quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aula de capitalismo (26/11)

Para os que ainda desperdiçam tempo com assuntos como, por exemplo, a suposta relevância do G20 para o desenho de uma nova arquitetura mundial das finanças, sugiro a leitura do artigo de hoje do ex-ministro Delfim Netto na Folha de S.Paulo (Falta de memória). É uma aula de capitalismo, dada por quem entende de capitalismo. Um trecho:

Agora é a vez de o G20 sugerir mais controle [sobre o mercado financeiro]. O tempo se encarregará de corroê-lo à medida que a infinita imaginação dos agentes financeiros for descobrindo novos "produtos exóticos" que os Bancos Centrais só entenderão quando ocorrer a próxima crise. Mas por quê? Apenas porque é assim que funciona o sistema que trouxe os homens da Idade da Pedra à Idade da Informática nos últimos 250 anos... O que talvez interesse agora é tentar adivinhar quanto durará a crise da economia real depois do acerto da economia financeira. A tarefa é impossível, mas o passado talvez nos dê algumas informações.

É espantosa a distância intelectual entre os que entendem de capitalismo e os simplesmente encarregados de propagandeá-lo. Ou de enrolar o distinto público. Leia mais em

Cada um por si,
Copia o Obama, Lula, não o Bush,
Capitulação e
A vida como ela é.

http://twitter.com/alonfe

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6 Comentários:

Anonymous radical livre disse...

o Delfim pode até estar certo, afinal ele entende muito mais disso que nós todos.

Mas devemos ficar atentos. O que ele está fazendo - tanto na folha quanto na carta capital -, desde que a crise começou a estourar é repetir este mantra da criatividade infinita dos agentes econômicos e como isto impossibilitaria qualquer espécie de controle por parte das autoridades econômicas.

É uma posição ideológica, e muito bem construída.

Porém, ele esquece de dizer, por exemplo, que muito do que aconteceu nos mercados nos últimos anos se deu não apesar da regulamentação, mas pela desmontagem desta levada a cabo durante a 'revolução' neoliberal iniciada por Reagan e Thatcher.

Mas cada um faz a leitura que prefere, né?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008 16:53:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

O artigo termina assim:
"Esse parece ser o tempo no qual teremos de usar nosso mercado interno com inteligência e ousadia para sustentar um razoável crescimento e o nível de emprego."

Fantástico! Coisa de gênio! Um verdadeiro ovo de Colombo!

Eu acho engraçado ele usar o verbo "parecer" para definir o tempo das marolinhas. Nada como o recurso da subjetividade quando convém.

Eu quero saber o que exatamente se entende por "usar nosso mercado interno com inteligência e ousadia". Do jeito que está no artigo, isso é só mais um magister dixit entre outros.

Não lhe "parece" que o sugerido é o que fazem há longo tempo os capitalistas no Brasil?

O Delfim precisa ser mais explícito e definir o que ele entende, nesta circunstância, por "inteligência e ousadia". Sem essa explicitação, o artigo vale o mesmo que uma consulta com a mãe Dináh.

Abs.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008 00:18:00 BRST  
Anonymous Luca disse...

Para aqueles que assistiram a carreira do Delfim Netto desde os tempos em que foi o grande mago do "milagre Brasileiro" durante a ditadura militar, é espantoso ver pessoas de esquerda falarem sobre suas análises com um misto de desconfiança e indisfarçável admiração.
Ele merece! Afinal quem se mantém com este prestígio há tantos anos e ainda encanta pessoas de todas as inclinações ideológicas é de fato um gênio.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008 09:41:00 BRST  
Blogger Briguilino do Blog disse...

Alon, prefiro a minha visão e definição. Quando separo capitalismo e financismo que embora pareça ser a mesma coisa é algo muito diferente.
Resumindo:

O capitalismo tem haver com a economia real.

O financismo com a realidade virtual.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008 10:37:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, Delfim é indispensável, mas prefiro não comprar tudo o que ele diz. Ele encontrou uma posição confortável de onde olhar os acontecimentos, de onde é capaz de conciliar discursos ideologicamente opostos, e ficar bem com gregos e troianos. Sem qualquer ironia, admiro essa capacidade, afinal a virtude política, em qualquer situação, mas principalmente em ambiente democrático, não consiste em estabelecer pontes entre visões diferentes? Veja só, de um lado dá razão à explicação corrente na esquerda: culpa dos mercados desregulados, deixados assim pela inépcia de governantes como Bush, que indicam pessoas como Cox ou Paulson, que afrouxam a regulação. De outro, reafirma as virtudes do mercado, “o sistema que trouxe os homens da Idade da Pedra à Idade da Informática nos últimos 250 anos”. E diz tudo isso com aquele ar de sabedoria de quem diz... as coisas são como são e continuarão sendo. Prefiro ver aqui uma associação entre Mercado (aquele com letras maiúsculas, a que você já se referiu em passado remoto) e Estado. O caso é de uma lambança feita em associação, cujos autores possuem nome e sobrenome e que precisam ser responsabilizados. Mas não é uma lambança fruto de perversidade ou “ganância”, mas fruto de displicência e negligência – uma pena, mas banqueiros também não apreciam essas crises, onde o dinheiro do contribuinte pode até compensar sua irresponsabilidade mas traz transtornos e dores de cabeça diversas –, de quem descuidou do dever de casa.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008 11:36:00 BRST  
Blogger Tato de Macedo disse...

Alon,

"enrolar o distinto público". Disso o ex-ministro é mestre. Foi por duas vezes ministro da fazenda numa época extremamente "democrática", não.

A própria história de economia e política nos ensina o contrário do que o atual professor da USP apregoa: "O que talvez interesse agora é tentar adivinhar quanto durará a crise da economia real depois do acerto da economia financeira. A tarefa é impossível"? A afirmativa é falsa. E a questão posta é outra: Como desatar um nó borromeneano? Resposta mais adequada é cortando o laço. Qual laço? Aquele que os defensores do livre mercado deram. É fácil? Não, mas é possível. Como? Não pergunte a mim, pergunte à Karl Popper ou, ainda viva, a prof Maria conceição Tavares (http://tatodemacedo.blogspot.com/2008/11/incidente-em-antares.html). Quanto tempo durará a crise na economia real? Essa crise não terá a mesma intensidade em todos os lugares. No Brasil, certamente, não mais que 12 meses (contados a partir de set/2008). No mundo das economias globais, a bem da verdade as cinco maiores economias do mundo já vinham em crise há mais tempo. Portanto, eis aí uma ponta do nó. Agora, se pensarmos na crise financeira, pelo viés global, não durará menos que 24 meses (contados a partir de set/2007). Isso não é um palpite particular. São prognósticos econômico-financeiros discutidos no meio.

abraços

sábado, 29 de novembro de 2008 11:09:00 BRST  

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