domingo, 10 de fevereiro de 2008

Uma concessão tática, uma comparação importante e uma oposição preguiçosa (10/02)

O PSDB gosta de alardear uma suposta superioridade dele quando o assunto é gestão. A polêmica sobre cartões eletrônicos que permitem a funcionários públicos pagar pequenas (ou nem tanto) despesas é uma boa oportunidade para testar essa autoproclamada vantagem. O governo de São Paulo, chefiado pelo tucano José Serra, gasta mais de R$ 100 milhões ao ano por meio de cartões eletrônicos. Sendo que quase a metade do dinheiro sai através de saques. Isso num estado como São Paulo, informatizado e bancarizado até a medula. Por que os funcionários públicos da unidade mais desenvolvida da federação precisam sacar dezenas de milhões de reais para comprar coisinhas? Que coisinhas são essas? Por que nessas compras não se usou simplesmente o cartão, do jeito tradicional? O que, diga-se, evitaria ter de transportar dinheiro vivo. Os saques em São Paulo somam quase R$ 50 milhões. Numa versão mais benigna, seriam cerca de R$ 40 milhões, informa O Estado de S.Paulo. Mesmo assim é demais. São Paulo deveria adotar a minha proposta para o Palácio do Planalto, feita neste blog e também na coluna do Correio Braziliense na última sexta-feira: bloquear os quase 45 mil cartões de débito oficiais do governo paulista e recadastrá-los, cortando os que não forem necessários. Deve haver um monte nessa situação. Que sentido há em um único estado, mesmo da importância de São Paulo, dar de 4 a 1 no governo federal no número de funcionários que podem realizar despesas com cartão eletrônico? Desconfio que o modelo paulista não resistiria a cinco minutos de análise por qualquer uma dessas consultorias especializadas em melhorar processos e otimizar resultados de empresas. Mas minha proposta de bloquear os cartões vem sendo considerada radical por alguns neste blog. Faço então uma concessão tática: se não querem bloquear, pelo menos proíbam os saques. Resolver-se ia quase 80% do problema federal e quase metade do problema paulista, enquanto estivesse em curso -disto eu não abro mão- o recadastramento. Até porque, convenhamos, diante dos escandalosos desperdícios expostos nos últimos dias, agora é que a turma vai sacar para valer, para não deixar rastro. Bem, no meio da confusão toda, fico feliz ao ver que finalmente as pessoas se tocaram de que o grande problema de gestão dos cartões está no volume de saques. Claro que a oposição ao governo federal prefere centrar fogo nas despesas da entourage do presidente da República. A oposição sonha com a possibilidade de achar algum dispêndio constrangedor para o chefe de governo, ou para a muher dele. E só. A oposição não está nem aí para o problema administrativo. Ou pelo menos não dá a impressão de estar. E por que a oposição não quer que se investigue o suprimento de fundos no período de Fernando Henrique Cardoso (FHC)? Já que vão fazer uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que se devasse tudo. Até porque, convenhamos, será importante verificar se houve mudanças no perfil das despesas da corte. Sabe-se, por exemplo, que Luiz Inácio Lula da Silva tem sua despensa abastecida por bons produtos. Nem nisso ele é original. Vejam o que disse, dia desses, Roberta Sudbrack, a gaúcha que FHC levou para comandar a cozinha presidencial, em entrevista ao site smartdiet.com.br (Cyber Cook):

Cyber Cook: Como surgiu a oportunidade de trabalhar no lar presidencial?
Roberta Sudbrack: Acredito que aconteceu porque tinha que acontecer. Aquelas coisas que não se explicam. Conheci o presidente e Dona Ruth em um jantar que preparava na residência de José Gregori, o Ministro da Justiça daquela época. Após o jantar, eles quiseram me conhecer e conversamos bastante. Depois de uma semana fui chamada pelo Cerimonial da Presidência para preparar um almoço no Palácio.

Cyber Cook: Quais foram às principais dificuldades em treinar os militares que já trabalhavam na cozinha do Palácio?
Roberta Sudbrack: Antes de entrar lá, as refeições eram preparadas por cozinheiros das forças armadas. Eles nunca tiveram um treinamento, mas sempre estavam dispostos a aprender. Tive que implementar um trabalho profundo e minucioso, mas sempre preocupada em respeitar o tempo e a percepção de cada um. Tudo era diferente, não só para os cozinheiros, como também para toda a estrutura da residência que não estava acostumada com o fluxo, a organização e o método de uma cozinha profissional. Mesmo assim, acredito que aprendi muito mais do que ensinei.

Cyber Cook: Qual era a culinária predileta do ex-presidente FHC?
Roberta Sudbrack: Principalmente cozinha simples, brasileira e bem executada. Esse folclore de que se criou de que as refeições do Presidente eram sempre sofisticadas é uma bobagem. No dia-a-dia, as refeições eram sempres as mais simples e caseiras possíveis: Picadinho de Carne, Frango Ensopado, Carne Assada e Feijão caseiro. O que fazíamos era trabalhar esse tipo de cozinha com bons produtos.


FHC gostava de bons produtos. Assim como Lula gosta. A ilustração ao lado eu copiei/colei de uma reportagem da revista Veja da semana passada. Para saber se Lula andou exagerando na gastança com comidas e bebidas, uma boa régua é comparar com o antecessor. Sem a comparação, o debate acerca dos hábitos gastronômicos do presidente e de sua corte ficaria um pouco prejudicado pelo subjetivismo. Eu, por exemplo, acho que um presidente da República deve dispor de todos os confortos possíveis, dentro do limite do razoável. A tarefa exige. Mas qual seria um limite razoável? Para não cairmos na ditadura do "eu acho", que se passe à comparação entre os gastos de Lula e FHC. Ainda que, repito, para mim esse seja um assunto absolutamente secundário. Eu estou mesmo é focado na campanha para fechar a torneira dos saques em dinheiro vivo, uma praga que parece ter se espalhado pelos poderes. Ainda que, confesso, eu esteja algo apreensivo com o perfil alimentar do nosso presidente. Senhor presidente, o tanto de carne vermelha que o senhor consome faz mal à saúde. O senhor deveria comer mais peixe e peito de frango. E deveria radicalizar nos vegetais orgânicos (ainda que isso venha lhe trazer problemas políticos no futuro, pois eles são mesmo bem mais caros do que os seus primos criados à base de agrotóxicos). Feito o reparo, reafirmo que o tema dos hábitos alimentares de Lula não me comove politicamente, nem tem importâcia. Eu acho que nisso a oposição concorda comigo. O que a oposição quer descobrir, ao fuçar as despesas presidenciais com os cartões corporativos, é alguma coisa que possa ser caracterizada como enriquecimento ilícito de Lula ou de sua família. Enriquecimento com dinheiro público. Como se sabe, a nossa oposição só acorda de seu sono profundo quando sente o cheiro de um escândalo que possa levar ao impeachment do presidente. Ou, como no caso da CPMF, quando se trata de atrapalhar algo que funciona (o financiamento da Saúde). Alguém sabe o que a oposição acha da queda na balança comercial brasileira? Do embargo europeu à nossa carne (vai sobrar mais para o Lula fazer seus churrascos)? Do possível acordo entre o Brasil e a França para implementar a nossa indústria bélica? Das dificuldades para fazer decolar o álcool de cana de açúcar como biocombustível global? Do desmatamento na Amazônia? A oposição brasileira é como o sujeito que fica em casa explorando a mulher e torcendo para ganhar na mega-sena. A mulher, nesta comparação, é a imprensa. Se houvesse uma greve de jornalistas, acho que passaríamos um bom tempo sem ouvir discursos oposicionistas em Brasília. Para concluir. É claro que é cedo para fazer apostas, mas eu acho que a oposição a Lula vai ficar, mais uma vez, a ver navios. O que não será exatamente um problema, desde que a crise atual resulte em mais controle do dinheiro público. O preocupante é que o único que dá a impressão de estar angustiado com isso sou eu mesmo.

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19 Comentários:

Anonymous Cfe disse...

Descontando a idéia de comparar os hábitos dos dois presidentes,
que acho ridícula, apoio sua tese.

domingo, 10 de fevereiro de 2008 23:36:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

cfe: acho que a lógica do Alon é demonstrar o absurdo de estarmos discutindo tapiocas, cocadas e hábitos alimentares de presidentes em vez de organizar os cartões corporativos. Mas alguém quer MESMO discutir isso? Ainda mais agora que pegaram o presidente-eleito na farra dos cartões?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 01:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A turma que paga a conta ainda quer saber se depois que descobriram Caim como o inventor do crime, todos os patéticos imitadores posteriores estarão perdoados. E de lambugem, quer também saber se apenas existem o Estado de São Paulo, Governo Estadual em São Paulo e a Prefeitura Municipal de sua capital. Tanto quanto apareceu Caim, expiador-mor de culpas avoengas, talvez ainda descubra-se que há mais alguns Estados e Prefeituras na Federação.
Sotho

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 10:54:00 BRST  
Anonymous isnougud disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 11:47:00 BRST  
Anonymous isnougud disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 11:47:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Quanto aos gastos om cartão, é factóide da imprensa e da oposição, que não dará em nada. Louvável mesmo é o seu conselho para o presidente Lula, de que coma mais carnes brancas e vegetais orgânicos. Na verdade, é só o começo: caminhadas, abstenção de álcool (mesmo que de ótima extração, como os Romanée-Conti, sempre faz mal), e, acima de tudo, consumo diário de arroz integral. Com isso, dá pra postular até mesmo um quarto mandato, porque o cara ficará cheio de energia.
Diante disso, me despeço e saio para comer uma tapioca, que espero pagar com dinheiro, sacado de um caixa automático no meu cartão de débito, tão magrinho, tadinho.

Ig

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 13:08:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

César,

Acho que o Alon defende suprimir o levantamento no caixa, (exceto em casos justificaveis como nos interior profundo onde não há pagamentos eletrônicos) para ser possível pedir responsabilidades quanto ao gasto. Se estão discutindo tapioca é porque o sistema de pagamentos é falho e tem de ser reformulado.

É absurdo comparar os dois presidentes porque o anterior já saiu, e o candidato dele, José Serra perdeu. Foi uma setença política passada pelo povo. Certo ou errado é outra história. Já faz 6 anos que esse presidente está no poder, não dá para ficar fazendo esse joguinho. Se embarcar nesse esquema vamos acabar na época dos Imperadores.

Até se pode fazer a comparação para uma defesa política, se este ou outra administração quiser. Mas isso não basta: é preciso ação de forma a evitar o que está acontecendo. O que torna a situação caricata é ser possível dominar o desperdício através de pequenas medidas mas o governo tem medo de fazer alguma coisa para não parecer que está acuado. "Política de discutir tapioca" x "política de não dar parte de ser fraco"

Como não-apoiante do Lula só quero lembrar que errar é humano, mas permanecer no erro já não...

Pronto: agora vou aguentar o e-mails irônicos pela "brilhante conclusão" do último paragráfo. Mas nos tempos que correm

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 15:37:00 BRST  
Anonymous Reinaldo disse...

Mais um texto claro e objetivo, com boas idéias.
Quanto aos cartões, está claro que transparência e seus efeitos são fenômenos socio-políticos que não causam impactos sociais de uma hora para outra. Pelo que me lembre o portal da transparência existe há quase uma década e só agora a grande mídia passou a dar-lhe atenção. O mesmo se dá com os funcionários públicos portadores de cartão. Cada um deles sabe (sabe!) que seus gastos vão parar no portal. Mas, como esses mecanismos de transparência do poder são absolutamento novos no Brasil, seus efeitos não são totalmente conhecidos. Segue-se então a lógica de testar até o limite. Enquanto "não der zebra", vai-se utilizando o cartão, a copiadora da repartição para fazer trabalho particular, o carro da instituição para passar na padaria, etc. Até que um belo dia, por qualquer motivos que seja (mesmo aqueles inconfessáveis, por parte da oposição) alguém resolve cobrar responsabilidades e então descobre-se que "realmente, tudo fica lá no portal da transparência". E a partir daí passa-se talvez a tomar mais cuidado e o processo assume novas condições (melhores ou piores, não sei). É só assim, através de práticas sociais novas que geram efeitos até então desconhecidos, que algumas formas políticas brasileiras tendem a sofrer mudanças.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 18:23:00 BRST  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon,
até você caindo nessa ladainha que esses gastos são para o casal palaciano. Será que ninguém procura saber o que é a rubrica Presidência da República, com seus mais de 2000 funcionários, 3 cantinas que servem 4 refeições por dia? Fora que é lá que se recebe autoridades e suas comitivas.

É muita falta de imaginação achar que o casal Lula da Silva consumiu 23.800 Reais em carne.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 21:50:00 BRST  
Anonymous Luca disse...

FHC andou escrevendo aos correligionários do Congresso, que não teme a abertura de seus cartões.

Ainda que assim não fosse, FHC não é candidato a suceder Lula e, portanto, se sair com a imagem diminuída neste processo, nada de prático muda na disputa eleitoral, que já corre solta para 2010. O que Lula dirá? Que abusou sim, mas FHC fez pior? Parece ingênuo.

A aposta da base governista é em assustar o Serra com a devassa nos cartões Paulistas, para na seqüência, propor a pizza da paz. Este, porém já ofereceu abrir seus cartões e de sua família, se Lula fizer o mesmo da mesma forma.
Acho que é hora de pagar para ver. O eleitor melhor informado agradecerá.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 22:37:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,acho que o seu comentário de que os cartões de crédito deveriam ser suspensos revela algum mal entendido na sistemática do uso deste meio de pagamento. Pelo que eu entendo, o uso de cartão de crédito governamental destina-se a ser meio de pagamento de recursos alocados a um agente público por meio de suprimento de fundos. O suprimento de fundos é alocado a um servidor público para executar um determinado tipo de despesa previsto na legislação orçamentária. É a necessidade do gasto que pressupõe a geração de um suprimento de fundos. Não há o conceito de servidores beneficiados por suprimento de fundos. Na quase totalidade dos casos o servidor foge da designação de detentor de um suprimento de fundos. É muito trabalhosa a execução e a prestaçãode contas. Quando um servidor está com um suprimento de fundos em execução ele não pode ser designado para um outro. Além disso, mesmo que você execute o suprimento de fundos da melhor possível os órgãos de controle sempre descobrem erros na sua prestação de contas. E você fica concorrendo a um gancho no TCU em decorrência de uma auditoria deste Tribunal ou da Tomada de Contas Anual. Assim, a visão de que há uma casta que é detentora exclusiva de suprimento de fundos não é verdade. Então, a visão de que há sete, oito ou dez mil privilegiados, sendo sempre os mesmos, também não é verdade. Teoricamente, nesse total o número de detentores pode variar quase que junto com o número de suprimentos concedidos. É claro que se uma organização necessita constantemente de suprimentos, como exemplo podemos citar órgãos que centralizam ações em vários pontos no interior do Brasil, em cidades pequenas ou vilarejos, e dispõe de um pequeno número de servidores, a quantidade de suprimentos de fundos por funcionário será maior do que um. Um outro dado a ser citado para evitar um mal-entendido é que mesmo quando a despesa é paga em espécie o processo de prestação de contas exige a documentação completa, inclusive com a anexação das notas fiscais. Então a afirmação, sempre repetida, de que saque em dinheiro para a execução do pagamento da despesa realizada por meio de suprimento de fundos é corrupção é uma generalização perigosa. Claro que pode haver o que se chama de química: recebe nota fiscal de um item e o fornecimento real foi de outro material ou serviço. Mas os valores envolvidos são pequenos e esse tipo de operação pode ser feita também com cartão, cheque ou qualquer outro meio de pagamento. Outro dia li em um blog (dos bons) que no ano passado (2007) o motorista, posto à disposição pela União para o ex-presidente FHC, pagou quatro abastecimentos completos do veículo, também à disposição do ex sua excelência, com o cartão de crédito corporativo do governo. Está claro que o motorista estava fazendo uma química. Neste caso, havia um agravante o ex, nesse dia, estava fora do País. Um último ponto que eu gostaria de lembrar é que no caso de uso de um cartão, para pagamento de despesas de suprimento de fundos, ele sempre será de débito. Para complar a minha chatice, gostaria de lembrar que a concessão de um suprimento de fundos parte do ordenador de despesas, que é o chefe financeiro e econômico da oganização gestora, e que também é responsável perante os órgãos de controle pela boa execução orçamentária de sua organização, o que inclui os pagamentos efetuados com o cartão. Há ainda, na organização gestora um agente de controle interno que é o elo de ligação dos órgãos de controle de interno (CGU e suas regionais) e o TCU. Portanto, Alon, a idéia de suspensão dos suprimentos de fundos, sim por que ao propor a suspensão dos cartões você está propondo parar com todos os suprimentos em execução, que significa a volta ao antigo sistema ou deixar de realizar essa modalidade orçamentária. Alon, permita-lhe dizer que eu tomo a liberdade de apresentar estes pontos de vistas devido ao caráter de contraditório e de debate que você propõe neste blog. Um abraço.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 23:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Anônimo SP

Parabéns...!!!

Neste episódio dos famigerados Cartões Corporativos, sejam de Crédito ou de Débito, Federal ou Estadual, do Lula ou do Serra, foi a observação mais sensata que li.
Ah, sem contar que concordo em gênero, número e grau com as propostas colocadas; Proibir saques "na boca do caixa" como se diz no jargão financeiro e o imediato RECADASTRAMENTO de todos os usuários.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 23:25:00 BRST  
Blogger Rodrigo disse...

Pô Cfe, deixa disso, só porque o Serra é da oposição não tem nada a ver discutir os gastos dele? Não é o partido dele que está fazendo um carnaval com tapiocas?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 01:00:00 BRST  
Blogger Rodrigo disse...

Ah, antes que eu me esqueça, o governo de SP gastou mais que o governo federal inteiro...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 01:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Olha aí Alon. O Serra fez o que você falou para fazer. Suspendeu os saques. Mandou bem!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 10:49:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Rodrigo,

Eu falei de comparar com o FH e não com o Serra.

Comparar a performance administrativa é uma coisa que deve ser feita, já comparar os desvios de dinheiro é justificação. Então porque o outro (anterior administrador) eventualmente foi muito perdulário, os que lhe sucedem podem roubar desde que seja menos? Admirado? Pois é esse o raciocínio subjacente a esse tipo de comparação.

A informações mais recentes da imprensa dão conta que SP gastou menos do que o governo federal. E que nenhum ocupante de primeiro escalão paulista tem esse tipo de cartão, ao contrário da vergonhosa trupe ministerial do Planalto.

E o Serra já proibiu os saques e desafiou Lula a abrir os seus gastos.

Esse escândalo só mostra que até os chefes perderam o pudor de fazer desperdícios a vista de todos. Esse é o problema, não é a tapioca.

Cordialmente,

PS: Eu não sou apoiante do Lula mas nunca fui com a cara do Serra, embora provavelmente vá votar nele.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 12:52:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Ninguém tá justificando nada, a questão é por que não investigar FHC? O crime prescreve depois do termino do mandato dele? Não vai precisar mais devolver o dinheiro gasto irregularmente?

att

Rodrigo

PS.: Notou como os tucanos ficaram mansinhos depois que vir a tona os podres do FHC e do Serra?

PS 2.: O imoral não é o cartão estar nas mãos do primeiro escalão, mas o mau uso dele.

PS 3: 108 MILHÕES DE REAIS É MAIS DINHEIRO QUE 75 MILHÕES. E o pior, um único estado da federação gastou mais que o governo federal inteiro.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 16:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Não sei se proibir os saques resolveria os problemas. Houveram gastos da Anvisa, por exemplo, que foram regulares apesar do saque em dinheiro enquanto que o free shop e a tapioca foram pagos com cartão de crédito.

Rodrigo

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 16:14:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Rodrigo,

Eu não me referi a você quando falei em justificar, mas ao governo.

"Porque não investigar FHC?"

Se houver provas de algo que tenha sido ilegal em seu governo que seja aberto inquerito para investigação e se for o caso julgamento. Mas não por comparação, entendeu? Senão fica aquela coisa : “ ah! Mas vc roubou tambem!”

Repare que o presidente não tem responsabilidade criminal por seus subordinados terem usado o tal cartão desta ou daquela forma. Mas sente necessidade em socorrer-se dum velho expediente: a comparação com o governo anterior. Mas nesse caso a estratégia é falha pois não se trata dum índice qualquer resultante duma política do governo, trata-se de comparar o comportamento individual e desonesto de vários integrantes do governo.

Os ministros que utilizaram o cartão de forma irregular não tiveram o mínimo pudor e não lhes aconteceu nada e o governo tem de arcar com a co-responsabilidade moral já que refuta a idéia de estabelecer um limite de gastos e demitir os caras-de-pau que fizeram isso. Ou fazer um recadastramento como o Alon sugere.

Compare isso a demissão do Odacir Klein, que não foi responsável direto por nenhum crime apenas por tentar encobrir um ato de seu filho: como um ministro não poderia ter um comportamento daqueles então FH demitiu-o. Tambem retirou o banco de um de seus principais apoiantes e financiadores: José Andrade Vieira.

Já agora: retirou o Banco Nacional da família de sua nora e quando ouve rumores de que seu filho estaria fazendo negócios menos próprios, envio-o para o exterior.

São coisas difíceis de fazer que devem lhe ter trazido muitos problemas, pessoais e familiares até. Mas FH nunca deixou transparecer a opinião pública que compactuava com comportamentos menos próprios e não me lembro de tentativas de comparações a outros como justificativa de erros próprios ou de integrantes de seu governo.

Por outras palavras: o governo está tentando chamar a atenção de eventuais roubos e desvios que ocorreram em governos da oposição para justificar os seus e ao mesmo tempo não faz nada para estancar a sangria de recursos.

Cordiamente,

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 21:35:00 BRST  

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