quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Valeu, parceiro (19/11)

Vejam este trecho do artigo de hoje de Leôncio Martins Rodrigues no Estadão (São Paulo, cidade conservadora?):

Localizando sociológica e ideologicamente (e de modo extremamente esquemático) os que foram vencedores [nas eleições para prefeito paulistano, desde 1985], o resultado é uma lista política e socialmente heterogênea: um professor de colégio, mato-grossense de nascimento, de classe média e difícil definição ideológica e partidária (Jânio da Silva Quadros); uma candidata de “esquerda”, de classe média pobre, solteira, nascida em Uiraúna, na Paraíba (Luiza Erundina de Souza); um rico empresário paulistano de “direita”, de origem árabe (Paulo Salim Maluf); um candidato negro de classe média alta, também de “direita” (Celso Roberto Pitta do Nascimento); uma candidata de “esquerda”, de classe alta tradicional (Marta Teresa Smith de Vasconcelos Suplicy); um candidato de “centro”, de classe média baixa, de origem italiana (José Chirico Serra); e por fim um candidato de “direita”, de classe média alta, de origem árabe (Gilberto Kassab). O exame da relação dos políticos eleitos depois do retorno da eleição popular para prefeito não revela a predominância, na capital paulista, de um eleitorado preconceituoso e conservador (...)

Agora vejam o post Preconceito, de 27 de outubro, que transcrevo:

Um registro sobre a eleição. É inegável que existe muito preconceito em São Paulo. Social, racial, religioso. É igual nos outros municípios do Brasil. E do mundo. Nunca soube de trabalho científico que comprovasse o suposto superávit da capital paulista em matéria de preconceito. Claro que você tem o direito de discordar. Então diga-me uma coisa. Que grande (ou média, ou pequena) cidade brasileira elegeu, desde a redemocratização de 1985:

1. Alguém fortemente suspeito de ser alcoólatra.

2. Uma assistente social vinda do interior da Paraíba.

3. Um descendente de libaneses.

4. Um negro vindo do Rio de Janeiro.

5. Uma mulher que se tornou famosa por apresentar programas de orientação sexual na televisão numa época em que isso era motivo para escândalo.

6. O filho de um quitandeiro de origem italiana.

7. Um político solteiro, apesar de seus quase 50 anos, instado pelos adversários na campanha eleitoral a dar detalhes sobre sua vida afetiva e familiar.

Você percebeu que descrevi, do meu jeito, os sete prefeitos que São Paulo elegeu desde 1985, quando voltaram as diretas na cidade. Está na hora de o PT parar de desperdiçar tempo e energia com a agenda da "São Paulo preconceituosa". Quanto antes melhor, principalmente para o PT.

Nem o título deste post é original. Tem a ver com Jair Rodrigues e Paulinho da Viola. Saiba por quê. Mas você tem que ler até o fim.

http://twitter.com/alonfe

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5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Exatatamente. O eleitor de São Paulo só vira "elite conservadora branca e raivosa" quando não vota nos candidatos do PT. Daí, os petistas começam essa ladainha...
Fernando José - SP

quinta-feira, 20 de novembro de 2008 09:01:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

Fernando José, eu não teria sido mais claro.

Essa conversa de preconceito só vem à tona qdo o PT (ou aliados) tomam fumo.

É como, guardando as proporções, tascar a pecha de racista em quem votou em Mc Cain, nas últimas eleições nos EUA.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008 09:56:00 BRST  
Anonymous Marcello disse...

O problema não é preconceito racial e/ou social e sim de ideias. São Paulo é uma cidade conservadora, mantenedora do Status-quo, e de valores que vão na contra mão do popular. Pitta, embora negro, está longe de encarnar as bandeiras socias e da minoria. Serra tambem, embora esteja mais proximo do centro (ou estava), do que Pitta. As exeções são Erundina, e Marta Suplicy. Uma foi eleita em uma epóca de supostas mudanças, e a outro só foi eleita pelo "berço". Quantas vezes você não escutou de um amigo, não muito interessado por politica, que o candidato x é um "bom empresario", ou tem "formação muito boa"? Para ser eleito em São Paulo, hoje em dia, precisa ter pinta de empresario, e construir uma imagem ao redor disso. Caso não tenha tal imagem e seja eleito, espere por uma oposição ferrenha da midia.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008 16:17:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

OK, Alon, parabéns mas cuidado pra não cair do ego!

Em tempo: Desde quando atacadista de frutas do mercado central de São Paulo é "quitandeiro" ou classe média "baixa"? Se hoje em dia um ponto ali vale uma nota, imaginem na época em que aquilo era o que hoje é o CEASA da cidade...Quem me dera ser um "quitandeiro" desses...

Não estou, porém, taxando ninguém de milionário. O negócio é árduo e honesto, ainda que injustamente considerado responsável pela inflação dos alimentos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008 20:49:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sinto muito Alon,São Paulo é conservadora ao extremo,principalmente na região central,se me entendes...

domingo, 23 de novembro de 2008 12:55:00 BRST  

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