sábado, 29 de novembro de 2008

O editorialista do Estadão voltou das férias (29/11)

De um editorial de hoje de O Estado de S.Paulo (A Petrobrás deve respostas):

O espanto foi justificado, também, pelo fato de a Petrobrás ser uma empresa com ações cotadas no exterior e com acesso fácil, pelo menos até agora, ao mercado financeiro internacional. Em condições normais, não precisaria, portanto, concorrer com empresas nacionais - e, mais que isso, com empresas muito menores - na busca de empréstimos concedidos no mercado interno, especialmente de recursos destinados ao capital de giro, hoje muito escasso e muito caro para a maior parte das companhias.

O editorial, como sempre muito bem escrito, trata da polêmica sobre o empréstimo da Caixa Econômica Federal (CEF) à Petrobrás. Aliás, eu gostei de o Estadão ter escrito "Petrobrás" assim, com acento. Mas vamos ao que interessa. Diz o editorialista que a empresa petrolífera estatal (graças a Deus!) tem "acesso fácil" ao mercado financeiro internacional. E que, "em condições normais", não precisaria portanto "concorrer com empresas nacionais na busca de empréstimos concedidos no mercado interno". Pois eu tenho uma notícia exclusiva para o editorialista do Estadão. É um verdadeiro furo. Eu revelo agora a ele -e talvez ao país- que as condições do mercado financeiro internacional não têm sido "normais" nos últimos tempos. Há uma certa escassez de crédito e a situação das bolsas de valores não é exatamente propícia para operações de capitalização. Talvez o escriba esteja voltando de férias agora e tenha ficado meio desconectado. Mas isso não é problema. Ele pode acessar o excelente site www.estadao.com.br/economia e vai obter ali toda a informação necessária para ficar por dentro de como anda o mundo. É interessante a polêmica sobre o assunto. O que a Petrobrás fez? Como a empresa não deseja (ainda bem!) cortar investimentos, ela foi buscar recursos no mercado para pagar obrigações de curto prazo. E como os bancos privados brasileiros estão sentados cada um na sua pocinha de liquidez, sonegando à sociedade o dinheiro liberado pelo Banco Central
, a Petrobrás recorreu ao setor bancário estatal. Parabéns à Petrobrás, por resistir às pressões, por não cortar investimentos. E parabéns à CEF, e ao Banco do Brasil, por ajudarem. Aliás, banco estatal existe para isso mesmo. Mas teve gente que não gostou. Como por exemplo o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Então já sabemos como seria a coisa num eventual governo em que o senador desse as cartas. Sobreveio uma gravíssima crise financeira internacional, com o derretimento do mercado de capitais e o colapso dos mecanismos normais de crédito. Uma empresa estatal de papel estratégico como a Petrobrás precisa de dinheiro para não ter que parar investimentos. Numa situação assim, um eventual governo Tasso, pelo visto, mandaria a Petrobrás se virar com os bancos privados. Para aprender a não ser teimosa. Quem mandou querer investir em época de crise? Melhor seria, segundo essa visão, que a estatal se concentrasse exclusivamente em fazer caixa, ainda que isso pudesse ajudar a empurrar a economia brasileira para a recessão. Sabe como é, em primeiro lugar o acionista de Wall Street, depois o interesse brasileiro. Trata-se de uma visão que hoje em dia não dá mais ibope nem nos Estados Unidos. Onde aliás fica Wall Street. E você, acha o quê? É um bom debate, ainda que sem conseqüências práticas. Se eu bem conheço os presidenciáveis do PSDB (e eu posso dizer que os conheço razoavelmente), se fossem eles no governo teriam feito a mesma coisa. Assim como Ciro Gomes (PSB), conterrâneo e aliado do senador. Todos teriam mandado a CEF e o BB emprestarem o dinheiro para a Petrobrás. Daí por que o debate tem algo de inútil. O empréstimo está feito. E qualquer que seja o próximo governo é bastante provável que o hoje senador Tasso Jereissati vá mandar muito pouco nele. E boa volta ao trabalho ao colega editorialista do Estadão.

http://twitter.com/alonfe

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15 Comentários:

Blogger cid disse...

alon

Além da "boa volta ao trabalho ao colega editorista do Estadão", que ele aprenda a lição: em boca fechada não entra mosca.

Como sempre, bem sacada sua nota sobre a Petrobrás, mostrando que a chamada oposição continua perdida no caminho, principalmente agora que suas bandeiras derreteram mundo afora.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

sábado, 29 de novembro de 2008 17:48:00 BRST  
Blogger Marcelo Manzano disse...

Realmente parte a imprensona deste país se prestou a um papelzinho ridículo com esta história da Petrobras. Na CBN, Mirian Leitão e Sardemberg soltaram petróleo pelas ventas. Dona Mirian: onde já se viu, uma estatal que até ontem estava com as burras cheias, ser surpreendida por uma crise que a obriga a pagar impostos a um valor inesperado - isto é falta de planejamento! E o Sarda bate palminhas. E pior, continua a Senhora Leitão, tomaram dinheiro emprestado em um banco estatal para comprar diesel com alta concentração de enxofre!!!
Rapaz, não é nada trivial passar incólume por estes nossos âncoras.
Resta saber por que não espinafraram a Petrobras e o BNDES quando no governo do FHC os empréstimos da monta de 3 a 4 bilhões eram necessariamente intermediados por instituições financeiras à módica taxa de 2% sobre o valor do crédito? Era o setor privado cobrando pedágio em uma transação entre duas estatais.
Ninguém falou nada. Se você se lembra, a história só veio a tona quando o Lessa acabou com a propina e tomou paulada de todo o lado.

sábado, 29 de novembro de 2008 22:45:00 BRST  
Anonymous the talk of the town disse...

Todo mundo que tem internet sabe que o Tasso ficou todo nervosinho com esse emprestimo pq a mesma CEF negou um emprestimo de 2 bi à Oi. Agora pq a CEF fez isso, sendo que o governo inteiro esta dando no em goteira pra BrOi sair, eu nao sei. Talvez medo de processo no futuro.

Pq a imprensona esta tratando esse caso dessa forma tb nao entendo? Mania de criar escandalo talvez? Duvidas, a unica coisa q eu sei, é que o futuro da oposição é Tasso e Virgilio, meu voto na Dilma e no Ciro estao garantidos.

Assim, como o de muita gente minimamente informada (alias, tenho uma teoria, que o brasileiro mais humilde apesar de nao acompanhar o noticiario no dia a dia, qdo lhe sao mostrados os fatos, vota muito bem, por mais que muita gente va gritar, maluf! collor!...)

domingo, 30 de novembro de 2008 10:07:00 BRST  
Anonymous Marcos disse...

Se a presidenciável Dilma for esperta, dará corda as críticas da oposição. Como sabemos, as estatais no Brasil tem uma péssima reputação com a população. A imagem das estatais é tão ruim, que na ultima eleição presidencial o candidato da oposição perdeu porque vestiu uma jaqueta com os logotipos dessas empresas. Como se viu, atacar as estatais dá frutos na politica. Elege até presidente da república.

domingo, 30 de novembro de 2008 10:09:00 BRST  
Blogger Andre disse...

Muito bom. Parabéns!

domingo, 30 de novembro de 2008 10:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sofisma, Alon. A AMBEV, por exemplo, levantou 52 bilhões de dólares no mercado externo, na mesma época e para aplicação em negócio de risco (relativamente) maior e sem garantias estatais, como é o caso da Petrobrás.
Uma empresa do porte desta não se prestaria às exorbitantes taxas nacionais, pudesse delas escapar.
Tem gente que aponta o dedo para a gestão, em especial para sua natureza pródiga em favor do próprio custeio (folha etc). Aliás, característica desse Governo como um todo.
A conta um dia chega. Será que não chegou na Petrobrás primeiro?

domingo, 30 de novembro de 2008 10:57:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Como dito no post, trata-se de empresa aberta, com acionistas brasileiros, inclusive milhares de trabalhadores que aplicaram seus recursos do FGTS em ações da empresa. Para ter algum rendimento no futuro e colementar sua aposentadoria. E estrangeiros, aspecto que parece palavrão dado o pensamento maniqueísta vigente hoje: estatal é bom, privado é ruim; estrangeiro é ruim, nacional é bom etc. Os recursos foram para caixa e não para investimentos. Para investimentos, pré-sal por exemplo, há necessidade de recursos externos, mesmo que venham através de bancos estatais ou avalizados pela União. De todo modo, os acionistas (a União inclusive) têm o direito de saber o que ocorre com seu patrimônio e a oposição tem o dever de alertar por explicações. Da mesma forma que em 2006, por estratégia eleitoral, foi levantada a "ameaça" de "privatização" da empresa. Balela que colou. E agora, quem alertou para tal "privatização" tem uma empresa com problemas de caixa e deve, sim, esclarecer e principalmente resolver o problema. Ou será que vão transformá-la numa "estatal pura"? Alguém perguntou quem e quanto cada um terá de dispor para tanto? A carga tributária poderá responder tal pergunta. Assim, quem deve ficar preocupado em não prejudicar a empresa? Ou será que há quem acredite ser possível ampliar investimentos nessa área só com recursos próprios da empresa? Ou só do Estado? Ou que é possível criar brigadas de voluntários para retirar petróleo da camada pré-sal?

Swamoro Songhay

domingo, 30 de novembro de 2008 11:59:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Uma empresa do porte da Petrobrás, pegar uma mereca (R$ 2 bilhões)para pagar despesas de curto prazo revela falta de governança corporativa. Uma empresa que investe 60 bilhões, informa que teve 10 bilhões de lucro, define o preço do produto que produz e vende, tem que pegar 2 bilhões emprestados para pagar despesas e no mínimo estranho. Tem que dar explicação.

domingo, 30 de novembro de 2008 12:26:00 BRST  
Blogger M.S. disse...

As coisas mais brilhantes muitas vezes são as mais óbvias. Você pegou na veia.

domingo, 30 de novembro de 2008 16:39:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Por que o ministro Franklin Martins não lê seus comentários, Alon? Na sexta-feira, ele respondeu aos pedidos de informações a respeito do empréstimo com a resposta padrão do governo do PT: "Vocês estão torcendo contra a Petrobrás". Custava ter dado uma resposta tão lógica como a sua? Evitaria boa parte das desconfianças altamente justificadas por parte da imprensa.
Fernando José - SP

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 08:18:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Alon, não judia assim!

Primeiro caiu o Muro de Berlim. Agora caiu a Rua do Muro. Tucano não tem mais onde pousar.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 11:03:00 BRST  
Anonymous Artur Araújo disse...

Fernando José, os dados, fatos e opiniões que o Alon usou no post foram, de formas diversas, divulgados à exaustão pela direção da Petrobrás e pelo governo e "devida e republicanamente" escondidos nas edições da mídia. Ele não partiu de off's ou acesso a fontes clandestinas, tenho certeza. Só teve o cuidado de buscar as informações devidas, todas públicas.
O desabafo do ministro é justificado. Os meios de comunicação insistem em criar "desconfianças justificadas" pelo mero artifício de não publicar (ou publicar "escondido" ou "editado") as notícias que desmontam a "justificativa" e a "desconfiança".
Edita-se e noticia-se politicamente, partidariamente. E ponto. Danem-se o país, os acionistas da Petrobrás, os leitores, ouvintes e espectadores.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 11:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Esta carta da Petrobrás para a Miriam Leitão é imperdível:


Carta do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli

Minha Cara Miriam Leitão,

gostaria de fazer alguns comentários sobre sua coluna do último sábado, dia 29. No primeiro e último parágrafos, você destaca a importância da crítica, avaliação permanente e acompanhamento pelos diversos públicos de interesse do que se passa com a Petrobras. Concordo inteiramente. Acredito, no entanto, que os comentários públicos, especialmente de pessoas de reconhecida influência como você, devem ser sempre baseados em fatos e dados e não em informações inverídicas e inadequadas. Vamos aos fatos:

1 - Não é verdade que a revelação do empréstimo da CEF “veio de um senador da oposição”. Os dados deste empréstimo foram publicados, de forma absolutamente normal, nas informações regulares que prestamos às autoridades e a todo o mercado financeiro quando da divulgação do nosso balanço trimestral. Ele está reportado nas Informações Trimestrais - ITR do terceiro trimestre de 2008, nas páginas 84 e 85, que foram arquivados na Comissão de Valores Mobiliários e amplamente divulgados pela Petrobras em 11 de novembro de 2008. Elas podem ser acessadas no site da CVM como no site de Relações com Investidores da Petrobras, na seção de Relatório Financeiros (www.petrobras.com.br/ri).

Neste sentido, também não é correta a insinuação de que não teríamos “critérios contábeis transparentes”. Adotamos práticas e procedimentos de forma amplamente reconhecida pelo mercado e analistas como dos mais transparentes da indústria. Atendemos a todos os requisitos contábeis da legislação brasileira e dos Estados Unidos da América.

O empréstimo da CEF de fato apresenta algumas “singularidades” pelo seu volume e por ter sido realizado com instituição bancária brasileira no mercado nacional. Singular, aliás, é o momento que vivem o mercado financeiro e as empresas em todo o mundo em consequência da grave crise originada pelos Estados Unidos e países ricos, Até recentemente, a Petrobras vinha realizando de forma trivial, operações semelhantes no mercado internacional, devidamente reportadas, mas sem a repercussão provocada pela politização, muitas vezes irresponsável, tão conveniente à oposição.

No entanto, nem estas “singularidades” modificam as praticas bancárias normais, as condições do mercado de crédito e as autorizações regulatórias pertinentes. Dada a contração dos mercados internacionais de crédito, o Conselho Monetário Nacional estendeu à Petrobras as mesmas condições que gozam as empresas privadas quanto ao acesso a empréstimos com o Sistema Financeiro Nacional, um dos mais sólidos do mundo neste momento. Realizamos uma operação absolutamente legal, legítima, em condições de mercado com a CEF e podemos voltar a fazer outras com instituições brasileiras, se as condições forem adequadas pois, conforme amplamente divulgado em nosso plano de negócios, temos captações a fazer nos próximos anos.

2 - Quanto ao teor do enxofre do diesel, também há uma série de incorreções em seus comentários, geradas, acredito, de informações repassadas por fonte citada na coluna. A fonte em questão está em campanha aberta contra a Petrobras, beirando a irresponsabilidade. De novo, vamos aos fatos:

É mentirosa a afirmação de que a resolução do Conama define limites para a redução do enxofre. Ela se refere a emissões de particulados, o que não é tecnicamente a mesma coisa.

É equivocado seu relacionamento entre importações e presença de enxofre do diesel. A diferença entre preços de importação e vendas do mercado brasileiro se ampliou devido ao ritmo rápido de aumento dos preços internacionais em meados do ano de 2008, quando o preço do barril atingiu a faixa dos 140-150 dólares, o crescimento da demanda brasileira devido à pujança da safra agrícola, o tempo para o processamento das importações, desembaraço em portos brasileiros, tempo de estocagem e do tempo de entrega para os distribuidores brasileiros. Estes processos foram surpreendidos pela velocidade de mudanças dos preços, provocando as defasagens registradas no balanço do terceiro semestre.

A nossa política de preços de diesel tem sido sistemática, clara e perfeitamente transparente: não repassamos para o mercado brasileiro as flutuações de curto prazo dos preços internacionais e as mudanças curtas de taxa de câmbio. Essa política, às vezes, nos consome caixa, conforme aconteceu no terceiro trimestre deste ano, entretanto mantemos o relacionamento dos nossos preços domésticos com os preços internacionais nas suas tendências consolidadas de longo prazo.

Os comentários de sua fonte sobre o ISE e as conseqüências para a Petrobras revelam uma inusitada e surpreendente quebra de condições de contrato da entidade a quem este senhor pertencia ou pertence com a instituição que gerencia o ISE. Uma das condições deste contrato é o respeito à confidencialidade das suas decisões.

A Petrobras solicitou formalmente ao ISE informações sobre os motivos de sua exclusão, e até agora não fomos atendidos, recebendo apenas respostas genéricas que não confirmam ao que a fonte em questão vem vociferando contra a empresa.

Miriam, acredito que, lamentavelmente, muitos de seus comentários consolidam uma visão conceituada previamente de que tudo o que fazemos tem motivações políticas e que as criticas que nos fazem são geralmente técnicas. Não concordo com esta visão e acredito que a maior parte das críticas neste momento é motivada por razões profundamente políticas e ideológicas, sem embasamento técnico.

Certo de que meus esclarecimentos serão levados em conta, despeço-me,

José Sergio Gabrielli de Azevedo

terça-feira, 2 de dezembro de 2008 07:08:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O Gabrielli só esqueçeu de explicar porque a empresa está economizando até no cafezinho, nos brindes de fim de ano, no patrocínio para a cultura cortado, entre outras coisas, se tudo está normal...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008 21:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Ótimo post Alon,é porque ás vezes meu conterrâneo Tasso tem umas idéias neo-liberais demais...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008 16:15:00 BRST  

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