terça-feira, 6 de maio de 2008

Uma força de ocupação dentro do território nacional. E o erro dos arrozeiros (06/05)

O conflito na reserva indígena Raposa/Serra do Sol parece não ter paciência para aguardar pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto. A verdade é que os empenhados em esvaziar a fronteira norte do Brasil e deixá-la à mercê da ambição internacional (entre os quais se incluem os responsáveis no governo pela demarcação contínua da reserva) não podem mesmo esperar pela sentença do Supremo, pois talvez ela lhes seja desfavorável. Assim, trata-se de criar situações políticas que configurem cenários de fato consumado. Desse modo é que se deve interpretar a provocação montada em Roraima pelos separatistas e que resultou em uma dezena de índios feridos. Tentam mobilizar a opinião pública cosmopolita dos centros supostamente formadores de opinião, e tentam reduzir a uma "defesa dos direitos dos índios" o que evidentemente é assunto de segurança nacional. Os limites do Brasil, especialmente na Amazônia, precisam ser fronteiras vivas, povoadas multietnicamente e exploradas economicamente, para que a proteção do território possa ser eficaz. Para que a ação das Forças Armadas encontre respaldo na população. Do contrário, estaríamos projetando "iraques" na nossa fronteira norte. Daqui a pouco, a ação propagandística agressiva dos separatistas acabará querendo transformar o Exército brasileiro numa força de ocupação dentro do próprio território nacional. Mais ou menos o que se tenta fazer em Santa Cruz de la Sierra e nos demais territórios do leste da Bolívia. Tornar o estado boliviano um elemento externo a regiões do próprio país que deveria representar. A segurança dos brasileiros de Roraima, de todas as etnias, já deveria estar há muito tempo sob controle militar, mais especificamente sob as ordens do Comando Militar da Amazônia. Inclusive a Polícia Federal, para que a PF não precise ficar exposta a uma situação em que funcione na prática contra os interesses do estado nacional a que constitucionalmente deve servir. Eu não sei como vai acabar a crise em Roraima. Espero, sinceramente, que o STF decida no sentido de preservar estrategicamente a região como parte integrante do território brasileiro. Para evitar problemas maiores no futuro. Para evitar que a fronteira amazônica do Brasil mergulhe num conflito sangrento. E para defender o Brasil das tendências centrífugas que se vêem aqui e ali pelo continente, naturalmente que impulsionadas pelo imperialismo. Para terminar, uma observação. Sabem qual foi o erro dos arrozeiros de Roraima? Plantarem arroz. Se fossem plantadores de cana e usineiros de etanol, certamente teriam argumentos suficientes para serem recebidos em palácio com tapete vermelho.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

11 Comentários:

Anonymous josinaldo aleixo disse...

Alon
eu concordo sempre com quase tudo que vc fala.
Para discordar absolutamente de sua opinião sobre Raposa/Serra do Sol. Normal.
Eu acho, meu amigo que é preciso conhecer bem a região para entender oq eu está acontecendo ali. Lamento, mestre, que vc tenha se levado pelo senso comum sobre o assunto. hoje escutei as mais absurdas coisas sobre a questão. A pior foi que o CIR era uma ONG. O mesmo comentarista disse: "noticas vindas da região...". vi o rosto do arrozeiro na tv e nem uma palavra de alguma liderança indigena. Não acho que isso seja imparcialidade.
Amigo, na Serra do Divisor no Acre, quem toma conta da fronteira são os inidios Ashaninka. Se dizia a mesma coisa quando da demarcação da área Yanomami e ela continua á brasileirissima. Dizer que a fronteira norte se esvaziaria com a saida dos arrozeiros é palpite puro. Porque até cerca de 10 anos eles não estavam lá. Mas os índios sim. E tomando conta da frnteira norte. No Brasili não há tendencias centrifugas - se há em outros países latino-americanos é por razões historicas. Diga-se de passagem que quem alimenta "tendencias centrifugas" na Bolivia e aos poucos no paraguai são brasileiros principalmente que para lá levaramo que temos de pior aqui.
Eu só lamento sabe Alon, que toda essa reação contra Raposa/Serra do Sol não encontre páreo quando se fala de devolver as terras griladas por fazendeiros sulistas na Amazonia a seu legitimo dono que é a União, tampouco não testemunhei surto patriótico quando FHC privatizou o sub-solo da Pátria, nem quando o Lula entregou o mercado nacional de sementes à Bunge e a CArgil.
Obrigado pela atenção.
Com afeto
Josinaldo

terça-feira, 6 de maio de 2008 20:39:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Alon, algumas correções:
Ao que me consta o Comando Militar da Amazônia resiste em entrar em ação nesta questão porque não se trata de invasão estrangeira, e questões de segurança pública as FFAA só agem mediante ordem presidencial. Então, por enquanto, é caso de polícia mesmo.
A menos que você esteja considerando os índios brasileiros como elementos estrangeiros invasores.
O Exército tem batalhões e quartéis na área da reserva Raposa do Sol, inclusive muitos soldados são indígenas.
Setores das FFAA tem todo o direito de ser contra o que bem entender e defender mudanças naquilo que consideram melhor para o Brasil, como qualquer patriota brasileiro. Só não pode desrespeitar a constituição de 88 que deu origem a esta demarcação de reservas. Constituição é pacto social nacional. As Forças Armadas é braço armado para fazê-la ser cumprida.
E quem está fora da lei e desrespeitando a constituição são os grileiros, singelamente chamados de arrozeiros pela nossa dócil imprensa.

terça-feira, 6 de maio de 2008 21:25:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Os separatistas bolivianos são justamente os que querem se livrar dos índios.
Eu me preocupo mais com movimentos como o CANSEI vier a plantar as sementes da fundação da República de Maresias no milionário baneário em Ilhabela no litoral paulista, ou República de Angra dos Reis, para apoderar-se do campo de Tupi.
Faz muito mais sentido.

terça-feira, 6 de maio de 2008 21:29:00 BRT  
Blogger Eduardo disse...

Ih, acho que o blogueiro trocou alhos com bugalhos. Pra começar, os índios não são estrangeiros. São brasileiros, apesar de os brasileiros do Sul e Sudeste acreditarem no contrário. São eles que sustentam nossa fronteira norte, juntamente com o exército. Ademais, caro, os tais arrozeiros, se não me engano, são grileiros de terras da União. Só não vejo tamanha reação quando os movimentos dos sem-terra defendem o seu direito de ter um pedacinho de terra também. Aliás, apesar de não possuirem milícias, nem costumarem jogar coquetéis molotov na polícia, são constantemente chamados de subersivos e outras coisas menos abonadoras. Ah, esse país, esse país...

terça-feira, 6 de maio de 2008 22:27:00 BRT  
Blogger Eduardo disse...

Sim , meu caro, e na Bolívia, quem quer separar são os homens de "bem"(e não os índios) que apesar de mestiços, se acham quase "w.a.s.p"s norte-americanos. Bem parecidos com os homens de "bem" desse´país, sejam de Roraima ou de São Paulo

terça-feira, 6 de maio de 2008 22:33:00 BRT  
Anonymous Cfe disse...

Parece-me duma leveza tal alguns referirem a condição da nacionalidade brasileira do índio.

O que define a condição de obtenção da nacionalidade? Quais os conceitos correntes no Brasil e no mundo para tal? Como é que se dá o processo de secessão dos países novos das antigos em que estavam integrados?

Se responderem a isso irão ver que os ingredientes para futuras caramuças na reserva indígena estão todos lá.

Porque demarcação em região fronteiriça? Porque tanta terra? Porque os maiores críticos da existência de latifúndios querem criar mais um?

quarta-feira, 7 de maio de 2008 02:51:00 BRT  
Blogger maria fro disse...

Alon, nesta questão vc não avançou absolutamente nada, todo o seu brilhantismo problematizador se reduziu ao chavões repetidos por Jabur no Jornal da Globo.

Há semanas vc insiste em uma tese que não condiz com a realidade e pior que isso, você desinformado sobre a questão indígena além de desinformar seus leitores engrossa o caldo da violência contra essa população que apesar de toda a ganância vem resistindo

quarta-feira, 7 de maio de 2008 10:54:00 BRT  
Blogger Nélio disse...

Alon,
a atitude do min. justiça, tomando partido nessa situação, dá razão ao que o gen. Heleno disse. Concordo quando tu dizes que os arrozeiros caíram em uma cilada. Querem um novo "massacre de Eldorado dos Carajás" usando os índios como bucha de canhão.
Nélio

quarta-feira, 7 de maio de 2008 13:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
seu comentário sobre a reserva indígena é excelente. Mas a compração com o caso boliviano é estapafúrdia. Os departamentos que pedem autonomia se contentariam com a renúncia do Evo e com a volta do país à normalidade constitucional (anterior à "constituinte" evista, convocada, conduzida e aclamada dentro de um quartel, sem a presença da oposição).
Sds.,
de Marcelo.

quarta-feira, 7 de maio de 2008 14:47:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quarta-feira, 7 de maio de 2008 17:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Uma pergunta: como alguém pode invadir uma área que, pela lei, lhes pertence? O Alon diz que a Constituição está acima de nossas opiniões. Se assim o é, como podemos julgar os índios de construírem malocas em área que legalmente lhes pertence? Quem é o "invasor" nesse caso?

É realmente complicado discutir algo tão distante de nossa realidade. A mídia "ajuda", fazendo questão de não dar voz a nenhum representante indígena - são sempre os prefeitos, os fazendeiros, os delegados, os chefes de polícia, os entrevistados.

"A discussão não é sobre humanismo, é sobre política. Um ramo no qual as emoções ajudam muito pouco o debate."

Então, Alon, melhor desenvolver a tecnologia de inteligência artificial e deixar que, no futuro, sejamos governados por ciborgues desprovidos de qualquer tipo de "apelo emocional"...

Goste ou não, é impossível dissociar nossos sentimentos quando tratamos de _qualquer_ assunto - você mesmo, Alon, utiliza o patriotismo - uma emoção - como apoio de seu argumento neste assunto em particular. Afinal, é humano.

sexta-feira, 9 de maio de 2008 00:54:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home