quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bons acordos (12/11)

Do estadao.com.br:

A Rússia abandonará os projetos de instalar mísseis em seu território de Kaliningrado [no mapinha ao lado], às portas da União Européia, se os Estados Unidos desistirem do projeto de instalar parte do escudo antimísseis na Europa Oriental, disse nesta terça-feira, 11, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. "Nós dissemos, pela voz do nosso presidente, que se a terceira zona de posicionamento antimísseis for criada, uma das nossas medidas para neutralizar a ameaça à segurança da Rússia será a instalação do sistema de mísseis Iskander em Kaliningrado", afirmou Lavrov. Kaliningrado fica às margens do Mar Báltico. Segundo ele, os mísseis serão instalados em Kaliningrado "somente se a terceira zona de posicionamento antimísseis tomar forma". A administração Bush planejou e fechou acordos para a instalação do sistema antimísseis na Polônia e na República Checa.

Leia a reportagem. É uma ótima idéia. Os americanos desistem de instalar na fronteira russa armas que ameaçam a Rússia e esta, em troca, desiste de apontar novos mísseis para a Europa. Se der certo, só não ficarão felizes os negociantes cujos bolsos seriam abastecidos nessa corrida armamentista. Já que os Estados Unidos andam precisando arranjar dinheiro para sair do buraco, talvez seja o caso dessa turma também apertar o cinto. Vale aqui lembrar como acabou, quase meio século atrás, a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. Moscou desistiu de instalar as armas em território cubano e os Estados Unidos, em troca, recuaram de fazer o mesmo na Turquia, além de se comprometerem a respeitar a integridade territorial e a independência de Cuba, uma demanda razoável de Havana depois da invasão de 1961. Da Wikipedia:

After much deliberation between the Soviet Union and Kennedy's cabinet, Kennedy agreed to remove all missiles set in Turkey on the border of the Soviet Union in exchange for Khrushchev removing all missiles in Cuba. At 9 a.m. on October 28, a new message from Khrushchev was broadcast on Radio Moscow. Khrushchev stated "the Soviet government, in addition to previously issued instructions on the cessation of further work at the building sites for the weapons, has issued a new order on the dismantling of the weapons which you describe as 'offensive' and their crating and return to the Soviet Union." Kennedy immediately responded, issuing a statement calling the letter "an important and constructive contribution to peace". He continued this with a formal letter: "I consider my letter to you of October twenty-seventh and your reply of today as firm undertakings on the part of both our governments which should be promptly carried out... The U.S. will make a statement in the framework of the Security Council in reference to Cuba as follows: It will declare that the United States of America will respect the inviolability of Cuban borders, its sovereignty, that it take the pledge not to interfere in internal affairs, not to intrude themselves and not to permit our territory to be used as a bridgehead for the invasion of Cuba, and will restrain those who would plan to carry an aggression against Cuba, either from U.S. territory or from the territory of other countries neighboring to Cuba. The practical effect of this Kennedy-Khrushchev Pact was that it effectively strengthened Castro's position in Cuba in that he would not be invaded by the United States. It is possible that Khrushchev only placed the missiles in Cuba to get Kennedy to remove the missiles from Turkey and that the Soviets had no intention of resorting to nuclear war when they were out-gunned by the Americans. However because the withdrawals from Turkey were not made public at the time, Khrushchev appeared to have lost the conflict and become weakened. The perception was that Kennedy had won the contest between the superpowers and Khrushchev had been humiliated. However this is not entirely the case as both Kennedy and Khrushchev took every step to avoid full out conflict despite the pressures of people in their governments. Khrushchev would hold on to power for another two years.

O negrito é meu. Leia o artigo completo sobre a Crise dos Mísseis. Pois é, bons acordos, como o celebrado entre Kennedy e Khruschev, são não apenas cumpridos, mas servem de referência para resolver outras encrencas. E a atual posição russa é hábil e inteligente. A Rússia não pede que os Estados Unidos se submetam ao constrangimento de romper os acordos assinados com a Polônia e a República Tcheca. Moscou apenas solicita que os empreendimentos agressivos nesses dois países "não tomem forma".

http://twitter.com/alonfe

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