quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Eu gostei foi do finzinho (13/11)

Da Folha Online, hoje:

Juros bancários sobem para maior nível em cinco anos, aponta Procon-SP

Os custos das linhas de crédito "empréstimo pessoal" e "cheque especial" aumentaram nos principais bancos do país em novembro, constatou pesquisa da Fundação Procon-SP. A taxa média para empréstimo pessoal aumentou de 6,04% ao mês para 6,15% entre o início de outubro e o dia 4 de novembro. Já a taxa média para a linha de cheque especial aumentou de 8,96%, detectada na pesquisa de outubro, para 9,24% em novembro, o maior juro desde julho de 2003. A contração do crédito e a falta de liquidez (dinheiro em circulação), bem como o custo mais elevado do dinheiro, são os principais reflexos da crise financeira no Brasil. Nesse sentido, o Banco Central tem realizado uma série de mudanças no compulsório para injetar mais dinheiro na economia e normalizar a situação da concessão de crédito. Dentre os dez bancos pesquisados, cinco aumentaram suas taxas praticadas na linha de empréstimo pessoal: Bradesco, Itaú, Real, Santander e HSBC. A maior taxa foi verificada no banco Real (8,15%) enquanto a menor (4,49%) na Caixa Econômica Federal. Já na linha de cheque especial, sete bancos reajustaram suas taxas: Bradesco, Real, Safra, Santander, HSBC, Unibanco e Itaú. A maior taxa praticada foi registrada no banco Safra (12,30%) enquanto a menor (7,98%) foi encontrada na Caixa Econômica Federal. No levantamento do Procon-SP, os pesquisadores estabeleceram como critério linhas de empréstimo pessoal com prazo de 12 meses a taxas pré-fixadas para clientes não-preferenciais. No caso das linhas de cheque especial, foi considerado um prazo de 30 dias. Os bancos pesquisados foram: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco. Em sua última reunião (dias 28 e 29 de outubro), o Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A próxima reunião está prevista para o início de dezembro. Analistas do mercado financeiro consideram que o Comitê deve manter a taxa no final de ano. A taxa básica serve de referência para os juros praticados no sistema bancário, tanto nas linhas para pessoa física quanto pessoa jurídica.

Eu gostei foi do finzinho. Quer dizer que uma taxa de juros básica de 13,75% ao ano "serve de referência" para taxas de juros de até mais de 12% ao mês cobradas do consumidor? Eu gostaria que alguém me explicasse como isso funciona, estou ansioso para saber. A explicação clássica é que a taxa de juros remunera também o risco do banco. Vide, por exemplo, o altíssimo risco que o banco corre ao fazer o empréstimo consignado, deduzido em folha do empregado. Risco zero. Ou perto de zero. Mesmo que o sujeito perca o emprego, a dívida será quitada com o dinheiro da rescisão contratual. Filé sem osso. E os juros estão na casa dos 3% ao mês. Ou seja, de 43% ao ano. Ou seja, de mais de 100% em dois anos, que é um prazo razoável para o consignado. Em termos práticos, cada vez que o trabalhador pega um empréstimo desse tipo para comprar, por exemplo, uma geladeira, ele compra uma para ele e outra para o banco. E quem liga para isso? Aparentemente ninguém. O governo prefere festejar a saúde financeira dos bancos brasileiros. Saúde construída a partir da exploração feroz do trabalho alheio e da extorsão com tarifas. Tudo favorecido pelo oligopólio. E a oposição finge que não é com ela. Talvez não seja mesmo. Espera-se que, algum dia, alguém tome coragem para mexer nisso. Talvez o próximo governo. Quem sabe? Eu e o meu eterno otimismo.

http://twitter.com/alonfe

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3 Comentários:

Anonymous Frank disse...

Eu concordo.

Fica difícil entender a distância entre custo de captação e o custo final do dinheiro na ponta ao consumidor.

A argumentação técnica vai nessa linha q vc fala (risco, custos operacionais, etc.).

Mas a distância / spread (ao menos pra um semi-leigo, como eu) impressiona.

Pq os bancos estatais não entram p/ quebrar esse esquema ?

Essa pergunta eu nunca vi respondida de modo satisfatório.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008 11:37:00 BRST  
Anonymous Artur Araújo disse...

Ora, Frank, essa até um sub-leigo como eu responde: lucro alto, balanço bom, o acionista majoritário feliz com dividendos e a FEBRABAN mais contente ainda com o oligopólio.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008 12:27:00 BRST  
Blogger Richard disse...

Alon pegando pesado, e muito objetivamente, com o (des)governo Lula!!! O que houve!??! Descobriu agora, depois de 6 anos e às vesperar de um Tsunami econômico nos atingir, que Lula não sabe pra onde ir!??! Pois é, agora é meio tarde!!! Não sou tucano ou neo-tucano, não tenho posições mercadológicas absolutas. E desde que comento aqui, sempre defendi que Lula havia traído o povo que votou pela mudança... inclusive EU (não foi para isto que votei em Lula todos estes anos)!
Não vejo como abonador as poucas ações positivas. Nada disto terá continuidade sem um projeto de Brasil! Algo como Obama está oferecendo ao povo dele!!! Algo que ainda não ví ninguém pesando praqui, no momento.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008 16:32:00 BRST  

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