quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Uma CPI necessária e a coisa que falta fazer. Mas que não será feita (06/02)

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, telefonou para explicar que o Tesouro não paga juros sobre os recursos sacados com o cartão corporativo do governo federal. Por email, ele mandou um "passo a passo" sobre o assunto, que deixo disponível para os leitores do blog. Isso responde a uma pergunta que fiz em O cinismo do Executivo. Um post que despertou algumas reações iradas. Bobagem. Se o descontrole com cartões corporativos acontecesse num governo tucano, os petistas é que estariam em pé de guerra. Hoje o governo reagiu. Como ele conhece bem a oposição, propôs uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue os gastos com cartões e assemelhados de dez anos para cá. É uma boa. Vamos ver se a oposição encara ou pipoca. O Planalto espera que ela pipoque. Já o distinto público prefere que ela encare. Da CPI poderia resultar, quem sabe?, algo que regulasse esse tipo de dispêndio nos níveis federal, estadual e municipal. Enquanto isso, o que o governo deveria fazer era suspender todos os cartões corporativos e recadastrá-los. A tarefa deveria ficar a cargo da Casa Civil. Enquato a CPI trabalhasse, fechar-se-ia a torneira. Esse seria o mundo ideal. Qual é a chance de isso acontecer? Eu diria que nenhuma. O Brasil parece governado por um consórcio de grupos políticos que se alternam no poder e estão bastante satisfeitos com o statu quo. De vez em quando alguém balança a roseira, mas logo os interesses do consórcio se impõem. O único risco é aparecer um Barack Obama (Leia De onde vêm os Obama). E o curioso é que ele sempre aparece. Basta ter a necessária paciência e esperar.

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10 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Cartão de crédito do governo nas mãos de funciónários públicos?

É passar manteiga no nariz do gato.

Acabem com essa vergonha! Qunado seremos um país civilizado?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 00:13:00 BRST  
Anonymous Cocoricó disse...

Prezado Alon,
nosso Obama já apareceu. Faz coisa de uns 5 anos. Lembra?
Nordestino, atarracado, língua presa, barbudo.
Como lá vai acontecer, aqui já aconteceu.
Nosso Obama foi encurralado, apertado e, finalmente, subjugado.
O "Consórcio Nacional" segue FORTE!!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 01:34:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, têm um cabra chamado PHA, que colocou, porque foi atrás da lebre, esta curiosidade...

"...Note bem: o gasto total com cartões corporativos no Estado de São Paulo em 2007 chegou a R$ 108 milhões !

. Antes de fazer uma análise detalhada dos gastos do Governo de São Paulo com cartão corporativo, o Conversa Afiada encaminhou as tabelas anexas à assessoria de imprensa do Governador José Serra com as seguintes perguntas:

. Por que 44,58% dos gastos com cartão corporativo em São Paulo são saques diretos no caixa – o que dificulta julgar a propriedade do gasto ?;

. Por que os gastos com cartão corporativo cresceram 5,82% em 2007, no governo Serra, acima da inflação ?;

Em tempo: o Conversa Afiada soube que a Folha de S. Paulo teve acesso a essas tabelas. O Conversa Afiada encaminhou à editora-executiva da Folha de S. Paulo, Eleonora de Lucena, a seguinte pergunta: "a Folha, de fato, teve acesso a essas tabelas? A Folha pretende publicá-las?" Conversafiada-PHA

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 01:40:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Na minha opinião não deveria ter CPI da tapioca, nenhuma.

11.500 cartões custaram R$ 140 milhões ao contribuinte em 3 anos (incluindo Polícia Federal e Militares).

As verbas indenizatórias de apenas 513 deputados custaram pelo menos R$ 100 milhões a mais do isso, no mesmo período.

Uma CPI feita por esses deputados "fiscais" é o mesmo que colocar o vampiro tomando conta do banco de sangue.

Os cartões devem ser auditados pelo TCU (subordinado ao legislativo). Se o TCU não funciona a contento, então quem precisa de CPI é o TCU.
Esse desejo de CPI, é mera falta de rumo e projeto da oposição. Na falta de ter o que fazer, querem fazer outra CPI do fim do mundo.

O que é necessário é apenas transparência. O máximo de informações possíveis e detalhadas devem ser disponibilizadas na internet para o cidadão, imprensa, MP e todos. Quem está mais avançado nesse processo é o governo federal.

Agora pedir para colocar informações de estabelecimentos que vendem alimentos para o Presidente e família, onde abastece o carro e coisas do gênero, é o mesmo que dar a Bin Laden a agenda e roteiro das filhas de George W. Bush.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 02:30:00 BRST  
Blogger Jose Orair da Silva disse...

Meu caro Alon. Discordo de você. Os cartões corporativos são um grande avanço e o portal de transparência do poder executivo federal pode significar um marco na administração pública brasileira. Precisamos é fazer uma campanha para que todos os governos estaduais, os poderes judiciário e legislativo, as prefeituras municipais, as empresas estatais, as ONGs, enfim, para que quaisquer organizações que lidem com dinheiro público tenham também os seus portais de transparência e possam ser, efetivamente, fiscalizadas pela sociedade. O governo de São Paulo, o estado mais rico da federação, pode marchar à frente dando o exemplo. O poder judiciário, sempre cioso de sua moralidade, certamente seguirá o exemplo de São Paulo e assim, sucessivamente. E assim teremos um belíssimo campeonato de transparência envolvendo todos os poderes e organizações da sociedade onde nós, cidadãos, seremos os árbitros. Será muito instrutivo e divertido acompanhar...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 09:16:00 BRST  
Anonymous Antônio César disse...

Alon,
Vendo os comentários aqui fico abismado com a falta de conhecimento a respeito do assunto.
Estes cartões são usados para que funcionários do governo possam fazer frente a despesas do dia a dia. São utilizados por fiscais, policiais, etc.
Os cartôes foram um grande avanço, pois antes era usado o pagamento da diária e reembolso de despesas muito mais lento e mais dificil de fiscalizar.
Comparações com os cartôes corporativos são impróprios pq funcionários de empresas vão sempre em cidades grandes, diferente de fiscais do Ibama, funcionarios do IBGE que tem que fazer trabalhos no fim do mundo e onde não tem maquininhas de cartões disponiveis.

Lamento que vc entre neste clima de jornalismo tapioca contra o sistema. Que pode ter suas falhas e que devem ser corrigidas, mas mesmo assim eficiente. Prova disto é o fato de vc poder ver no site a lista de usuários e o valor dos gastos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 11:01:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A CPI proposta deveria chamar-se: a da supresa, num primeiro momento e a do tiro no pé no final.
Sotho

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 11:09:00 BRST  
Blogger Briguilino disse...

Como sempre você faz uma analise equilibrada e propõe soluções. É por estas e outras mais que além de ler seu blog, copio alguns e publico no blogdobriguilino.blogspot.com dando os devidos credito, claro.
Parabéns e sucesso, sempre.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 11:33:00 BRST  
Blogger Maria de Fátima disse...

Alon, se suspendessem os Cartões, voltariam a sacar o dinheiro e coloca-lo na gaveta, sem nenhum acompanhamento nosso? Ou todo o Executivo ficaria parado sem pagamentos para as despesas? Não entendi a sua proposta.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 12:07:00 BRST  
Blogger Ranzinza disse...

Alon,

Mas mesmo neste paso-a-passo, veja só a carinha de felicidade do funcionário que recebe dinheiro, na última figura do arquivo.

Parece que ganhou na loteria, e não que está recebendo um recurso público emergencial, para utilizar com responsabilidade.

Falta no Brasil uma ética mínima para o setor público.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 13:26:00 BRST  

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