sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um Datafolha ótimo para Lula, algumas notícias e uma pergunta da The Economist para o nosso Banco Central (05/12)

Do estadao.com.br:

IBGE vê 'recuo generalizado' nos preços em novembro

JACQUELINE FARID - Agencia Estado

RIO - A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, disse que houve um "recuo generalizado" nos preços no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, em relação aos apurados em outubro. Segundo ela, o grupo dos alimentos passou de uma contribuição de 0,16 ponto porcentual na taxa de outubro para 0,14 ponto em novembro, enquanto os não alimentícios reduziram sua participação de 0,29 ponto para 0,22 ponto de um mês para o outro. Nos alimentos, houve queda de preços em produtos importantes nas despesas das famílias, como feijão carioca (-14,60%), cebola (-11,58%), cenoura (-14,94%), ovos (-4,12%) e óleo de soja (-3,38%). Os produtos alimentícios subiram 0,61% no IPCA de novembro, ante 0,69% em outubro, segundo o IBGE. Já os não alimentícios registraram alta de 0,29% em novembro, ante elevação de 0,38% em outubro. O IPCA de novembro registrou inflação de 0,36%, ante 0,45% em outubro.


Leia a reportagem completa. Que aliás tem outra informação importante:

Os resultados do IPCA de novembro não mostram influência significativa de pressão da alta do dólar sobre a inflação, segundo Eulina. De acordo com ela, ainda que alguns itens que mantêm alguma relação com o dólar tenham subido, como microcomputadores, o peso desses artigos é pequeno no índice. "Não dá para dizer ainda se a pressão do dólar sobre os preços já foi evidenciada ou se será (no futuro). Ao mesmo tempo que o dólar sobe, os preços das commodities (matérias-primas) estão caindo, então o efeito no mercado interno é de não haver forte alta nos alimentos", disse.

É o que vem sendo dito aqui. O Banco Central está diante de uma oportunidade única para baixar os juros. Fazê-lo agora significará mais dinheiro (e dinheiro mais barato) na economia, inclusive para os necessários gastos públicos, num cenário de forte desaceleração, em que fica cada vez mais difícil repassar a preços e salários a inflação passada ou os custos adicionais em dólar. Veja a manchete de hoje da Gazeta Mercantil:

Manchete Gazeta Mercantil
Queda acelerada nas vendas deixa 300 mil carros nos pátios
. E o texto começa assim:

São Paulo, 5 de Dezembro de 2008 - Depois de nove meses consecutivos de alto consumo, a indústria automobilística fechou novembro com queda de 25,7% nas vendas - 177.823 unidades. Os estoques somam 305.660 veículos - um custo de R$ 12 bilhões. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, revisou ontem a projeção de vendas para 2008 - de 3,060 milhões de unidades para 2,815 milhões. Ainda assim, será 14,33% superior à de 2007. "A velocidade da queda foi surpreendente", disse. "Se o mercado tiver em 2009 o mesmo tamanho de 2008, será muito bom." A venda de máquinas agrícolas também demonstra enfraquecimento. Em novembro, foram 4,3 mil unidades, queda de 21,2% em relação a outubro.

Clique aqui para baixar a edição completa do jornal. Parabéns à Gazeta Mercantil por oferecer essa possibilidade ao leitor na internet. (Mas, cuidado, que são quase 5 Megabytes em pdf.) A popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva vai bem, como registra hoje o Datafolha. 70% de ótimo e bom. E não haveria mesmo motivo para que estivesse indo mal, pois é evidente que ronda o zero, ou quase, a contribuição brasileira para a tempestade perfeita que vai se formando na economia planetária. Mas é revelador que a aprovação presidencial não se traduza em intenção de consumo. O sujeito gosta de Lula, mas não é pirado o suficiente para aceitar os estímulos presidenciais ao endividamento, dadas as taxas de juros siderais para o consumidor, num quadro em que o emprego está cada vez mais ameaçado. Aliás, o próprio Banco Central, com razão, recomenda comprar à vista no Natal. Eu não conheço quem esteja se endividando para comprar. Eu conheço gente que está preocupada por não conseguir empréstimos para rolar as próprias dívidas. Por isso, eu sugiro uma leitura ao pessoal do Banco Central antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária. É um artigo de opinião publicado na edicão desta semana na The Economist. Começa assim:

When the economy is sinking and inflation fading rapidly, is there any merit in cutting interest rates gradually?

Quando a economia está afundando, e a inflação está declinando com rapidez, há algum mérito em baixar taxas de juros (apenas) gradualmente? Leia clicando aqui. vale a pena. Bom também ler Where have all your savings gone?, na mesma revista.

http://twitter.com/alonfe

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1 Comentários:

Anonymous Artur Araujo disse...

No Estadão de hoje, 5/12, pg. B3, repercute-se algum oráculo do papelório que, após sapientíssimos estudos, chegou à conclusão que, a cada 10% de valorização do dólar, a inflação sobe um ponto porcentual.
O real desvalorizou-se em torno de 20% em novembro e o IPCA divulgado hoje teve queda.
Será que o autor de teoria tão científica é a pitonisa do BC?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 21:33:00 BRST  

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