quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Inflação despenca (12/10)

Do UOL:

Índice que reajusta aluguel tem variação de 0,14% na primeira prévia do mês

SÃO PAULO - A FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou, nesta quarta-feira (10), a variação do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) referente ao primeiro decêndio de dezembro (entre os dias 21 e 30 do mês anterior). O índice, que é o principal balizador para o reajuste de aluguéis, registrou alta de 0,14% no período. No acumulado do ano, o índice registra variação de 10,10%. O resultado foi menor do que o apurado no mesmo período do mês anterior, quando o índice chegou a 0,80%. A maior contribuição para a desaceleração veio do IPA (Índice de Preços por Atacado), que passou de 1,01% para 0,04%. O INCC (Índice Nacional da Construção Civil) também desacelerou, passando de 0,70% para 0,27% no período analisado. A categoria de materiais e serviços chegou a 0,37% na medição atual. O índice que capta o custo da mão-de-obra registrou variação de 0,15% na apuração divulgada nesta quarta-feira.(...)

Mas é claro que nestas horas sempre aparecem os consultores, fazendo consultoria voltada a seus próprios interesses. Do mesmo site:

IGP-M e pesquisa industrial seguram DIs em baixa

SÃO PAULO - Deixando de lado uma nova tentativa de alta no começo do pregão, os contratos de juros futuros voltam a registrar queda na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os indicadores de inflação e atividade abaixo do esperado contribuem para o recuo nos vencimentos. Reagindo aos dados, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 operava com baixa de 0,09 ponto percentual, a 13,05%. Já o contrato para janeiro 2011 tinha desvalorização de 0,11 ponto, a 13,53%. E janeiro 2012 apontava 13,66%, perda de 0,01 ponto percentual. (...) Segundo o gestor de renda fixa da Global Equity, Octávio Vaz, os contratos de juros futuros refletem esses indicadores de inflação e atividade. A ressalva na questão dos preços é que o recuo ainda está concentrado no atacado. " Os preços ao consumidor seguem em patamar elevado " , lembra o especialista, apontado que esse é um dos principais motivos que levará o Banco Central a manter a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião de hoje. (...)

Qualquer um sabe que os preços no atacado antecipam a tendência do varejo. E se o varejo ainda está aquecido, por que a inflação recua no atacado? Porque está na cara que esse consumo não vai se sustentar. E o Banco Central precisa agir para evitar a queda do consumo. Mas sempre haverá consultores para alertar sobre cenários supostamente caóticos caso alguma autoridade tome decisões a favor do país e do cidadão comum. Não vamos perder mais tempo com consultores. O que havia para ser dito a respeito deles já foi dito.

http://twitter.com/alonfe

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4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Allon,

os preços do atacado antecipam os preços do varejo apenas com relação à inflação de custos. Quando é uma inflação de demanda (que é a explicação utilizada por você para explicar a diminuição da inflação) é o contrário, os preços do varejo puxam os preços do atacado. E isso não é neo-liberalismo, é keynesianismo puro. Um monetarista explicaria a inflação de outro modo.

O aumento da inflação que ocorreu no começo do ano foi decorrente dos dois fatores. Aumento do preço das commodites (alimentos e petróleo) e aumento do consumo das famílias. Inflação de custos e de demanda, respectivamente.

De qualquer maneira, os preços sempre são determinados pela demanda e pela oferta. Eles baixam se há diminuição da demanda ou se há aumento da oferta.

O consumo das famílias puxou o PIB do 3o trimeste. Os dados não parecem indicar que está havendo diminuição do consumo no mercado interno.

No entanto, os preços das commodites baixaram, devido a fatores externos. Houve diminuição do consumo externo, o que equivale a dizer que houve aumento de oferta no mercado interno. Portanto, ocorreu uma diminuição da inflação de custos. O atacado está sim antecipando uma diminuição dos preços do varejo, mas por uma razão diferente da qual você explica. É aumento de oferta e não diminuição de consumo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 14:17:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

Estou plenamente de acordo. A desvalorização cambial não vai aumentar nossa inflação pelo simples fato que a demanda externa deve cair e os próprios consumidores estão se mostrando menos propensos a consumir; Aliás, acho que o x da questão - para todos os BRIC's - nessa crise é que eles vão ter de trabalhar duro para usar os recursos oriundos dessa bonaça econômica para desenvolver os mercados internos. Quem fizer isso bem feito sai fortalecido, quem der mancada vai ser tragado junto com os países desenvolvidos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 15:40:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Sendo bem chato: a queda da inflação no atacado, a rigor, segue a deflação que está rolando em TODO o mundo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 16:51:00 BRST  
Blogger Betamax disse...

Original ,O Jornal do Brasil,sapeca na manchete:"Fantasma da deflação"!Pode vir ,a se coverter
em"Prosperidade aflige à nação!" em qutro colunas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 20:26:00 BRST  

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