terça-feira, 15 de abril de 2008

Entre o udenismo e o adesismo (15/04)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (15/04/2008) no Correio Braziliense.

Com o esgotamento do udenismo, o adesismo pode até parecer uma rima atraente. Mas (com a licença de Drummond) dificilmente conseguirá ser solução.

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

A fraqueza dos líderes, os maus conselhos e os maus sentimentos levaram a oposição brasileira ao atual estado de debilidade, hoje já admitido por ela própria. Os partidos que lutam contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva parecem ter decidido dar um tempo para discutir sua relação com o eleitor. Estão premidos por uma realidade incontestável: a cada dia que passa o governo fica mais forte e os adversários, mais fracos.

Há muitas razões para a anemia atual do PSDB e do Democratas. Várias delas vêm sendo expostas neste espaço nos últimos anos. Ganha um doce quem conseguir explicar, em poucas palavras, no que um Brasil governado por democratas e tucanos seria essencialmente diferente do atual. Para melhor, é claro. Se nem os líderes da oposição conseguem responder a essa simples indagação, muito menos o eleitor comum.

Outro problema é a dependência excessiva dos escândalos. Como tudo é motivo para escândalo, o feitiço acaba se voltando contra o feiticeiro. Se o escândalo passa a ser rotina, deixa de representar novidade, deixa de ser assim tão escandaloso. Com o tempo, a situação se inverte, e a oposição debilitada por sucessivas batalhas deixa de ter forças para responder adequadamente aos escândalos mais dignos desse nome. Um bom exemplo é o caso do dossiê ilegalmente produzido no Palácio do Planalto com informações sigilosas sobre gastos do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

O vetor principal, entretanto, é mesmo o programático. A ausência de alternativas programáticas leva a oposição a deixar passar todas as boas oportunidades. Na reforma agrária, por exemplo, o governo Lula é um fiasco. Mas você não ouviu falar de um único discurso de algum membro da oposição para cobrar resultados nessa área. Nem de qualquer esforço de tucanos ou democratas para buscar diálogo com os movimentos sociais no campo.

Ainda na questão fundiária, é ensurdecedor o silêncio da oposição diante da irracional demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. Nesse caso, o vácuo político é tão absoluto que a voz mais importante a se levantar contra a renúncia do país ao controle de suas próprias fronteiras foi a do comandante militar da Amazônia. Que o fez por dever de ofício. E também porque não há senador ou deputado oposicionista que se digne a tomar um avião para Roraima para, pelo menos, saber do que ocorre por lá.

Qual é a contribuição da oposição ao debate sobre a deterioração das contas externas do país? O que pensa ela sobre as críticas cada vez mais intensas e planetárias contra o sonho delirante de Lula de usar as terras agricultáveis do Brasil para ajudar abastecer a frota americana de carros de passeio, enquanto o preço da comida explode em todo o mundo graças, como admitiu o próprio presidente, à insuficiente oferta de alimentos? Novamente o silêncio.

Pior. A oposição às vezes se enrosca quando decide sair de seu sono sepulcral para dar o sinal da graça. Foi o que se passou na votação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Com a vitória nas mãos, com a possibilidade de apadrinhar o maior investimento em saúde pública jamais visto no país, Democratas e PSDB preferiram a vitória de pirro. Optaram por derrubar a CPMF, na suposição de que a perda de receitas criaria grandes dificuldades ao governo. Erraram, pela enésima vez...

Escrevi no começo desta coluna sobre a fraqueza dos líderes, os maus marqueteiros e os maus sentimentos. Falta falar do último aspecto. A oposição não se conforma com o fato de o governo Lula apresentar belos resultados na economia e no combate à pobreza. O ressentimento fica nítido cada vez que alguém da oposição abre a boca para “explicar” que nessas áreas o PT “apenas copiou” os governos anteriores. Simplesmente não é verdade. Lula aplicou um ajuste fiscal estrutural que FHC jamais quis — ou pôde- fazer. E não há como comparar monetariamente os programas sociais do tucano com os atuais. Na economia, diferenças quantitativas são também qualitativas. Toda dona-de-casa e todo trabalhador sabem disso.

Eis o cenário. O risco agora parece vir de uma direção nova. Esgotada por anos de discurseira monótona e derrotas, a oposição pode ficar tentada a simplesmente reconhecer que o governo Lula é mesmo bom e a cair nos braços do ex-sindicalista. Uma parte dela já fez isso na transição do primeiro para o segundo mandato. Será uma pena, porém, se as coisas acabarem assim. Esgotado o udenismo, o adesismo pode até parecer uma rima atraente. Mas (com a licença de Drummond) dificilmente conseguirá ser solução.


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29 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Para ganhar um doce: um governo democrático do PSDB ou do DEM (ou de quem quer que seja, desde que respeite essencialmente a Constituição) seria melhor, bem melhor, que o atual governo bastando:

i) preservar a moeda (legado, diga-se de passagem, do FHC);

ii) profissionalizar os cargos de confiança (DAS-1, 2, 3, 4, 5 e 6) do serviço público (proposta do até hoje incompreendido ministro Bresser), exonerando milhares de petistas filiados que partidarizaram a máquina pública; e

iii) manter e ampliar os auxílios sociais (Bolsa Família, inclusive) sem, no entanto, transformá-los em programa eleitoreiro e populista de governo.

É bem melhor que o atual governo.

terça-feira, 15 de abril de 2008 09:04:00 BRT  
Blogger José do Vale Pinheiro Feitosa disse...

Alon: teu espírito crítico sob a égide da racionalidade foi de pura ironia neste post. E o tom já veio no segundo parágrafo: "Ganha um doce quem conseguir explicar, em poucas palavras, no que um Brasil governado por democratas e tucanos seria essencialmente diferente do atual". Daí em diante tudo o que sugeres que o DEM e PSDB façam como força oposicionista é ironia: um contrasenso ao que representam. Como estes partidos poderiam criticar a reforma agrágria não realizada? Como poderiam se oporem a expansão da agricultura dos combustíveis? E os movimentos sociais? Nunca foi a natureza destes partidos, nem tiveram a inteligência para buscar bases conservadoras que com freqüência se encontram neles, também. Ironia pura o teu post.

terça-feira, 15 de abril de 2008 09:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Perguntas interessantes seriam: O Governo atual é muito parecido com os governos anteriores, por quê? Por que o Governo atual não consegue ser diferente dos Governos anteriores? Acho que teria, então, de ofertar mais de 180 milhões de doces, Alon. A não ser que a pergunta seja no sentido de que não vale a pena mudar se está tudo tão igual. Pode ser um bom mote para o terceiro mandato.
Sotho

terça-feira, 15 de abril de 2008 11:09:00 BRT  
Blogger Paulo disse...

O udenismo não serve a nada.

Impede que reais debates sobre o futuro do país sejam feitos. Como Alon lembrou, impede que se discuta seriamente a erserva Raposa-Serra do Sol.
Impede que se discuta o papel dos biocombustíveis.
Impede que se discuta a base agrícola do Brasil.
Impede que se discutam estratégias efetivas de segurança pública.
Impede que se discutam alternativas de política macro-econômica que superem a mera "defesa da moeda" e os "juros na cabeça sempre que possível"

Enfim, só serve mesmo à fulanização do debate político (do tipo, ficar perguntando Serra? Aécio? Dilma? Ciro? ... mas projeto que é bom, nada.

O adesismo traz as mesmíssimas conseqüências.

Como alcançar um 'Caminho do Meio'?

Há alguma força política que possa ser este 'Caminho do Meio'?

P.S.: DEMo-tucanos conversando com movimentos sociais? Hahahahaha

P.S.2: essas três coisas realmente seriam boas

i) preservar a moeda (legado, diga-se de passagem, do ITAMAR FRANCO) não é tudo, preservar o emprego e boas taxas de crescimento devem fazer parte do bolo;

ii) profissionalizar os cargos de confiança (DAS-1, 2, 3, 4, 5 e 6) do serviço público (proposta do até hoje incompreendido ex-ministro Bresser, que FHC não implementou nem tentou implementar), impedidndo que milhares de demo-tucanos e/ou petistas e/ou pedetistas e/ou etc. etc. filiados partidarizem a máquina pública; e

iii) manter e ampliar os auxílios sociais (Bolsa Família, inclusive), que nunca foram eleitoreios.

terça-feira, 15 de abril de 2008 12:46:00 BRT  
Blogger Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
Faço algumas ressalvas nesse seu texto que como sempre é da melhor qualidade.
Você insiste muito em manter críticas passadas como se quisesse dizer duas coisas, primeiro que você não mudou e segundo que as críticas a sua opinião não foram convincentes. Em relação a isso, o blog é seu e você pode fazer como quiser, mas creio que o mais correto seria criticar cada argumento contrário motivado pelo seu texto no espaço destinado aos comentários.
Assim falar em dossiê ilegalmente produzido só serve para depois você ser acusado de difamação ou infâmia, ou até mesmo de calúnia. Afinal o que você entende por dossiê? Um conjunto de dados e informações fraudados para intimidar e chantagear outro ou um instrumental de informações compiladas para melhor controle do que se estar gerenciando? E como afirmar que ele foi ilegalmente produzido?
Você insiste na questão da crise alimentar. Eu comentei aquele seu texto intitulado “Pobre Roraima, Pobre Brasil” lembrando que a crise alimentar é falsa na medida em que os preços de alimento tiveram seu recorde no final da década de 70 antes de Paul Volcker elevar assustadoramente o juro americano. Os países pobres que começavam a melhora a sua economia quebraram. E de lá para cá a inflação em dólar foi superior a 100%. Assim os alimentos vão subir mais e isso é bom para os países pobres da África e da América Latina.
Outra coisa, se o imposto existe para evitar inflação (os que dizem que é para prover os cofres públicos de recursos financeiros se esquecem que sem metade da dificuldade dos impostos existiria um jeito muito mais simples que seria emitir dinheiro), a perda da CPMF criou dificuldades sim para o governo. Se o governo tivesse arrecadando mais do que vem arrecadando, provavelmente não precisaria aumentar a taxa de juro agora.
Também acho que o adesismo não fortalece a democracia, até o contrário, ele a enfraquece. Mas os nossos caros PSDB e DEM possuem uma justificativa, afinal dizem eles, se a política econômica é a mesma, o correto é aderir. Agora, queria vê-los aderir na época do sofrimento, quando eles diziam que a política adotada estava errada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/04/2008

terça-feira, 15 de abril de 2008 14:18:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O governo Lula vai enfrentar:

1. falta de energia em 2009 (apagão da Dilma)

2. restrição externa

3. queda no ritmo do crescimento econômico

4. encontro de contas com o populismo nos reajustes da folha de pagamento da União.

Vai ser muito rápido e muito triste. Quem confunde fortuna com virtu se lambuza na véspera mas passa fome no dia seguinte.

terça-feira, 15 de abril de 2008 14:25:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

"Lula aplicou um ajuste fiscal estrutural que FHC jamais quis — ou pôde- fazer."

Alon, me explica essa aí, porque eu nunca ouvi falar

terça-feira, 15 de abril de 2008 15:10:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Alon, permita-me um longo devaneio.

De posse da experiência corrente do que é / tem sido a administração petista até o momento, entra-se em uma máquina do tempo.

Data destino: Outubro/2002.

Momento político: eleições presidenciais.

Sabendo-se que Lula:
• Manterá a política de metas inflacionárias do BACEN (taxas de juros projetadas para manter a inflação abaixo da meta)
• Manterá o câmbio flutuante (com intervenções pontuais para conter oscilações bruscas)
• Buscará honrar os compromissos financeiros internacionais (não dará calote, e, até, reduzirá bastante o passivo externo)
• Buscará racionalizar a dívida pública, alongar seu prazo e desvinculá-la do dólar, se as condições para tal se apresentarem (algo, de resto, elementar e já perseguido pela equipe de FHC)
• Manterá a carga tributária em patamares elevados (mexendo, aqui e acolá, em um ou outro imposto) e venderá caro qualquer tentativa de reduzi-la (CPMF) – não vale dizer que o PSDB elevaria impostos, a elevação da carga foi necessária para os ajustes na economia, para a geração de superávits e para dar uma folga maior a investimentos e programas sociais, mas já em 2001/2002 vinha arrefecendo e sinalizava uma estabilização)
• Buscará ampliar os superávits na Balança Comercial (cujo ponto de inflexão ascendente situa-se em 2001 – não tenho certeza, mas é anterior a 2002)
• Ampliará os programas sociais lançados por FHC
• Formará coalizões parlamentares amplas com o intuito de aprovar o seu programa de governo (ou qualquer projeto oportunista de lei que julgue conveniente e do interesse do fortalecimento do Executivo Federal)
• Usará e abusará da edição de Medidas Provisórias
• Na política externa, manterá uma eqüidistância prudente e pragmática dos pólos de poder global - algo que vem pautando, em linhas gerais, a ação externa brasileira há umas 4 décadas, a despeito de um tom mais voluntarista e pró-terceiro mundista, que se tem limitado ao discurso e pouco vem afetando a ação prática (em política externa – ainda mais do que na interna -, discurso é discurso, e prática é prática)

Perguntas:
• Por que votar em Lula, se o seu governo REAL (o viajante do tempo sabe exatamente o que Lula fará e não se deixará iludir pelo discurso histórico petista de 20 anos, que, de fato, foi o que elegeu Lula) será muitissimamente parecido com o que fizeram e pretendiam fazer os tucanos?
• O que Lula terá a oferecer de inovação, em termos programáticos – como gosta de dizer o Alon –, para convencer os eleitores?
• No que Lula se distinguirá do seu antecessor?

O Alon, com toda certeza, advertido tivesse sido pelo nosso viajante do tempo, teria mudado seu voto para José Serra, em razão da absoluta “anemia programática e ausência de propostas inovadoras para o país” por parte do bloco político Lula/PT e aliados.

terça-feira, 15 de abril de 2008 15:26:00 BRT  
Anonymous the talk of the town disse...

@ Arranha

E soh olhar o que os petistas dizem do superavit do Lula.

http://saladamaejoana.files.wordpress.com/2008/04/superavit.jpg

terça-feira, 15 de abril de 2008 17:31:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

O sentimento do brasileiro médio para baixo é o mesmo de alguém adoentado que passou anos sem melhora, seguindo o tratamento errado de um curandeiro, acreditando ser médico respeitável.
Trocou por um médico com menos títulos, com novo tratamento mais simples, e a cura se aproxima, com substanciais melhoras no bem-estar do "adoentado".

O brasileiro comeu o pão que o diabo amassou durante anos desnecessariamente, apenas sendo enganado por políticas públicas erradas, seja na dosagem, seja no rumo.

Por isso não existe mais espaço para esta oposição PSDB/DEM retomar o poder nacional. Existe nicho de eleitorado para atuar, com PSDB/DEM cada vez mais tornando-se partidos pequenos. Daí a tentação ao adesismo é grande.

Existe espaço vago para uma oposição à esquerda do governo, e para uma centro direita NACIONALISTA e em defesa do ESTADO FORTE, coisa que o PSDB/PFL renegou muito tempo e renega nos governos estaduais. Agora, por melhor que fosse o marketing político não há como o PSDB/DEM apresentarem-se com estas bandeiras.

terça-feira, 15 de abril de 2008 18:07:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Para entender o que se passa, é preciso entender o advento do governo Lula como uma mudança de patamar histórico, semelhante à ascenção de Getúlio Vargas em 1930.
A oposição da velha república fez até a guerra civil de 1932, mas nunca mais conseguiu retornar ao poder. Com o tempo surgiu nova oposição à Getúlio, subretudo na UDN, com algum resquício da velha ordem, mas já bem diferente dela, que cresceu com governadores progressistas dentro da nova ordem urbana e industrial, como Jânio, Lacerda, Milton Campos. O brigadeiro Eduardo Gomes foi um tenentista que derivou para a direita da UDN, mas não representava retrocesso. Ele lutou contra a política do Café com Leite, sobretudo no episódio dos 18 do forte.

As políticas sociais, econômicas e papel do Estado conquistadas no governo Lula vieram para ficar.

Oposição que representa retrocesso, não ganha.

PSDB/DEM só tem sobrevida e prespectiva de retomada do poder com o adesismo (que eu não quero).

Há espaço para o surgimento de novas oposições com outro perfil adequado à nova conjuntura política como disse no comentário anterior.

terça-feira, 15 de abril de 2008 18:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Agora vc foi bem, Alon, ótimo texto. Pois é, vimos pelos comentários aqui expostos que os demotucanos continuam tentando se esconder da realidade, incomodados e invejosos. Lá estiveram por 08 anos e o que fizeram? Quebradeira, duas ou três vezes,nem sei. Como isso é difícil de admitir, despistam e optam por tentar "pegar carona" no sucesso do governo Lula, dizendo que, "se estivessem lá...". Quebrariam o país de novo, é a resposta. E continuam achando que com esse falatório fingido,inútil, rancoroso e invejoso, vão cativar o eleitor. Demotucano gosta de perder eleição...

terça-feira, 15 de abril de 2008 18:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O que dá certo no governo Lula tem duas origens:

crescimento da demanda mundial por commodities e manutenção da política econômica de FHC (basta dizer que o presidente do BC é tucano, ou seja, o PT sequer tem um quadro capaz de presidir o BC).

Naquilo que o PT segue o seu programa histórico (pouco, na verdade, o chamado estelionato eleitoral): fracasso.

terça-feira, 15 de abril de 2008 19:47:00 BRT  
Anonymous Mauricio disse...

Alon:
Me parece um pouco de ingenuidade dizer que o PSDB e DEM não fazem discurso a favor da reforma agrária, não se articulam com movimentos sociais, esse era o discurso e o território do PT de antes e do PSOL, PSTU de hoje. O que a meu ver aconteceu é que o PT migrou para a direita e se apoderou do discurso e bandeiras e atitudes da atual oposição e o udenismo e adesismo tomou comta a muito tempo da mídia, onde são pouqíssiomos os jornalistas e veículos que conseguem fazer jornalismo e análises isentas. O governo por sua vez desarticulou totalmente os movimentos socias (principalmente os sindicatos) , não sobrando espaço e nem vez para quem tenha um projeto de País.

terça-feira, 15 de abril de 2008 20:23:00 BRT  
Anonymous Serginho/Sampa disse...

Primeiro, como poderia o governo atual copiar os governos anteriores já que as situações mundiais são diferentes? O blogueiro deliberadamente se esquece desse ponto e se enfia na vala comum da comparação entre duas épocas distintas.
O governo FHC enfrentou tempos de crise mundial, o governo Lula surfa na bonança. Fato.

Segundo, o blogueiro afirma que quantidade gera qualidade nos programas sociais. Simplesmente não é verdade. Se assim fosse, a universalização do ensino (ocorrida no governo anterior) levaria à melhoria de sua qualidade. E todos sabemos que não é assim.
Não foi o bolsa-esmola que elevou a qualidade de vida do brasileiro (e de todos os outros emergentes), mas sim a China. Fato.

Terceiro, o blogueiro se esquece do fisiologismo puro e simples para explicar o encolhimento dos partidos de oposição. E ao invés de criticar a inabilidade dos governos em lutar por uma reforma política, o blogueiro critica a incapacidade da oposição de ser..... fisiológica!
Para o blogueiro oposição boa é oposição que ajuda. Bem, falta combinar com os russos do petismo oposicionista Brasil à fora.

quarta-feira, 16 de abril de 2008 01:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Lançada a discussão das teses econômicas para as cucuias, são indistintas e, no geral, irrelevantes eventuais diferenças políticas. As fórmulas de gestão estão prontas e boas ou más têm servido a todos.
O PT no poder cumpre a agenda e as práticas políticas comuns que condenava. À oposição, afora deixar o tempo passar naturalmente, não parece restar espaço essencialmente diverso que o do velho PT, e marcar posição esperneando o quanto puder.
Não apresenta, no entanto, a mesma competência, segundo alguns, ou igual incivilidade, segundo outros. Em realidade, até o momento, envolvida pela mesma teia do poder por detrás do poder, foi não somente incapaz de formular discurso coerente, como minimamente apontar escândalozinho sequer.
Surfou – e muito mal – nos múltiplos tropicões dados pelo próprio governo. Inimaginável o PT calado, sem exigir o impeachment de quem fosse à hora do depoimento do Duda Mendonça na CPI do Mensalão. Ficaria esse Partido, mesmo após as urnas, em silêncio em relação aos Aloprados? Duvido. Mas a auto-intitulada oposição, ao calar, perdida as oportunidades, desgovernou-se.
Junte-se a isso o fato da população ser tradicionalmente conservadora, com tais atores não há como imaginar quadro diverso do atual.
Mello

quarta-feira, 16 de abril de 2008 08:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Os que dizem que Lula teve apenas sorte se esquecem que a crise tá aí fora, batendo na porta. Os EUA e a UE estão com as barba de molho faz tempo. A crise atual atingiu o centro do sistema. Mesmo assim o Brasil consegue ir tocando o barco. No tempo dos tucanos, bastava um tremilique da Rússia e a coisa já ia pro brejo. Cuidado com as análises tipo FLA x FLU.
Rundfunk

quarta-feira, 16 de abril de 2008 11:13:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Discordo das teses dos oposicionistas quanto a continuismo das políticas de FHC no governo Lula.
Concordo que a quantidade faz toda a diferença, como disse Alon.
Dois médicos podem usar o mesmo remédio para doenças iguais. Mas o desconhecimento da dosagem certa faz toda a diferença.
Políticas sociais insuficientes levam à degradação nacional.
Política econômicas insuficientes ou em overdose levam à quebradeira.
Números e estatísticas não mentem. Leiam os balanços econômicos e sociais de uma gestão e outra e vejam que havia algo de muito errado na gestão anterior do PSDB/PFL.
Outra diferença fundamental é sobre a função e tamanho do Estado. É completamente diferente na teoria e na prática entre os dois governos. No anterior era privatização, terceirização, redução das funções e tamanho do Estado. No atual é o contrário.
Tampouco conjuntura internacional era desculpa na era FHC. Índia e China foram muito bem nesta época, mesmo com crise russa e asiática. FHC foi contemporâneo da era Clinton da exuberância irracional. Não soube tirar proveito do alinhamento que escolheu ter com os EUA.

quarta-feira, 16 de abril de 2008 12:09:00 BRT  
Anonymous João Sebastião Bar disse...

Caro Alon,
Estou enviado para este post, é sobre política, mas de fora, tipo uma terceira via deles, como precisamos aqui também.
O vídeo apresentado pela TV de Dubai, União dos Emirados Árabes (1min. 41 seg.), sinaliza que esta percorrendo o mundo, mostra muito sobre a pessoa de Barack Obama e sobre o olhar do mundo na eleição, é isso que tenta mostrar o blog huffingtonpost. Não é a primeira vez que ocorre o engano de trocar a palavra "Obama" por "Osama", algumas intencionais, outras não, mas são inúmeras figuras importantes que ja cometeram esse erro, pois a neurose continua nas alturas, como sempre foi na nova Roma. Porém, essa acho que deve ter sido a primeira, foi na presente dele e fazendo pergunta para ele sobre a guerra no Iraque, Afeganistão, o Taliban e "Obama" Bin Laden. Ontem ele foi taxado de ser Marxista, cada dia tem uma agressão nova, para quem ainda pensa que não tem baixaria e populismo aqui,coloca as barbas de molho, tem sim, mas estamos mais abaixo na escala. A reação dele com uma certa tranqüilidade, dose de humor e a reação espontânea da platéia mostra ser uma pessoa bem acima da média, não têm mais como ignorar o fato. Se a eleição fosse estendida aos quatro cantos do globo, penso que seria eleito. O vídeo merece uma legenda em português. http://www.huffingtonpost.com/jamal-dajani/obama-bin- laden_b_96863.html
Sds,
JSB

quarta-feira, 16 de abril de 2008 12:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Se a CPMF tivesse passado, o governo não precisaria estar aumentando os juros agora".

Raciocínio brilhante. Que tal criar um imposto que arrecade uns 200 bilhões a mais? Com isso seria possível reduzir a taxa de juros pela metade, né petista?

Eu sou um gênio, não sou?

quarta-feira, 16 de abril de 2008 17:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Pergunta ao José Augusto, que parece ser muito bem informado:

você sabe qual foi o aumento do preço, por exemplo, do minério de ferro de 2002 a 2008?

quarta-feira, 16 de abril de 2008 17:44:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Anônimo,
Não sei o aumento preço (é bom incluir no cálculo a desvalorização do dólar, para não ficar iludido), mas sei que a Vale foi muito mal vendida. Como brasileiro, me senti subtraído no patrimônio nacional. Se a Vale continuasse Estatal, esse dinheiro que está entrando do minério de ferro poderia estar a serviços do desenvolvimento nacional e geração de empregos, através de pólos de investimentos siderúrgicos, transportes e outros, em vez de estar fazendo aquisições no exterior.

quarta-feira, 16 de abril de 2008 22:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Governo atual é mestre em uma coisa: ROTULAR coisas !

i) rotulou a herança de estabilidade na moeda e um perfeito processo institucional de transferência de poder para o PT de... HERANÇA MALDITA.

ii) rotulou o esforço da oposição de não renovar um imposto provisório como... RETIRARAM 40 BILHÕES DA SAÚDE.

iii) rotulou a posição firme, não fisiológica, da oposição como... ÓDIO DESTILADO.

iv) rotulou a falta de responsabilidade do maior servidor da república como... EU NÃO SABIA DE NADA, FUI TRAÍDO.

E outros rótulos.

Pergunto: esse é um bom governo ??

Ético ???

Pergunto novamente: ÉTICO ??

Qual o legado para a juventude ??

Eis um rótulo para o atual governo Lula: PERMISSIVO.

quinta-feira, 17 de abril de 2008 07:59:00 BRT  
Blogger Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
Um Anônimo me chamou de petista e ele tem parte de razão. Votei em Lula em 1998, 2002 e 2006. Era brizolista e votava em Minas Gerais no legislativo para o PT. Meu voto no legislativo era complicado. Votava no PT por que era em quem mais confiava, não acreditava que estavam certos, pois não acredito na democracia ética que o PT então pregava. Só existe no mundo democracias fisiológicas. O representante é eleito para representar os interesses dos que ele representa e não para representar os interesses maior do país, que ninguém em cada instante sabe qual é. Se soubesse não haveria nem a necessidade da representação. As democracias não fisiológicas são ou ditadura - Cuba, China, para ficar em exemplos atuais - ou democracias éticas que não existem. O PSDB sabe disso, pois nos seus quadros tem grandes estudiosos da democracia americana, exemplo máximo do fisiolgismo, quadruplicado pelo voto distrital e reduzido pela presença de só dois partidos. Mas ao contrário do que sabia, o PSDB pregava a ética na política sem acreditar nela e por isso eu não votava no PSDB, pois embora a favor da fisiologia, acho que o mínimo que se exige é não ser mentiroso. Quanto ao PT eu o achava ingênuo. Um exemplo de mentira foi aquela que dizia que governo bom fica, governo ruim sai, utilizada primeiro para defender o palamentarismo e depois para defender a reeleição de FHC. Mas a tese ficou desacreditada com a reeleição do Lula, pois eles insistiam em dizer que o governo Lula era o mais incompetente. Nós nunca teremos condições de avaliar se um governo é bom ou ruim. Nós temos opiniões que podemos embasá-las em alguns itens. Sou a favor de governo que faz distribuição de renda, assegura crescimento econômico e mantém saldo na balança comercial capaz de liberar o país do jugo internacional. Mas não há comprovação de que isso é o melhor para o país. A população, de modo geral, acha que a inflação baixa é a melhor. Que eu conheça, não há economista – e se alguém conhecer que me apresente – com conhecimento de causa para, com exemplos práticos, comparando países, comparando um mesmo país ao longo do tempo, demonstrar que a inflação é causa de menor crescimento ou menor taxa de investimento. Mas a inflação é causa de transtorno político. O governo do PT (e não o Banco Central, porque esse faz o que o governo do PT quer) reduziu o juro muito bruscamente no segundo semestre de 2003 para assegurar um crescimento maior em 2004 de modo a facilitar a vida dos candidatos do governo do PT na eleição de 2004, mas como sabia que a inflação é um estorvo político aumentou o juro ao longo de 2004 e início de 2005. Para 2008 a história vai ser a mesma. Este ano nós vamos ter aumento de juro, mas o crescimento ainda será alto.
O Anônimo critica a minha proposta de trocar o aumento de juro pela CPMF. E diz que isso é proposta de petista. Bem ele não diz se é a favor do aumento do juro. Se for, como eu demonstrei acima, ele também é petista. Se for contra o aumento do juro, eu gostaria de repetir que a minha proposta era exatamente para satisfazer as pessoas contra o aumento do juro.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/04/2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008 09:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Se a Vale continuasse estatal, provavelmente não estaria produzindo nem um quinto do que produz em toneladas. Provavelmente estaria fazendo empréstimos não contabilizados para partidos políticos.
Confira o atraso nas metas de produção da Petrobrás e veja o custo que isso significa para o país, porque resolveram brincar de construir plataformas no Brasil. Você é muito bem informado, José Augusto.

quinta-feira, 17 de abril de 2008 14:57:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Construir plataformas no Brasil é escolher entre desenvolver uma engenharia naval nacional, ou jogar dinheiro fora na formação de engenheiros para irem trabalhar fora (não parece inteligente fazer isso), ou tornarem-se meros auditores, vendedores, etc, longe da área do projeto.
Construir plataformas aqui gera novos conhecimentos em métodos construtivos, com patentes no Brasil, que gerarão royalties futuros.
Além de que construir fora é exportar empregos de técnicos e operários metalúrgicos e outros.
Faz mais sentido fazer plataformas aqui e extrair petróleo mais devagar, do que abarrotar o mercado de petróleo (mera commoditie, e derrubar o preço para os países concumidores) deixando o filé mignon da tecnologia ser toda feita no estrangeiro.
Isso é política industrial. A boa escolha econômica de longo prazo para uma nação é diferente da que o "mercado" interessa, pois visa só lucro.
A Vale responde apenas aos interesses dos acionistas. Uma empresa que move a economia de vários Estados em que atuam, deveria estar a serviços de interesses maiores nacionais.
O Brasil fazia satélites espaciais já na década de 80. Hoje, a Embratel privatizada, usa satélites estrangeiros, por onde passam comunicações militares brasileiras, e para onde vai parte das tarifas de telecom que pagamos.
As políticas neoliberais tucanas e do PFL levaram o Brasil e perder espaço em setores como indústria naval, bélica e de telecom.
A Coréia do Sul tornou-se um país desenvolvido porque teve seguidas políticas industriais aliadas à educação. Uma coisa sem a outra é insuficiente para gerar riqueza.
Você pode alegar que os conglomerados Coreanos são privados e não estatais. Ok. Só que todo o sistema bancário Coreano era estatal, justamente para usar cada gota da escassa poupança interna do país no pós-guerra (da Coréia) para financiar o desenvolvimento (olha a mão do governo por trás). E as empresas coreanas tinham metas de exportação. Se não cumprissem perdiam linha de financiamento e quebravam (olha a controle do governo).

quinta-feira, 17 de abril de 2008 20:28:00 BRT  
Blogger Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
Em relação ao comentário do “Anônimo” eu esqueci de mencionar que propor um imposto para arrecadar 200 bilhões, provavelmente em Reais e durante um ano, não é uma tarefa muito fácil, como deveria ter deixado claro a falta de êxito do governo na aprovação da prorrogação de tributo que só assegura R$40 bilhões.
Agora um outro assunto. No meu comentário, eu menciono que, nos Estados Unidos, o voto distrital quadruplica o fisiologismo e a existência de só dois partidos o reduz. Preciso me alongar um pouco sobre esse tema. Dia 9 e 10 de abril, aconteceu em Belo Horizonte, um Congresso de Direito Constitucional. O José Afonso de Souza, constitucionalista de renome, propôs o voto distrital proporcional. A proposta dele era em tudo semelhante a uma que eu havia feito em 1997. Para entender a proposta há que compreender que o voto distrital se opõe ao voto geral e o voto majoritário se opõe ao voto proporcional. Há um quadro publicado na Gazeta Mercantil de Segunda-feira, 21/11/1991, na página 8, que mostra que as mulheres ocupam, em maior proporção, cadeiras em parlamentos sujeitos a eleição (representação) proporcional do que em parlamentos sujeitos a eleição (representação) não proporcional. Se a mulher, majoritária quantitativamente, é menor representada em modelos majoritários, imagina-se o que ocorre com as classes que além de ser numericamente inferior também detém menos poder econômico. Os que lutam por maior igualdade devem lutar pelo voto proporcional. Alem da participação de todos, sem exclusão de classe, um outro avanço ocorreu na evolução da democracia direta da Grécia antiga para a democracia moderna representativa. Na democracia direta não há conchavo, não há fisiologismo, não há toma-lá-dá-cá, pois impera a vontade da maioria (é claro que se for um número pequeno como o existente em um parlamento como o brasileiro o processo fisiológico pode ocorrer, mas normalmente nas democracias diretas as decisões são pontuais e não se vinculam a decisões futuras e provavelmente não haveria como formar partidos políticos) Na democracia direta, portanto não há o respeito aos minoritários, pois há a ditadura da maioria. Este avanço é melhor assegurado pelo voto proporcional. Por isso sou contra a reeleição do chefe de executivo, pois isso significa dar mais poder ao voto majoritário. Pois bem, o voto distrital proporcional significa que se contabiliza os votos de cada partido em todos os distritos e verifica-se quais os políticos seriam escolhidos, podendo ocorrer de não se escolher como representante de um distrito o representante mais votado.
Agora um terceiro assunto. Uma vez no seu blog, falei sobre a incompetência do governo de FHC em ter vendido a Vale. Mas não me referia ao preço. Referia ao fato de que os recursos de que o país dispõe em abundância são melhores explorados por empresas ineficientes, pois assim levará mais tempo para se exaurir esses recursos e a oferta reduzida aumenta o preço do recurso enquanto a super oferta reduz o preço. É claro que o país teria que saber administrar isso, pois se a redução da oferta aumentar muito o preço pode haver uma entrada muito grande de divisa estrangeira e com isso valorizar a nossa moeda ao ponto de inviabilizar a produção do nosso setor manufatureiro exportador. É brincadeira? É, mas tem muita verdade.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/04/2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008 21:36:00 BRT  
Blogger Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon Feuerwerker,
Muito bom o comentário do Frank. Eu já havia lido comentário semelhante em dezembro de 2005, na Folha de S. Paulo em artigo de Luiz Carlos Mendonça de Barros. O artigo dele pode ser visto no site do PSDB ou PSDBista “e-agora”. Um pouco envergonhado o Luiz Carlos tratava o Lula como estadista. Ali no final de 2005, ficava fácil para um psdbista tratar o Lula como estadista, pois estava mais do que garantido que Lula perderia a eleição. No artigo, o viajante vai ao futuro : 2008, 2009 e 2010 e vê tudo que está acontecendo agora (É bem verdade que o Lula está antecipando um pouco as previsões de Luiz Carlos).
Bem, o Frank fez um resumo muito bom desse período do governo Lula. Há alguns esquecimentos ou omissões e algumas opiniões contrárias ao que eu penso. Creio que em 2002 Lula recebeu muitos votos de pessoas que imaginavam que ele ia fazer o contrário do que fez. Mas como se explica a sua eleição de 2006? Havia uma colega de trabalho que constantemente dizia que Lula a havia traído. Até que um dia eu disse para ela: amiga, você votou no Lula porque tinha a expectativa de que quando ele ganhasse o sapo barbudo iria virar um príncipe encantado, apareceria o seu dedo amputado e ele mostraria o diploma de curso superior e um mestrado de Harvad.
Uma das omissões do Frank foi passar por alto da eleição de 2006. Creio que o Lula manteve a política de metas inflacionárias por não ter força política que lhe permitisse adotar política mais inteligente. A política de metas é de país pequeno. O maior PIB do mundo não a adota (os Estados Unidos), o 2º maior PIB (A Europa) tem teto mas não tem meta, o Japão, o 3º PIB do mundo, também não tem meta, a China também não tem meta e quando o Brasil for o 6º PIB do mundo, daqui uum 5 a 10 anos também não terá meta de inflação. No caso do câmbio flutuante vale a mesma crítica com a diferença é que há dois blocos de país que adotam a moeda flutuante, os países pequenos e os países de moeda forte. O Brasil não pertence a nenhum dos dois.
As omissões ou esquecimento em relação à referência à inflexão nos superávits da Balança Comercial, eu gostaria de salientar os seguintes aspectos. Primeiro houve a maxidesvalorização de 1999, provocada, segundo FHC, pela moratória de Itamar em Minas. Então devemos dar graças a Deus a Itamar, por isso. Mas o governo irresponsável de FHC com medo da desvalorização elevou o juro a 45% ao ano. Houve um segundo ponto de inflexão em 2001, produzido pela recessão provocada pelo governo para evitar o apagão aéreo. Pela primeira vez no Brasil, a recessão é provocada por falta de planejamento. O Itamar até que tentou consertar construindo Irapé, mas o tempo de maturação de uma usina hidroélétrica é muito grande. O terceiro ponto de inflexão foi a desvalorização de 2002 que FHC atribui a Lula. Como se vê, o FHC se exime de tudo que foi bom para o Brasil. E o quarto ponto de inflexão foi a política recessionista com a manutenção de ajuste fiscal mais duro mesmo em momento de bonanza, feito durante o governo Lula. Saldo na balança comercial só se obtém se se impõe sacrifício a uma nação. Lula teve a coragem de fazer isso e hoje o Brasil vai se libertando das amarras ao capital internacional.
Outra omissão foi esquecer o nome de Medici entre aqueles que lançaram programas sociais no Brasil (a aposentadoria rural) e do Sarney com o salário desemprego. Se Lula não os ampliou foram porque eles foram lançados completos.
Quanto a política externa, houve muita crítica a Lula por ele direcionar a sua política externa para países pobres quando seria mais correto voltar-se para os Estados Unidos. Outra brincadeira. No segundo turno de 2006, eu explicava porque a rede Globo iria apoiar o Lula, ao contrário do primeiro turno. O Lula é uma celebridade mundial, a Globo vende melhor os seus produtos tendo o Lula como mascote de que com o Serra ou o Alckmim
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/04/2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008 20:47:00 BRT  
Blogger Atílio disse...

Pelo que podemos deduzir do seu texto não será surpresa se a oposição aderir em massa ao terceiro mandato.

domingo, 20 de abril de 2008 03:39:00 BRT  

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