sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Duas boas notícias. E as pressões para privatizar a Nossa Caixa (31/10)

Primeira boa notícia:

O governo já tem a estratégia para proteger o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da crise econômica mundial em 2009: reduzir o superávit primário para 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), em vezde 4,3%, como tem feito este ano. Com isso, serão liberados cerca de R$ 15 bilhões extras. Se isso não for suficiente, haverá cortes no Orçamento, a começar pelos R$ 20 bilhões em investimentos que não integram o PAC e pelos projetos incluídos por emendas parlamentares. O governo ainda pode renegociar acordos de reajuste dos servidores. “O último é cortarmos o PAC e os programas sociais”, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Preservar o PAC é a ordem do presidente Lula. Uma olhada no 5º balanço do programa, divulgado ontem, dá uma idéia do porquê. Obras de vulto, como o Arco Rodoviário do Rio de Janeiro e a integração de bacias do Vale do São Francisco serão entregues à população no ano eleitoral de 2010.

Leia a íntegra da reportagem de O Estado de S. Paulo. Leia também Hora de gastar, Estou pronto a apoiar e O Brasil (governo) deveria se endividar mais? (estes dois, de antes do PAC)

Segunda boa notícia:

Preocupado com a persistência dos problemas de falta de liquidez, o Banco Central (BC) resolveu carregar mais na mão para estimular as operações de compra de carteira de crédito e outros ativos de bancos pequenos e médios por instituições de grande porte. Em circular publicada ontem, o BC mudou a forma de recolhimento do compulsório sobre depósitos a prazo –como os CDBs–, para penalizar [deveria ser punir] os bancos que mantiverem seus recursos parados no BC, em vez de fazer o dinheiro circular. Hoje, 15% dos depósitos a prazo captados pelos bancos são recolhidos compulsoriamente junto ao BC, mas a regra determina que isso seja feito por meio de títulos públicos federais, que rendem a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano. Com a medida, a partir do dia 14 de novembro os bancos poderão recolher junto ao BC apenas 30% desse compulsório em títulos públicos. Os outros 70% terão de ser recolhidos em espécie, sem qualquer remuneração, caso os bancos não se utilizem da prerrogativa, concedida ainda na primeira metade deste mês, de utilizar o dinheiro para adquirir carteiras de crédito de outras instituições de pequeno e médio e porte (com patrimônio de até R$7 bilhões). Com isso, o BC pretende fazer circular cerca de R$ 28 bilhões.

Leia a íntegra da reportagem de O Estado de S. Paulo. É uma medida tímida, mas pelo menos alguma coisa vai sendo feita. Vamos ver se o crédito volta. Leia Do trágico ao ridículo e Mais uma oportunidade histórica que a oposição vai perder.

Agora a má notícia:

O governo aceita fazer algumas mudanças na medida provisória 443, que autorizou o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal a comprar bancos e outras empresas, segundo informou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Além de estabelecer um prazo para a validade da MP, proposto inicialmente pelo líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), Mantega acatou a sugestão feita pelo presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), de retirar do texto a autorização para que o BB e a Caixa possam comprar outros bancos públicos sem licitação. Essa medida, se fosse mantida, facilitaria a venda da Nossa Caixa para o BB. “Isso pode ser corrigido”, disse Mantega.

Leia a íntegra da reportagem de O Estado de S.Paulo. O problema é político. Vender a Nossa Caixa para o Banco do Brasil ou para a Caixa Econômica Federal ajudaria a reforçar os bancos públicos no processo que vem aí de consolidação do mercado bancário. Ou seja, uma coisa boa para o Brasil (Leia Estatais, graças a Deus). Em teoria, um governo do PT deveria ser a favor disso. Claro que há o medo pânico do que vão achar os bancos privados, mas como a turma do dinheiro anda ideologicamente grogue por causa da crise, a hora é agora. E qual é o problema, então? É que vender a Nossa Caixa para um banco federal reforçaria as arcas do governo de São Paulo, comandado por José Serra, cuja eventual candidatura à Presidência da República incomoda e preocupa o PT. Daí que uma parte do governismo prefira derrubar esse aspecto da MP 443. Vai ser engraçado assistir ao PT de mão dada com os bancos privados abrindo caminho para a privatização da Nossa Caixa, enquanto um tucano (Serra) prepara terreno para receber a alcunha de "estatizante".

http://twitter.com/alonfe

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1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Estatização e privatização aparecem sempre, não tanto pelas idéias que cada termo encerra, mas pela oportunidade. Em 2002 e em 2006 "privatista" colou como coisa ruim. Agora, "estatização" parece ter perdido o sentido de coisa atrasada. Aqueles que defendiam maior presença do Estado na economia receberam uma lufada de vento a favor com as ações dos governos da UE e dos EUA. Podem falar em "estatização" que quase ninguém vai ter coragem de bater de frente. Só precisa ficar claro que desde o plano Bulhões e Campos até o Real, o Estado sempre foi ativo em intervenções na economia. Para estatizar, privatizar, intervir no câmbio, induzir o crescimento, criar modelos como o Tripartite (Estado, capital privado nacional e capital externo) como o foi na petroquímica. Ou para aumentar a eficácia da Petrobrás, com lei do petróleo, que propiciou o aumento da prospecção e da produção. Aos "estatistas" sobrará, porém, a explicação da falta de recursos estatais para a exploração do pré-sal, os atrasdos nas obras do PAC, as linhas de crédito do Fed e do FMI ("sem condicionantes") para segurar o câmbio. Ou no mais popular, explicar como o "tsunami do Bush", passou a ser a elogiada ajudazinha contra a "marola gripada". Poderão argumentar que o swap com o Fed, mostrou o reconhecimento pelos EUA do R$ como moeda de curso internacional. Ou poderão lançar a criação do G21 (Brasil e demais emergentes mais os EUA). Seria um argumento de mestre. 2010 nem chegou e já está quase em seu final. Só que em seu meio, poderá estar o ápice ("crista da marola gripada" ou do "tsunami")dos efeitos da crise nos emergentes.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 31 de outubro de 2008 16:36:00 BRST  

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