terça-feira, 8 de abril de 2008

Dúvidas a esclarecer (08/04)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (08/04/2008) no Correio Braziliense.

Se o banco de dados do Palácio do Planalto é só administrativo, por que o governo não afirmou desde o início que as planilhas impressas sobre despesas de Fernando Henrique Cardoso foram produzidas ilegalmente a partir desse banco e não chamou na mesma hora a Polícia Federal?

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

Se melhorar a eficiência gerencial é o objetivo do banco de dados de informações sobre despesas com suprimento de fundos na Presidência da República, por que alimentá-lo com gastos de um governo que já terminou? Que tipo de medida administrativa pode ser adotada para aumentar a eficiência de um governo que já se foi? Pode-se até explicar que os dados relativos ao segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso estavam sendo organizados para permitir a comparação com o atual. Mas por que comparar apenas Lula e FHC II? Por que não estruturar, por exemplo, as informações relativas a FHC I? Ou a Itamar Franco? Por que não fazer uma série histórica mais longa?

A última pergunta também enseja uma resposta imediata. Para não perder o foco, o Palácio do Planalto organizava os relatórios em antecipação a possíveis pedidos de uma provável futura Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), cujo escopo iria abranger de 1998 para cá. Mas, se o foco é a CPI, por que então alimentar o banco de dados com despesas secretas de FHC II, já que é questão de honra no Palácio do Planalto manter sigilosos os mesmos números de Luiz Inácio Lula da Silva? O governo dá todos os sinais de que lutará até o último homem para não mandar os gastos secretos presidenciais de Lula ou de FHC à CPI. E não há hipótese de mandar os de um e não os do outro. Por que então se preparar para algo que não vai acontecer?

Uma saída do governo é dizer que havia uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar melhor as informações sobre despesas com suprimento de fundos. Mas o pedido do TCU era relativo apenas ao governo Lula. O TCU não pediu ao Palácio do Planalto nenhuma providência quanto à formatação dos gastos de FHC.

Vamos em frente. Se o objetivo do banco de dados é aumentar a eficiência dos controles, quais as ações administrativas já adotadas a partir das informações gerenciais obtidas com o banco? Aparentemente não muitas, pois o Palácio do Planalto teve que correr para tomar medidas quando eclodiu a crise provocada pelos gastos da então ministra da Igualdade Racial. Outra boa questão é saber se o banco era alimentado com informações de todo o governo, já que a Presidência da República responde por uma fatia minoritária — ainda que expressiva — dos gastos.

Um fato que levanta dúvidas a respeito do suposto empenho governamental com a organização de informações foi estampado em fotos e vídeos no noticiário da semana passada. Caixas e caixas de papéis enviados pelos ministérios à CPI dos Cartões Corporativos. Não são imagens de um governo especialmente ocupado em estruturar dados com o objetivo de aumentar a eficiência. Ou então estamos diante de um caso gritante de incompetência. Discursa-se sobre organização, enquanto a desorganização grassa pela Esplanada dos Ministérios.

Outra dúvida é sobre os arquivos eletrônicos com planilhas Excel de despesas supostamente constrangedoras do então presidente FHC, de sua primeira-dama e ministros. Se o que se organizava no Palácio do Planalto era só um banco de dados administrativo, por que o governo não afirmou desde o início que as planilhas impressas sobre o tucano foram produzidas ilegalmente e não chamou na mesma hora a Polícia Federal, para investigar e esclarecer a possível invasão dos computadores da Casa Civil? Por que não fez isso quando achava que a imprensa detinha somente versões impressas dos arquivos? Por que agiu apenas quando ficou evidente que um jornal possuía o material na versão eletrônica?

Diante desse conjunto de dúvidas, é legítima a suspeita de que o governo só decidiu se mexer de verdade quando obteve a evidência de que pode haver, como em Watergate, um “garganta profunda” no Palácio do Planalto. Ou seja, teria resolvido agir quando percebeu que poderiam vir a público novas informações. Mas o governo tem todas as condições de enterrar essa suspeita. Que se encontre o responsável pela manipulação indevida das informações secretas e se explique a história do imbroglio, nos mínimos detalhes. Simples assim.


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21 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

A "recomendação" do TCU não era relativa apenas ao governo Lula...Alon, meu caro, perca um pouco de seu precioso tempo, e leia o relatório do Tribunal...

terça-feira, 8 de abril de 2008 08:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ninguém vai comentar esse brilhante texto de jornalismo investigativo ?? Ou - como é mesmo - jornalismo raciocinativo...

terça-feira, 8 de abril de 2008 09:39:00 BRT  
Anonymous Péricles Silva disse...

Primeiro anônimo, mostre em que texto do TCU há alguma recomendação para o governo Lula organizar dados com despesas de cartões e contas B do governo FHC desde 1998. Eu procurei em todos os lugares e não achei. Veja esta matéria da Folha:

São Paulo, segunda-feira, 31 de março de 2008

TCU não pediu nem recomendou levantar dados do governo FHC

MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A justificativa que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresenta para o levantamento dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não resiste a uma visita ao endereço do TCU (Tribunal de Contas da União) na internet. As decisões (acórdãos) de três auditorias feitas em gastos com cartões corporativos -restritas ao governo do presidente Lula- não determinam nem sequer recomendam a recuperação de dados da administração tucana, conforme a Folha já havia noticiado.
O gesto mais próximo do que a ministra afirma foi a cobrança de maior controle das despesas com cartão corporativo no governo Lula. O tribunal recomendou que o Planalto contivesse esse tipo de gasto e limitasse a situações "excepcionais" os saques em dinheiro, cuja falta de transparência ainda é um alvo de crítica do TCU.
As três auditorias apontaram falhas importantes no uso dos cartões corporativos no gabinete da Presidência, como o uso exagerado dos cartões para saques em dinheiro ou para a aquisição de bens e serviços.
Na edição de terça-feira passada, a Folha noticiou que o TCU derrubava versão apresentada pelo Planalto para o dossiê. Mas anteontem, em Curitiba, Dilma Rousseff voltou a mencionar um dos acórdãos do tribunal para tentar justificar o trabalho de sua equipe.
O acórdão mencionado pela ministra no sábado se refere à segunda auditoria do TCU. Essa investigação apontou gastos "questionáveis" com a compra de bebidas alcóolicas e gêneros alimentícios refinados nos primeiros anos de gestão Lula. Como desdobramento dessa investigação, a auditoria seguinte do tribunal apontou irregularidades fiscais em 35% dos comprovantes de gastos com cartões analisados.
Os três acórdãos receberam os números 1.783, 230 e 470. As decisões foram aprovadas pelo plenário do tribunal, respectivamente, em 2004, 2006 e 2007. Todos podem ser conferidos no site www.tcu.gov.br.

terça-feira, 8 de abril de 2008 11:02:00 BRT  
Blogger Paulo disse...

Alon escreveu:
"Se o banco de dados do Palácio do Planalto é só administrativo, por que o governo não afirmou desde o início que as planilhas impressas sobre despesas de Fernando Henrique Cardoso foram produzidas ilegalmente a partir desse banco e não chamou na mesma hora a Polícia Federal?"

Bem, se me lembro bem, nem a Veja nem a Folha publicaram prontamente o documento.
Apenas depois a Folha o publicou parcialmente e, finalmente, Noblat o divulgou na íntegra.

Logo, o governo não podia afirmar que as planilhas foram reproduzidas ilegalmente pois não conhecia o suposto dossiê.

Além disso, quando o suposto dossiê foi publicado a ministra Dilma Roussef mostrou que ele difere da planilha (possui uma coluna a mais e, se não me engano, fonte/letra diferente).

De qualquer modo, o governo abriu prontamente uma sindicância, não foi?

Alon perguntou:
"Que tipo de medida administrativa pode ser adotada para aumentar a eficiência de um governo que já se foi?"

Estabelecer padrões administrativos para gastos na presidência é uma forma de melhorar a eficiência não só do gasto mas como do controle.
Comparar gastos de administrações diferentes ajuda a estabelecer padrões.
[Alon, não me diga que você comprou o papo de "chantagem"?]

Alon perguntou:
"Mas por que comparar apenas Lula e FHC II?"

Talvez porque o cartão de pagamentos do governo federal foi efetivamente estabelecido no segundo mandato?

Alon perguntou:
"Por que então se preparar para algo que não vai acontecer?[enviar dados à CPI]"

Bem, talvez apenas para estabelecer um padrão de gastos do Planalto.

Alon lembrou que:
"no noticiário da semana passada. Caixas e caixas de papéis enviados pelos ministérios à CPI dos Cartões Corporativos"

Osdados ainda estão em processo de compilação em planilhas, mas a CPI não deve querer esperar, logo, envia-se o material bruto - até para que não se criem dúvidas sobre o banco de dados (creio ser padrão em qualquer investigação consultar a documentação em papel disponível para verificar e confirmar dados digitais, não é mesmo?).

Alon sugeriu:
'Que se encontre o responsável pela manipulação indevida das informações secretas e se explique a história do imbroglio, nos mínimos detalhes. Simples assim."

Também acho simples.
Basta perguntar pro senador Álvaro Dias. Simples assim, não é?

terça-feira, 8 de abril de 2008 11:29:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Vamos ao que interessa nesse caso: as eleições de 2010.
"O relatório poderá ser explorado politicamente por qualquer candidato oposicionista?"
Não! Os dois principais oposicionista do governo estão sentados sobre uma CPI abafada que trataria do mesmo assunto.
"Mas aqui a questão é o Estado sendo instrumentalizado para atingir o adversário."
Também, não. (supondo que seja verdadeira a tese, que discordo) tem o caso da Roseana Sarney que deixa o jogo em 0X0.
Mas o que é mais importante, como eu havia previsto no caso do mensalão, a população não tava nem ai para briga de politico. O que vale é se o governante melhorou seu bolso. Olha as pesquisas sobre as eleições municipais que não me deixam mentir. Sugiro que o DEM em particular trate das sua principais vitrines´, que são a cidade do Rio de Janeiro e São Paulo. E convenhamos, se a oposição levar uma surra nas eleições municipais, o sonho do retorno a presidência pode ficar mais distante mais distante.

terça-feira, 8 de abril de 2008 12:36:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O lema do petismo agora é "ética não enche barriga". Que beleza. Voltamos cinquenta anos em cinco!

terça-feira, 8 de abril de 2008 15:28:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Alon, veja bem o que você está escrevendo.
Haveria um suposto dossiê para chantagear a oposição.
Se é chantagem, teria que ser do tipo: se vocês não cederem no que eu quero, eu conto pra todo mundo (o conteúdo do "dossiê").
O dossiê conteria informações sigilosas que se vazadas, incriminariam quem a vazou.
Onde estaria a eficiência da chantagem? Se usada, incriminaria quem a fez.
E tanto faz se o vazamento fosse clandestino. A partir do momento em que a oposição tivesse sido "chantageada" o efeito negativo seria o mesmo.

E você jura que acredita que se fossem fazer um dossiê anti-FHC, as informações seriam estas singelezas que saíram na imprensa?

terça-feira, 8 de abril de 2008 16:22:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Caro Alon, outra coisa:

No jornal em que você trabalha, um diretor administrativo pode achar que determinadas despesas a serviço estão altas, e pedir a uma secretaria que verificasse os gastos de fulano ou beltrano.

Se esses gastos fossem seus, por exemplo, isso não seria um dossiê feito pela empresa para chantagear o Alon.

Talvez o funcionário, questionado pelo diretor administrativo, justificasse que os gastos são normais para o bom desempenho de seu trabalho.

O diretor administrativo, para verificar se são normais mesmo, procura uma comparação nas contas do antecessor ao cargo, para ver o padrão de gastos anterior.
Novamente não há nenhum dossiê para chantagear o funcionário anterior.

Tãopouco o diretor administrativo deve dar explicações públicas sobre seu método trabalho, uma vez que está dentro de suas de suas atribuições, e principalmente porque manuseia informações que devem primar pela discrição.

Presidentes da República também são servidores do Estado e do povo. Por isso podem e devem ter suas contas analisadas e questionadas pelas autoridades que tenham delegação para isso. Os gastos de Lula podem ser levantados pelos seus sucessores para analisá-los à vontade. Não haverá nenhum crime nisso.

Se as normas de segurança recomendam que as despesas não sejam publicadas, e estas normas estão em vigor institucionalmente, pode-se criticar para mudar as normas. Mas não se pode pedir que não as cumpra.

A imprensa decidiu testar hipóteses sobre a motivação do "dossiê". Pode testar hipóteses à vontade, assim como foi o "grooving" em Congonhas. Mas quer queira quer não, a Ministra tem a seu favor o benefício da dúvida, porque é perfeitamente normal que ela averigue o padrão de gastos no exercício do cargo por pessoas diferentes, quando a própria oposição questionou estes gastos.

Quando a Erenice Guerra sequer se recusou a responder perguntas da Folha, quando questionada sobre a existência das informações, seria uma clara evidência de que tratava-se de um mero levantamento analítico conforme exemplificado acima, nunca se tratou de qualquer "dossiê para chantagear a oposição".

Uma imprensa isenta teria que estar vendo este ângulo da coisa no mínimo da mesma forma que "compra" a versão do "dossiê para chantagear".

terça-feira, 8 de abril de 2008 16:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Governantes sanguinários?

A FARC está matando seus reféns da forma mais abjeta e os outros são sanguinários?

Isso se chama novilíngua stalinista.

terça-feira, 8 de abril de 2008 19:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon, se "melhorar a eficiência gerencial" FOSSE o objetivo do banco de dados da Casa Civil, não seriam utilizadas expressões coloquiais em uma de suas colunas (Observações), por isso o governo se apressou em fazer divulgar que o tal "banco de dados" teria sido alterado pela imprensa ou por "alguém". Mas não foi alterado. Não foi. É o original como atestou a Folha. A coluna Observações, com termos coloquiais como "uiscão do bom", dentre outros, é PROVA de que o material teve outro objetivo, o de intimidação politica do PSDB e do Fernando Henrique. Não seria crime se não tivesse sido utilizado (aí, sim, seria um inofensivo banco de dados do PT ou do governo, tudo bem). Mas foi utilizado para intimidação política da oposição... Isso é crime! Os responsáveis estão no Palácio do Planalto. Resta saber: quem é o mandante do crime ?

quarta-feira, 9 de abril de 2008 09:32:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Anônimo,
A coluna com termos "Uiscão do bom" ainda não foi publicada em lugar nenhum, por enquanto. Se existe de fato, ainda não apareceu nem na imprensa nem na oposição.
Se o relatório "foi utilizado para intimação política da oposição" como você diz, você tem que cobrar da oposição que dê queixa formal.
Neste caso a oposição estaria prevaricando com seus eleitores ao estar sendo chantageada e não tomar providências legais.
Não fazem isso porque sabem que não houve nenhum crime, e denunciar falso crime torna-se um crime em si. Quem ficaria em situação delicada seria o denunciante do falso delito.
A situação que está sendo colocada é como pedir que a polícia investigue um assassinato sem cadáver, sem desaparecimento da suposta vítima, sem testemunha, sem queixa. É surreal.
O único suposto crime até agora foi a acusação da Folha de São Paulo de que os dados sigilosos que ela tem em mãos foi roubado da Casa Civil, mesmo assim a Folha não apresentou cópia do arquivo digital para perícia.

quarta-feira, 9 de abril de 2008 13:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

E a história da Polícia Federal investigando apenas e tão-somente o vazamento ? Desde quando alguém diz ao delegado o que investigar e o que não investigar ? O delegado (a menos que pelego) deve, por consciência, investigar todos os possíveis crimes... Ou não ? Se o Lula quer saber quem vazou, não é preciso chamar a Polícia Federal para isso... Triste! A propósito de "dever de consciência": onde está o Ministério Público ? Onde está o tal Procurador franciscano ? Heim ? Onde ? Onde ?

quarta-feira, 9 de abril de 2008 17:03:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Anonômio,
Quem disse que a PF só tem delegação para investigar tão somente o vazamento? Só os jornais.
O que houve é abertura de inquérito a pedido do queixoso (a casa civil) por causa do vazamento, a única coisa mais paupável que se possa justificar para abrir inquérito.
Para investigar chantagem o chantageado precisa dar queixa, senão a chantagem torna-se uma invenção da PF, e a PF vira uma polícia política.
Se bate boca político no congresso virar motivo de investigação pela PF, ela retorna aos tempos da ditadura de investigar atividades "subversivas", e a mesma jurisprudência que aplicar à Dilma teria que ser aplicada à Alvaro Dias, por exemplo.
Por mais que a oposição queira sangrar o governo, acho que ninguém deseja um retrocesso desses na PF.

quarta-feira, 9 de abril de 2008 18:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro J. Augusto... Quem disse que a Polícia Federal só vai investigar o vazamento foi o MINISTRO DA JUSTIÇA ! Os jornais apenas reproduziram a sua fala. Por favor... Ele deveria afirmar simplesmente: um inquérito policial está aberto, devido a uma queixa-crime, e cabe à Polícia Federal investigar. Cabou! Pronto! Não deveria jamais dar os limites da investigação... Ora bolas! E se o Sen. Álvaro Dias, convidado fosse para depor, dissesse o nome do Senador do Governo que lhe mostrou o dossiê ?? O delegado faz o quê ??

quarta-feira, 9 de abril de 2008 22:32:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Caro anônimo.
O Ministro Tarso Genro deu sua opinião: há crime no vazamento de informações sigilosas. Dossiê é conceito.
Foram estas as palavras dele. Ou seja, no entender dele não há uma tipificação criminal no que a imprensa chama de dossiê, sem que haja uma denúncia de chantagem.
Não há ordem nenhuma nisso para investigar apenas o dossiê, nem poderia. Policiais obedecem a seu estatuto funcional e não a ordens políticas.
Já estão querendo colocar palavras na boca do Tarso Genro para derrubá-lo também por prevaricação, assim como fizeram com a Ministra Dilma?

Se o Senador Álvaro Dias se dignar a dizer a fonte que lhe mostrou o dossiê, aceleraria bastante as diligências da Polícia Federal.
Se foi um senador da base governista quem lhe mostrou, na minha opinião ambos quebraram o decoro, quando não tomaram providências compatíveis com o que denunciam.

A prova de que não existe dossiê:

FHC e sua corte sabem o que gastaram quando estavam no Palácio do Planalto. Sabem que estes dados com notas fiscais existem nos arquivos.
Se objetivo como diz a imprensa seria chantagear (ou constranger) com informações, qual o sentido em fazer uma planilha para apenas exibir dados que FHC os tucanos estão cansados de saber que existem e quais são?
Bastaria dizer verbalmente: olha se vocês quebrarem o sigilo de Lula na presidência, os de FHC também serão quebrados.
Pois isso foi feito à luz do dia, dentro da luta política normal, registrado nos anais do Congresso: a base governista conseguiu que o próprio requerimento da CPMI incluísse o período de investigação desde 1998.
A partir desse momento a tese de fazer uma planilha com o objetivo de constranger ou chantagear caiu por terra completamente, é só somar 2 + 2.
É duro para a oposição e imprensa admitir, depois que fizeram sua aposta em testar a hipótese de dossiê, mas a Ministra Dilma falou a verdade o tempo todo: não fez dossiê, e o que ela estava levantando eram informações para municiar uma CPI se necessário, conforme Senadores da própria oposição já haviam apresentado requerimento à Casa Civil tempos atrás.

quinta-feira, 10 de abril de 2008 19:59:00 BRT  
Blogger Rapha disse...

Não seja ingênuo, J. Augusto...

Segundo entendi, você diz que o governo não precisa de planilha para fazer chantagem simplesmente porque conseguiu aprovar requerimento para investigar os anos FHC sem algum fato novo que o levasse a isso. Ao fazer isso, provocaria um acordo tácito legal, à luz do dia, que dispensaria o uso de chantagem.

Pergunta: que nome se dá a essa busca por um acordo tácito??

domingo, 13 de abril de 2008 10:36:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

rapha
O nome que se dá a isso é fazer política.
Coisa que é feita diuturnamente nos corredores e no plenário e do congresso.

Seu raciocíonio está deixando mal a oposição. Você está dizendo que a oposição aceitou acordo para CPMI apurar desde 1998 porque foi submissa à uma chantagem da referida planilha?

domingo, 13 de abril de 2008 16:02:00 BRT  
Blogger Rapha disse...

POLÍTICA
po.lí.ti.ca
sf (gr politiké) 1 Arte ou ciência de governar. 2 Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados.

POLITICAGEM
po.li.ti.ca.gem
sf (político+agem) 1 Política ordinária, mesquinha e interesseira. 2 Súcia de maus políticos.

CHANTAGEM
chan.ta.gem
sf (fr chantage) Ação de extorquir dinheiro ou favores, sob a ameaça de revelações escandalosas, verdadeiras ou não.

domingo, 13 de abril de 2008 20:03:00 BRT  
Blogger Rapha disse...

J. Augusto,

Meu raciocínio não tem como deixar mal a oposição porque não sou do ramo nem posso falar em nome dela, mas obrigado por me superestimar, he he..

De qualquer forma, FHC autorizou a abertura dos seus gastos e convidou Lula a fazer o mesmo. Não sei porque tanta chuva em copo d´água. O que custa fazer o mesmo? Não precisa falar onde ou quando as compras foram feitas. Só os valores... até a rainha da Inglaterra faz isso...

domingo, 13 de abril de 2008 20:06:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

rapha

Política está longe de ser apenas o que você encontrou neste dicionário. Tente por exemplo explicar política partidária, ou política de boa vizinhança, com a definição que você forneceu.
A wikipédia é bem mais completa sobre o emprego da palavra:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Política

Lula é apenas o Presidente da hora.
Ele se submete às normas e recomendações de Estado como qualquer funcionário. A CPMI ouviu o General Alberto Cardoso (responsável pela segurança presidencial no governo FHC), e seu parecer foi pelo sigilo durante um certo tempo. Após algum tempo em que a informação não comprometa mais a segurança, pode ser aberta. Ele admitiu que não sabe dizer quanto tempo seria esse, e na opinião dele esse tempo até é variável, dependendo da natureza da despesa.

A oposição no Congresso poderia propor algum projeto de lei regulamentando isso, já acham ser o grande problema nacional aquilo que se passa na cozinha do Planalto ou do Alvorada.

domingo, 13 de abril de 2008 21:48:00 BRT  
Blogger Rapha disse...

Caro J. Augusto,

Concordo que o termo seja mais amplo do que a definição que peguei. Entretanto, dos seis contidos no verbete enviado por você, o único que não se assemelha à minha definição é esse:

"No uso trivial, vago e às vezes um tanto pejorativo, política, como substantivo ou adjetivo, compreende as ações, comportamentos, intuitos, manobras, entendimentos e desentendimentos dos homens (os políticos) para conquistar o poder, ou uma parcela dele, ou um lugar nele: eleições, campanhas eleitorais, comícios, lutas de partidos etc".

Sobre o depoimento do general, não é opinião dele que vale - até mesmo porque ele admitiu não saber muito sobre o assunto - e sim os argumentos plausíveis que ele deveria ter apresentado para negar a abertura de contas. O que você acha disso, sinceramente? Em quê interfere na segurança do presidente a divulgação do nome dos produtos usados e preço? Concordo que o local e o momento da compra devam ser sigilosos, mas não o quê e quanto. Outros mandatários de países não-bananas divulgam essa informação dignamente. E por que a segurança de Lurian sai tão cara e precisa de equipamentos tão... heterodoxos? Estará ela realmente em boas mãos?

Por fim, não é a oposição que acha ser esse o grande assunto (da segurança) nacional, e sim o governo, que o pereniza na mídia ao recusar coisas simples e ao divulgar várias versões sobre o mesmo fato. Se o dossiê não existe, por que justificá-lo? Como explicar os recados súbitos de ministros e notinhas de jornal em fevereiro? Delírio da oposição? Tudo está fartamente documentado na mídia...

segunda-feira, 14 de abril de 2008 08:06:00 BRT  

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