segunda-feira, 21 de abril de 2008

Dá para criar gado no pré-sal? (21/04)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está exercitando os músculos no debate sobre o etanol. Dá, porém, a impressão de um lutador algo descoordenado, um boxeador que distribui socos a esmo. Lula está particularmente impactado pelo relatório da ONU que classificou os biocombustíveis como crime contra a humanidade, devido ao efeito nos preços da comida. Em resposta ao responsável pelo texto, o suíço Jean Ziegler, Lula afirmou que a inflação no custo dos alimentos nada tem a ver com os biocombustíveis, mas se deve ao aumento explosivo da demanda, especialmente nos países que incorporam mais rapidamente e em maior quantidade os exluídos ao mercado. Ora, se Lula concorda que a inflação da comida reflete um desequilíbrio entre demanda e oferta, trata-se de produzir mais comida. E não mais biocombustíveis. No que os biocombustíveis ajudam na produção de alimentos? Na melhor das hipóteses, em nada. Mas Lula vai além. O presidente tem defendido que o aumento da oferta de comida seja alcançado por meio da redução nos subsídios aos agricultores dos países desenvolvidos e da conseqüente abertura plena desses mercados aos produtores do mundo em desenvolvimento. Há um problema na tese presidencial. Se a Europa e os Estados Unidos estão entre os principais produtores de gêneros agrícolas, como é que a queda na produção européia e americana contribuiria para o aumento da oferta de comida? Ainda por cima se o Terceiro Mundo entrar na onda e centrar forças na produção de álcool em vez de comida? Outro argumento de Lula é que a resistência aos biocombustíveis nasce do lobby do petróleo. Ora, o movimento mundial por um mercado global de etanol como combustível foi lançado na viagem que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez ao colega brasileiro no ano passado. Sabe-se que Bush talvez seja o presidente americano de ligações mais estreitas com a indústria petrolífera, em toda a História. Ou seja, há algo de errado no argumento. O movimento mais recente de Lula é aderir às críticas ao etanol derivado do milho. Lula resolveu deixar seu amigo Bush um pouco na chuva. Infelizmente para Lula, porém, o mercado mundial de etanol só se tornará viável com a participação dos Estados Unidos. E vai ser difícil os americanos aceitarem depender da importação de etanol de cana de açúcar. Por que os Estados Unidos deveriam trocar uma dependência por outra? Qual é a vantagem de parar de depender das importações de petróleo e passar a depender das de etanol? Nenhuma. Ou seja, o mercado planetário para o etanol brasileiro só existirá se os Estados Unidos forem eles próprios um importante produtor. Como acontece com o petróleo. E os americanos, atualmente, só podem produzir etanol em grande escala a partir do milho. E quando puderem fazê-lo a partir de outras fontes, como a celulose, poderão deixar de lado o nosso álcool de cana. Como aconteceu, por exemplo, no ciclo da borracha. A aventura brasileira do etanol é um equívoco. Um equívoco rentável para alguns no curto prazo. Um equívoco especialmente porque nossas reservas conhecidas de petróleo crescem cada vez mais. Dá para criar gado no pré-sal? Não. Dá para plantar soja no pré-sal? Não. Dá para produzir arroz, feijão, verduras e frango nas plataformas da Petrobrás em alto mar? Não. Então vamos produzir comida nas nossa terras e tirar petróleo e gás de nossos poços. Cada coisa em seu lugar. Precisa explicar mais? Para concluir. Lula deve ter lá os seus motivos, mas é uma pena a situação em que está o nosso presidente, ao menos do ângulo de sua imagem planetária. Lá atrás, ele estreou briosamente no cargo como o embaixador planetário do combate à fome. E vai fechar seus oitos anos do Palácio do Planalto como o embaixador mundial da inflação.

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13 Comentários:

Anonymous Hermenauta disse...

Alon,

O Eneadáctilo não está de todo errado, não.

Eu não vi a declaração exata que ele deu, mas os subsídios são de fato um problema _ e nem estou falando dos subsídios a alimentos, mas sim, dos subsídios ao etanol norte americano:

http://www.econbrowser.com/archives/2007/02/ethanol_subsidi.html

É esse um dos principais fatores que estão de fato criando o aspirador que altera o uso das terras nos EUA e diminui a oferta de alimentos, criando inflação.

terça-feira, 22 de abril de 2008 14:58:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Alon, se eu fosse seguir sua lógica, chegaria à conclusão de que o mar deveria ser explorado para a pesca e não para extração de petróleo, visando baixar o preço da carne do gado pela concorrência com o pescado.

Estou mais preocupado em preservar as descobertas da Petrobrás para ficarem sob seu controle, do que abrir estes campos em excesso à empresas estrangeiras.
Se a Petrobrás for uma ilha no meio de muitas empresas estrangeiras no campo de Tupi, a integridade da 200 milhas marítimas das àguas territoriais brasileiras ficarão mais ameaçadas do que qualquer reserva indígena em Roraima.

terça-feira, 22 de abril de 2008 20:00:00 BRT  
Blogger Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon,
Como você insiste nos mesmos temas, não há porque eu ser diferente.
Como eu disse na época em que você comentou o artigo do Fidel Castro sobre o biocombustíveis e repito desde então, há razão em creditar parte do aumento do preço dos alimentos à utilização de terras para a produção de biocombustíveis.
Até ai você tem razão. E sua razão permanece quando faz crítica ao discurso anódino do nosso presidente que procura isentar o biocombustível de qualquer malefício.
Daí em diante você não se prende aos fatos. Os países pobres só se desenvolverão se as mercadorias que eles produzirem forem bem remuneradas. Mas não dá para crescer economicamente só com a produção dessas mercadorias. O PIB da agropecuária e do extrativismo vegetal que já foi mais de 40% no início do século XX, é hoje menos de 10% nos países mais desenvolvidos. O consumo de alimentos cresce com o crescimento populacional que cada vez torna-se menor. Com eliminação de perdas da produção e com uma melhor e mais adequada alimentação (pois atualmente enquanto alguns se empanturram outros passam fome), a produção atual sobra. Mas se em um dado momento o preço das mercadorias produzidas pelos países pobres aumentar, eles não só vão ter condições de investir em outros setores, como poderão adotar políticas de melhor distribuição alimentar e de mais ajuda aos mais necessitados e aos excluídos.
Como não dá para aumentar a demanda, a única forma de fazer os produtos agropecuários e de extrativismo vegetal valer mais é diminuir a oferta. E a melhor forma de diminuir a oferta é aumentar a produção de biocombustíveis.
Como já comentei em texto seu sobre o erro do governo de vender a Vale, e repito quando em vez, o erro não foi só pelo valor baixo da venda, mas também pela crença de que a exploração dos nossos recursos minerais deveria ser feita da forma mais eficiente possível. Explorar eficientemente os recursos minerais significa levar as reservas à exaustão em um prazo mais curto e aumentar a oferta o que reduz o preço. Você diz que não se planta soja no pré-sal, nem petróleo, acrescento eu.
E por que estão altos os preços dos alimentos? A meu ver, a elevação de preços está relacionada ao aumento de dólares em circulação para financiar a guerra no Iraque. O João Sebastião Bar mencionou no seu blog o artigo do Krugman no NYT e que hoje (22/04/2008) saiu na Folha de S. Paulo. Houve uma elevação brusca no início da década de 70. E os preços dos alimentos continuaram se elevando até a chegada de Paul Volcker ao FED em indicação de Jimmy Carter que só então pode atacar o processo inflacionário americano que lhe roubou, junto com o problema da embaixada americana em Teerã, a reeleição.
Do final de 70 até o ano passado os preços mais altos de várias commodities foram estabelecidos há trinta anos. E só agora eles estão sendo superados. E há mais 100% de alta a ser incorporada, pois essa deve ter sido a inflação em dólar nos últimos 30 anos nos Estados Unidos.
Caso o seu descontentamento seja em relação ao enriquecimento dos grandes latifundiários em decorrência do aumento dos preços dos alimentos, procure um mecanismo melhor para evitar que isso aconteça. A melhor alternativa é a que vem sendo adotada pelos países pobres: a taxação das exportações.
Não sei a razão do Lula fazer a apologia do biocombustíveis e principalmente em combater a proteção do mercado interno de biocombustíveis adotada pelos americanos, pois esta proteção acaba nos sendo favoráveis. Com a proteção, o preço de outros produtos ficam mais caros e permite melhores ganhos para os exportadores brasileiros, ao mesmo tempo, os preços do biocombustível brasileiro não fica muito caro, permitindo que a produção da agropecuária brasileira seja direcionada para o setor alimentar.
E não há dúvida de que não há interesse das sete irmãs em aumentar a produção de biocombustíveis. Se o Bush filho ou o pai participam do lobby é outra história. Primeiro porque diminui a demanda e, portanto, os preços dos combustíveis de origem fóssil. Depois porque encarece os preços dos alimentos e, em conseqüência, a mão-de-obra deles começa a fazer reivindicação de aumento salarial. Ainda dá para apresentar só fatos sobre essa questão em que me parece você se equivocou bastante.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/04/2008

quarta-feira, 23 de abril de 2008 05:17:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

J Augusto,

Disse você:

Alon, se eu fosse seguir sua lógica, chegaria à conclusão de que o mar deveria ser explorado para a pesca e não para extração de petróleo, visando baixar o preço da carne do gado pela concorrência com o pescado.

Não há concorrência entre pescar e tirar petróleo, porque é rigorosamente possível fazer ambas as coisas simultaneamente na mesma área marítima. Até porque os peixes estão na hidrosfera, enquanto o petróleo não é retirado da água do mar, mas do subsolo. Um abraço.

quarta-feira, 23 de abril de 2008 12:22:00 BRT  
Blogger Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon feuerwerker,
Há lógica no combate aos subsídios agrícolas. Se a Europa e os Estados Unidos pararem de subsidiar os produtos agropecuários para alimentação, a produção mundial reduzirá e com isso os preços sobem. Com os preços mais altos, os países da África e da América Latina poderão aumentar a produção e se tornarão mais ricos (Se o governo tributar as exportações quem ficará mais rico serão os governos, se não se tributar, serão os pequenos, os grandes e os megas latifundiários, dependendo do modelo fundiário que cada país adotar). Se os países da África e da América Latina se tornarem mais ricos eles poderão manter suas moedas mais valorizadas. Isso significa que eles terão melhores condições de implementar medidas de combate à pobreza. Isto é preferível ao atual modelo em que Estados Unidos e Europa subsidiam a produção e depois distribuem para os países pobres os restos de sua produção, desestimulando a produção própria dos países pobres. Em um dos primeiros livros do Paulo Francis havia uma frase com os seguintes dizeres: “pan-americanismo é o pão que os americanos comem". Pan-mundialismo é o pão que americanos e europeus comem.
Agora, no caso do subsídio para a produção do álcool de milho, o efeito é diferente, pois ao dar outra destinação para as terras americanas destinadas à produção de alimentos, há um aumento dos preços dos alimentos que é benéfico para os países pobres. Seria difícil para Lula combater o subsídio americano destinado à produção de alimentos e não fazê-lo em relação ao subsídio destinado ao álcool do milho. O George Walker Bush defende o subsídio ao álcool do milho porque isto é politicamente vantajoso e não porque isso beneficia o lobby do setor petrolífero. O subsídio do álcool não é criação de G W Bush.
Enfim, o discurso de Lula é anódino e muitas vezes falso, mas é estratégico. De certa forma, o sapo barbudo está ganhando alguns diplomas em várias áreas do conhecimento humano. No final, se alguma escola lhe conceder um diploma de doutor “honoris causa”, isto será muito mais apropriado do que os títulos dados ao FHC, que fazia lautos discursos para tecer loas à globalização (Você sabe o que isso significa? Se souber repasse e eu lhe ficarei muito grato. Há um bons vinte anos eu procuro uma definição consistente, delimitada no tempo e com um efeito prático observável e que não se confunda com definição existente, mas nenhuma viva alma me ajudou).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/04/2008

quarta-feira, 23 de abril de 2008 13:41:00 BRT  
Anonymous J Augusto disse...

Alon,
Fisicamente você tem razão. Mas economicamente não.
Os altos investimentos necessários à exploração petrolífera em águas ultra-profundas, se aplicados no desenvolvimento da pesca, elevaria muito a produção de alimentos pescados.

quarta-feira, 23 de abril de 2008 14:14:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Vou pedir um favor a todos. Há bons comentários que tive que deletar por causa de agressões e provocações. É uma pena. Seria melhor se as pessoas se prendessem ao mérito.

quarta-feira, 23 de abril de 2008 18:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sobre este episódio do Gen. Heleno, discordo totalmente da atuação dele. Em países democráticos e modernos, generais não metem o bico na política, sob pena de punição. Questão de disciplina militar. Agora, pior foi o comportamento do presidente do Clube da Aeronáutica, que arrogantemente ameaçou "ir às últimas consquências" em defender o Heleno. Será que estava pensando em organizar uma reprise de 1964??
Em outros países êle poderia ser acusado até de sedição.Com certeza, gente no mundo afora deve estar rindo e ridicularizando o Brasil pela ausência de disciplina das suas Forcas Armadas.

quarta-feira, 23 de abril de 2008 19:16:00 BRT  
Anonymous Ruy Acquaviva disse...

O petróleo retira carbono do subsolo e o lança na atmosfera aumentando o efeito estufa, que está produzindo mudanças climáticas drásticas. Estas por sua vez afetam negativamente a produção de alimentos. Portanto privilegiar o petróleo é prejudicar a produção de alimentos.
A área de cana hoje no Brasil é de seis milhões de hectares, enquanto a soja possui 24 milhões e as pastagens 220 milhões de hectares. A cana não ocupa mais que 1% da área agrícola do país, estando longe de comprometer outras culturas, sobretudo longe de promover a escassez de alimentos.
A maior parte das pastagens é utilizada para pecuária extensiva, com baixíssima produtividade e degradação do solo. Se 10% dessa área fosse usada para cana, a produção aumentaria 400%. O gado poderia ser criado em regime semi-extensivo (nem precisa ser intensivo) com produtividade muito maior.
O bagaço de cana hidrolizado por bactérias (fermentado) pode ser usado para a alimentação desse gado.
A produção de álcool pode aumentar sem o aumento da área plantada com a utilização do bagaço e das folhagens.
O vinhoto (subproduto do álcool) é um excelente fertilizante e pode recuperar áreas degradas.
Vou parar os argumentos por aqui por falta de espaço, porém existem ainda muitos outros argumentos que se contrapõe à proposição deste tópico, que não se sustenta.

quarta-feira, 23 de abril de 2008 22:51:00 BRT  
Blogger Nehemias disse...

Caros amigos,

Acho que um dos grandes problemas da discussão sobre biocombustíveis é que ela é bipolar. Em um momento cabe ao etanol e ao biodiesel salvar o mundo do efeito estufa, aquecimento global e poluição atmosférica. Em outro são os responsáveis pela alta do preço dos alimentos e deixar os pobres famintos.

Primeiro, os EUA estão diante de uma grave crise financeira, quça bancária. Adotaram como política monetária uma redução significativa das taxas de juro, ao mesmo tempo o governo não pode reduzir seus gastos, por causa da guerra do Iraque, e porque o orçamento já estava no osso. Qual o efeito disso? O dolar se desvaloriza, commodities "vegetais" ou não se valorizam (soja, petróleo, minérios...).

Isso já é inflacionário naturalmente. E o FED e os bancos centrais dos países do primeiro mundo já abdicaram de seu papel de conterem tais pressões, porque se o fizerem, via aumento de juros, podem aumentar ainda mais os riscos de uma crise bancária de grandes proporções. Então com petróleo a US$ 120 por barril, o prognóstico é de inflação. Com bio ou sem bio combustível.

Segundo, e mais importante, o Governo Bush optou por subsidiar a produção de Etanol de Milho, atendendo a classe produtora dos estados do Meio-Oeste.

Se não houvesse subsídio, como o milho é uma fonte muito mais cara para a produção de alcool do que a Cana-de-Açucar, por exemplo. Para se manter no jogo, o produtor teria duas opções: vender mais barato para viabilizar um preço competitivo (sonho) ou não vender para a produção de etanol (mais provável).

O que fez Bush II: além do subsidio de US$ 0,50/galão de etanol já existente, da tarifa de US$ 0,50/galão sobre o alcool de cana, foi passada uma lei fixando uma meta de 7,5 bilhões de galões de biocombustíveis (cerca de 30 bilhões de litros) até 2012. Assim o produtor tem mercado cativo, subsidio e tarifa protecionista em um mesmo pacote. Tem-se um incentivo grande em usar mais terras para produzir milho, ou deslocar parte da produção de alimentos para biocombustíveis. Além disso, criam-se expectativas, que alimentam a especulação financeira, que joga os preços ainda mais pra cima.

Um exemplo. Se os biocombustíveis fossem realmente os vilões, porque então o preço do álcool aqui no Brasil esta, relativamente, tão barato em comparação com o que já esteve. Não houve explosão de preço. Quem tem carro flex deve estar usando bastante álcool, tanto que o consumo de álcool no país esta crescendo e se aproxima do de gasolina. Nem mesmo o açúcar esta explodindo de preço.

Por isso os subsidios dos países ricos, e aqui principalmente os EUA, são os verdadeiros vilões. Como os EUA são também grandes produtores de milho, a existência de uma combinação perversa de subsídio, tarifa protecionista e mercado cativo, desloca o balanço de oferta e demanda, causando um desequilíbrio que é corrigido por aumento de preços. O milho mais caro torna a alimentação dos animais mais cara gerando um perverso efeito em cascata.

Nehemias

quinta-feira, 24 de abril de 2008 11:15:00 BRT  
Blogger Clever Mendes de Oliveira disse...

Alan Feuerwerker
Um pouco como contra-argumentação ao que o Nehemias disse, devo lembrar que o subsídio do álcool não foi criação de Bush filho. E aproveito essa oportunidade para enfatizar uma diferença muito grande do presidencialismo americano com o brasileiro. Mesmo antes da medida provisória e do decreto-lei, o poder do chefe de executivo no Brasil foi sempre muito grande, comparativamente com o poder do chefe de executivo americano. São poucas as iniciativas de lei do presidente americano. Foi uma pena que quando da discussão da reeleição no Brasil isso não fosse discutido. Só quem apontou essa diferença que eu saiba e lembre foi alguém da direita, o Roberto Campos.
Em relação ao fato do preço do álcool e em conseqüência o preço do açúcar não ter subido no Brasil, não se deve esquecer que o preço da gasolina está sendo subsidiado. O governo deveria aumentar a CIDA e o preço da gasolina. Há o inconveniente da inflação, mas há três ganhos do governo. Vai aumentar a receita com os impostos PIS, COFINS e ICMS, e o IR das empresas se aumentar o lucro da Petrobrás e a Contribuição sobre o Lucro e a CIDA. Alem disso, vai haver uma retração no consumo deste combustível que ainda pesa na nossa balança comercial, melhorando as contas externas. E certamente haverá uma diminuição nessa febre consumista de veículos que já deve ter levado o PIB para um crescimento acima de 6% ao ano quando o bom é que nesse ano ele ficasse em torno de 5% (esse ótimo que eu estou definindo não é criterioso, pois nem economista sou e além disso o ótimo vai depender de quanto foi o crescimento no primeiro trimestre, se em torno de 6 como eu imagino, talvez um crescimento de só 5% implicaria uma retração econômica muito grande nos três últimos trimestres que poderia ser sentida pela população bem antes da divulgação dos índices de crescimento, o que talvez pesasse eleitoralmente). Vamos ver como o governo vai conduzir esta questão.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/04/2008

sábado, 26 de abril de 2008 17:44:00 BRT  
Blogger Ademário disse...

Alon,
Veja todos os argumentos postados e reconsidere um pouco o que você escreveu, por favor.
Um comentário que acho que não vi, no entanto, foi a ligação do milho com a indústria petrolífera: a menor eficiência energética do milho também está ligado ao uso de insumos e de agricultura mecanizada que dependem muito mais do petróleo. Ou seja, fazer álcool a partir do milho (ou de beterraba, na Europa) reduz muito menos o consumo de petróleo que fazê-lo a partir da cana. A produção da cana também é eminentemente tropical, ou seja, nem Europa nem EUA podem tornar-se grandes produtores e competir seriamente nesse mercado, sem subsidiar a produção.
Por último, qual é a solução? Continuar a consumir petróleo? Isso tem futuro? Ou você quer mais energia nuclear com todos os seus problemas de resíduos que levam 10.000 anos para deixarem de ser perigosos?
Um abraço,
Ademário

domingo, 27 de abril de 2008 23:04:00 BRT  
Anonymous Joelson Marques disse...

O Brasil é uma "solução óbvia" para o problema da alta do preço dos alimentos que ameaça o mundo, avalia o Financial Times. Conforme o jornal inglês, o potencial do Brasil nessa área tem sido largamente ignorado. "O mundo desenvolvido parece propositadamente míope em relação às oportunidades que o Brasil apresenta."

Segundo o jornal, se a produtividade da pecuária for elevada de 0,8 gado por hectare para 1,2, cerca de 80 milhões de hectares de terras seriam liberados para o plantio de alimentos. "Mas isso irritaria os fazendeiros americanos e europeus."

Em entrevista ao jornal, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a resposta correta à crise dos alimentos, além de dar prioridade ao combate à fome, é atacar a raiz do problema: os subsídios dos países ricos, que enfraquecem a produção das nações em desenvolvimento. "A fome mundial não é resultado de falta de oferta, mas principalmente do baixo nível de renda dos países pobres", afirmou o ministro.

segunda-feira, 28 de abril de 2008 13:40:00 BRT  

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