quarta-feira, 23 de julho de 2008

Enfim, a percepção da realidade, num texto de Paul Kennedy (23/07)

Um interessante artigo de Paul Kennedy no El País de ontem, com o título A ecologia, outra grande vítima da crise. O mundo vai, pouco a pouco, chegando à conclusão de que os povos em desenvolvimento não estão dispostos a permanecer na pobreza para que os ricos possam cultivar, em meio à abundância de tudo, o sonho de um planeta em perfeito equilíbrio. Clique aqui para ler. E leia também, para recordar, O ambientalismo num só país, de dezembro de 2006 neste blog. Ou seja, bem antes da inflação da comida, da polêmica sobre os biocombustíveis e de outros debates contemporâneos. Um trecho:

É fácil identificar a ação do ambientalismo global entre nós. Ele é contra tudo. É contra usinas nucleares (por causa do lixo atômico), é contra usinas termoelétricas (por causa da poluição e da emissão de gases), é contra usinas hidroelétricas (por causa das inundações), é contra a construção de rodovias e ferrovias que possam potencializar a expansão da fronteira agrícola (porque é contra expandir a fronteira agrícola), é contra o uso de organismos geneticamente modificados (por causa da ameaça à biodiversidade), é contra o controle soberano do país sobre as reservas minerais localizadas em áreas indígenas (por causa dos direitos dos povos originais), é contra o reequipamento das Forças Armadas e sua capacitação efetiva para defender o território nacional (pois isso seria um desperdício), é contra a integração sul-americana (por quê, não se sabe bem). É contra até o Rodoanel em São Paulo. Durante duas longas décadas, o Partido dos Trabalhadores adulou e açulou esse pessoal. Era o "internacionalismo" de mãos dadas com o imperialismo, rodopiando numa valsa maluca. Agora, o PT chegou ao governo e descobriu que sem utilizar soberanamente os recursos naturais do Brasil não haverá desenvolvimento no país que preste. E o projeto de poder do PT não sobreviverá sem mais crescimento e desenvolvimento. Sem os dois não há política distributivista que se sustente no tempo -ao menos na democracia. A cizânia está instalada. A aliança do petismo com o ambientalismo global é como o cruzamento de duas espécies distintas: coabitam há muitos anos mas não são capazes de gerar descendência fértil. Ou o PT inventa um ambientalismo nacional, voltado para o desenvolvimento verdadeiramente sustentável (sustentabilidade sim, mas com progresso), ou vai perceber que o chão começa a ceder sob os seus pés (...).

Está valendo.

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3 Comentários:

Anonymous JV disse...

é isso aí ....

quinta-feira, 24 de julho de 2008 07:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Tudo muito difícil quando observa-se o partido cada vez de forma mais enfática como uma máquina eleitoral. Não vislumbra-se minimamente um projeto de País.

quinta-feira, 24 de julho de 2008 10:06:00 BRT  
Blogger Leonardo Bernardes disse...

Essa pedra você já havia cantado, de fato!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008 12:30:00 BRT  

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