quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Índia vai se dar bem (19/11)

Este é um post para (tentar) fazer pensar quem acha a reforma agrária um atraso de vida. Escrevi tempos atrás que temos uma dívida com os indianos e os chineses, por terem impedido em Genebra a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Está em Amigos indianos e chineses:

Enquanto isso, em Genebra, Índia e China cuidavam de brecar um acordo global que ameaçaria os pequenos agricultores e a indústria emergente de países que não se conformam com a permanência na segunda divisão da economia mundial. O Brasil é mesmo uma nação de sorte: se não sabemos zelar pelos nossos interesses, temos quem o faça por nós. Obrigado aos indianos e aos chineses.

Sobre a necessária proteção à nossa indústria, tratei dois posts atrás (A vida como ela é). Agora leia esta interessante reportagem da Bloomberg:

India's New Roads May Buffer Economy From Recession

The 100 kilometers (62 miles) of rural roads India is adding each day may save Asia's third- largest economy from the worst of a global recession. New roads built so far under the $27 billion program have brought urban markets within reach of 60 million village dwellers over the past five years, letting them earn money selling fruits, vegetables and milk that would have spoiled otherwise. They are now spending their cash just as the world economy falters. ``Rural demand is keeping the economy kicking along,'' said Shashanka Bhide, chief economist at the privately funded National Council of Applied Economic Research in New Delhi. ``Growth will slow in India, but not as dramatically as the rest of the world.'' Some of India's biggest companies are already benefiting: shares of Hindustan Unilever Ltd., the biggest maker of household products, and Hero Honda Motors Ltd., India's largest motorcycle maker, are up this year while the benchmark stock index has plunged 57 percent. Domestic spending will help cushion India from the worst global meltdown since the Great Depression, according to the Reserve Bank of India.

Leia a reportagem completa. E você verá que, em resumo, a agricultura familiar indiana está capitalizada, graças também a investimentos públicos em infra-estrutura para armazenamento e escoamento eficazes da pequena produção rural. E esse dinheiro no bolso do pequeno agricultor é hoje a esperança de que a crise econômica planetária chegue à Índia em versão atenuada. Pena que a reforma agrária tenha sido deixada em enésimo plano aqui no Brasil. Uma reforma agrária baseada na estrutura familiar, na expansão ordenada da fronteira agrícola. No estímulo à produtividade. Não aconteceu. Nem antes com o PSDB e nem agora com o PT. Políticos urbanos demais. Uma turma que eu conheço dos anos 70, quando já defendiam que a luta no campo não era pela reforma agrária, mas pela formalização do trabalho rural assalariado. Eu poderia dizer políticos "sulistas" demais, mas seria um erro. O que faz a prosperidade em muitas regiões do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná? A agricultura familiar. O certo seria dizer políticos elitistas demais. E leia também Esquerda e direita, sócias, para ver como, na minha opinião, a aliança do ambientalismo global com os movimentos sociais no Brasil serve como motor auxiliar desse elitismo. E, já que você está a fim de ler, leia também O ambientalismo num só país, de dois anos atrás.

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1 Comentários:

Anonymous Rafael disse...

É bem verdade que a região Sul apresenta,hoje, os melhores índices sociais graças ao seu desenvolvimento baseado na pequena estrutura fundiária. Porém, desde a década de 70, há uma expansão da grande propriedade. Não concordo com o seu ponto de vista de que uma reforma agrária hoje amenizaria a crise. A grande produção para exportação trouxe e continuará trazendo para o nosso país gordos superávits e foi graças à ela que hoje temos grandes reservas para reduzir os efeitos da crise. Não esqueça que em questões de agricultura, não é a Índia nem a China as referências mundiais, somos nós, o Brasil. O que seria muito mais eficiente economicamente para nosso país seria tirar os trabalhadores rurais desse regime de semi-escravidão. É preciso adaptar a legislação de modo que permitam contratações menos custosas aos empresários e com certeza mais benéficas ao trabalhador, ou seja, o governo precisa parar de taxar. A renda do trabalhador aumentaria, a economia local ganharia dinamicidade e o melhor, sem custos políticos e orçamentários ao governo.

domingo, 23 de novembro de 2008 16:00:00 BRST  

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