terça-feira, 16 de dezembro de 2008

E coragem para isso? (16/12)

As pesquisas CNT e Ibope confirmam a alta popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas como vão ficar os índices de aprovação do presidente quando os sinais da crise estiverem mais evidentes por aqui? Quando a criação de empregos desacelerar? Vamos especular. Assim mesmo, no chutômetro. Pois eu acho que, mantida a atual disposição de forças políticas, Lula tem chances de atravessar a crise sem graves danos na imagem ou na popularidade. Quando as pessoas votam num presidente da República elas escolhem um líder. Um líder para as horas boas e as horas más. Para enfraquecer o líder é preciso que a oposição ofereça alternativas mais vantajosas de liderança. Mais vantajosas para os liderados, não para os candidatos a líder. A oposição brasileira não consegue apresentar uma única idéia substancialmente diferente de como enfrentar o tsunami econômico mundial, para que o Brasil saísse dele melhor do que sairá com Lula. E o cidadão comum que hoje apóia o governo, e que prtanto está potencialmente disposto a votar para que as coisas continuem como estão, fica sem grandes motivos para mudar de lado. A questão dos juros já foi tratada aqui ad nauseam. Outra coisa reveladora são as "medidas de exceção" propostas pelo presidente da Companhia Vale do Rio Doce. Retirar "temporariamente" direitos trabalhistas para, em troca, supostamente reduzir demissões. O governo flerta com a idéia. Aliás, Lula flerta com essa plataforma "neoliberal" de vez em quando (leia A reforma trabalhista de Lula e o Livro Vermelho de Mao Tsetung). Só para fazer uma média com os empresários. Se Lula estivesse na oposição e alguém propusesse mexer em direitos trabalhistas, o mundo desabaria. Lula aproveitaria para tirar o máximo proveito possível desse ensaio de insensatez do governante. Porque o certo agora não é flexibilizar direitos dos trabalhadores, mas fazer o contrário: reforçá-los. Demitir um empregado, por exemplo, deveria ficar mais caro. Isso desestimularia as demissões e ajudaria a evitar mais desemprego. Crédito em bancos estatais só deveria estar disponível para quem não demitisse. E o governo deveria dar crédito muito barato para empresas que contratassem agora, no meio da crise, uma certa porcentagem adicional de sseu contingente laboral. Quer demitir? Então vai pegar capital de giro nos bancos privados, pagando os juros da livre iniciativa. Capitalismo nos olhos dos outros é refresco. O resumo da ópera: Lula governa gerando benefícios para os pobres e segurança para os ricos. Daí a sua popularidade. Lá atrás, a oposição tentou minar a primeira perna (lembram do "bolsa-esmola"?). O resultado foi ruim. Agora a oposição teria que mirar na segunda. E coragem para isso?

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9 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Sua análise só não foi perfeita porque deixou de explicitar que, entre os dois pólos que sustentam a popularidade do presidente, está a classe média espremida e escorchada, sustentando os bons números de Lula.
Fernando José - SP

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 11:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Para derrubar um índice de popularidade em tal patamar, seria preciso mais do que um tsunami na economia brasileira. Por mais que tentem vender a idéia de que há quem torça por tal catástrofe. Porém, a gestão não deve ser pautada apenas em contrariar a oposição ou alegrar a base de apoios.

Swamoro Songhay

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 11:45:00 BRST  
Anonymous Vera disse...

Disse o colega acima: "Porém, a gestão não deve ser pautada apenas em contrariar a oposição ou alegrar a base de apoios." Se, politicamente falando, a gestão não deve pautar-se em beneficiar a base de apoios e tirar o tapete debaixo da oposição, deve pautar-se em quê? Em atender aos critérios acadêmicos e abstratos dos experts em gestão?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 16:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon devo discordar de sua idéia pelo sistema já adotado em que o salário é pago pelo dias do mês trabalhados, enquanto em outros países é adotado o sistema em que é pago o salário por horas trabalhadas. Tal sistema dá liberdade ao empregado trabalhar tal como queira e facilita ao empregador impedindo o que obtenha mais gasto com horas extras ou o trabalhador procure outro emprego para acrescer a renda. Verdade seja dita, e que isto já vem sendo discutido à muito tempo, no Brasil um empregado já tem muitos direitos trabalhistas o que impedi a demissão de muitos dos mesmos, como já abordado por José Marcio Camargo em Os Desafios do Crescimento do Espaço Aberto apresentado por Miriam Leitão. Com o enrijecimento dos direitos trabalhistas só aumentaria a pressão sobre pequenas empresas já com problemas financeiros que obtiveram facilidades ante estes momentos de dificuldade, o que faria agüentar mais algum tempo não demitindo seus empregados, e que os créditos apenas tentariam adiar as dificuldades que viriam acarretar o problema de demanda com tais medidas que afetariam a confiança, acelerando assim seu processo de falência. Os direitos trabalhistas em excesso nem sempre são tão bons como mostra o artigo da Miriam Leitão e Leonardo Zanelli em Mudar ou Morrer no Panorama Econômico (e que mostra um gráfico muito interessante), em que fala dos trabalhadores das Big Three (GM, Ford e Chrysler) em que apesar dos seus autos gasto não essencial como solução já extinto, como viajem de jatinhos, a maior parte de seus gastos são com direitos trabalhistas, ainda este mês foi aprovado a diminuição dos salários de alguns destes direitos para tentar amenizar a situação das grandes montadoras, sendo esta o ultimo ponto a modificar em uma empresa em que seria o dever principal do empregador assegurando a constituição.
“Um trabalhador das montadoras americanas tem um salário/hora três vezes maior do que a média dos trabalhadores americanos. A GM tem três vezes mais aposentados do que trabalhadores na ativa. As montadoras têm sido salvas pelo dinamismo dos Brics, onde vendem tanto carro quanto nos EUA, mas o motor aqui engasgou. Um dos sinais é que parou no Brasil totalmente a venda de usados.(...) Um trabalhador das fabricantes de automóveis americanas, pelo menos das Big Three (GM, Ford, e Chrysler), se aposenta por tempo de serviço (30 anos) e não por idade; tem uma extraordinária cobertura de saúde, que cobre cirurgia e qualquer tratamento, inclusive dentário, de toda a família pela contribuição de US$ 21 por mês. Só o plano de saúde custa à GM US$ 5 bilhões por ano. Eles têm feito redução de custos, que os analistas de risco acham que é “muito pouco, muito tarde”. Hoje, um carro da GM sai da fábrica custando US$ 1.200 a mais do que custaria, só pelos excessos do sistema de benefícios dados aos funcionários. O custo extra pago pelo consumidor num carro da Toyota é de US$ 215. (veja o gráfico com as comparações do custo da hora de trabalho dos funcionários).”
Enquanto na Itália, mesmo sendo um mundo diferente, os trabalhadores já tomam a iniciativa de diminuir seus salários para evitar as demissões, como no caso da companhia aérea italiana, uma das maiores do país que agora não lembro o nome, que quando estava prestes a quebrar seus empregados chegaram a propor abdicar de seus direitos a aposentadoria para impedir a quebra da empresa. Bem, se a empresa foi salva, ou se foi aceito a oferta, não sei..., mas lá apesar de hoje ter seus problemas, como Atenas na Grécia, as coisas sempre se resolvem.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 16:58:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

José Márcio Camargo e Miriam Leitão,prejudicam qualquer argumento,que se quer sério,mais ainda, isento.
Citar o caso da indútria automobilística americana,que claudicava há uma década ou mais,
é um triste exercício de mimetismo.
O capitalismo,ao contrário da democracia,não é o melhor sistema entre os piores.Não são sinônimos,menos ainda ,irmãos,sequer parentes.Uma imposição de conveniência,que exibe, com o tempo ,as idiossincrasias,próprias das uniões forçadas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 22:12:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

É Alon, é por aí mesmo. Enquanto a oposição não entender que não dá pra fingir que não é com ela vai ficar complicado mesmo, o Serra só vai ganhar a eleição nas páginas da Folha.

Por exemplo, cadê a oposição a espernear contra a ridícula decisão do Copom de manter a Selic?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 07:31:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Não Vera, permita-me. A gestão deve ter olhar no futuro. Se olhar o futuro implica em apenas contrariar a oposição e alegrar apoiadores, você está correta.

Swamoro Songhay

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 10:05:00 BRST  
Blogger Richard disse...

O segundo Anônimo tirou as palavras das minhas teclas: Mírian Leitão não é paradigma de nada!
Quanto ao artigo como um todo, sou obrigado à concordar! Realmente, só vejo a Heloisa Helena como liderança nacional que fala algo diferente. E mesmo ela ainda não consegue explicar, racionalmente, o COMO! Sabemos apenas que era para Lula ter feito TUDO diferente, desde o início, mas que preferiu a mesmíce e, agora, o Brasil paga o pato... e nem é o Alexandre Pato!!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 18:43:00 BRST  
Anonymous Caetano disse...

"Porque o certo agora não é flexibilizar direitos dos trabalhadores, mas fazer o contrário: reforçá-los. Demitir um empregado, por exemplo, deveria ficar mais caro. Isso desestimularia as demissões e ajudaria a evitar mais desemprego." Ledo engano, Alon, isso só provoca mais desemprego ou, na melhor das hipóteses, mais trabalho informal. Você parece sindicalista, que pensa no emprego dos que já estão empregados, e não nos que estão procurando emprego...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 23:34:00 BRST  

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