quarta-feira, 19 de março de 2008

Recibo passado, assunto encerrado (19/03)



Clique na imagem para assistir a uma curta porém certeira reportagem da Globonews, que sintetiza a decisão final da Organização dos Estados Americanos (OEA) a respeito da violação do território equatoriano pela Colômbia, no caso do massacre de guerrilheiros das Farc. A OEA condenou a Colômbia. Fez o que já havia feito antes, só que com mais ênfase. Na reunião anterior da OEA, a ausência formal da palavra "condenação" acabou confundindo alguns jornalistas, que interpretaram erradamente o sentido do vento. A verdade é que desde o início da confusão o presidente da Colômbia está isolado diplomaticamente no continente. Mas, como diplomacia não é briga de rua, faz-se necessária atenção redobrada do jornalismo para perceber os fatos atrás dos meneios e rapapés. Ou atrás dos desejos. Clique aqui para baixar a resolução. Transcrevo um trecho da versão em inglês:

RESOLUTION OF THE TWENTY-FIFTH MEETING OF CONSULTATION OF MINISTERS OF FOREIGN AFFAIRS (1):

(...)


4. To reject the incursion by Colombian military forces and police personnel into the territory of Ecuador, in the Province of Sucumbíos, on March 1, 2008, carried out without the knowledge or prior consent of the Government of Ecuador, since it was a clear violation of Articles 19 and 21 of the OAS Charter.

Agora veja a nota de rodapé que dá sentido ao (1)

(1) The United States supports this resolution’s effort to build confidence between Colombia and Ecuador to address the underlying crisis. The United States is not prepared to agree with the conclusion in operative paragraph 4 in that it is highly fact-specific and fails to take account of other provisions of the OAS and United Nations Charters; in any event, neither this resolution nor CP/RES.930 (1632/08) affects the right of self-defense under Article 22 of the OAS Charter and Article 51 of the U.N. Charter.

Ou seja, os Estados Unidos foram derrotados e passaram recibo da derrota, com firma reconhecida ("is not prepaired to agree"). Clique nos links abaixo para ler o que se escreveu aqui sobre o assunto (continua depois dos links):

É preciso isolar Uribe

O Brasil de calças curtas

As regras do jogo

Como o Sr. Chicola pode ajudar

O isolamento

Dúvida razoável

O realismo mágico, o legado de Hiram Johnson e uma boa proposta do Foro de São Paulo para os Estados Unidos

O baile de Amorim

E uma última observação. Trecho de reportagem de hoje de O Estado de S.Paulo:

El Tiempo pede desculpa a Quito

Bogotá (AP, AFP, EFE e Reuters) - O jornal colombiano El Tiempo pediu ontem desculpas ao governo do Equador por ter afirmado erroneamente que o homem que aparece numa foto com o líder guerrilheiro colombiano Raúl Reyes seria o ministro equatoriano da Segurança, Gustavo Larrea. “Este jornal falhou em seus procedimentos de verificação (...) e falhou ao não atribuir claramente a informação à sua fonte”, afirmou El Tiempo em editorial, no qual diz que a foto foi entregue pela Polícia Nacional. A polícia nega. Segundo o jornal, a foto foi encontrada no computador de Reyes depois que o “número 2” do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi morto, no dia 1º. Após a publicação da foto, na segunda-feira, Larrea negou que o homem ao lado de Reyes fosse ele, exigiu um pedido de desculpas e advertiu que Quito não vai retomar os laços diplomáticos com Bogotá enquanto a Colômbia não puser fim ao que chamou de “campanha midiática” para vincular o Equador às Farc. O jornal pediu desculpas a Larrea e reconheceu que o homem na foto é o secretário-geral do Partido Comunista argentino, Patricio Echegaray.

Clique aqui para ler a reportagem completa
. Eu sou do tempo em que os manuais das redações mandavam desconfiar da polícia. A bem da verdade, eles mandavam desconfiar da polícia brasileira. Mas não custa nada estender o procedimento à polícia colombiana. Antes, porém, é preciso checar se a norma não foi revogada nas edições mais recentes.

Clique aqui para votar no Blog do Alon no Prêmio IBEST.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Condenação, se houve, envolveu igualmente as FARC, o Equador e a Venezuela. O item 6 da Resolução, em linguagem diplomática, é claríssimo.
Ou seja, derrotados foram vários, inclusive os EUA. Só que no caso desses, a ressalva feita deve ser considerada com as devidas cautelas. Pareceu ameaça.

quarta-feira, 19 de março de 2008 11:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Perdão. Complemento. O item 6 da Resolução:
6. To reiterate the firm commitment of all member states to combat threats to security caused by the actions of irregular groups or criminal organizations, especially those associated with drug trafficking;

quarta-feira, 19 de março de 2008 11:08:00 BRT  
Anonymous Péricles disse...

O item 6 é uma declaração de princípios. O 4 éuma condenação formal. A combinação do 4 com o 6 deixa claro que nunca o 6 pode justificar o 4. Daí a ressalva (recibo) feita pelos americanos. O Alon, como na maior parte das vezes, também está certo desta vez.

quarta-feira, 19 de março de 2008 11:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

O site da OEA tem sua versão em português.

Lá, a resolução que repudia a ação militar colombiana já está devidamente traduzida.

Segue o link:

http://scm.oas.org/IDMS/Redirectpage.aspx?class=RC.25/RES&classNum=1&lang=p


Fernando César de Oliveira, de CURITIBA

quarta-feira, 19 de março de 2008 11:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Não é simples declaração de princípios a expressão FIRM commitment. É compromisso sério. Advertência expressa e evidentemente direcionada aos apoiadores de narcoguerrilheiros.
É quase equivalente ao "rejeitar" (e não condenar) aplicado à Colombia.
Finalmente, se o item estivesse coberto pelo item 4, por quê seria citado?
A meu ver não recibo e sim uma ameaça americana.

quarta-feira, 19 de março de 2008 17:28:00 BRT  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

Alon, não resta dúvida que a Colômbia ficou isolada diplomaticamente, que a ação foi condenada e foi uma derrota para Uribe, mas a idéia em que eu insisto desde o primeiro dia em relação a isso é que a Colômbia deveria ter sofrido uma sanção mais direta, uma punição dura.
As coisas ficaram no âmbito do "nunca mais faça isso", enquanto eu esperava que um "você cometeu um crime e vai ser punido" tivesse acontecido, era o justo.
Espero que a condenação diplomática sirva para impedir que as coisas não degringolem de vez.
Bem é isso.

quinta-feira, 20 de março de 2008 15:15:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home