segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Drible para a arquibancada (17/11)

Recebi emails perguntando por que digo que o etanol brasileiro está encalhado, como fiz no post anterior. Quem tiver oportunidade, deve gastar um tempo e ler a reportagem "Momento de cautela e revisão de investimentos", publicada nas páginas 46 e 47 da revista especial "Biocombustíveis, a força do verde", que circulou hoje com o Valor Econômico. A publicação se dá simultaneamente à 1a. Exposição Internacional de Biocombustíveis. Ou seja, uma revista cujo objetivo principal não se situa na esfera da crítica. Não achei a versão digital para linkar. Se alguém achar, avise. Algumas informações tiradas da reportagem. O setor, que teve forte expansão nos últimos anos, está cauteloso e revendo planos por causa da queda de preços do açúcar e da crise financeira. Companhias gigantes estão jogando projetos para o futuro. Das 32 usinas que deveriam começar a moagem de cana em 2008, dez adiaram para o próximo ano, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Ainda de acordo com a entidade, "as safras 2007 e 2008 não foram suficientes para gerar receita de forma a cobrir os custos variáveis, ao contrário de 2006, quando os preços foram positivos, capitalizando as companhias". Pior: "Muitas empresas anteciparam recursos próprios e ainda não tiveram o repasse do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)". Com a crise, os credores dos "recursos próprios" (bancos) passaram a exigir mais garantias, e isso trouxe "grande insegurança ao setor". A desvalorização cambial juntou-se a esse cenário, provocando um grande endividamento, segundo a KPMG, empresa de auditoria e consultoria financeira e tributária, responsável pelo setor sucro-alcooleiro. Ora, mas por que o mercado, mesmo antes da crise, perdeu fôlego? Para saber a resposta, o leitor precisa voltar na revista, à página 40, onde há uma reportagem com o título "Longo caminho para tornar o etanol em commodity" e o subtítulo "Os passos necessários são a padronização internacional do combustível e o aumento do número de países produtores". O texto começa assim: "Gigantes do etanol, Estados Unidos e Brasil trabalham juntos para que o combustível ganhe mais espaço no mercado internacional. Juntos os dois países respondem por uma produção anual de 53 bilhões de litros, ou seja 90% da oferta global". Vejam que estratégia genial, a do Brasil. Os Estados Unidos estão incomodados com o fato de dependerem de um punhado de países inconfiáveis produtores de petróleo. Diante disso, nossa proposta é que os Estados Unidos passem a depender só de nós, já que segundo Luiz Inácio Lula da Silva o etanol de milho deveria ser abandonado pelos americanos, por seu altíssimo custo social. Escrevi há um ano, em Comida em vez de álcool:

O Brasil está de olho no mercado americano de etanol e deseja que os Estados Unidos deixem de punir o álcool brasileiro com taxas que o tornam menos competitivo nos postos de combustível do grande irmão do norte. Os americanos resistem, até porque não faria sentido para eles trocar de dependência, sair do petróleo importado para o etanol importado. A mudança da matriz energética nos Estados Unidos obedece principalmente a vetores geopolíticos. É isso que o governo brasileiro talvez não tenha ainda entendido completamente.

Depois, escrevi em Dá para criar gado no pré-sal?:

Por que os Estados Unidos deveriam trocar uma dependência por outra? Qual é a vantagem de parar de depender das importações de petróleo e passar a depender das de etanol? Nenhuma. Ou seja, o mercado planetário para o etanol brasileiro só existirá se os Estados Unidos forem eles próprios um importante produtor. Como acontece com o petróleo. E os americanos, atualmente, só podem produzir etanol em grande escala a partir do milho. E quando puderem fazê-lo a partir de outras fontes, como a celulose, poderão deixar de lado o nosso álcool de cana. Como aconteceu, por exemplo, no ciclo da borracha. A aventura brasileira do etanol é um equívoco. Um equívoco rentável para alguns no curto prazo.

Note-se que a crise de superprodução do etanol brasileiro manifestou-se antes mesmo do estouro da bolha financeira. Publicações do setor sucro-alcooleiro no meio deste ano já falavam na queda de preços do produto. Uma commodity cujo preço caía mesmo quando o mercado mundial estava em ebulição na demanda por commodities. Caía por falta de mercado. E para quem vai sobrar agora a conta? Para o BNDES, que será empurrado a emprestar dinheiro a juros de metade da Selic para que os amigos do governo paguem suas dívidas com os bancos, como diz a própria reportagem. E, por falar em superprodução, acho que já está na hora de parar de tratar a crise, a planetária, como simplesmente financeira. A situação das montadoras americanas é o sintoma de que talvez estejamos diante de um cenário clássico de superprodução, como desenham as teorias que mais bem caracterizam o impasse decorrente da queda tendencial da participação do trabalho na composição do valor da mercadoria. Daí por que a idéia do "mercado financeiro mundial mais regulado" não passa de uma platitude, com a qual se desperdiçará algum tempo apenas para enrolar o distinto público. E para encantar os incautos. E como nenhum dos arquitetos da "nova ordem mundial" estará vivo quando sobrevier a próxima crise, possivelmente ainda neste século, podem por enquanto se dar ao luxo de driblar para a arquibancada. Enquanto a arquibancada tenta descobrir como pagar a condução de volta para casa. Porque, infelizmente, a c... já está feita.

http://twitter.com/alonfe

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12 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

Alon

A sua má vontade com a pesquisa brasileira em C&T me intriga.

Procure mais informação sobre a quantas anda a pesquisa brasileira sobre álcool de celulose a partir do bagaço da cana. Li que é possível dobrar a produção atual apenas utilizando o bagaço. A produtividade por hectare plantado tabém pode subir.

Não sei se há ou não há crise de superprodução. O que as pesquisas em andamento indicam é a viabilidade de dobrar a produção sem aumento de área plantada.

Você cismou com a idéia de que a expansão da produção de etanol deveria necessariamente se dar em prejuízo da produção de alimentos. Parece que não é bem assim.

Eu implico com o presidente que não perde oportunidade para se vangloriar da sua baixa escolaridade.

Procurei alguma informação no Google sobre hidrólize enzimática, que me parece ser o caminho da pesquisa brasileira. Encontrei dois links. Mas deve existir bem mais.

http://www2.usp.br/index.php/tecnologia/15217-mais-alcool-da-mesma-cana

http://www.fapesp.br/materia/2919/publicacoes-da-fapesp/brasil-lider-mundial-em-conhecimento-e-tecnologia-de-cana-e-etanol-a-contribuicao-da-fapesp.htm

Abs.

terça-feira, 18 de novembro de 2008 01:38:00 BRST  
Anonymous Artur Araújo disse...

Co-Araújo, tanto quanto vc fico intrigado com determinadas idiossincrasias do nosso anfitrião. Essa do etanol é a mais gritante delas.
Confesso que não sou nem leitor dedicado de notícias ou estudos do tema, quanto mais expert, mas o pouquíssimo que me é dado conhecer segue na contramão das afirmações do Alon.
A "tese" ecoterrorista da redução da produção de alimentos pela "falta de terra", que já me parece alarmista em se tratando de etanol de milho nos EUA, resvala para a ficção no caso do etanol de cana/bagaço no Brasil e outros países do cinturão intertropical. Tudo que já li e ouvi sobre oferta de terras agricultáveis no Brasil e seu potencial produtivo vai no sentido da garantia de equilíbrio entre produção de biomassa e alimentos.
No caso da "crise de superprodução", apesar de ter rido muito com a declaração à clef ("cenário clássico de superprodução, como desenham as teorias que mais bem caracterizam o impasse decorrente da queda tendencial da participação do trabalho na composição do valor da mercadoria"), me parec que, dada a relação elástica que existe entre a produção de etanol e sua adição aos combustíveis fósseis, o problema é mais de gestão estatal que de falta de demanda.
Por fim, penso que a política dos EUA será muito mais de criação de uma matriz energética híbrida - e, portanto, de múltipla dependência -, até porque dificilmente haverá uma única fonte geopoliticamente segura para abastecer uma economia faminta por energia como a deles.

terça-feira, 18 de novembro de 2008 05:17:00 BRST  
Blogger Briguilino do Blog disse...

Alon, com todo respeito mas você não enxergou um palmo adiante do nariz sobre o bio combustivel brasileiro. Quer queira ou não o mundo vai se render ao etanol. Quanto aos usineiros reclamarem? Gostaria que você me dissesse quando eles não reclamaram, isso sim seria inédito.

terça-feira, 18 de novembro de 2008 08:24:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Realmente, vocês são os racionais, objetivos, e eu sou o implicante. Expliquem-me então por que o álcool já estava caindo de preço na época de máximo aquecimento das commodities. Há alguma outra causa que não a superprodução? Vocês revogaram as leis da oferta e da demanda? Aliás, na opinião de vocês, há ou não superprodução? Se não houver, o que justifica o cenário de descapitalização vivido pelo setor e bem exposto na publicação que citei? Vamos discutir o assunto não com base na fé, mas nos fatos. A não ser que vocês prefiram discutir com base na religião. Do lulismo e do antilulismo. Mas aí tem que ser em outros blogs. Outro argumento que coloquei: os Estados Unidos não vão trocar de dependência, vão tentar deixar de ser dependentes. Há aí um mercado para o Brasil exportar tecnologia. Ótimo, mais ou menos como fizemos no ciclo da borracha. Ou vocês acham que os americanos vão se meter num negócio em que se tornarão escravos do Brasil e do... Sudão (vejam no g1.com.br/jg a matéria de ontem do Jornal da Globo, matéria aliás a favor). Quanto à questão dos alimentos, vejo que vocês insistem na tese de que há terra sobrando para o álcool no Brasil. Então me digam, cadê essa terra? Onde ela está? O que o Incra está fazendo com ela? Se bem que esse problema foi até certo ponto "resolvido" pela crise. A recessão mundial vai adiar esse debate.

terça-feira, 18 de novembro de 2008 09:19:00 BRST  
Blogger Richard disse...

Caro Alon, tbm acho meio catastrófica sua opinião sobre a relação prejudicial canaXcomida. Sim, existem terras, no cerrado, na fronteira entre o cerrado e a amazônia legal e dentro desta. O problema não são as terras e sim as variedades de cana, e outros cultivares, que podem ser usadas... isto a Embrapa resolve!
Porém, vc está certo quanto à posição estratégica, de independência, dos EUA nos combustíveis.
Nossa única saída, para realizar os sonhos dos outros comentaristas, seria o Brasil "forçar" a adoção do etanol de cana, tornando este um "fato consumado". Tipo como o Windows se tornou padrão em detrimento do sistema Apple, ou o VHS sobre o Betamax, ou o CD sobre Vídeo disco... meio difícil, mas não impossível. Depende muito de estratégia e sorte.
Como o estrategista de Lula é o Zé Dirceu... esqueçe! E sorte, bem... acabou-se agora em outubro!!!

terça-feira, 18 de novembro de 2008 12:13:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

Quem diria...o Alon se usando a categoria "lulismo".

Mas Alon, vc dizia, uns bons meses atrás (> 1~2 anos), q não havia lulismo, havia eleitores racionais, q pesavam e mediam prós e contras, e tal e tal.

Brincadeiras à parte, acho q vc puxa a questão prum lado interessante. Essas apostas "estratégicas" do Estado brasileiro têm q ser submetidas ao máximo escrutínio mesmo - pq, não raramente, resultam em nada (afora um ou outro empresário com a conta bancária engordada).

Mas não se pode invalidar uma aposta (se for sensata e equilibrada) no etanol. O Brasil dispõe de condições formidáveis p/ a produção dessa commodity. Falta arrumar mercado, mas q há, há. Nossa vantagem comparativa na produção é fabulosa.

E a discussão comida X álcool me parece uma bandeira um tanto "picaretológica". Não há trade-off (relevante) aí pq: a) há terras sub-aproveitadas (e mesmo não aproveitadas) "a dar com o pau" e b) o incrível avanço da tecnologia agrícola vem frustrando, há uns bons 40 anos, qq tese malthusiana de crise de produção de alimentos. (ok, posso estar sendo cornucopiano, mas não vejo razão para descrer q essa evolução siga em frente).

terça-feira, 18 de novembro de 2008 14:58:00 BRST  
Anonymous paulo Araújo disse...

Alon

Meu comentário foi restrito à desconsideração da pesquisa em C&T e sobre o etanol. Você não leva em conta na sua crítica ao etanol que aumento de produtividade não é um fato apenas relacionado à expansão da área plantada. A melhor forma de resover isso é investindo pesado em C&T, seja para alimento ou para etanol. Enfim, melhorar a produtividade com tecnologia agrícola e com pesquisa de variedades mais produtivas e com menor utilização de insumos. No caso do etanol, as pesquisas indicam que a produtividade por hectare pode dobrar se o bagaço for utilizado na sua produção. Para isso, é preciso fazer como fazem os americanos desde a sua independência: ivestem pesado em pesquisa e nas universidades. Compare-se quanto o Obama disse que vai jogar na pesquisa do etanol de celulose e quanto o Brasil investe. Eu desconheço os valores, mas imagino que são em muito superiores ao que se investe no Brasil.

Quanto à descapitalização no setor, você considerou a hipótese disso estar relacionado ao fato das fontes externas de financiamento terem secado? Será que o setor também não ficou com os mesmos micos da Sadia, Votorantim e Aracruz? Estou perguntando. Não tenho essas informações.

Sobre o INCRA, aquilo é um aparelho. Um típico cabidão que atende à demanda paroquial por cargos e salários de um setor da esquerda. Essa gente obscurantista que domina o INCRA e os MSTs tem uma mentalidade regressiva e igrejeira da reforma agrária.

terça-feira, 18 de novembro de 2008 22:55:00 BRST  
Anonymous Artur Araújo disse...

Recomendo a leitura, no Estadão de hoje, do artigo de Marcos Jank, presidente da UNICA. Ok, eu não sou inocente, sei que é raposa falando sobre galinheiro, mas há racionalidade e fatos no texto. Trafega bem na identificação da raiz da crise de liqüidez, lembra bem os "mandatos de mistura", lnça à discussão a alcoolquímica.
Concordo com o co-Araújo quando lembra o Alon do fator produtividade, que desbanca a tese seca da área plantada e quero enfatizar ainda mais minha divergência com o anfitrião, que joga a carta INCRA como se aí residisse qualquer magister dixit sobre disponibilidade de terras agricultáveis no Brasil.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 12:16:00 BRST  
Blogger Richard disse...

Acrescento que este negócio de agricultura familiar não é tão romântico assim.
A concentração de terras em pequenas e médias propriedades é muito grande no Brasil (não tenho os nºs à mão) e são estes os mais representativos na produção alimentar direto ao consumidor. O incentivo à agricultura familiar, como pregado pelo MST e setores do INCRA, não é jogar dinheiro fora!
E por pequena propriedade, não estou falando do sítiozinho com 1/2 dúzia de galinhas, estou falando de um terreno do tamanho dum campo de futebol... isto, no interior, é considerado pequeno!!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 12:31:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Artur, eu gostei mesmo foi desse trecho do artigo do cara:

A maior liquidez do sistema financeiro brasileiro e a definição de políticas públicas adequadas terão papel crucial no apoio à travessia dos próximos meses, garantindo a continuidade dos investimentos que estão atingindo o seu período de maturação, a liquidez de capital de giro para a formação de estoques de entressafra e a realização das exportações de açúcar e etanol. É preciso evitar que as empresas vendam açúcar e etanol a qualquer preço para manter o seu capital de giro, o que provocaria um sobreconsumo neste momento e o risco potencial de falta de produto no auge da entressafra.

"Políticas públicas adequadas", "evitar que as empresas vendam açúcar e etanol a qualquer preço". Vamos traduzir. O cara quer uma política de preços mínimos para o álcool e quer que o governo compre o estoque excedente. Na boa? Se for assim, é melhor estatizar as usinas. E tem mais: o cara mistifica (para não dizer "mente"), pois a superprodução no setor é anterior à crise. Eles se meteram no negócio (é verdade que estimulados pelo governo) e agora querem a ajuda do governo. Empresários brasileiros, tipicamente. As minhas perguntas do comentário anterior ainda aguardam resposta adequada. Vou refazer uma delas, para tirar o Incra do debate: se houvesse tanta terra sobrando no Brasil, o preço da terra aqui deveria estar baratíssimo, mesmo quando as commodities estavam em alta. É isso mesmo? Estavam baratíssimas?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 14:38:00 BRST  
Anonymous Artur Araújo disse...

Alon, francamente não sei dizer se as terras estavam ou não baratíssimas. Comparadas com que? Se a preço seco, acre a acre, com o valor da terra no hemisfério norte, sim, estavam e estão baratíssimas. É só ver quanto vem sendo comprado pelas múltis.
Se for para avaliar pelo critério de rentabilidade, preço do hectare x renda do hectare, também me parece (digo parece pq não tenho a mão nenhuma série estatística) que ainda são "baratas". Se for pela comparação com o preço histórico do alqueire, vêm "encarecendo" ano a ano, até por força da política patrimonialista de estoque de terra - urbana e rural - que nossas "classes produtoras" ainda mantém no séc. XXI.
Que a burguesia brasileira adora uma mamada na Viúva não é nenhuma novidade. O que não desqualifica a análise que a crise de liqüidez momentânea do setor sucroalcooleiro seja mais exógena que endógena e mais conjuntural que estrutural.
O complexo soja está pendurado na mesma brocha e busca, também, preços mínimos, formação de estoque regulador e refinanciamento público, que substitua o giro que secou, o das tradings e dos fornecedores de insumo (particularmente sementes e fertilizantes).
Por fim, acho que vc continua dogmático neste debate. A demanda do setor é até modesta, se considerarmos o histórico dos "agrários". Falam em "travessia dos próximos meses" e alertam para um risco real, que já desequilibrou os mercados de combustível mais de uma vez: sobreconsumo na safra, desabastecimento na entressafra, para produtos plenamente estocáveis.
Menos principismo, meu amigo, e mais boas estocadas, como no post sobre reforma agrária.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 16:11:00 BRST  
Anonymous Artur Araújo disse...

Acrescentando: ouvi, há pouco, na CBN, entrevistas com Roberto Rodrigues e Alexandre Mendonça de Barros, da área de estudos de economia agrícola da FGV. Dois pontos me chamaram atenção:
a) a área plantada com grãos cresceu, nos últimos 10 anos, quatro vezes mais que a área de cana;
b) o principal componente de queda dos preços das commodities agrícolas - açúcar e etanol inclusos - foi a mudança de posições dos fundos de hedge, que realizaram ganhos e buscaram liqüidez;
Rodrigues acresceu sua avaliação sobre os preços agrícolas: chegaram a um patamar sustentável; só cairão mais se houver redução de consumo dos emergentes.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 20:24:00 BRST  

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