domingo, 23 de novembro de 2008

Hora de agir (23/11)

De Dani Rodrik, no Valor Econômico:

O colapso continuado das moedas dos mercados emergentes e suas conseqüentes pressões comerciais lhes dificultarão ainda mais a tentativa de impedir um aumento substancial nos níveis da taxa de desemprego. Na ausência de um escudo para as finanças dos países emergentes, o cenário apocalíptico de um ciclo vicioso protecionista que relembra a década de 1930 já não pode ser descartado. O Federal Reserve (Banco Central americano) e o Fundo Monetário Internacional já tomaram algumas medidas positivas. O Fed criou uma linha de swap para quatro países (Coréia do Sul, Brasil, México e Cingapura), de US$ 30 bilhões cada. O FMI anunciou uma nova linha de curto prazo para um número limitado de países com boas políticas. A dúvida é se essas iniciativas serão suficientes e o que acontece com os países que não poderão se beneficiar destes programas. Haverá muito tempo para debater um novo Bretton Woods e a construção de um aparato regulador global. A prioridade por enquanto é salvar os mercados emergentes das conseqüências da insensatez financeira de Wall Street.

Leia a íntegra. Atenção para dois trechos. Se não houver um escudo para as finanças dos emergentes crescerá o protecionismo. Ou seja, crescerá o protecionismo. E é certo que haverá muito tempo para debater uma nova engenharia institucional das finanças, mas a prioridade agora é salvar os países, financeira, econômica e socialmente. O texto de Rodrick mostra também como a crise afeta igualmente os emergentes cujas exportações são baseadas em primários e os cuja pauta se concentra nos industrializados. Coloca ainda em dúvida se o grande volume de reservas dos emergentes será suficiente para enfrentar o tsunami. Hora de agir. De mudar o curso, como defendi em À espera da tempestade. No caso brasileiro, não faz sentido torrar reservas e manter juros lá em cima para defender o real a qualquer custo. Melhor será admitir a desvalorização e cuidar para que ela não se propague inflacionariamente. A hora paradoxalmente é favorável, já que num cenário de retração não há muito como os agentes econômicos reindexarem os preços. E onde há oligopólio sempre será possível o governo intervir, controlando. Um real desvalorizado dará nova competitividade às nossas exportações e desestimulará as importações. É hora de agir. E de agüentar o tranco.

http://twitter.com/alonfe

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7 Comentários:

Anonymous Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
É hora de agir ou de agüentar o tranco? É hora de agir ou é hora de deixar tudo como está para ver como é que fica?
Se é hora de agir, quais ações devem ser tomadas? Não há entre duas vivas almas coincidência no que fazer?
Recentemente você postou um comentário sobre Nouriel Roubini em que ele trazia como grande inovação a análise de que a atual recessão não teria forma de V mas de L. Isto é repetição de um artigo de Paul Krugman de junho no NYT (Se eu tivesse um computador bom aqui agora eu fazia a consulta, mas entre com as palavras V Shape, L ish que deve aparecer o artigo ou então consulta em junho ou julho no NYT). Ai você diz: "Que grande futurólogo é o Krugman?" Não creio, ela apenas achava que iria haver uma recessãozinha e como não havia uma bolha para relançar a economia americana ele achava que a recessãozinha iria demorar.
A verdade é estão todos no escuro e não há nenhuma perspectiva de se avaliar como irá a economia nos próximos meses. No fundo teremos que esperar para ver.
Sou leigo em economia, mas tenho opinião. A única coisa que eu recomendo é em relação ao sistema tributário. Assim recomendaria que o governo tentasse recuperar a CPMF. Se ela estivesse presente atualmente, o Estado teria ganho muito dinheiro com toda tentativa de se mandar dinheiro para fora, pois o dinheiro teria que sair da conta de alguém (É de se imaginar que as grandes empresas de capital externo e os testas de ferro do capital externo tenham sido um dos grandes financiadores da campanha contra a CPMF.
Recomendaria também que se taxasse as exportações de commodities, uma parte com o imposto de exportação e outra parte mediante o término da desoneração das exportações de commodities (produtos primários) e semielaborados feita pela Lei Kandir. A oneração permitiria que o câmbio desvalorizado não afetasse os preços internamente dos produtos de nossa pauta de exportação e a derrubada da Lei Kandir permitiria que não se tivesse mais a discussão do repasse de recursos do governo federal para os estados prejudicados com a desoneração da lei Kandir.
Portanto, só nos resta aguardar, pois não há condições de se ter uma avaliação precisa do que está ocorrendo agora e o que irá ocorrer no futuro. Alias, se tivéssemos a CPMF, ela estaria informando quase pontualmente sobre a realidade econômica brasileira e com uma defasagem de uma semana no máximo e, portanto, eis mais uma razão para pedir a volta dela.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/11/2008

domingo, 23 de novembro de 2008 15:33:00 BRST  
Anonymous Marcos disse...

Mas não é o que vem ocorrendo?
As reservas continuam intactas.
Falta só abaixar os juros.
Bem, abaixar os juros.... Eu tenho uma desconfiança do Henrique Meireles. Olhando pelo retrovisor fica claro que o Brasil nunca esteve ameaçado por um novo surto inflacionário. Fica claro que torramos centenas de bilhões de reais
com juros inúteis. E qual a minha desconfiança em relação ao presidente do BC? Que ele continuará a transferir bilhões de reais a banca.

domingo, 23 de novembro de 2008 20:43:00 BRST  
Blogger Alex disse...

O caso para os juros negativos está mais forte do que nunca. Mas uma solução radical, com certeza, tiraria o Brasil da vala comum dos outros paises.

Bastaria o tesouro nacional recuperar o direito de emissão, e aí injetar Reais como se o mundo fosse acabar amanhã, sem fazer dívida interna. Como tem um espaço grande até atingir o empoçamento de liquidez, com um pouco de sorte e uma dose de boa administração o Brasil seria uma ilha de prosperidade num mar de desgraças.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 01:29:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Alon,

Vc leva em conta a política cambial e a política monetária. Ora, nessas o governo brasileiro não tem muita autonomia para agir, tendo normalmente de acompanhar os ventos dos tempestades internacionais. É obvio que possui indepedência para fazer o que quiser mas funcionalmente não pode ir contra os ditames do mercado.

Onde está o "x" da questão é na relação de gasto/arrecadação das contas do governo e da percentagem de dinheiro que o estado retira da sociedade para financiar-se.

Você foca os juros altos como uma dificuldade para obtenção de recursos para investimento, no que está certos ma recusa-se a ver, talvez por motivos ideológicos, que mais importante é saber quanto a população no seu conjunto vai dispor para gastar/investir.

Com as contas orçamentárias da maneira que estão o Brasil não vai ter hipótese de não ser afetado pela crise. O governo Lula perdeu a chance de fazer e consolidar uma boa reforma tributária num período de bonança.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 06:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

sensacional. A gente acumula reservas para não gastar? Acumula para quê?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 07:18:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

Sensacional: "Se não houver um escudo para as finanças dos emergentes crescerá o protecionismo. Ou seja, crescerá o protecionismo. "

Sugiro um adendo à "carta de princípios" do blog:

"Um ponto de vista democrático, nacional, de esquerda, CÉTICO e LEVEMENTE CÍNICO - mas sem perder o bom humor"

Abraço.

terça-feira, 25 de novembro de 2008 14:54:00 BRST  
Anonymous Artur Araújo disse...

Frank, sua sugestão de motto é a descrição acabada do anfitrião, a menos, talvez, do "levemente", que pode, em nome da acurácia, tornar-se um "realisticamente".

terça-feira, 25 de novembro de 2008 18:16:00 BRST  

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