonista sério em qualquer esforço de negociação. Pelo contrário, os pouco equidistantes EUA e, do outro lado, o Irão, são peças fundamentais de qualquer entendimento e o que dizem e fazem é tido em total conta pelos países e grupos em conflito. Se houver tréguas, paz, estado palestiniano, é com eles e por eles também. A Europa, que por razões de todo o tipo, históricas, políticas e geopolíticas, devia ser uma chave para a resolução do conflito, é um inexistência real e limita-se a proferir declarações de boas intenções como a carta a que nos referimos.

A nova “linguagem de pau” dos tempos modernos passa por cartas como esta em que, ou por omissão da verdade, sugestão de falsidade ou por pura falsidade, se toma posição jurando estar-se acima das partes. Veja-se esta frase que Orwell instantaneamente reconheria como doublespeak:

"O impasse ao nível da segurança que existe entre Israel e a liderança palestiniana em Gaza também conduziu aos bloqueios de ajuda alimentar por Israel, que obrigaram os 1,5 milhões de habitantes de Gaza a enfrentar uma situação de fome real. Israel, ao que parece, continua a enfatizar a primazia da segurança "dura" nas suas negociações com os palestinianos de Gaza, mas essa ênfase serve apenas para bloquear oportunidades para soluções criativas e não-violentas da disputa entre Israel e a Palestina."



A “liderança palestiniana em Gaza”, que os signatários recusam nomear, é o Hamas que se separou do governo e do presidente palestiniano Abbas, para ilegalmente tornar o território numa ditadura civil e militar fundamentalista, patrocinada pelo Irão, que usa a população civil como escudo para as suas actividades de agressão a Israel, mas também para atacar todos os sectores palestinianos mais moderados. O seu objectivo é explicito: impedir qualquer acordo de paz com Israel e, em consequência, militarizou todo o território, usando todas as oportunidades de abertura de fronteira para se rearmar e receber apoios externos, sacrificando o bem estar de milhares de palestinianos civis aos seus objectivos de guerra. No interior do território controla todas as ajudas humanitárias para, em primeiro lugar, privilegiar os quadros do Hamas e as suas famílias e, depois, para o enquadramento e doutrinação fundamentalista.

Tudo isto está mais que documentado. Não tenho a mais pequena dúvida que os signatários da carta sabem que é assim. Sabem até mais do que isso: sabem que o Hamas usa as ambulâncias para mover homens e armas, utiliza escudos humanos, armazena armas em mesquitas, escolas e hospitais. Sabem que o Hamas prepara crianças e jovens adolescentes nas suas escolas numa ideologia fundamentalista do martírio, organizando atentados indiscriminados contra a população civil. Os signatários da carta sabem muito bem que Israel não toma a população civil como alvo militar e que o Hamas não distingue entre um militar e um civil judeus, assassinando todos os que pode. Sabem ainda mais: que o Hamas viola todo o tipo de direitos humanos, fuzila opositores suspeitos de simpatizarem com a Fatah de Abbas e presumiveis ou reais informadores israelitas, impede qualquer liberdade de expressão, prende indiscriminadamente e tortura, introduziu a sharia, e outras práticas religiosas fundamentalistas.

Neste contexto, que segurança pode ter Israel que não seja “dura”? Alguns destes senadores conhecem alguma política “mole” que possa merecer o nome de segurança? Que política de segurança “mole” seria possível com grupos como o Hamas no contexto do Médio Oriente? E que solução de “protectorado” internacional funcionaria no Médio Oriente que pudesse garantir a segurança de Israel, sem tropas que estivessem prontas para desarmar o Hamas, e os grupos radicais palestinianos, para bloquear a inflitração iraniana para o Hamas e para o Hezbollah, para impedir os esquadrões da morte? Com que exército europeu?

Basta olhar para o Líbano onde as tropas internacionais continuam passivas face ao Hezbollah, violando o mandato internacional que receberam no âmbito de mais uma das “soluções criativas e não-violentas da disputa entre Israel e a Palestina” que tanto agradam aos signatários do documento. Se estes fossem israelitas aceitariam diminuir a sua própria segurança face a este tipo de intervenção “equidistante” que depois cede às relações de força no terreno e que permite que a Síria e o Irão continuem a controlar parte do território libanês e a transformá-lo numa base de guerra civil no Libano e internacional contra Israel?

As conclusões desta carta são de uma enorme hipocrisia. Sim, é verdade que “em Gaza, está em jogo o sentido básico de decência da humanidade”, só que para se ser completamente verdadeiro dever-se-ia ter ido mais longe: exigir da comunidade internacional a reposição da legalidade no território, desarmando o Hamas, entregando o controlo de Gaza ao governo legítimo da Autoridade Palestiniana, apoiando os esforços dos moderados palestinianos para um entendimento com Israel, mas sendo intransigente com a situação de segurança de Israel. Só neste quadro é que existe autoridade para criticar os excessos israelitas, se os houver. Isso é que permitiria “a coragem moral e a visão política para que a Palestina dê um salto quântico.” Embora esta do “salto quântico” se não for erro de tradução, é um lapso freudiano dos autores da carta, porque tal “salto” só se dá num espaço infinitamente pequeno.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 23:26:00 BRST  
Anonymous Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
Quando a Folha de S. Paulo fazia uma propagada em que dizia "Um jornal com o rabo preso com o leitor", eu retrucava dizendo que era o contrário. Eu, por exemplo, lia só a Folha de S. Paulo porque conhecia a ideologia de cada comentarista do jornal que ao longo do tempo eu fui interessando pelas opiniões.
Creio ser importante o jornalista se identificar. No seu caso falta uma identificação complementar: dizer que é judeu. Fica mais fácil compreender determinados posicionamentos.
Aprendi nos anos 70 a impossibilidade da opinião isenta. Aprendi com uma frase de uma escritora católica Mary Mcarthy a respeito da Guerra do Vietnam. Dizia ela: "An open mind about Vietnam has no mind at all", pelo menos é assim que eu lembro da frase. Ela deve ter aprendido a frase com a correspondência que mantivera com a pensadora judia Hannah Arendt.
Eu estendo a frase para qualquer situação. Se você tentar sopesar os dois lados da questão, não tomando partido, você acaba fugindo da realidade.
Utilizo a frase para demonstrar que o computador jamais será igual ao homem. Pois o computador sempre sopesa cada um dos argumentos dos dois lados da questão até não haver mais argumentos para serem analisados, enquanto o ser humano em um determinado momento deixa de considerar os argumentos restantes e se assume.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 10:36:00 BRST  
Anonymous henrique cal disse...

Li um por um os comentários de seu artigo e gostaria de deixar uma pergunta para todos:
seira justificável o Exército invadir uma comunidade, no Rio de Janeiro, por exemplo, lançar foguetes, detonar a associação de moradores, chreche etc, só porque existem traficantes que atiram em policiais se acoitando por perto Acho que estamos falando de coisas semelhantes.
Israle deve existir, a Palestina também. E só acontecerá o dia que entendermos que todos fazemos parte de uma só raça, a Humana.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 23:15:00 BRST  
OpenID Igor T. disse...

Henrique, os favelados não votaram no traficante nem são por ele representados. E favela não é outra nação. Você está confundindo operação policial com guerra.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 01:46:00 BRST  
Anonymous Reinaldo disse...

1) Pelo raciocinio, "os favelados não votaram no traficante", entendi que, como parcela dos palestinos votaram no Hamas, então é justificável a invasão, é isso? Por este raciocionio, então como parcela dos norte-americanos elegeram George Bush "e são por ele representados", nenhum norte-americano deve estar isento da luta contra o governo dos Estados Unidos levada a cabo por certos grupos. É isso? Engraçado: é o mesmo raciocinio da Al Qaeda... mas... peraí... esse raciocinio levou à tragédia do 11/09... opa...
2) "E favela não é outra nação", então a Faixa de Gaza é outra nação e estamos claramente diante de uma invasão como a do Iraque contra o Kwait em 1990, é isso? Que bom que as coisas começam a ficar mais esclarecidas...

sábado, 10 de janeiro de 2009 11:02:00 BRST  
OpenID Igor T. disse...

Que confusão, hein?

Numa guerra, infelizmente, todos os cidadãos pagam pelos erros e decisões dos governantes. Isso vale para os israelenses, como para os palestinos, como para qualquer um. Não estou dizendo que é justo, mas é um dado da realidade. É assim desde que o mundo é mundo - bem, na Idade Média ainda existiam os campos de batalha, conceito modernamente extinto se você quiser continuar no mapa. Já o Hamas avançou ainda mais e solta mísseis de escolas, por exemplo.

2)Pois é, falamos de um Estado Palestino que está para nascer, uma Autoridade que não mostrou a que veio, líderes eleitos democraticamente... enfim, uma nação diferente. Não é difícil de entender.

3)Ou você acha mesmo que Olmert é o Sérgio Cabral, e o Hamas o Comando Vermelho no Morro da Formiga?

4)Igual à guerra do Iraque? Óbvio que não. O Iraque lançou bombas há 8 anos nos EUA? Qualquer um que pare para pensar verá que essa guerra tem causas bem próprias, algumas talvez perdidas no tempo.

sábado, 10 de janeiro de 2009 14:46:00 BRST  
Anonymous Reinaldo disse...

Nem tão perdidas no tempo... São 60 anos, não é tanto assim. Por causas bem mais perdidas no tempo (uns dois mil anos), Ben Gourion conseguiu seu Estado. Já os palestinos... 800 mil deles foram expulsos de suas terras entre 1947 e 1948. Quem começou a segregação e o Gueto de Gaza é que tem a responsabilidade de resolver. Quanto aos demais argumentos, são só toques para você não tentar simplificar nenhuma questão histórica. Afinal, por que tornar simples o que pode ser complicado?

sábado, 10 de janeiro de 2009 17:09:00 BRST  
OpenID Igor T. disse...

Falando em causas que se perderam, quem simplificou a coisa foi o Henrique ao fazer paralelos de estratégia militar no Oriente Médio com operações policais em favelas brasileiras. Eu só apontei os erros evidentes do salto argumentativo. Obrigado pelos toques, mas não procedem.

Sobre o casus belli mesmo, bem, se você verificar a primeira guerra entre Israel e certas nações árabes (algumas "de fora" hoje, como o Egito), nada tinha a ver com os Palestinos em si, mas com a mera existência do Estado de Israel. (Aliás, vários Estados árabes massacraram palestinos, números que chegam aos milhares, sem grande revolta de ativistas, sem chamarem tudo de "holocausto") Isso que recrudesceu até hoje conflitos que poderiam ser encarados de outra forma, inviabilizando, pelo menos até hoje, a própria criação do Estado Palestino - que estava nos planos iniciais da ONU. A tomada posterior de regiões que pertenciam aos agressores, como as devoluções, foram decisões militares e políticas com o intuito de garantir a segurança necessária ao povo de Israel, fortemente ameaçado. A seqüência de guerras (não iniciadas por Israel, diga-se de passagem) só pioraram ainda mais a boa vontade de todas as partes envolvidas.

Mas como disse antes, não dá para misturar tudo automaticamente, cada conflito tem uma causa própria, cuja intensidade e inconseqüência pode ser atribuída a uma história maior, mas cada avanço bélico ainda tem suas particularidades. Senão, daqui a pouco, regrediremos a tempos faraônicos, em que judeus eram escravizados por egípcios.

sábado, 10 de janeiro de 2009 19:17:00 BRST  
Anonymous Paulo Araújo disse...

1948? Existe um antes que para muita gente é um inconveniente. hehe.

Por exemplo:

Os comprovados vínculos nazistas do nacionalismo palestino e da jihad islâmica, que colocam em suspeição as assertivas atuais que recusam as responsabilidades do fanatismo islâmico no holocausto.

Em 1941, o Mufit de Jerusalem Haj Amin Al-Husseini voou para a Alemanha e reuniu-se com Hitler, Heinrich Himmler, Joachim Von Ribbentrop e outros líderes nazistas. Em 1945, a Iugoslávia procurou indiciar o Mufti Al-Husseini como criminoso de guerra por sua participação no assassinato de judeus na Croácia e na Hungria. Haj Amin "escapou" da prisão francesa em 1946 e prosseguiu sua luta contra os judeus do Cairo e, mais tarde, de Beirute. O Mufti morreu em 1974.

No blog O Insurgente, uma prova factual dos vínculos nazistas do Mufit Al-Husseini, que foi um dos principais mentores de Arafat. Trata-se de um vídeo com legendas em inglês. Mas as imagens falam por si.

http://oinsurgente.blogspot.com/2006/08/hitler-e-o-mufti-de-jerusalm-haj.html

Se não abrir, pode ser visto no youtube

http://www.youtube.com/watch?v=d51poygEXYU&eurl=http://oinsurgente.blogspot.com/2006/08/hitler-e-o-mufti-de-jerusalm-haj.html

sábado, 10 de janeiro de 2009 23:36:00 BRST  
Blogger Luiz Fellipe Mello disse...

Boa Alon!
Eu ainda colocaria de forma mais simples: foi atacado e está reagindo. É seu direito.
Tudo além disso gera discussões eternas, como a causa desta guerra.

domingo, 11 de janeiro de 2009 09:05:00 BRST  
Anonymous Reinaldo disse...

A questão é: quem atacou quem? O cessar fogo foi rompido em 04 de Novembro de 2008. Por quem mesmo?

domingo, 11 de janeiro de 2009 16:30:00 BRST  
OpenID Igor T. disse...

Reinaldo, novamente, você está num caminho para lá de tortuoso. Nos seis meses de trégua, ambos os lados, Israel e Gaza, faziam acusações de desrespeito ao cessar-fogo. Não só em novembro, como você alega, mas acredito que praticamente desde o começo do acordo. Cada um tem um abuso no bolso para negociar. Adivinhar quem foi o primeiro provocador, nesse caso, é pergunta Tostines. Mas se há um fato inquestionável nessa briga, é que foi o Hamas que rompeu oficialmente com tudo, decisão internamente propagandeada na TV Al-Aqsa (http://www.youtube.com/watch?v=0x-vIzQnaiU). Procure notícias das Reuters da vida, o anúncio foi oficial. É claro que muitos de Gaza gostariam que o acordo de cessar-fogo continuasse, que os habitantes de Sderot (cidade israelense bombardeada várias vezes) não suportavam mais os mísseis Quassam. A resposta de Israel não era de todo imprevisível, mas coube ao Hamas "arriscar gratuitamente o sangue dos palestinianos", como bem disse Nimr Hammad, conselheiro de Abbas.

domingo, 11 de janeiro de 2009 18:46:00 BRST  
Anonymous j bonifacio disse...

Alon,

Defender o Estado Judeu a partir de um estabelecimento de critérios históricos é plenamente justificável, afinal as raízes do povo judeu estão fincadas no território da Terra Prometida, isso demonstra que por mais deplorável que foi o Holacausto, o cativeiro da Babilonia, a destruição de Jerusalém pelo Imperador romano Adriano..., estes não seriam os motivos para que se criasse o Estado sionista.
Porém, acredito eu, e também analisando historicamente a situação do povo palestino, que é plenamente justicável a criaçao de seu Estado no território que por direito também lhes pertence. Portanto, já passou do tempo, que os organismos internacionais - sem a utilização de critérios parciais utilizados pela Europa ocidental, e EUA em favor de Israel - cumpra a sua obrigação de intervir neste conflito e faça valer que os direitos dos povos sejam realizados, ou seja, a criaçâo dos Estados Palestino e Judeu, livres, soberanos, demarcados sob a ótica de igualdade no que se refere a utilização da água, do seu tamanho, das terras agriculturáveis, etc.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 00:41:00 BRST  
Blogger henrique cal disse...

Igor e Reinaldo,
não simplifiquei nada, até porque guerras não são simples e essa, muito menos. Apenas tentei traçar um paralelo entre as situações, enquanto todos justificavam ambos os lados pela guerra. Queria trazer para uma realidade mais próxima o que acredito estar acontecendo por lá. Gente como a gente acuada, dos dois lados, com balas e morteiros perdidos e sendo achados por quem não deveria, as crianças e os cidadãos comuns, que na maioria das vezes é massa de manobra para interesses de seus governantes. Se passei a impressão de que estava tentando simplificar, peço desculpas. Não foi essa a minha intenção. Voces podem estar certos de que meu respeito pelos dois lados dessa guerra é muito grande. Gostaria muito de ver, um dia, os dois lados convivendo pacíficamente, como acontece aqui no Brasil.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 17:11:00 BRST  

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