domingo, 2 de março de 2008

É preciso isolar Uribe (02/03)

Houve quem chiasse quando escrevi aqui em Terror e política, em janeiro:

Na África do Sul, na Nicarágua, em El Salvador, no Uruguai (onde ex-tupamaros presidem ambas as Casas do Congresso) ou na Palestina, grupos que a seu tempo foram classificados de terroristas hoje disputam o poder pela via eleitoral, em geral com sucesso. Na Colômbia, o desejável é que se siga por esse mesmo caminho. A libertação ontem das duas reféns [das Farc] deveria, penso eu, abrir espaço para um diálogo patriótico incondicional. Quem não quer esse diálogo? Aqueles cujo poder repousa exatamente na existência de uma guerra civil. Sem a guerra civil, Álvaro Uribe deixa de ter significado político. Reparem como se torceu freneticamente para que a operação de soltura das reféns terminasse em fracasso.

O presidente da Colômbia deu sua resposta às sucessivas libertações de reféns pela guerrilha. Tropas colombianas penetraram no vizinho Equador e massacraram uma unidade das Farc, matando altos dirigentes da organização guerrilheira. A ação elevou as tensões regionais a um ponto inédito. Reagiram o próprio Equador e a Venezuela, que ordenou uma mobilização militar na fronteira entre os dois países. O fato é que o governo Uribe tornou-se uma ameaça à estabilidade do continente. Sua estratégia de "solução militar" para a questão da guerrilha terá como resultado prático a internacionalização do conflito. Talvez Uribe não esteja mesmo em condições de recuar, dado que o futuro de seu poder (como comentei em janeiro) repousa no prosseguimento da guerra civil. Um efeito colateral da estratégia uribista é a reorganização dos esquadrões paramilitares de extrema-direita. Num ambiente de paz, o caminho estaria aberto para a esquerda nacional colombiana chegar ao governo, como já aconteceu no resto do continente, com exceção do Peru. Sem guerra civil, não haverá condições políticas de Uribe pleitear um terceiro mandato -para o que precisa reformar a Constituição. A América do Sul deve, urgentemente, estabelecer um cordão sanitário em torno da Colômbia. Unir-se diante da ameaça de que a ambição política de Álvaro Uribe arraste o continente à guerra.

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23 Comentários:

Blogger rmoraes disse...

Caro Alon e Amigos: um conflito aqui na América do Sul não deve interessar a nenhum de nós, exceto ,talvez, ao Sr. Bush. Ele poderia promover a militarização do continente (venda de armas), criar obstáculos ao crescimento econômico promovido pelas esquerdas na Venezuela, Bolívia e Brasil, ampliar áreas de hegemonia geopolítica e militar e dominar reservas estratégicas de petróleo (os três países citados são grandes produtores de petróleo). O Brasil deve agir maduramente. Conter os lados em conflito é fundamental. Um Pacto Andino-Amazonense deve ser firmado sob a liderança brasileira. É a grande chance de nos transformarmos, em contraposição à potência beligerante do norte, na Potência da Paz no Sul...

domingo, 2 de março de 2008 21:20:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

O mais assustador é como Alvaro Uribe transformou, e transforma, o sofrimento dos reféns da Farc em bandeira política, em um pacote vendido pela mídia conservadora.

Por outro lado, Hugo Chávez e Rafael Corrêa estão fazendo exatamente aquilo que os EUA querem: criar um clima bélico na região. Imagino que, na Casa Branca, estejam todos lamentado o fato do EUA não ter soldados de reserva para ajudar a Colômbia numa guerra contra Venezuela e Equador.

O caminho para o Brasil é liderar, junto com a França (um aliado improvável, pelo credo político do seu presidente, mas muito bem-vindo, particularmente se isto significar ajudar a UE a participar das negociações) um plano de paz de modo a:

- evitar a guerra;
- garantir a soltura de TODOS os reféns em poder das Farc, ou de qualquer grupo militar ou paramilitar da Colômbia;
- a desmobilização das Farc, sob supervisão internacional, e a sua transformação em partido político;
- a retirada de todos os consultores militares norte-americanos da Colômbia;
- terminar a guerra civil colombiana no menor prazo possível.

Fora disso, a escalada do conflito colombiano-venezuelano é grave e exige reforços do Brasil na sua fronteira Norte, além do trabalho diplomático e político.

domingo, 2 de março de 2008 22:15:00 BRT  
Anonymous Renato Guimaraes disse...

Que bom, Alon, que voce chamou a atencao para este aspecto perigoso da politica interna da Colombia. A mídia mídia brasielira vende de maneira totalmente acrítica o Presidente Uribe como um estadista visíonário e corajoso. Na verdade, a situacao na Colombia é muitíssimo mais complexa do que uma luta do Estado contra um grupo guerrilheiro. Enquanto as atencoes se voltam para esta tensao, o monstro muito mais perigoso da pára-política (a relacao incestuosa entre pára-militares e líderes políticos) está contaminando de tal forma o mundo político colombiano, em todos os níveis, que hoje em dia é quase impossível dissociar os dois. E os pára-militares perpretaram e seguem perpretando um tal número de atrocidades contra a populacao civil, líderes sociais e políticos liberais e independentes, que em alguns casos se pode falar realmente de um genocídio, como o que dizimou o partido Unión Patriótica. Por força do meu trabalho, já visitei várias vezes comunidades na Colombia que sofreram e sofrem as atrocidades cometidas pelas FARC, primeiro, e hoje em dia principalmente pelos pára-militares associados às "forças da ordem". Esta é uma história que ainda está por ser escrita, e seguirá sendo desconhecida pelo mundo em toda a sua dimensao enquanto o Presidente Uribe, de maneira muito inteligente e competente, conseguir manipular a agenda pública interna e externa (incluindo da mídia) pondo toda a atençao na sua luta contra as FARC. Lá no Tordesilhas eu havia escrita há um tempo um texto sobre os para-militares colombianos. Está em http://tordesilhas.net/2007/04/25/cronica-de-um-massacre-sem-fim/

segunda-feira, 3 de março de 2008 00:16:00 BRT  
Anonymous Aexandre Porto disse...

Parabéns pela coragem de remar contra a maré. Uribe atacou a pessoa errada, no momento errado e no lugar errado.

Mas certamente essa ação vai ao encontro de sua estratégia política interna.

E a coisa vai esquentar. Uribe afirma ter provas da ligação de Rafael Correa com as FARCS.

segunda-feira, 3 de março de 2008 01:22:00 BRT  
Blogger Rodrigo disse...

É a guerra eterna! A fórmula do sucesso.

segunda-feira, 3 de março de 2008 02:11:00 BRT  
Anonymous Mauro disse...

Deixa ver se eu entendi. O responsável pela violência que ocorre na Colômbia é um presidente democraticamente eleito que faz uso legítimo da força para combater uma organização criminosa de celerados que seqüestra, tortura e mata com o propósito de tomar o poder, eliminar a democracia e a economia de mercado e instaurar um regime do tipo norte-coreano ou sei-lá-o-que? E isso?

segunda-feira, 3 de março de 2008 05:18:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, Uribe está fazendo o que se espera de uma autoridade: combater o crime. As FARC são responsáveis pela distribuição da cocaína que entra nas favelas brasileiras e causa 50 mil homicídios por ano./E utilizam o sequestro como forma de ação política./Não são recursos que uma força políticia que quer ser reconhecida deva utilizar, concorda? O fato de serem guerrilheiros marxistas não os fazem mais inocentes./ Enxergar as FARC como um partido político legítimo é um grave erro de avaliação.
Abs
Fernando Silva

segunda-feira, 3 de março de 2008 07:44:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Você realmente insiste em chamar as FARC de guerrilha? Você realmente cobra uma aceitação das FARC, que sequestram, torturam, matam cidadãos COMUNS?
É, você é realmente um "comunista do Brasil". Já disse antes mas repito: Para certa ideologia, os crimes são sempre aceitáveis. Só assim para explicar esta defesa das FARC e, por tabela, de Hugo Chávez.

segunda-feira, 3 de março de 2008 08:26:00 BRT  
Anonymous Briguilino disse...

O Uribe não passa de um pau mandado dos EUA. No fundo o que deseja os americanos do norte e desestabilizar a america do sul para continuarem mandando. Eles já sentiram que estão perdendo importância. Sem eles o povo vive bem melhor.

segunda-feira, 3 de março de 2008 10:09:00 BRT  
Anonymous Na Prática a Teoria é Outra disse...

Alon, pelo amor de Deus, ovcê sinceramente acha que a COLÔMBIA precisa de um cordão sanitário ao seu redor?

O ataque às FARC no Equador pode ter sido desastrado, mas a reação de Chávez foi completamente desproporcional, e evidentemente, mostra que ele já quer fazer a guerra há muito tempo. Já havia, inclusive, colocado a Nicarágua para ressucitar o conflito territorial com a Colômbia sobre as ilhas oceânicas.

E, me desculpe, mas é ABSOLUTAMENTE ÓBVIO que quem está querendo desviar a atenção de seus problemas internos com uma guerra é Chávez.

segunda-feira, 3 de março de 2008 10:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mauro,

que clarividência, que poder de análise.
O Uribe é um democrata e as FARC não passam de um bando de celerados.
Coninue assim. Esse tipo de análise isenta, neutra, bem abalizada, faz muita falta para nós que tentamos compreender os processos políticos.
Um perguntinha só: essa sua análise é a que a gente vê todo dia na TV: foi vendo TV que vc chegou a suas belas conclusões?

Ig

segunda-feira, 3 de março de 2008 10:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"governo Uribe tornou-se uma ameaça à estabilidade do continente" ???

Um presidente governando sobre as regras democráticas, combatento um grupo GUERRILHEIRO, é uma ameaça ? - São guerrilheiros, e assim devem ser tratados.

Quem amaeça à estabilidade do continente são estes ditadores, que não reconhecem o estado de direito e muito menos a democracia.

segunda-feira, 3 de março de 2008 11:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu havia feito um cometário, que não entrou, sobre um dos comentários. Talvez eu tenha sido injusto com ele, e por isso fui censurado, mas a questão é que muitos outros manifestam o mesmo entendimento. Pra eles as FARC devem desaparecer, de preferência junto com o Chávez, que também foi eleito democraticamente.
Tudo bem, não tenho veleidades.
Mas creio que a posição assumida no post merece melhor elucidação, porque o pessoal está realmente inconformado.

Ig

segunda-feira, 3 de março de 2008 14:09:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Quer dizer, fazer guerra contra o governo democrático da Colômbia vale. O governo democrático da Colômbia fazer guerra contra quem contra ele faz guerra não vale.

Ah, a imparcialidade do pensamento de esquerda...

segunda-feira, 3 de março de 2008 14:56:00 BRT  
Anonymous Cfe disse...

Situação: Meus vizinhos abrigam alguns bandidos que me atacam a partir de seus quintais e já sequestraram alguns dos ocupantes de minha casa.

Ação: Aí eu vou lá e tiro satisfação com um dos atacantes no quintal dum dos vizinhos.

Raciocínio: A culpa é minha porque invadir propriedade alheia é proibido, mesmo que seja para atacar unicamente aqueles que me atacam e aproveitam-se de meu yhabitual respeito aos vizinhos.

Consequência: o vizinho do lado oposto, que eu não invadi me faz ameaças.

Conclusão: eu estou querendo chamar a atenção para continuar a ser o chefe de família.

Fracamente, Alon, francamente...




O que é que o Chavez tem a ver com o assunto? Porque a mobilização de tropas?

segunda-feira, 3 de março de 2008 19:26:00 BRT  
Blogger Falcao disse...

Me desculpe mas eh um insulto a inteligencia essa afirmacao de que o Uribe eh uma ameaca a estabilidade do continente.

O Chavez apoia abertamente uma organizacao terrorista, se mete nas eleicoes presidenciais de paises vizinhos e o culpado eh o Uribe?
A solucao pra vc eh a esquerda cololbiana chegar ao poder. Soa como chantagem, se nao tiver esquerda no poder vamos continuar com o terror.

segunda-feira, 3 de março de 2008 21:48:00 BRT  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

Alon,
Sua analíse como habitual está perfeita.
Já coloquei aqui que o governo Uribe é uma ameaça a estabilidade continental por conta da necessidade perene de manter um estado de guerra civil e você atestou isso como propriedade, pior, a situação que estamos vivendo agora é de que há um desejo de estender esse conflito para além das fronteiras colombianas.
Nenhum governo tem o direito de ultrapassar fronteiras dessa maneira a menos que esteja disposto a entar em guerra com o seu vizinho. Essa atitude fere a soberania equatoriana e é uma provocação nesse sentido.
O interesse do governo Uribe nunca é de levar ninguém a justiça ou pacificar a situação, mas sim de usar de todos os artifícios em manter o conflito o que consiste em temeridade.
Por fim concordo novamente que Uribe é uma ameaça e deva ser isolado porque agora mais que um problema para os colombianos ele se tornou um problema para todos os sul-americanos.

segunda-feira, 3 de março de 2008 22:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

''Pablo Escobar sobre Uribe: 'Se não fosse por esse rapaz bendito, ainda estaria trazendo pasta de cocaína em porta-malas de carros e nadando até Miami para levar cocaína aos gringos’

A afirmação do maior traficante de drogas de todos os tempos não deixa dúvidas sobre o caráter do atual presidente da Colômbia.''

Quem revelou essa ligação tão íntima e lucrativa entre Escobar e Uribe foi Virginia Vallejo, amante do traficante colombiano.

Vallejo disse que, como amigo íntimo de Escobar, Uribe dirigia o Departamento de Aviação Civil da Colômbia e liberava construção de pistas e vôos sem investigação policial, para que Escobar pudesse enviar sua mercadoria para os EUA. Daí o traficante ter feito a afirmação que dá título a esta postagem.

segunda-feira, 3 de março de 2008 23:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Raúl Reyes era o principal negociador das FARCs com os governos da Venezuela e da França. Por duas vezes a ex-senadora Ingrid Betancourt esteve para ser libertada.

Na primeira delas o governo do terrorista narcotraficante Álvaro Uribe armou emboscada para os guerrilheiros que, em missão de paz e acertada com o governo da Colômbia, estavam levando provas que a ex-senadora estava viva.

Os documentos, inclusive as cartas pessoais de Ingrid a sua família foram divulgadas por Uribe o que gerou protestos da mãe de Ingrid, de sua irmã e dos seus filhos.

No momento que foi assassinado Reyes estava em território do Equador e negociava com o governo francês através do presidente Chávez e do presidente Corrêa a libertação de Betancourt. Uribe sabia, Uribe havia concordado como da vez anterior, Uribe traiu.

Pela segunda vez Uribe frustrou qualquer perspectiva nesse sentido pela simples razão que não lhe interessa a libertação de Ingrid Betancourt, sua adversária política.

segunda-feira, 3 de março de 2008 23:59:00 BRT  
Anonymous Mauro disse...

Queria só dizer ao comentador que se referiu ao meu post que ele está sendo injusto. Na verdade, a televisão aqui está com um problema na antena, só serve para assistir dvds... Darei um jeito nisso. Da próxima vez, vou me informar antes sobre o que os telejornais estão dizendo para bolar uma opinião completamente original...

terça-feira, 4 de março de 2008 05:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Na realidade se chacoalhar, não sobra um que de conta da barafunda que estão criando.

terça-feira, 4 de março de 2008 15:47:00 BRT  
Blogger Bruno Ribeiro disse...

Para quem disse que a Colômbia está prenha de razão ao invadir o território alheio, bombardear opositores em solo estrangeiro e ninguém falar nada.

Imagine a seguinte situação: cerca de 20 guerrilheiros venezuelanos, que lutam para derrubar Hugo Chavez, estão acampados em alguma clareira da selva amazônica, dentro do Brasil. Imagine agora o presidente da Venezuela dando ordens para que tropas de seu exército avancem dentro do território brasileiro e usem seus recém-comprados jatos Sukhoi para bombardear e dizimar a oposição armada. Imagine aviões chavistas sobrevoando e bombardeando Roraima, por exemplo. Colocando em risco a vida das populações que vivem à margem da floresta.

Vocês são capazes de imaginar qual seria a posição da imprensa brasileira, não é mesmo? Posso até ouvir a locução grave e forçosamente ofendida do William Bonner: “O presidente da Venezuela, Hugo Chavez, viola o tratado de soberania dos países e bombardeia opositores em território brasileiro. O Congresso Nacional exige resposta imediata de Lula e as Forças Armadas estão em estado de alerta máximo”.

Queria saber como é que reagiriam esses mesmos que estão defendendo o direito de a Colômbia violar a soberania alheia.

terça-feira, 4 de março de 2008 16:09:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Vamos imaginar que a Argentina financie o PC para aloprar em São Paulo, e que quando as coisas ficam pretas, eles correm para lá se esconder. E a Argentina manda uma banana para as reclamações brasileiras. Aí, eles acampam do outro lado do Rio Uruguai. Que fazer?

Alon, quem está sendo isolado, com cordão sanitário, é o Chaves. Vamos lá Alon, não permaneça imune à realidade.

terça-feira, 4 de março de 2008 21:18:00 BRT  

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