segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O próximo passo será pedirem preço mínimo e estoques reguladores. E uma pergunta aos especialistas (29/12)

Do estadao.com.br:
    Abaladas pela crise, usinas de álcool enfrentam inadimplência

    Em quase todas as regiões de São Paulo há atraso no pagamento a fornecedores; dez usinas foram adiadas

    José Maria Tomazela, SOROCABA - Pelo menos 6% dos canaviais ou 29,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar deixaram de ser colhidas no Centro-Sul do País, a principal região produtora. A sobra de 330 mil hectares de cana em pé é um dos efeitos da desaceleração dos investimentos no setor provocada pela crise internacional. No interior de São Paulo, pelo menos 10 usinas que deveriam entrar em operação este ano não ficaram prontas. Em Mato Grosso do Sul, dos 43 projetos com operação prevista até 2018, cerca de 20 já sofreram corte de recursos. A crise sucroalcooleira preocupa o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, João de Almeida Sampaio. Ele se reuniu com representantes do setor para discutir a situação. "O desafio é garantir que as usinas cheguem à próxima safra em condições de moer", disse ao Estado. As usinas precisam de dinheiro para bancar as despesas da entressafra, que incluem a manutenção das máquinas, a renovação dos canaviais e o preparo das usinas para a nova safra.
Leia a reportagem. Isso era uma bola cantada, como se diz na sinuca. Se tiver curiosidade de saber o que se escreveu aqui sobre o assunto, faça na caixinha no alto à esquerda desta página uma busca por encalhado etanol. Leia especialmente A crise antes da crise, onde você verá que os problemas sucroalcooleiros são bem anteriores à eclosão da crise mundial. O colapso planetário da economia foi aliás uma bênção para o setor. Agora eles têm uma boa desculpa. Vamos fazer uma aposta? O próximo movimento da turma será tentar repassar ao Tesouro, mais uma vez, o custo de seus equívocos empresariais. Sem ter onde enfiar o produto, vão pedir que o governo compre o álcool que não conseguem vender no mercado. E por um preço que remunere, inclusive, o dinheiro caro que tomaram nos bancos para não ter que esperar o dinheiro baratinho que, graças a Luiz Inácio Lula da Silva, o BNDES iria colocar à disposição dos de sempre. Para fazer o de sempre: embolsar os eventuais lucros e repassar ao contribuinte os eventuais prejuízos. E fica aqui uma pergunta para alguém responder. Qual é o preço mínimo do barril de petróleo abaixo do qual a se inviabilizaria a produção brasileira de etanol para uso como combustível automotivo?

http://twitter.com/alonfe

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5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon,o pessoal da Unica calcula alguma coisa em torno de 35 dólares o barril.

Independentemente disso, se o governo brasileiro repassasse para o consumidor uma gasolina produzida com um petróleo a 40 dólares não haveria consumo para o etanol com a atual realidade do flex fuel.

A atual crise vai ter consequencias sobre o setor. A mais clara é que haverá uma concentração de usinas nas mãos de poucos grupos, alguns multi-nacionais. Mas não pense que isso é lá muito bom. Já trabalhei em usinas de "brasileiros" e em duas "multis". Por incrível que pareça, os estrangeiros conseguem ser ainda mais exploradores. Pelo o menos da mão-de-obra e dos fornecedores de cana.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008 15:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A questão energética não pode ser enfentada olhando apenas o curto prazo. Petróleo a 35 dólares o barril não é cenário realista nem no médio prazo. Se mais não fosse, a simples diversificação de fontes energéticas já é um importante fator a ser ponderado. O Kwh de energia nuclear é muito mais caro do que o termoelétrico tradicional. No entanto, nenhum governo europeu ou asiático que adota programas nucleares de produção de energia deixaria de produzir termoeletricidade nuclear apenas com base no preço.
A sua irresignação com o etanol vem de uma visão de competição entre etanol e alimentos, que é falaciosa. Alimentos, hoje, têm a energia como matéria prima. E muita. Não existe mais agricultura com boi puxando o arado. É tudo na base do trator (energia), irrigação (energia), transporte em longas distâncias (energia).
A mudança de matriz energética tem custos de implantação. É como implantar transporte público. No início, dá prejuízos, mas nem por isso o uso do carro individual é mais racional. Pelo contrário.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008 23:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Duas questões:
você é favorável aos empréstimos-ponte feitos à Petrobrás pelo governo (BB e Caixa), mas é contra que se empreste para o setor de álcool? Por quê?

A crise está gerando problemas para todo o setor de energia, não apenas para as empresas de etanol. Veja o caso da Gazprom. Está tecnicamente falida.

http://www.nytimes.com/2008/12/30/business/worldbusiness/30gazprom.html?ref=todayspaper

terça-feira, 30 de dezembro de 2008 07:55:00 BRST  
Anonymous Jorge Nogueira Rebolla disse...

A diversificação da matriz energética é positiva. Por quê continuarmos queimando combustível fóssil se temos outras opções?
Mesmo com toda a fanfarra lulo-petista sobre o pré-sal sabemos que a produção comercial levará muito tempo ainda.
Para o nosso futuro não seria melhor que a nossa frota de veículos rodasse com etanol e bio-diesel e o petróleo fosse refinado e exportado?
Se os investimentos foram superdimensionados e estamos com excesso de produção por quê não combatermos os cartéis dos postos de gasolina?
Em regiões como o Rio de Janeiro, onde os preços do etanol nas bombas é altíssimo, os usuários de veículos flex certamente consumiriam o etanol se o preço ficasse abaixo de 70% do preço da gasolina.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008 11:02:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Anônimo, leia o texto no NYT (que voc6e indicou) com atenção:

It is true that Gazprom is far from broke. The company made a profit of 360 billon rubles, or $14 billion, from revenue of 1,774 billion rubles, or $70 billion, in 2007, the most recent audited results released by the company. Valery A. Nesterov, an oil and gas analyst at Troika Dialog bank in Moscow, said Gazprom’s ratio of debt to revenue — before interest payments, taxes and amortization — was 1 to 5 in 2007, high by oil industry standards but not so excessive as to jeopardize the company’s investment grade debt rating.

Dito isso, vamos a suas perguntas. A Petrobrás tomou dinheiro emprestado na CEF e no BB em condições de mercado, isso não foi contestado por ninguém. E a Petrobrás não está pedindo ajuda do governo. O setor sucroalcooleiro está em dificuldades? Que tente sair pela via do mercado. Ou então que quebre. Ou então que se estatizem as empresas, se houver interesse público em preservar estrategicamente o setor, ou garantir os empregos. O que não dá é o sujeito defender o capitalismo e correr para debaixo da sala da mamãe estatal toda vez que alguma coisa dá errado.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008 11:29:00 BRST  

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