domingo, 26 de outubro de 2008

Qualidade = Resultado - Expectativa (26/10)

Idéias expostas há algum tempo por este blog e que hoje, impulsionadas pelos fatos, transformam-se em força material:

1. O decisivo numa eleição municipal é a realidade municipal.

2. Bons padrinhos podem, sim, eleger postes.

3. Não existe o lulismo; existe um governo federal bem avaliado, mas isso pesa pouquíssimo na disputa local.

4. O eleitor adora poder reeleger administradores bem avaliados.

5. O PMDB é o grande vencedor da eleição deste ano.

6. O PT sofre pela dificuldade de administrar a convivência com os aliados.

7. O PT não consegue se capilarizar eficazmente; dos partidos que já passaram pelo poder no Brasil é o que menos aproveitou isso para penetrar nos municípios.

No segundo turno, os números encarregaram-se de transformar essas hipóteses em força material, já que elas agora fazem parte do senso comum. Ótimo. Uma última palavra sobre o desempenho do PT. A legenda cresceu em relação a 2004. Espantoso seria o partido do presidente da República recuar na disputa municipal. Os resultados do PT devem ser analisados à luz das expectativas criadas pelo PT. A equação é a seguinte:

Qualidade = Resultado - Expectativa

Por exemplo, se a expectativa é 10 e o resultado é 9, a qualidade obtida é -1, negativa portanto. Já um resultado inferior pode significar maior qualidade, basta que a expectativa não seja assim tão alta. Por exemplo, se a expectativa é 7 e o resultado é 8, a qualidade obtida é 1. Ou seja, um resultado menor proporcionou mais qualidade. Fato 1: o PT montou uma estratégia destinada a transformar a força política do presidente da República em motor da conquista de poder municipal. Fato 2: não funcionou. Para minha sorte, escrevi no primeiro dia do ano (ou seja bem lá atrás) que não iria funcionar. Está em Eleições muito municipais. Ele começa assim:

O senso comum diz que quando o governo federal vai bem os candidatos do partido do presidente da República levam vantagem na corrida eleitoral pelas prefeituras. Essa verdade ainda está por ser comprovada. O oposto parece mais razoável. Quando o ocupante do Planalto está em baixa, é mau negócio associar-se à imagem dele numa disputa eleitoral dura, como costumam ser as municipais. Quando o país colhe bons ventos, como agora, a tendência é que o localismo prevaleça ainda mais na disputa de poder nas cidades.

Boa sorte aos eleitos e boa noite a todos.

http://twitter.com/alonfe

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5 Comentários:

Anonymous Agrimaldo disse...

Alon, a única coisa errada que vc falou em suas análises sobre estas eleições foi incluir Kassab no rol dos postes. Ele já era prefeito, e prefeito muito bem avaliado, mais mesmo que a avaliação do governador na cidade de SP. E a tendência é a população deixar a pessoa a quem ela atribui boa avaliação no poder por mais quatro anos.

Neste ano, não sei de notícias sobre alguém que não conseguiu se REeleger, pelo menos em se tratando de capitais e outras grandes cidades. Com o Kassab não poderia ser diferente. E não entendo como uma grande como alguém com maior avaliação possa ser eleito por outro político com uma avaliação menor. O que quero dizer é que Serra não elegeu Kassab, mas que Kassab elegeu Kassab e este tá longe de ser um poste.


Quanto a um poste que foi eleito quase que exclusivamente pelo um governador, foi o Paes no Rio.

Já em Recife e Minas onde surgiram os dois maiores postes destas eleições a influência dos Prefeitos foram mais decisivas para eleições daqueles postes do que a atuação dos governadores dos respectivos estados, pois os atuais prefeitos tem mais poderes para influenciar suas próprias sucessões que os governadores, a não quando estes são mal avaliados como Cesar Maia no Rio.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 01:44:00 BRST  
Anonymous Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
O resultado com repercussão (Não´se trata de uma repercussão total, mas é grande e é maior do que a do PT) em 2010 é o total de votos nos candidatos (e não só nos eleitos) a vereador, incluindo os votos na legenda que cada partido obteve. É impossível (demanda um esforço pelo qual você não vê recompensa) saber isso ou você já disponibilizou essa informação em outro texto, ou você está escondendo ou não acha a informação relevante?
Já lhe perguntei uma vez e volto com a pergunta: Porque não se fala na dobradinha Lula de vice e Jose Alencar como candidato a presidente em 2010?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/10/2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 03:21:00 BRST  
Anonymous Ricardo Melo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 10:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Como dizem alguns analistas políticos, "depende do poste". Em sendo verdadeiro, dentre dois ou mais postes, quem escolhe o melhor, demonstra ser melhor em tirocínio? Pensando um pouco mais para a frente, 2010 não será lugar para postes ou apostas: será o ápice da crise financeira internacional para os emergentes que agora estão no olho do furacão.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 14:52:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Considere esta hipótese para BH:

1.Os firmes votos petistas e filo-petistas contrários à aliança PSDB/PT e que migraram para candidata Jô Morais no primeiro turno.

2. Os insurrectos petistas e filo-petistas amarelaram na ameaça de ajudar a conduzir Quintão até a prefeitura como forma de vingança contra o PT do Pimentel. Típica luta fraticida que você conhece tão bem.

Ao que parece, tais votos inicialmente acompanharam Jô Morais no apoio declarado ao Quintão, no segundo turno. O que não sei determinar é qual potência impulsionou os votos firmes dos petistas e filo-petistas de volta ao ninho. Enfim, minha hipótese para a vitória de Lacerda é a recomposição da base petista em BH, no sentido de eleger o candidato da coligação PSDB/PT. O $$pragmatismo$$ dos cargos e salários falou mais alto?

O Rogério Correa, o líder da turma do contra e tão loquaz no primeiro turno, foi só silêncio no segundo.

Eu penso que poeira que se formou na ocasião da aliança vai baixar rapidinho agora que a eleição passou. O que não está claro é se o combinado entre Pimentel e Aécio com vistas a 2010 ainda está em pé. Parece que não. A se confirmar o insucesso, me parece lógico concluir que a vaga para o palácio da Liberdade não é mais cativa do Pimentel. Duvideodó que o Aécio vai entrar num novo rolo com os petistas. Acho mais fácil ele procurar, e receber, apoio no PMDB.

O PT mineiro complicou-se muito nestas eleições.

PS: Não gosto dessa denominação "poste". Acho que ela não serve para avaliar a potência das máquinas partidárias nas eleições. Dizer que Lacerda é poste é fácil. Difícil é explicar o insucesso da máquina partidária na eleição de postes com altos ídices de rejeição no eleitorado. Nesse sentido, Marta é um poste dificílimo de carregar. Tanto é que foi largada no meio do caminho e logo após o fim do primeiro turno.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 17:44:00 BRST  

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