quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barreira, e não motivo (05/11)

Durante a cobertura da CNN sobre a vitória de Barack Obama, certo analista mostrou um gráfico que comprova a hipótese levantada no post anterior. A proporção de votos dados a Obama e John McCain nesta eleição não variou de acordo com a importância que o eleitor dá à raça dos candidatos. Eleitores que acham o quesito importante votaram do mesmo jeito que os que não acham. Ou seja, a maioria do eleitorado americano não votou em Obama para resolver um problema racial, mas atravessou uma barreira racial para resolver um problema político. Claro que interessa a alguns transformar Obama num bibelô do multiculturalismo. É uma mistificação que, como muitas outras coisas nos nossos dias, parece sólida mas se desmanchará no ar.

http://twitter.com/alonfe

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13 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Obama,o "messias negro"!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 10:00:00 BRST  
Anonymous Marcos disse...

O que torna a vitória de Obama mais grandiosa. Venceu por méritos e esperança na sua capacidade de resolver problemas. Quer elogio melhor?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 10:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A travessia da barreira racial, que não deve ser menosprezada, é alvissareira. Porém, mistificar, ou pior, ideologizar tal aspecto em nada logrará acrescentar.

Swamoro Songhay

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 11:20:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Menos, Alon, menos. Barack Obama falou sobre raça o tempo todo, porém de uma forma disfarçada, pois é inteligente demais para cair nessa armadilha. O elemento raça pesou sim sobre o voto da militância negra ao redor do mundo, o pastor Jesse Jackson chorou e a mídia em escala mundial está se referindo ao feito histórico do "primeiro presidente negro" dos EUA. Obama aproveitou-se da cor da sua pele de uma forma inteligente e sagaz e negar isso é ignorar a natureza da atividade política.
Abs e parabéns pelo blog.
Fernando José - SP

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 11:26:00 BRST  
Anonymous Marcos disse...

Meu caro Fernando José, Obama teria perdido a eleição se usasse a questão racial como mote de campanha.
Sinceramente, até achava McCain um bom candidato. Não acredito que ele seria uma continuação do governo Bush. Mas quem escolhe uma vice como Palin não merece confiança. Ainda mais um candidato com a idade avançada como McCain. Da até calafrios imaginar Sarah Palin como presidente dos USA, e consequentemente, com o poder de destruir o mundo. Agora voltando a questão racial, talvez o senhor não tenha acompanhado de perto a eleição americana. A questão racial foi um grande obstáculo para Obama e não o contrário.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 14:04:00 BRST  
Blogger Nehemias disse...

O grande fato é que oito anos de governo Bush, levaram os EUA a duas guerras da qual não se pode ganhar, nem se pode sair, um furacão que destruiu uma cidade inteira e que revelou a brutal incapacidade de um governo, cenas de tortura filmadas por soldados recrutados para serem guerreiros da democracia, e por fim a maior crise financeira desde 1929. Acho que "nunca na história" daquele "país" se viu um governo tão "brilhante" (20 % de popularidade).

McCain até era um bom candidato. Talvez fosse um dos melhores quadros que o Partido Republicano tinha. Mais é muito díficil ser do partido do governo, quando se tem um governo que termina tão mal. Mc Cain provavelmente estava em uma situação um pouco pior do que Serra em 2002.

E Obama foi brilhante. É claro a mensagem de raça estava presente, mas o que ele passava era uma mensagem de união. Quem falava em "nós contra eles" não era Obama, era os republicanos. E ele foi habil também de manter uma mensagem moderada, sem cair no extremismo liberal de certas alas do partido democrata (no final, quem ficou com imagem de extremista foram os republicanos). Obama conseguiu mirar o centro do espectro político. O cara é um gênio. Desde o Bill Clinton nenhum democrata havia conseguido fazer isso.

Assim, a derrota dos Republicanos era tão certa quanto um jogo do São Paulo contra o Ipatinga no Morumbi. Vc já sabe quem vai ganhar, só há dúvida em relação ao placar. A função de McCain era evitar uma derrota acachapante, (tipo, segurar 1x0, 2x1, de preferência com um gol do adversário, no sufoco, só nos 46 do 2° tempo). Os democratas só perderiam essa se fossem muito incompetentes (eles até são, mas Obama, como já dito, é um gênio).

Nehemias

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 15:36:00 BRST  
Anonymous Fabio Tagnin disse...

Mas é interessante notar que os estados em que McCain ganhou têm uma grande sobreposição com os Estados Confederados escravagistas da Guerra da Secessão. Ou é coincidência?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 16:39:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro comentarista Marcos, eu não disse que Obama usou a raça como mote de campanha. Isso seria um erro tosco, grosseiro até para alguém com a inteligência do candidato democrata. O que ele soube fazer foi aproveitar-se da condição de afro-descendente para concentrar o desejo de mudança que foi o mote de sua campanha. Por ser o primeiro negro com reais chances de chegar à presidência, ele contou com amplo espaço da mídia mundial e norte-americana e soube utilizar-se disso. McCain foi praticamente um coadjuvante de luxo na eleição do democrata. Eu acompanhei quase todo o noticiário sobre as eleições e os discursos do Obama e acredito que você também. Obama trocou o termo "negro" pelo termo "novo" e ganhou, com méritos, as eleições. O fato de ser negro pode tê-lo atrapalhado junto ao eleitorado mais conservador, mas em compensação serviu para mobilizar toda a Obamania que mesmerizou o mundo, tornando-se uma onda mundial.
Abs.
Fernando José - SP

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 16:41:00 BRST  
Anonymous Artur Araujo disse...

Co-comentaristas, o ponto central é que a cor da pele de Obama NÃO foi o elemento definidor da vitória. O voto "negro solidário" - que existiu, é óbvio - ou o voto "branco ação afirmativa" - que talvez tenha havido - não explicam, nem numérica, nem politicamente, os resultados das urnas. Assim como o "racismo enrustido" não compareceu para votar.
Mesmo a aparente coincidência geográfica entre a mancha vermelha e a ex-Confederação não se dá pela categoria raça, mas - como sempre - pela ideologia e pela política. Ali está o Bible Belt, ali fica a Redneckland. Note-se, adicionalmente, que a mancha vermelha se estende a outros grotões fora do sul - as Dakotas, Idaho, Nebraska, etc.
E uma sugestão final: olhar os mapas distritais do voto, ao invés dos estaduais. Esses é que refletem o voto norteamericano real, são os que dão as chaves políticas e demográficas de análise.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008 05:36:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O maior feito da campanha do Obama foi trabalhar com o sentimento, ao que parece arraigado nos EUA, da América produzir as oportunidades para que todos progridam. E que todo americano pode atingir aquilo que almeja, mesmo em situações de maiores dificuldades. Assim, blindou-se, desarmando todas as armadilhas, mesmo quando foi provocado a explorar aspectos mais profundos do aspecto raça, da discriminação etc. Tanto que uma forma do McCain tentar atingi-lo foi tentando grudar nele "socialismo". Nem os republicanos conseguiram falar em raça, como aspecto negativo, durante a campanha. Mesmo tendo produzido um vídeo, onde Obama era, de forma sub-reptícia, vinculado a "negro perigoso". Só o conseguiram quando foi para aceitar a derrota. Ai falaram em raça num sentido compungido, até romântico, aparentando até um certo carinho e respeito: "Obama será meu Presidente". Soou como demagogia, porém. Em comícios onde o público levantou aspectos raciais negativos, o próprio McCain foi abrigado, constrangido, a pedir calma e mudar de assunto. Afinal, estavam confrontando um americano como eles. No lugar da raça, levaram Joe, o Encanador. Se estivessem confrontando um "negro", ficaria mais fácil para eles. Ainda mais um "negro socialista", coisa que pode ter, em realidade, tentado, mas não conseguiu fazer pegar. Nem o radicalismo da Sarah Palin conseguiu falar em raça e mesmo assim foi o desastre consumado.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008 14:48:00 BRST  
Blogger jose disse...

Porque Obama teve menos voto nos estados do sul???

sábado, 15 de novembro de 2008 15:35:00 BRST  
Blogger jose disse...

Porque Obama teve menos voto nos estados do sul???

sábado, 15 de novembro de 2008 15:35:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Porque os democratas sempre tem menos votos no Sul. E o Obama teve mais do que os democratas anteriores.

sábado, 15 de novembro de 2008 15:36:00 BRST  

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