quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Hora de reagrupar (05/11)

O discurso de Barack Obama esta madrugada (horário de Brasília) em Chicago fica aqui para registro histórico:



A transcrição, em inglês. E uma tradução para o português..

O trecho que mais chamou minha atenção foi este:

And to all those watching tonight from beyond our shores, from parliaments and palaces to those who are huddled around radios in the forgotten corners of our world – our stories are singular, but our destiny is shared, and a new dawn of American leadership is at hand. To those who would tear this world down – we will defeat you. To those who seek peace and security – we support you. And to all those who have wondered if America’s beacon still burns as bright – tonight we proved once more that the true strength of our nation comes not from our the might of our arms or the scale of our wealth, but from the enduring power of our ideals: democracy, liberty, opportunity, and unyielding hope.

Em português (na tradução da Folha Online):

E a todos aqueles que nos assistem nesta noite, além das nossas fronteiras, de Parlamentos e palácios, àqueles que se reúnem ao redor de rádios, nas esquinas esquecidas do mundo, as nossas histórias são únicas, mas o nosso destino é partilhado, e uma nova aurora na liderança americana irá surgir. Àqueles que destruiriam o nosso mundo: nós os derrotaremos. Àqueles que buscam paz e segurança: nós os apoiamos. E a todos que questionaram se o farol da América ainda ilumina tanto quanto antes: nesta noite nós provamos uma vez mais que a verdadeira força da nossa nação vem não da bravura das nossas armas ou o tamanho da nossa riqueza mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança.

É apenas um fragmento, mas considerando o grau de profissionalismo e de método vistos na campanha, nada que sai da boca de Obama é por acaso. O apoio dos Estados Unidos será a quem busca paz e segurança. Ou seja, se um país não representar ameaça à paz e à segurança dos Estados Unidos não será confrontado. A Doutrina Bush expandiu esse conceito, ao estabelecer que todo regime não democrático (segundo os parâmetros de Washington) representaria uma ameaça à segurança nacional americana, por supostamente oferecer o ambiente à proliferação do terrorismo. Se, de acordo com a doutrina, democracias não tomam a iniciativa de recorrer à guerra nas relações internacionais, o oposto passa a ser também verdade: todo regime não plenamente democrático (sempre pela régua da Casa Branca) é um foco potencial de terror. Parece que a hora é de reduzir e limitar o âmbito da doutrina. Até porque, convenhamos, os Estados Unidos não estão exatamente em condições de manter suas linhas estendidas no grau atual, para usar terminologia militar. Duas guerras convencionais simultâneas, no Afeganistão e no Iraque, deixaram as Forças Armadas da maior potência mundial perigosamente perto do esgotamento. É hora, portanto, de reagrupar, como eles gostam de dizer. Até porque Obama precisa de dinheiro para proporcionar saúde pública, educação de qualidade e aposentadoria digna -promessas centrais de campanha. Acompanhei a apuração na madrugada com um amigo. Ele brincou, dizendo não entender como os cubanos de Miami "votaram num comunista" (veja um vídeo sobre isso). De fato, Obama parece ter tido voto prá burro entre os hispânicos da Flórida. Que não são propriamente de esquerda. Aí eu ruminei. Tudo bem que os caras tem ódio do Fidel [Castro] e do irmão dele. Só que o problema agora é outro. O sujeito que perdeu a casa, o dinheiro da aposentadoria, o dinheiro para pagar a universidade do filho e, ainda por cima, não tem certeza de que vai poder comprar os remédios na velhice, esse indivíduo talvez esteja hoje tão bravo com George W. Bush e seus republicanos quanto com o ex-presidente de Cuba. Que aliás escreveu um artigo interessante logo antes da eleição.

http://twitter.com/alonfe

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1 Comentários:

Anonymous Jura disse...

Alon,

Veja o resultado da eleição paralela mundial:

http://www.iftheworldcouldvote.com/results

Nas "linhas avançadas", Obama massacrou de cabo a rabo, com diferenças gritantes sobre McCain.

O único lugar onde McCain "venceu" foi na Macedônia. Nem na Sérvia. Será que você consegue explicar?

E, na América latina, McCain foi muito melhor na Venezuela do que na Colômbia...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008 14:10:00 BRST  

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