sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Faça o teste (31/10)

Precisa saber inglês:

Quem publicou ontem um editorial com esta abertura?

Memo to bankers everywhere: Taxpayers did not rescue you because they love you. They rescued you because they need you. The rescues were intended to ensure the flow of credit (...); yet that flow of credit seems to be slowing to a trickle. How should governments respond?

a) O jornal do Partido Comunista Britânico.

b) A versão em inglês do Granma, jornal do PC de Cuba.

c) O site de campanha do socialista (segundo John McCain e Sarah Palin) Barack Obama.

d) O The Guardian.

e) O Financial Times.

A resposta é moleza. Você já tem a data da publicação e as opções. Se não souber, resta sempre o Google.

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Duas boas notícias. E as pressões para privatizar a Nossa Caixa (31/10)

Primeira boa notícia:

O governo já tem a estratégia para proteger o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da crise econômica mundial em 2009: reduzir o superávit primário para 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), em vezde 4,3%, como tem feito este ano. Com isso, serão liberados cerca de R$ 15 bilhões extras. Se isso não for suficiente, haverá cortes no Orçamento, a começar pelos R$ 20 bilhões em investimentos que não integram o PAC e pelos projetos incluídos por emendas parlamentares. O governo ainda pode renegociar acordos de reajuste dos servidores. “O último é cortarmos o PAC e os programas sociais”, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Preservar o PAC é a ordem do presidente Lula. Uma olhada no 5º balanço do programa, divulgado ontem, dá uma idéia do porquê. Obras de vulto, como o Arco Rodoviário do Rio de Janeiro e a integração de bacias do Vale do São Francisco serão entregues à população no ano eleitoral de 2010.

Leia a íntegra da reportagem de O Estado de S. Paulo. Leia também Hora de gastar, Estou pronto a apoiar e O Brasil (governo) deveria se endividar mais? (estes dois, de antes do PAC)

Segunda boa notícia:

Preocupado com a persistência dos problemas de falta de liquidez, o Banco Central (BC) resolveu carregar mais na mão para estimular as operações de compra de carteira de crédito e outros ativos de bancos pequenos e médios por instituições de grande porte. Em circular publicada ontem, o BC mudou a forma de recolhimento do compulsório sobre depósitos a prazo –como os CDBs–, para penalizar [deveria ser punir] os bancos que mantiverem seus recursos parados no BC, em vez de fazer o dinheiro circular. Hoje, 15% dos depósitos a prazo captados pelos bancos são recolhidos compulsoriamente junto ao BC, mas a regra determina que isso seja feito por meio de títulos públicos federais, que rendem a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano. Com a medida, a partir do dia 14 de novembro os bancos poderão recolher junto ao BC apenas 30% desse compulsório em títulos públicos. Os outros 70% terão de ser recolhidos em espécie, sem qualquer remuneração, caso os bancos não se utilizem da prerrogativa, concedida ainda na primeira metade deste mês, de utilizar o dinheiro para adquirir carteiras de crédito de outras instituições de pequeno e médio e porte (com patrimônio de até R$7 bilhões). Com isso, o BC pretende fazer circular cerca de R$ 28 bilhões.

Leia a íntegra da reportagem de O Estado de S. Paulo. É uma medida tímida, mas pelo menos alguma coisa vai sendo feita. Vamos ver se o crédito volta. Leia Do trágico ao ridículo e Mais uma oportunidade histórica que a oposição vai perder.

Agora a má notícia:

O governo aceita fazer algumas mudanças na medida provisória 443, que autorizou o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal a comprar bancos e outras empresas, segundo informou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Além de estabelecer um prazo para a validade da MP, proposto inicialmente pelo líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), Mantega acatou a sugestão feita pelo presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), de retirar do texto a autorização para que o BB e a Caixa possam comprar outros bancos públicos sem licitação. Essa medida, se fosse mantida, facilitaria a venda da Nossa Caixa para o BB. “Isso pode ser corrigido”, disse Mantega.

Leia a íntegra da reportagem de O Estado de S.Paulo. O problema é político. Vender a Nossa Caixa para o Banco do Brasil ou para a Caixa Econômica Federal ajudaria a reforçar os bancos públicos no processo que vem aí de consolidação do mercado bancário. Ou seja, uma coisa boa para o Brasil (Leia Estatais, graças a Deus). Em teoria, um governo do PT deveria ser a favor disso. Claro que há o medo pânico do que vão achar os bancos privados, mas como a turma do dinheiro anda ideologicamente grogue por causa da crise, a hora é agora. E qual é o problema, então? É que vender a Nossa Caixa para um banco federal reforçaria as arcas do governo de São Paulo, comandado por José Serra, cuja eventual candidatura à Presidência da República incomoda e preocupa o PT. Daí que uma parte do governismo prefira derrubar esse aspecto da MP 443. Vai ser engraçado assistir ao PT de mão dada com os bancos privados abrindo caminho para a privatização da Nossa Caixa, enquanto um tucano (Serra) prepara terreno para receber a alcunha de "estatizante".

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Fisiologia e ideologia (31/10)

Coluna (nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

Ao se apresentar como partido dividido, o PMDB esconde sua ambição atrás do biombo do fisiologismo. O PT, orgulhoso de sua organicidade e ideologia, sofre o infortúnio de ver seu apetite fisiológico ser interpretado como propensão ao monopólio do poder

Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

O equilíbrio de forças resultante da eleição municipal conduz o jogo político a um patamar diferente, mais sofisticado. Esta semana, por exemplo, o Democratas reagiu com uma nota serena e equilibrada à declaração do presidente da República de que o partido foi um dos derrotados na eleição municipal. Em vez de bater boca com Luiz Inácio Lula da Silva, como era hábito, o DEM preferiu posicionar-se de olho no eleitor. Deu sua pancadinha regulamentar em Lula, mas colocou-se como força política disposta a ajudar o país na crise. Dado que o cidadão médio anda mais preocupado com a economia do que com a politicagem de Brasília, o Democratas marcou um gol. Nada como o poder para trazer o sujeito de volta ao centro.

Se a oposição vai aprendendo a lidar com o presidente, sem aceitar automaticamente quando é chamada por ele para a briga, o PT busca uma maneira de conduzir suas relações com o novo PMDB, sigla mais vitaminada pelas urnas de outubro. Recapitulando. No começo do governo Lula, a estratégia do PT foi excluir o PMDB do ministério. Quando, finalmente, o partido foi chamado a participar, privilegiou-se uma ala, que apenas por convenção chamaremos aqui de “PMDB do Senado”. Entre outras coisas, isso levou a que o “PMDB da Câmara” ajudasse a eleger Severino Cavalcanti para a Presidência da Casa em 2005. O que, como se recorda, quase custou o pescoço do presidente da República.

Daí que Lula tenha mudado o método no segundo mandato, acomodando não apenas um pedaço, mas todo o PMDB. Afora a economia (a passada, não a atual), eis o que explica a paz dos cemitérios em Brasília. Mesmo as naturais perturbações climáticas, como por exemplo o apoio velado do PT ao movimento que tirou Renan Calheiros (PMDB-AL) da Presidência do Senado, não têm os efeitos que teriam se a base de apoio do governo fosse mais estreita. Com Saúde, Minas e Energia, Comunicações e Integração Nacional nas mãos do PMDB, não há crise que prospere, nem escândalo que tenha fôlego.

Mas tudo cobra seu preço. O PMDB, bem mais do que o PT, é especialista em alavancar sua força política a partir das posições de poder que já ocupa. E com uma linha de comunicação singular, ainda que involuntária. Ao se apresentar como partido sempre dividido, o PMDB esconde sua ambição atrás do biombo do fisiologismo. Já o PT, que se orgulha de sua organicidade e ideologia, sofre o infortúnio de ver seu apetite fisiológico ser interpretado invariavelmente como simples propensão ao monopólio do poder. Por isso o PT eventualmente provoca medo em alguns, enquanto ao PMDB estes dedicam apenas aversão.

Naturalmente que não em nós, profissionais da observação habituados às idas e vindas dos políticos, de suas idéias e conveniências. Por exemplo, assim como foi conveniente para o PT unir o PMDB em torno de Lula para pacificar a cena brasiliense e nacional, especula-se agora no PT (particularmente na facção senatorial) com a estratégia de dividir o aliado, dado que a excessiva força deste poderá, algum dia, representar dor de cabeça para o projeto de poder petista. É por isso que o PT senatorial deseja lipoaspirar o PMDB do Senado, enquanto anaboliza o da Câmara. Ainda que o primeiro seja aliado de todas as horas do governo Lula, enquanto o segundo passou a maior parte dos últimos seis anos dormindo com o governo mas sonhando com a oposição.

Vamos ver no que vai dar. O primeiro resultado do movimento petista é a consolidação da candidatura de Michel Temer (PMDB-SP) para presidir a Câmara. Para Temer, trata-se apenas de manter o barco navegando até o dia da eleição, rezando para que tudo dê certo no voto secreto. E o PT anda ameaçando ir atrás da Presidência do Senado, tirando do armário a velha bandeira da ética, útil ao partido de tempos em tempos. Parece querer buscar uma aliança com a dissidência peemedebista e com a oposição, para assim esmagar os que até ontem Lula definia como os melhores amigos dele. Aparentemente, porém, Lula não está nessa. Compreende-se.

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os 27 minutos de Obama na TV - ATUALIZADO (30/10)

Clique para ver o infomercial de quase 30 minutos que a campanha democrata passou ontem à noite nas maiores redes americanas. Se estiver pensando em um dia ser marqueteiro, guarde com você.


Atualização, 31/10, às 22:18h - De tanto procurar, achei. Veja também a entrada de Obama ao vivo, diretamente da Flórida, que encerrou o informercial.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Estréia do programa Jogo do Poder (29/10)


O programa de entrevistas e debates políticos Jogo do Poder volta ao ar hoje à noite, pela CNT. Será semanal, sempre na quarta-feira às 22:30h. O apresentador será este blogueiro. O entrevistado desta noite é o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Participa também do programa de hoje a colega Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S.Paulo.
    Atualização - Clique na imagem acima para ver a primeira parte da entrevista. O vídeo completo pode ser visto no YouTube, dividido em cinco partes:

    Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 - Parte 5
Veja aqui como sintonizar o canal em sua cidade.

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E o buraco nos cartões? (29/10)

Numa apresentação a que assisti outro dia (Rumo a 2010), o palestrante contou que a dívida média das famílias americanas no cartão de crédito é de U$ 100.000. Cem mil dólares. Do The New York Times:

Consumers Feel the Next Crisis: It’s Credit Cards
By ERIC DASH

First came the mortgage crisis. Now comes the credit card crisis.
After years of flooding Americans with credit card offers and sky-high credit lines, lenders are sharply curtailing both, just as an eroding economy squeezes consumers.
The pullback is affecting even creditworthy consumers and threatens an already beleaguered banking industry with another wave of heavy losses after an era in which it reaped near record gains from the business of easy credit that it helped create.
Lenders wrote off an estimated $21 billion in bad credit card loans in the first half of 2008 as more borrowers defaulted on their payments. With companies laying off tens of thousands of workers, the industry stands to lose at least another $55 billion over the next year and a half, analysts say. Currently, the total losses amount to 5.5 percent of credit card debt outstanding, and could surpass the 7.9 percent level reached after the technology bubble burst in 2001.
“If unemployment continues to increase, credit card net charge-offs could exceed historical norms,” Gary L. Crittenden, Citigroup’s chief financial officer, said.
Faced with sobering conditions, companies that issue MasterCard, Visa and other cards are rushing to stanch the bleeding, even as options once easily tapped by borrowers to pay off credit card obligations, like home equity lines or the ability to transfer balances to a new card, dry up.
Big lenders — like American Express, Bank of America, Citigroup and even the retailer Target — have begun tightening standards for applicants and are culling their portfolios of the riskiest customers. Capital One, another big issuer, for example, has aggressively shut down inactive accounts and reduced customer credit lines by 4.5 percent in the second quarter from the previous period, according to regulatory filings. (Leia a íntegra da reportagem do NYT).

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Do trágico ao ridículo - ATUALIZADO (28/10)

De Kennedy Alencar hoje na Folha de S.Paulo:

Lula pede, mas banco não eleva crédito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com grandes banqueiros na semana passada para pressioná-los a abrir as torneiras do crédito. Ouviu respostas desanimadoras. Segundo a Folha apurou, os grandes bancos disseram que a prioridade, no momento, é construir um "muro de liquidez" -ação preventiva e de sobrevivência no médio e longo prazo em relação à crise econômica mundial, que estrangula o crédito e as empresas. Lula ficou contrariado, segundo relato de integrantes da equipe econômica. Os grandes bancos aumentaram muito o grau de seletividade para concessão de crédito. A maior parte do dinheiro que entra via redução do compulsório após medidas do Banco Central não retorna ao mercado sob a forma de empréstimo. Receosos em emprestar e preocupados em manter sua solidez num momento de grandes incertezas, os grandes bancos seguram em caixa os recursos e aplicam nos títulos do próprio governo, atraídos por uma taxa básica de juros (Selic) de 13,75% ao ano. A Folha apurou ainda que os maiores bancos privados do Brasil têm também procurado se capitalizar para, caso apareça uma oportunidade de compra estratégica de carteiras ou de instituição, terem recursos em caixa para a operação. Ou seja, a liberação condicionada de estimados R$ 50 bilhões do compulsório (parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a recolher no BC), deixando mais recursos livres para empréstimos, tem tido pouco efeito prático.


Leia a íntegra da reportagem. Bem, o compulsório agora liberado para os bancos não é dinheiro deles, é dinheiro dos clientes. E, em vez de emprestar para fazer a roda girar, os bancos preferem aplicar em títulos do governo e manter as arcas cheias para irem às compras e concentrar ainda mais o mercado. Quanto ao primeiro aspecto, calcule você mesmo quanto o banco ganha recebendo a Selic por uma grana que não lhe custou nada. É filé sem osso. Quanto ao segundo, note que o dinheiro das pessoas e das empresas está retido nos bancos para dar mais poder ainda aos próprios. É o caso de perguntar: além de uns telefonemas, o presidente da República vai fazer mais o quê?

Passemos a analisar a oposição. Do Painel de hoje, na mesma Folha:

Onde pega. PSDB e DEM reúnem suas bancadas hoje no Senado para propor ajustes na MP 443. No caso dos "demos", foi acertada a apresentação de emenda que impede a Caixa de comprar empresas -leia-se, construtoras- em crise. Os "liberais" preferem socorro do Tesouro.

A oposição gosta de elevar o tom de voz quando se trata de exigir contrapartidas do pobre que recebe um dinheirinho do Bolsa Família. São as tais "condicionalidades". Leia Ninguém é idiota por ser pobre. Leia também Foi mal na escola? Cuidado com o seu Bolsa Família. Já para os ricos, o certo é distribuir recursos do Tesouro sem que o Estado receba as necessárias garantias de que terá o dinheiro de volta. Se o Estado vai capitalizar uma empresa, é razoável que ele se torne acionista. Se o empresário não estiver satisfeito com as condições, que procure outras fontes de capitalização, talvez movidas pela benemerência, pela filantropia. Como visto acima, os bancos estão segurando o dinheiro. Que não é deles. Por isso, os empresários querem que o governo faça o que os bancos se recusam a fazer. Mas os empresários não aceitam oferecer garantias de que o governo vai ter de volta o dinheiro público usado para ajudá-los. De que lado estão o PSDB e o Democratas? Do lado das empresas. Recapitulando. O presidente da República dispara telefonemas suplicantes aos banqueiros, pedindo que emprestem ao público o dinheiro que é do público. Recebe como resposta um "não". Entrementes (essa você não ouvia há tempos), a oposição se mobiliza no Congresso Nacional e quer liberar dinheiro do Tesouro à vontade para as empresas, sem exigir contrapartidas ou garantias. Isso acontece enquanto os principais porta-vozes da oposição clamam na imprensa por reformas que reduzam os benefícios da Previdência Social e a remuneração dos funcionários públicos. Tudo em nome da "contenção de gastos".

Se não fosse trágico, seria apenas ridículo.

Atualização, 29/10 às 10:48 - Leia The Widening Gyre, de Paul Krugman, no The New York Times. Dois trechos:

(...) last week Joe Nocera of The Times pointed out a key weakness in the U.S. Treasury’s bank rescue plan: it contains no safeguards against the possibility that banks will simply sit on the money. “Unlike the British government, which is mandating lending requirements in return for capital injections, our government seems afraid to do anything except plead.” And sure enough, the banks seem to be hoarding the cash.
(...)
What’s happening, I suspect, is that the Bush administration’s anti-government ideology still stands in the way of effective action. Events have forced Mr. Paulson into a partial nationalization of the financial system — but he refuses to use the power that comes with ownership.

Parece familiar?

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De olho nos estados (28/10)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

O PMDB ganhou em seis capitais. Em quatro, teve que derrotar o PT, ou nomes apoiados pelo PT. Em uma, recebeu apoio do PT no segundo turno. E só em uma ambos se coligaram desde o começo

Por Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

Já se sabe há três semanas, desde o primeiro turno, que o PMDB sairia desta eleição como a jóia cobiçada da próxima. Mas qual será, afinal, o peso dos resultados municipais de 2008 na corrida presidencial de 2010? E a real importância das coligações partidárias numa eleição majoritária, especialmente na escolha do presidente da República, qual é? Quem conseguir arrastar o PMDB para uma aliança terá mesmo dado o passo decisivo para ficar imbatível na corrida pelo Palácio do Planalto? O que realmente quer o PMDB?

Vamos começar pelo fim. O PMDB quer poder, o máximo possível. Nesse particular, a legenda é igualzinha às outras. Tome-se a sucessão das Mesas do Congresso. Os deputados federais do PMDB desejam o comando da Câmara. Os senadores ambicionam a Presidência do Senado. O PT e o presidente da República acham que é demais entregar ambas as cadeiras ao aliado. Mas a proposta de partilha esbarra numa dificuldade.


Como já se escreveu nesta coluna, um pedaço do PMDB (senadores) não se vê representado pelo outro (deputados). Pior, os dois grupos disputam espaço internamente na legenda e na relação política com o governo. Quem abrir mão estará cedendo poder para o principal adversário. E, como o PMDB tem a maior bancada numa e noutra Casa, ambos se julgam no direito de manter a postulação.

Um acordo em 2007 entre o PT e o PMDB decidiu pelo rodízio na Câmara, e agora é a vez de Michel Temer (PMDB-SP). Mas o Senado, que não participou do pacto, acha que não tem nada com isso. E tecnicamente não tem mesmo. Além do mais, os senadores viram o acordo de 2007 como uma manobra do governo e do PT para enfraquecê-los.

Encontrei ontem, na sala de embarque do Aeroporto de Congonhas, um amigo gaúcho, petista. Conversa vai, ele quis saber por que acho difícil o acordo, ainda que não impossível. Respondi com um exemplo. Imagine a cena, disse eu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chama o ministro Tarso Genro e dá a notícia: “Tarso, é o seguinte, vou te tirar do Ministério da Justiça e colocar o Olívio Dutra no teu lugar. É para atender às minhas conveniências políticas. Fica elas por elas, já que o partido não perde nada. Vou anunciar daqui a pouco. Você liga para o Olívio para combinar a transição?”.


Meu interlocutor naturalmente riu. E mudamos de assunto. Fomos para 2010. O papo chegou no ponto de que alianças políticas são importantes pois garantem tempo de televisão, mas não só. O Rio de Janeiro acaba de mostrar que alianças podem fazer a diferença em eleições muito apertadas. É bem possível que a disputa de 2010 seja dura, e quem agregar um pouquinho mais poderá obter vantagem decisiva. A capacidade de reunir apoios também é importante por outro motivo: serve para transmitir ao eleitor a idéia de que o candidato tem suficiente força política para colocar em prática as propostas apresentadas na campanha.


Sem perder de vista que numa eleição majoritária a relação é direta entre o candidato e o eleitor, recomenda-se não esquecer os detalhes do parágrafo anterior. E, já que apoios e alianças são mesmo importantes, o que vai ser decisivo em 2010 para o PMDB escolher se prefere casar, comprar uma bicicleta ou nenhuma das duas anteriores?


Mais do que pelo poder (que já tem, e bastante), o PMDB provavelmente se orientará daqui por diante pela expectativa de poder, até porque a Era Lula está nas últimas. E quem tem mais expectativa de poder a oferecer para 2010, o governo ou a oposição? O governo tem Lula, uma ótima avaliação e consideráveis chances de eleger o sucessor. A oposição tem bons nomes, força regional e espera que a sucessão não aconteça em céu de brigadeiro na economia.


O PMDB pode ir para um dos dois lados. Ou, como é próprio do partido, para nenhum. Uma alternativa é a legenda ficar novamente fora das coligações formais na disputa nacional, enquanto suas seções estaduais buscam o melhor caminho para preservar e robustecer o poder local. Onde, como se viu, o PMDB é especialista. E poder local é essencial para eleger bancadas federais.

Aqui, mais um detalhe. O PMDB ganhou em seis capitais. Em quatro delas, teve que derrotar o PT, ou nomes apoiados pelo PT. Em uma, recebeu o apoio do PT no segundo turno. Só em uma os dois partidos estiveram coligados desde o começo.
Se o desenho das disputas estaduais em 2010 indicar muitas polarizações entre PT e PMDB, é bom Lula começar, e logo, a procurar em outro lugar o vice de Dilma Rousseff.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Preconceito (27/10)

Um registro sobre a eleição. É inegável que existe muito preconceito em São Paulo. Social, racial, religioso. É igual nos outros municípios do Brasil. E do mundo. Nunca soube de trabalho científico que comprovasse o suposto superávit da capital paulista em matéria de preconceito. Claro que você tem o direito de discordar. Então diga-me uma coisa. Que grande (ou média, ou pequena) cidade brasileira elegeu, desde a redemocratização de 1985:

1. Alguém fortemente suspeito de ser alcoólatra.

2. Uma assistente social vinda do interior da Paraíba.

3. Um descendente de libaneses.

4. Um negro vindo do Rio de Janeiro.

5. Uma mulher que se tornou famosa por apresentar programas de orientação sexual na televisão numa época em que isso era motivo para escândalo.

6. O filho de um quitandeiro de origem italiana.

7. Um político solteiro, apesar de seus quase 50 anos, instado pelos adversários na campanha eleitoral a dar detalhes sobre sua vida afetiva e familiar.

Você percebeu que descrevi, do meu jeito, os sete prefeitos que São Paulo elegeu desde 1985, quando voltaram as diretas na cidade. Está na hora de o PT parar de desperdiçar tempo e energia com a agenda da "São Paulo preconceituosa". Quanto antes melhor, principalmente para o PT.

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A eleição americana hoje (27/10)

Da Reuters, no globo.com:

CHICAGO (Reuters) - O democrata Barack Obama está à frente em cinco dos oito Estados que devem decidir a eleição presidencial norte-americana da semana que vem, segundo a mais recente pesquisa Reuters/Zogby divulgada nesta segunda-feira. O republicano John McCain lidera em dois, e na Flórida há empate. Em outra pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby, de abrangência nacional e com margem de erro de 2,9 pontos percentuais, Obama mantém os mesmos 5 pontos percentuais que haviam sido registrados no domingo, com uma amostra parcialmente diferente.

Leia a reportagem e veja que a eleição americana está bem equilibrada. O que eu acho? O que escrevi em Às favas os escrúpulos:

McCain aparentemente espera que o medo sentido pelo americano comum e a incerteza em relação ao futuro se transformem em ódio contra o diferente, contra o “desconhecido”. A fórmula não é nova. A ascensão do fascismo na Alemanha de Weimar seguiu esse roteiro, no primeiro terço do século passado. Eis um risco sistêmico na crise americana: de a indignação e a revolta serem canalizadas para punir culpados imaginários, em vez dos reais. Como há poucos antecedentes históricos de império que aceite recuar pacificamente, o risco é real.

E em Capitalismo de face humana!:

Onde está o auto-engano nesta crise? Está em imaginar que o governo dos Estados Unidos vai se submeter ao “capitalismo de face humana” de Sarkozy. Isso não acontecerá. Nas situações de necessidade, a superpotência continuará mobilizando, de um jeito ou de outro, toda a poupança mundial disponível. Real ou fictícia. Tudo para se manter no topo. Será assim até o dia em que deixe de ser a única superpotência. O que vai acontecer em algum momento deste século. A dúvida é se o ocaso imperial será digerido pacificamente na grande nação do norte ou se das ruínas nascerá, como em filmes de terror (ou ficção), um monstro ainda mais agressivo e predador. Aliás, é isso que está em disputa na sucessão de [George W.] Bush.

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Hora de gastar (27/10)

A hora não é de o Estado apertar o cinto. É hora de gastar, como mostram os chineses. O editorial de hoje de O Estado de S.Paulo explica por quê. Ele começa assim:

É hora de evitar a recessão, a pior conseqüência da crise financeira no mundo rico, e medidas para reativação da economia já estão na agenda política dos países mais avançados. A primeira reação à turbulência financeira foi injetar dinheiro no mercado para conter a quebradeira dos bancos. Trilhões de dólares foram mobilizados para a operação de socorro. Essa tarefa continua em execução, mas é urgente cuidar do desafio seguinte. “Era preciso conter a crise financeira. Agora é preciso reativar a máquina econômica”, disse o primeiro-ministro da França, François Fillon, ao anunciar medidas para estimular os negócios e a criação de postos de trabalho. O ministro das Finanças do Reino Unido, Alistair Darling, já havia mencionado um plano de aumento de gastos públicos e de incentivos setoriais para movimentar a economia. O sentimento de urgência aumentou depois de conhecidos novos sinais de recessão na economia britânica. Nos Estados Unidos, a defesa de um novo programa de estímulo ao consumo surgiu na segunda-feira passada de forma um tanto surpreendente. Em depoimento no Congresso, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, disse apoiar um novo pacote fiscal para reforçar a demanda. O pacote anterior foi adotado no primeiro semestre e custou US$ 168 bilhões. A maior parte desse dinheiro, US$ 100 bilhões, foi usada para a restituição de impostos. Isso ajudou a sustentar o consumo por breve período. O novo pacote americano, defendido principalmente por parlamentares democratas, deverá envolver, se aprovado, cerca de US$ 300 bilhões destinados tanto a investimentos em infra-estrutura quanto a programas sociais.

E tem inclusive esta passagem:

Quanto mais veloz a adoção de medidas anti-recessivas no mundo rico, menor o risco de problemas devastadores nos países em desenvolvimento.

Vamos copiar os ricos também nisso.

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Chamem os matemáticos (27/10)

Isaac Newton descobriu que as relações mecânicas entre dois corpos podem ser sintetizadas numa equação (clique na imagem para ampliar), em que a força de atração sobre cada um deles eles é diretamente proporcional ao produto das suas respectivas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre ambos. Mas nem Newton nem ninguém até agora conseguiu formular uma equação que resolva o mesmo problema para três corpos ou mais. Preparemo-nos para as muitas horas e os muitos neurônios que deveremos consumir para tentar inutilmente encontrar uma solução precisa que descreva as interações entre PMDB, PT e PSDB nos próximos momentos da disputa do poder no Brasil. Vamos recapitular. Na ditadura era Arena contra MDB. No finzinho dela, PMDB contra PDS. Aí o PMDB virou hegemônico em 1986 e implodiu. Veio o caos, que só acabou quando apareceu uma nova polarização, PSDB contra PT. Graças a essa polarização, porém, abriu-se espaço para o surgimento de uma terceira grande força. Por quê? Porque nem PT (seis anos no poder) nem PSDB (oito anos) viraram grandes partidos nacionais, quantitativa e qualitativamente falando. E eis de volta o PMDB. Santa coincidência, como diria o Batman (ou seria o Robin, como diz o anônimo nos comentários?). Ou nem tanto. Bem, agora só resta chamar os matemáticos. Ou os físicos.

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domingo, 26 de outubro de 2008

Qualidade = Resultado - Expectativa (26/10)

Idéias expostas há algum tempo por este blog e que hoje, impulsionadas pelos fatos, transformam-se em força material:

1. O decisivo numa eleição municipal é a realidade municipal.

2. Bons padrinhos podem, sim, eleger postes.

3. Não existe o lulismo; existe um governo federal bem avaliado, mas isso pesa pouquíssimo na disputa local.

4. O eleitor adora poder reeleger administradores bem avaliados.

5. O PMDB é o grande vencedor da eleição deste ano.

6. O PT sofre pela dificuldade de administrar a convivência com os aliados.

7. O PT não consegue se capilarizar eficazmente; dos partidos que já passaram pelo poder no Brasil é o que menos aproveitou isso para penetrar nos municípios.

No segundo turno, os números encarregaram-se de transformar essas hipóteses em força material, já que elas agora fazem parte do senso comum. Ótimo. Uma última palavra sobre o desempenho do PT. A legenda cresceu em relação a 2004. Espantoso seria o partido do presidente da República recuar na disputa municipal. Os resultados do PT devem ser analisados à luz das expectativas criadas pelo PT. A equação é a seguinte:

Qualidade = Resultado - Expectativa

Por exemplo, se a expectativa é 10 e o resultado é 9, a qualidade obtida é -1, negativa portanto. Já um resultado inferior pode significar maior qualidade, basta que a expectativa não seja assim tão alta. Por exemplo, se a expectativa é 7 e o resultado é 8, a qualidade obtida é 1. Ou seja, um resultado menor proporcionou mais qualidade. Fato 1: o PT montou uma estratégia destinada a transformar a força política do presidente da República em motor da conquista de poder municipal. Fato 2: não funcionou. Para minha sorte, escrevi no primeiro dia do ano (ou seja bem lá atrás) que não iria funcionar. Está em Eleições muito municipais. Ele começa assim:

O senso comum diz que quando o governo federal vai bem os candidatos do partido do presidente da República levam vantagem na corrida eleitoral pelas prefeituras. Essa verdade ainda está por ser comprovada. O oposto parece mais razoável. Quando o ocupante do Planalto está em baixa, é mau negócio associar-se à imagem dele numa disputa eleitoral dura, como costumam ser as municipais. Quando o país colhe bons ventos, como agora, a tendência é que o localismo prevaleça ainda mais na disputa de poder nas cidades.

Boa sorte aos eleitos e boa noite a todos.

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sábado, 25 de outubro de 2008

Reta final (25/10)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mais uma oportunidade histórica que a oposição vai perder (24/10)

A oposição que tem poder anda cautelosa em relação às medidas que o governo Luiz Inácio Lula da Silva vêm adotando na crise financeira. Há, é claro, uma polemicazinha aqui e ali sobre se os discursos do presidente lá atrás subestimaram a dimensão do problema. Um debate, na minha opinião, sem relevância. O que eu penso você conhece: não faz parte do trabalho do presidente da República espalhar o alarmismo. Nesse particular, Fernando Henrique Cardoso parece tomado de amnésia seletiva, quando diz que "o estilo do Lula é enganar". FHC não avisou ao país antes da eleição de 1998 que a moeda brasileira estava prestes a ir pelo ralo, o que acabou acontecendo logo no começo do segundo mandato do tucano. Presidentes não saem por aí gritando "fogo!". Além do mais, que medida Lula deixou de tomar e que deveria ter sido adotada? Aliás, qual é exatamente a proposta da oposição para enfrentar a crise? A oposição fará bem se seguir a linha do presidente francês, Nicolas Sarkozy. Ainda que haja muito de ilusão no sonho sarkozyano de uma globalização capitalista civilizada (leia Capitalismo de face humana). Da Bloomberg:

Sarkozy Summons De Gaulle's Statist, Anti-U.S. Spirit

By James G. Neuger

Oct. 24 (Bloomberg) -- Since the era of Charles de Gaulle, France has rebelled against the American-style capitalism that put a ``Made in U.S.A.'' stamp on the world economy. Now, as convulsions on Wall Street shake the global financial system, French President Nicolas Sarkozy is seizing the opportunity to remake the free-enterprise model along more state-managed Gaullist lines. Emboldened by the U.S. pursuit of a European-style bailout, Sarkozy has packed his wish list for an upcoming international summit with calls for everything from stiffer bank supervision and limits on executive pay to state aid for hand-picked industries. While the moment is in his favor, history is working against him: throughout the postwar era, French attempts to subdue globalization and come up with an exportable economic model have misfired.


Leia a íntegra da reportagem da Bloomberg, reportagem que por sinal é crítica a Sarkozy. Ela mostra um líder político buscando referências em Charles de Gaulle, sempre uma boa coisa. Sarkozy é de direita. A França, como os Estados Unidos e o Reino Unido, tem uma direita identificada com a nação. São países em que a burguesia se constituiu historicamente como classe dominante ao tomar o comando do processo de consolidação nacional. Quando Sarkozy venceu as últimas eleições presidenciais francesas, escrevi um post com o título O au revoir e as lágrimas. Um trecho:

Por que a direita ganhou as eleições na França? A maioria dos franceses é de direita? Há pelo menos um dado que debilita essa hipótese: cinco anos atrás a França uniu-se em torno de Jacques Chirac exatamente para impedir a vitória da extrema-direita de Jean-Marie Le Pen. Os franceses têm lá o seu charme histórico, mas são como qualquer outro povo. Costumam dar a vitória nas urnas a quem consegue interpretar melhor as tendências momentâneas do centro político e representar mais precisamente as aspirações nacionais. E a França tem a sorte de contar com uma direita marcadamente nacional. As pessoas às vezes se esquecem que a Revolução Francesa aconteceu na França. E que Napoleão Bonaparte era francês. Assim como Charles de Gaulle. Lamento informar, mas nem Napoleão nem De Gaulle eram de esquerda. Não à toa Nicolas Sarkozy encerrou sua campanha homenagenado os combatentes da Resistência Francesa contra a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Eu tenho inveja dos franceses. Eu invejo países que têm uma direita comprometida com o projeto nacional. Porque neles a alternância no poder não coloca a nação em risco.

E concluía:

O que venceu na França? Uma direita antenada na globalização mas disposta a defender a França como bem próprio dos franceses. Tipicamente francês. E os imigrantes? Se eu fosse francês teria votado em Ségolène Royal. Porque eu invariavelmente voto na esquerda contra a direita. É um hábito antigo. Eu não concordei, entretanto, com a tentativa de Madame Royal de dividir os franceses entre tolerantes e intolerantes à imigração. Esse assunto foi resolvido cinco anos atrás, quando a França indicou a Monsieur Le Pen que ele jamais chegará ao poder. Do que se tratou agora foi outra coisa: foi se a França deveria ou não abrir mão do protagonismo de sua própria cultura e da sua própria política diante das pressões globalizantes -vindas da esquerda ou da direita. Circunstancialmente, Monsieur Sarkozy interpretou melhor a aspiração nacional do eleitorado francês. A Madame Royal restou o au revoir. Restaram também as lágrimas, dos repórteres e dos analistas que buscaram transformar a cobertura das eleições francesas numa arquibancada de Fla-Flu. Au revoir para eles também.

De volta ao Brasil. A crise financeira planetária impôs aos estados nacionais a defesa de suas respectivas economias. E defender hoje a economia brasileira é encontrar mecanismos para que as empresas voltem a ter crédito, para que a máquina recomece a andar com alguma normalidade. Qual é o problema? É que o dinheiro liberado para os bancos emprestarem aos seus clientes não está chegando na ponta. Em vez de irrigar a economia, essa massa monetária parece alimentar o ataque à nossa moeda. Então, em vez de se preocupar em defender os coitadinhos dos bancos contra a suposta "sanha estatizante" governamental, a oposição deveria, num assomo de sarkozysmo, cobrar do governo medidas para que o depósito compulsório devolvido às instituições financeiras ajude o país, e não os seus inimigos. Mais mão de ferro sobre o sistema financeiro, e não menos. Vai acontecer? Provavelmente não. Aqui não é a França, é o Brasil. No já longínquo janeiro deste ano, escrevendo sobre a crise americana, rascunhei em O sonho de um FHC barbudo:

[Em 2002] o eleitor médio estava saturado dos anos de Fernando Henrique Cardoso, com sua herança de crescimento baixo e estagnação. Daí a esperança oposicionista de que a crise americana transforme Lula II numa versão barbuda de FHC II.

De repente lembrei do que aconteceu na votação da CPMF, há um ano (leia Ter coragem de ganhar e A peste da radicalização). Ali, a oposição deixou de faturar uma vitória imensa, jogou no lixo a paternidade de mais R$ 40 bilhões/ano para a saúde pública. Para quê? Para nada. Pensando bem, que tal mudar de assunto?

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Argumentos, e não xingamentos (24/10)

É da tradição do The New York Times apoiar candidatos democratas à Casa Branca. O último republicano a receber o apoio do NYT foi Dwight Eisenhower, em 1956. A rotina segue agora com Barack Obama. Mas o editorial que explica o apoio merece ser lido ainda assim, mesmo que a posição do jornal pareça à primeira vista rotineira. É um bom resumo do que está em jogo na eleição americana. Como sempre, muito bem escrito, uma aula de como produzir textos opinativos com argumentos, e não com xingamentos.

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Dentro e fora do jogo (24/10)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

Até os móveis antigos do Palácio da Liberdade e os corredores sombrios do Bandeirantes sabem que FHC não mandaria nada num eventual governo tucano comandado por Serra ou Aécio

Por Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

Veremos se o fogo verbal do governador da Bahia, Jaques Wagner, contra o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o pupilo deste, o prefeito João Henrique, terá sido suficiente para virar o vento da eleição em Salvador. Se o PT conquistar a capital baiana, o duro discurso de Wagner quarta-feira no comício do candidato Walter Pinheiro ficará como um grande momento desta eleição.

É curioso que os melhores lances Brasil afora na atual disputa não tenham nascido dos candidatos, mas de seus padrinhos. Aconteceu também em São Paulo. Se Gilberto Kassab conseguir mais uma temporada na prefeitura, os analistas deverão avaliar como, e quão rapidamente, o governador José Serra debitou na conta do PT a responsabilidade pela confusão entre as polícias civil e militar. Com a manobra, Serra aplicou uma vacina: qualquer tentativa de explorar contra Kassab os lamentáveis fatos estaria previamente marcada pela suspeição, por partidarismo. 2 a 0 no placar para o tucano. O primeiro gol havia sido marcado pelo próprio PT, contra, no episódio do dossiê na véspera da eleição em 2006.


Serra, como bom paulista, bateu de frente. Já Aécio Neves, como bom mineiro, foi oblíquo. Terminado o primeiro turno em Belo Horizonte, o governador de Minas Gerais espalhou aos quatro ventos que a eventual vitória de Leonardo Quintão sobre Márcio Lacerda seria uma derrota pessoal dele, Aécio. Alguns interpretaram como a admissão antecipada do fracasso. Os mais conhecedores do modus operandi político nas Alterosas perceberam que se tratava do contrário: Minas não está interessada em derrotar Aécio, pois isso significaria abrir mão de um projeto nacional. Claro que Quintão ainda pode ganhar, o que esvaziaria o lance de alto risco do governador. Mas, se der Lacerda, Aécio estará de volta ao jogo com força.


Quem anda precisando voltar ao jogo é Luiz Inácio Lula da Silva. Lula foi a Natal e falou cobras e lagartos de Micarla de Sousa e do padrinho dela, senador José Agripino. Micarla ganhou no primeiro turno. Lula também foi a São Paulo, para acusar o paulistano de preconceito. Alguém deveria avisar a Lula e ao infeliz marketing de Marta Suplicy que esta eleição paulistana não é sobre preconceitos ou medos, mas sobre visões de futuro para a cidade e medidas práticas para melhorar a vida dos cidadãos. E o mais espantoso é que Marta, cujo currículo político e administrativo exibe belas garrafas para entregar nos dois quesitos, tenha aceitado escorregar para uma agenda tão equivocada.


Vamos ver o que sai das urnas. De qualquer jeito ficarão lições. Uma delas é que não há regra absoluta a respeito de campanhas negativas. Elas podem dar certo ou dar errado. Depende. Em 1998, Mário Covas demoliu Paulo Maluf no segundo turno da eleição a governador com uma propaganda de embrulhar o estômago, tal o grau de violência. Em 2006, Geraldo Alckmin naufragou feito Titanic quando cedeu aos apelos extremados e transformou sua comunicação em uma cruzada para destruir Lula e o PT.

Propositivas ou destrutivas, campanhas eleitorais precisam carregar relevância e verossimilhança. Precisam tratar de assuntos que as pessoas considerem relevantes. E a palavra, positiva ou negativa, bonitinha ou ordinária, deve ser verossímil, ter semelhança com a verdade. Por exemplo, dizer que Kassab na Prefeitura de São Paulo representa a volta de Celso Pitta não tem verossimilhança. Por um motivo simples: Pitta é carta fora do baralho. A tática de colar os dois já não havia funcionado em 2004. Voltou a falhar agora.

Sobra a dica para Dilma Rousseff, ou qualquer nome que conseguir a bênção de Lula em 2010. Será perda de tempo tentar associar Aécio ou Serra a Fernando Henrique Cardoso. Até os móveis antigos do Palácio da Liberdade e os corredores sombrios do Bandeirantes sabem que FHC não mandaria nada num eventual governo tucano comandado por Serra ou Aécio. O ex-presidente daria alguns palpites (que não seriam levados em conta) e receberia convites caprichados para certas cerimônias. E só. FHC também é carta fora do baralho. O jogo daqui a dois anos será outro.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Quase bolivariano (23/10)

Depois de desencadear a moda da estatização de bancos e outras empresas em resposta à crise, o Primeiro Mundo dá mais um passo. Do G1:

Conselho de Nova York abre caminho para terceiro mandato de Bloomberg

Lei que permite nova reeleição foi aprovada por 29 votos a 22. Prefeito quer ficar no cargo para ajudar cidade na crise financeira.

(Reuters) - O Conselho da cidade de Nova York votou a favor de um terceiro mandato para o atual prefeito, Michael Bloomberg, nesta quinta-feira (23), permitindo que ele concorra à reeleição. O Conselho municipal aprovou a norma por uma margem estreita (29 a 22), depois de um acalorado debate. Com a ratificação, Bloomberg, cujo segundo mandato termina no ano que vem, poderá concorrer a mais uma reeleição. Bloomberg havia anunciado em 2 de outubro a intenção de tentar a segunda reeleição. "Se o conselho municipal votar a emenda para as limitações de mandatos, acho que vou pedir aos nova-iorquinos que considerem meu desempenho como líder independente e votem em mim", afirmou na época. Bloomberg, de 66 anos, anunciou sua decisão argumentando que a crise financeira atual requer que alguém com sua experiência em termos econômicos permaneça no comando do governo da capital financeira do país.


Aguardam-se os protestos e as advertências sobre o crescente risco bolivariano nos Estados Unidos. Ou pelo menos na sempre perigosamente esquerdista Nova York.

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Muita conversa para nada (23/10)

Não me meto no acalorado debate sobre as circunstâncias da morte da garota em Santo André, por uma simples razão: não tenho condições técnicas de opinar se a polícia de São Paulo agiu bem ou mal. Uma coisa porém é certa. Não fossem as trágicas circunstâncias, seria apenas ridícula a polêmica sobre a polícia ter invadido o apartamento antes ou depois de o seqüestrador disparar a arma que carregava. Qual é? Agora a polícia vai precisar esperar que seqüestradores matem seus reféns para só então invadir os cativeiros? Do jeito que vão as coisas, daqui a pouco o seqüestrador e assassino virou mocinho e os policiais, bandidos. É possível que eu não esteja sendo original, dado o tempo que já rola de discussão sobre o tema. Mas que a coisa está estranha, está. Lembra a discussão sobre o grooving, as ranhuras na pista de Congonhas que supostamente poderiam ter evitado o acidente da TAM ano passado (leia posts deste blog sobre a mistificação do grooving). Muita conversa para nada.

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Um bom roteiro para entender a crise (23/10)

O Gustavo Patu, repórter da Folha de S.Paulo, escreveu um bom roteiro para desvendar alguns mecanismos da crise financeira planetária. Está em 10 questões para entender o tremor na economia, na Folha Online.

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Uma segunda derrota (23/10)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

O acordo PT-PMDB que elegeu Arlindo Chinaglia enfraqueceu os senadores na disputa interna de poder no PMDB. Daí que os senadores não vejam agora a dobradinha Temer-Viana como um pacto de conciliação

Por Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

Engana-se quem vê só jogo de cena nas crescentes resistências peemedebistas a que o petista Tião Viana (AC) suceda Garibaldi Alves (RN) na Presidência do Senado, ainda que na política seja comum refregas transcorrerem como brigas de casal: as coisas parecem ir muito mal, mas de repente acabam muito bem. É possível, claro, que a disputa no Senado acabe bem para o governo, com o casamento entre PMDB e PT. Mas convém deixar as barbas de molho. Pois as diferenças desta vez são para valer.

A maioria da bancada do PMDB no Senado diz que não aceita passar o comando da Casa para Tião Viana, e pede que o PT indique outro nome. Só que os observadores mais argutos já detectaram: enfraquecer o acreano é apenas a primeira etapa da operação, porque dificilmente os peemedebistas engolirão qualquer um que venha do PT. O ideal para o PMDB seria o PT fixar-se em Viana, o que permitiria ao aliado-adversário aproximar-se da oposição e conseguir musculatura para confrontar o petismo.

As relações entre o PT e o PMDB na Câmara Alta ficaram complicadas no processo que levou à renúncia do então presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em todos os momentos decisivos, seja na Mesa Diretora ou no Conselho de Ética, o partido de Luiz Inácio Lula da Silva aliou-se à oposição para derrubar Renan. O que só não se repetiu no plenário, na sessão que poderia cassá-lo, porque os senadores do PMDB fizeram ver ao governo que a degola do alagoano levaria a um realinhamento arriscado, em que o Palácio do Planalto estaria ameaçado de ficar com o pincel na mão.

Mas o PT senatorial ainda tentou um último movimento, como se recorda: ajudou Renan a escapar do pior, na esperança de que ele topasse depois renunciar à Presidência. Dado que o vice de Renan era Tião Viana, não foi difícil que o presidente em desgraça e seus aliados enxergassem nas idas e vindas do PT uma maneira de tirar as castanhas do fogo com a mão do gato. Ou com a mão do PSDB e do DEM (PFL). Teoricamente, o PT apoiava Renan. Na prática, operava para enfraquecê-lo. Para tomar dele a cadeira.

Com Renan caído, e para evitar o revés completo, o PMDB precisou engolir Garibaldi Alves (RN), um independente e, portanto, não alinhado com o núcleo hegemônico da bancada. Garibaldi não chega a ser um Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ou um Mão Santa (PMDB-PI), senadores de oposição, mas está a léguas de perfilar-se automaticamente com a maioria dos colegas. Aliás, os fatos confirmam: o potiguar ficará na história do Senado como um de seus presidentes mais autônomos, imprevisíveis e incontroláveis. No bom sentido.

Mas o mandato-tampão de Garibaldi vai chegando ao fim. E eis de volta Tião Viana, esgrimindo agora um discurso até razoável. Tratar-se-ia de equilibrar o jogo, dado que o PT, em 2007, comprometeu-se a apoiar o PMDB na sucessão da Câmara dos Deputados em 2009.

Qual é o problema? É que os senadores do PMDB não participaram há dois anos do entendimento que levou à eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Pior, o acordo PT-PMDB que permitiu a vitória de Chinaglia teve também por objetivo enfraquecer os senadores na disputa interna de poder no PMDB, fortalecendo o grupo do presidente da sigla, deputado Michel Temer (SP). Daí que os senadores peemedebistas vejam agora na dobradinha Temer-Viana não um pacto de conciliação, mas uma possível segunda derrota.

A situação de Temer na Câmara parece razoavelmente sólida. Sobraria então o Senado como espaço em disputa. Só que a pendenga no Senado pode acabar contaminando a Câmara. O PMDB vai sair do segundo turno da eleição municipal bastante musculoso. E portanto com um belo apetite. O PMDB do Senado, a maior bancada da Casa, abrir mão da Presidência para ajudar o PMDB da Câmara a eleger Michel Temer? Só debaixo de pancada.

2009 é a véspera de 2010. Na hipótese de o PMDB não ter candidato próprio à sucessão de Lula, a luta no partido será pela indicação do vice. Na chapa do PT ou na do PSDB (caso sobrevenha um desastre econômico). Em qualquer desses cenários, é mais prudente que cada grupo peemedebista cuide agora de preservar o seu próprio quinhão.

Por isso, não é impossível que o PMDB acabe ganhando as duas Casas do Congresso. O que permitiria a Lula trabalhar com a alternativa de colocar o bloco PSB-PDT-PCdoB na vice de sua chapa, daqui a dois anos. Até porque, sempre é bom lembrar, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado que assumem ano que vem poderão concorrer à reeleição em 2011.

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Agendas mortas (21/10)

A crise financeira mundial é uma oportunidade para o presidente russo, Vladimir Putin, fazer o ajuste de contas com os oligarcas, milionários que construíram sua riqueza apropriando-se de ativos estatais após o colapso da União Soviética. Da Bloomberg:

Putin May Use Credit Squeeze to `Destroy' Oligarchs
By Torrey Clark and Henry Meyer

Oct. 17 (Bloomberg) -- Vladimir Putin came to power in 2000 vowing to destroy Russia's oligarchs ``as a class.'' Within two years, he'd driven two into exile and imprisoned another. Now, he may use the global markets meltdown to finish the job. The $50 billion that the prime minister and President Dmitry Medvedev have pledged to lend cash-strapped companies will extend state control over business leaders. Billionaires seeking bailouts -- including Oleg Deripaska, Russia's richest man, and Mikhail Fridman -- will have to give authorities veto power over their companies' financing decisions. ``This will give the state more leverage over the country's biggest companies and main industries,'' said Chris Weafer, chief strategist at UralSib Financial Corp in Moscow. ``In 2008, there is only one real oligarch: the state.'' All this marks a reversal from a decade ago, when oligarchs bankrolled Boris Yeltsin's almost-insolvent government. As recently as April, Russia's 100 wealthiest citizens had a combined fortune equivalent to about a third of the economy, Forbes magazine estimated.


Leia aqui o texto inteiro. Quem está bem na crise atual? Seja entre as pessoas, as famílias ou as empresas, leva vantagem quem está operacionalmente no azul, tem pouca dívida e dispõe de caixa. Esses não vão apenas sobreviver, vão poder ir às compras e arrematar baratinho de quem está na outra ponta do espectro: os endividados, sem dinheiro e operacionalmente no vermelho. É a lei da selva. Da turma em dificuldades sobrarão poucos. Vários vão quebrar, alguns serão absorvidos e participarão do que é eufemisticamente chamado de "consolidação". É o outro nome da monopolização, ou oligopolização se preferirem. O sistema bancário brasileiro vai ficar menos competitivo do que já é. Os grandes bancos vão acabar de dominar o mercado e poderão impor suas regras aos clientes, ainda mais. Nas tarifas, por exemplo. Uma área em que o cidadão já é bem esfolado, enquanto o governo finge que nada vê (leia Um país humilhado. E o governo, nem aí). Agora, dinheiro mesmo, de verdade, só quem tem hoje em dia são os governos. É por isso que os negócios privados, após anos de antiestatismo retórico, estendem o pote ao Estado em busca de socorro. Com a turma do "estado mínimo" de pires na mão e à cata de novas idéias, vivem-se tempos em que cabe aos governos decidir quem vai sobreviver e quem vai morrer. Na Rússia está sendo assim, como mostra o texto da Bloomberg. Nos Estados Unidos, também. O governo americano decidiu matar o Lehman Brothers, enquanto salvava outras empresas. Só que a coisa degringolou e teria se transformado em catástrofe se o premiê britânico, Gordon Brown, não tivesse soprado na corneta o toque de avançar. Qual foi o mérito de Brown? O de entender que a crise só poderia ser enfrentada se os governos anunciassem a disposição de capitalizar sem limites qualquer entidade econômica que desejassem. Mas isso terá que ser feito também por meio da aquisição, pelo Estado, de participação societária nas empresas beneficiadas. A estatização das empresas. E a preços bem baixos, dado que o mercado está vendedor, como mostram as bolsas. Daí que a Bloomberg possa dizer que Putin está perto de cumprir sua promessa eleitoral de "destruir os oligarcas como classe". Até no Brasil o governo já entendeu que os bancos estatais devem avançar no mercado (leia também Estatais, graças a Deus). É isso: a sociedade (permito-me usar o termo, por didatismo) pede a proteção do Estado. E eu pergunto: se o alto da pirâmide implora por proteção estatal, como poderá justificar a eliminação das ralas proteções que o Estado dispensa à base da formação social? Como falar em reforma trabalhista ou previdenciária? São hoje agendas mortas. Ainda que possam ressuscitar lá na frente, quando o edifício tiver parado de chacoalhar e a turma de sempre sentir-se novamente com força para avançar no bolso alheio.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Uma boa análise sobre o estado da eleição americana (20/10)

Leia The State of the Race, de Jay Cost, no RealClearPolitics.com. Aliás, o site é obrigatório nesta reta final da sucessão presidencial nos Estados Unidos.

Professores de Deus (20/10)

A bela reportagem de Felipe Frisch que deu a manchete de O Globo no domingo diz o seguinte (lamentavelmente não posso oferecer o link, dada a brilhante decisão do jornal de dificultar ao máximo a distribuição de seus conteúdos pela internet):

1. Levantamento feito para O Globo pela consultoria Econométrica mostra que 80 das 318 empresas que apresentaram balanços no primeiro semestre de 2008 obtiveram em operações financeiras mais da metade de seu lucro líquido.

2. 35 das 80 têm receita financeira líquida maior do que o lucro líquido. Ou seja, seu resultado operacional é negativo, o que fica mascarado pelas transações que a empresa faz (fazia) no mercado do dinheiro fácil.

3. Para obter esses grandes resultados financeiros, as empresas podem ter tomado decisões arriscadas, como por exemplo apostar na continuada queda do dólar, ou especular com ações hipervalorizadas. Como o mercado virou, dizem analistas ouvidos pelo repórter, a situação dessas empresas também pode ter se invertido.

4. Quase todas as empresas da lista são conhecidas por terem fortes áreas financeiras, algumas semelhantes a tesourarias de bancos. Em realidades assim, há o risco de as empresas se arriscarem além do razoável, além do uso das operações financeiras para proteger seus patrimônios (e receitas) das oscilações do câmbio ou das matérias-primas.

Leia a reportagem, se puder (se for assinante de O Globo). E veja abaixo o interessante gráfico (clique para ampliar) que a acompanha, listando 20 empresas cujas ações estão entre as mais negociadas. Uma coluna traz o resultado financeiro, a seguinte traz o lucro (ou prejuízo) líquido e a última mostra a relação entre ambos:

Escrevi dois anos atrás em Rentismo, pão e circo:

De quem é o dinheiro que os bancos emprestam ao governo -e sobre o qual o governo paga juros? Uma pequena parte é dinheiro do próprio banco. A maior parte é dinheiro que o banco tomou emprestado das pessoas e das empresas. É dinheiro seu, meu, nosso. Qualquer pessoa ou empresa que tem uma poupança, que tem renda financeira, tem dinheiro emprestado ao governo na forma de títulos públicos tomados pelos bancos. A maior parte do que o governo paga de juros "aos bancos" não fica com eles, vai para a renda das pessoas e das empresas de quem os bancos tomaram emprestado o dinheiro. É uma das razões pelas quais o besouro voa. Teoricamente, não deveria voar, mas voa. Uma pergunta sobre o besouro para os economistas. Por que a economia brasileira cresce a taxas parecidas com as dos países desenvolvidos se os nossos juros estão muito acima dos juros deles? Uma parte da explicação deve estar nos juros especiais (não confunda com espaciais) das linhas de crédito destinadas a investimento. Mas há outra parte da explicação que, normalmente, fica oculta. Todo mundo que tem alguma modalidade de renda financeira se beneficia da drenagem do Tesouro Nacional. Por exemplo, empresas com um bom caixa. Por exemplo, famílias e pessoas que poupam.

Infelizmente, o jornalismo só se ocupa de coisas assim em épocas de crise. Em tempos normais, os empresários e executivos de empresas que usam ganhos financeiros para mascarar sua ineficiência posam no noticiário como ícones do empreendedorismo. Agora, é o caso de fazer uma nova pergunta. Há quanto tempo o escorregão dos mercados é bola cantada, para usar a linguagem da sinuca? Há meses. Desde que a crise hipotecária mostrou seu rosto feio nos Estados Unidos. Deu tempo de todo mundo desmontar pelo menos boa parte de suas posições de risco e migrar para estratégias mais conservadoras, menos baseadas em otimismo cambial e bursátil (relativo a bolsa). Por que os executivos não fizeram isso? Provavelmente para embolsar bônus no fim do ano. E porque achavam que jamais o governo americano iria deixar quebrar um banco de investimentos como o Lehman Brothers. Erraram. Aí, quando vem a confusão, a culpa naturalmente é do governo. Mas logo logo os espertalhões (pelo menos os que mantiverem o emprego) voltam a ser entrevistados como sumidades. Daqui a pouco eles estão aí de novo, certamente mais ricos e dando uma de professores de Deus. E eles estarão certos. Porque os patos somos nós. Leia de novo Capitalismo brasileiro e Capitalismo de face humana?!.

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Rumo a 2010 (21/10)

Estive no Espírito Santo no final de semana, convidado para um evento empresarial. Fui lá falar sobre as perspectivas políticas, incluída naturalmente a sucessão presidencial. Antes da minha participação, pude assistir a uma esclarecedora apresentação do economista José Roberto Mendonça de Barros. A imagem acima foi retirada do .ppt que ele exibiu. As barrinhas mostram o crescimento do PIB. As avermelhadas indicam a variação do PIB passado e também o futuro projetado com premissas otimistas. As azuis são as projeções a partir do primeiro trimestre do ano que vem, num cenário pessimista. No pior cenário, projeta-se um crescimento de 2,3% ano que vem. Há economistas que dizem outra coisa, que só o crescimento deste ano já garante pelo menos 2,5% para 2009, pelo efeito inercial. Vamos ver. Mas o interessante no gráfico é a convergência entre porcentagens de crescimento em ambos os cenários (pessimista e otimista) ali para o fim de 2009. Ou seja, mesmo na pior hipótese do palestrante de Vitória a economia deve entrar acelerando em 2010, ano eleitoral. Claro que a previsão do Mendonça de Barros pode estar errada. Mas se estiver certa indica que o cacife de Luiz Inácio Lula da Silva chega a 2010 não tão corroído como supõem os que enxergam pela frente um quadro recessivo. Vale lembrar que 2005, ano anterior ao da sucessão, foi medíocre para a economia. E que, apesar disso, Lula se reelegeu.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Capitalismo brasileiro (17/10)

Da entrevista de hoje do ex-ministro Luiz Fernando Furlan, agora Presidente do Conselho de Administração da Sadia, a O Estado de S.Paulo. A Sadia anunciou no mês passado que teve um prejuízo de R$ 760 milhões com aplicações em derivativos:

Por que uma empresa especialista em produção de alimentos precisa investir em derivativos, já que tira seus lucros da venda de produtos?
Qualquer empresa brasileira que seja grande exportadora opera nos mercados futuros de câmbio para proteger as suas operações. Isso é natural. A Sadia estava autorizada pelo conselho a fazer operações de mercado futuro até seis vezes o valor das exportações, de aproximadamente US$ 1,7 bilhão. A empresa exporta US$ 300 milhões por mês. É a sexta ou sétima maior exportadora brasileira. O que aconteceu não é um erro de política. Foi falha de execução, onde as pessoas responsáveis ultrapassaram os limites autorizados, não informaram e assumiram riscos exagerados. Na Petrobrás, na Vale, todas as companhias trabalham com os mercados futuros. Agora, aí houve falha, que está sendo investigada, e estamos vendo também se houve conivência ou algum tipo de indução à falha pelos bancos que atuaram.
(...)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou a empresa de especulação contra a moeda brasileira...
Tive oportunidade, sexta-feira passada, de estar com o presidente Lula e lembrei a ele que foi infeliz nessa colocação porque quem especulou contra o Brasil foi o lado que está ganhando dinheiro com a turbulência e quem especulou a favor, acreditando na estabilidade, que a taxa de câmbio ia continuar no nível histórico, e acreditou, inclusive, no que o presidente falou - de que a crise estava lá fora, que não ia acontecer nada aqui dentro -, essas empresas é que levaram ferro. Agora os bancos internacionais, que colocaram essas, segundo os jornais, 200, 300 empresas brasileiras em situação de aperto, esses especularam contra o Brasil. Nós não. Nós acreditamos no Brasil.

Isso é o capitalismo brasileiro. A culpa é sempre do governo. A Sadia se lambuzou com receitas não-operacionais que propiciavam lucro fácil, mas quando a tempestade vem a culpa é do governo. O que a Sadia queria? Que o presidente da República desse entrevistas sugerindo aos cidadãos e às empresas que fugissem do Real enquanto era tempo? Queria que o porta-voz do Palácio do Planalto convocasse uma coletiva para falar da iminente desvalorização da moeda? Ou que a derrapagem das bolsas, fenômeno percebido há meses, apontava a necessidade de, prudentemente, cair fora de certos ativos de risco (ações) e investir, quem sabe?, em títulos do Tesouro americano? Aliás, pensando bem, se a Sadia é uma empresa administrada com base em informações dadas pelos políticos em entrevistas é bom que os acionistas comecem a pensar numa faxina geral do management.

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Desigualdade congelada (17/10)



Por falar no Eduardo Gianetti (leia o post anterior), acabo de ver que ele deu uma entrevista ao UOL para falar da crise. Clique no vídeo para ver. Uma observação dele é que a retração (frenagem) da economia pode ter efeito benéfico sobre o meio ambiente. Menos desenvolvimento significaria uma pausa necessária no processo de predação dos ecossistemas. A minha discordância, já manifestada aqui várias vezes nas discussões sobre aquecimento global: se a emissão de carbono, por exemplo, for congelada nos níveis e na distribuição atual, teremos os ricos (países e pessoas) consumindo a mais e os pobres (países e pessoas), a menos. E, considerando que a crise atual é 100% responsabilidade dos primeiros, congelar essa desigualdade seria uma bela maneira de livrar a cara dos culpados e fazer os inocentes pagarem pela lambança.


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Capitalismo de face humana ?! (17/10)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

É provável que a Europa perca tempo debatendo a governança global das finanças. Será um desperdício de energia intelectual

Por Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

Eduardo Gianetti escreveu anos atrás um belo livro chamado Auto-engano. Eu soube aliás que o Gianetti, um liberal convicto, anda incomodado com o fato de o mercado agora gritar por socorro do Estado, bem agora que se trata de ver quem pagará o prejuízo causado pelas estripulias dos capitalistas. É dura a vida dos liberais convictos.

Por que as bolsas e o mundo financeiro estão derretendo? Porque a riqueza em papéis (expressão meio antiquada neste nosso planeta digitalizado) não tem correspondente no mundo real. Ou seja, ela rigorosamente não existe com seu valor de face. Uma hora o ajuste viria, necessariamente. E os patos ficariam com o mico na mão. E os mais patos ainda iriam para o cadastro do seguro-desemprego.

Acumulação de riqueza sem dispêndio de suor (ou a criação de valor sem o consumo de tempo de trabalho) é como o sujeito tentar se levantar apenas puxando os próprios cabelos. O diabo é que isso pode acontecer por um tempo no mundo financeiro. A natureza da engrenagem permite, já que se trata de antecipar a alguém dinheiro correspondente a um valor que ainda será criado. Uma expectativa de valor.

Mas a coisa costuma acabar mal de tempos em tempos, naturalmente para os patos, que são a maioria. Cesar Benjamin explicou por quê, em didático artigo faz menos de um mês na Folha de S.Paulo. O título é auto-explicativo: [Karl] Marx manda lembranças. Há século e meio o alemão já escrevia sabiamente — hoje até George Soros admite— sobre as conseqüências de o dinheiro gerar dinheiro como se fosse por mágica.

Eu estava dias atrás no dentista quando ouvi dele, boquiaberto, o veredicto de que o capitalismo não sobreviverá, pelo menos nos moldes atuais. Perguntei por quê. “Porque não é possível nem razoável que gente que não faz nada, não gera um emprego, não produz nada, não é normal que tais pessoas fiquem com a parte do leão da riqueza da sociedade.”

É possível que essa profecia do senso comum tenha mesmo algo de apocalíptico, dado que o capitalismo já passou por outras crises graves e não acabou. Nem vai acabar por conta própria. Tampouco é razoável pensar num mundo sem mecanismos de alocação dinâmica de capital. Mas também é verdade que o edifício mental erguido sobre os escombros do Muro de Berlim acaba de desabar, com espetáculo e estrondo.

O sintoma mais nítido do desastre ideológico dos liberais pode ser reconhecido no comportamento dos políticos, seres que detectam sangue na água melhor até do que as piranhas. Vejam a frase do presidente francês, Nicolas Sarkozy: “É necessária uma refundação global do capitalismo, baseada em valores que ponham as finanças a serviço dos negócios e dos cidadãos, e não vice-versa”.

Os anos 60 do século passado celebrizaram a expressão “socialismo de face humana”, do tcheco Alexander Dubcek. Agora, procura-se pelo visto um “capitalismo de face humana”, no qual os financistas sirvam disciplinadamente à sociedade e lucrem com moderação. Será mesmo um espanto se Sarkozy e seus colegas conseguirem dizer como realizar a façanha. Infelizmente porém, mais provável é a Europa gastar algum tempo nesse debate sobre a governança global das finanças até finalmente descobrir que a idéia é inexeqüível. Será um desperdício tipicamente europeu de energia intelectual. E o mundo voltará ao normal. Ou quase.

Digo quase porque parece inevitável (êta palavrinha arriscada) que os Estados Unidos saiam menores da crise do que entraram. Aliás, mora em Washington o responsável principal pelas dimensões do terremoto econômico global. Quando estourou a primeira bolha da internet, na passagem do século, parecia que a “exuberância irracional” seria finalmente contida. Mas aí Osama bin Laden derrubou as torres gêmeas em Nova York, George W. Bush obteve legitimidade interna e pôs para andar a maior e mais poderosa máquina bélica do planeta. Para isso, e para não deixar a economia “pousar” numa situação de guerra, fez explodir a dívida pública americana. E também a dívida privada, na farra do crédito fácil que agora derruba o mercado financeiro como uma fileirinha de peças de dominó.

Esta coluna começou falando de auto-enganos. Onde está o auto-engano nesta crise? Está em imaginar que o governo dos Estados Unidos vai se submeter ao “capitalismo de face humana” de Sarkozy. Isso não acontecerá. Nas situações de necessidade, a superpotência continuará mobilizando, de um jeito ou de outro, toda a poupança mundial disponível. Real ou fictícia. Tudo para se manter no topo. Será assim até o dia em que deixe de ser a única superpotência. O que vai acontecer em algum momento deste século. A dúvida é se o ocaso imperial será digerido pacificamente na grande nação do norte ou se das ruínas nascerá, como em filmes de terror (ou ficção), um monstro ainda mais agressivo e predador.

Aliás, é isso que está em disputa na sucessão de Bush.

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