quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Ponham Ronaldo Caiado na Agricultura (13/02)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria começar a pensar em nomear um ministro da Agricultura que defendesse em primeiro lugar os produtores brasileiros e não fosse tão, digamos, receptivo às pressões protecionistas da União Européia. O ministro Reinold Stephanes foi hoje ao Congresso Nacional falar sobre o embargo europeu à carne brasileira. Segundo o globo.com,

(...) Stephanes, disparou fogo amigo, nesta quarta-feira, ao criticar os exportadores brasileiros de carne, insinuando que eles têm parcela de culpa no embargo europeu. (...) o ministro admitiu que o Brasil chegou a exportar carne bovina não-rastreada para a União Européia, antes de as novas regras do bloco entrarem em vigor, no último dia 1º. Ele foi só farpas em direção às empresas certificadoras, dizendo que a situação delas "é um escândalo".

- Hoje eu tenho certeza disto: eles [frigoríficos] exportaram para a União Européia carne rastreada e não-rastreada - disse o ministro.

Afirmando que a polêmica sobre a exportação de carne brasileira para a Europa "é especificamente de ordem comercial", não havendo nenhuma restrição de ordem sanitária, Stephanes defendeu que os frigoríficos "assumam um posição de liderança quanto a essa questão, apoiando os produtores que vendem carne rastreada". (...) A UE insiste em limitar a primeira relação a 300 fazendas, mas o ministério acredita ser possível estender a relação inicial para até 700 propriedades. O ministro Reinhold Stephanes conclamou os frigoríficos exportadores a liderarem o processo de rastreabilidade dos rebanhos. (...) Segundo o ministro, as certificadoras nunca foram auditadas e uma inspeção feita recentemente pelo ministério eliminou 20 empresas de uma lista de 71 reconhecidas pelo Ministério da Agricultura.


Clique aqui para ler a reportagem completa. Bem, minha opinião sobre o assunto você conhece. Está em Só rindo:

A questão sanitária é apenas um pretexto para que os europeus exijam a interessante prerrogativa de definirem eles próprios em quantas fazendas brasileiras poderá ser criado gado cuja carne será consumida na Europa. É uma piada. A Europa é um continente em decadência, com população declinante e cuja agricultura só se mantém porque os que se dedicam a essa atividade são praticamente funcionários públicos -pela via dos subsídios. Mais um exemplo sobre como se materializam na vida prática os conceitos de livre comércio dos liberais.

Eu estou fechado com o deputado federal Ronaldo Caiado (na foto, DEM-GO). Segundo o Blog do Josias,

Inconformado com a “submissão” do governo ao boicote imposto pela União Européia à carne brasileira, o deputado Ronaldo Caiado (...) decidiu apresentar na Câmara duas propostas: 1) projeto de resolução suspendendo a vigência de todos os acordos firmados pelo Brasil com a Comunidade Econômica Européia; 2) decreto legislativo retirando do ministério da Agricultura o poder de baixar instruções normativas baseadas em regras fixadas pelo Parlamento Europeu.

Clique aqui para ler a reportagem. Pena que o Democratas esteja na oposição, pois Caiado deveria ser nomeado imediatamente para o lugar de Stephanes. Por que Caiado está certo? Porque se a carne brasileira é boa para ser consumida pelos brasileiros ela também deve ser boa para o consumo dos europeus. Dizendo de outro modo, se a carne não é saudável para ser saboreada na Europa tampouco deveria ser vendida no Brasil. É uma vergonha que um país supostamente soberano aceite barreiras protecionistas disfarçadas de "sanitárias". E é deprimente que o ministro brasileiro encarregado de defender a Agricultura nacional se deixe enredar nessa armadilha. Se o ministro Stephanes acha que as exigências européias são justas, deveria estendê-las ao mercado interno. Se acha que são injustas, deveria lutar contra elas. O que não dá é um ministro brasileiro tratar os consumidores do Brasil como cidadãos de segunda categoria.

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13 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Na realidade, a capitulação já vinha sendo preparada há uma semana, com as matérias e os comentários dos jornais televisivos dando razão à UE.
Parece que a estratégia é dar uma oligopolizadazinha de leve no mercado exportador, negociando uma restrição de uns 60%.
Proponho uma estratégia de resistência, restringindo o consumo de vinho no Brasil aos produzidos produzidos abaixo da linha do Equador. Prestigiamos os brasileiros (inclusive do Vale do São Francisco), argentinos, chilenos, sul-africanos e australianos, sem esquecer dos uruguaios. A justificativa é puramente sanitária, já que é sabido que os raios cósmicos, e, mais recentemente, os raios solares, são mais inclementes no hemisfério norte, criando brechas genéticas nas cepas viníferas que, além de compromenter o sabor, tornando os vinhos europeus característicamente mais pesados, também são suspeitos de aumentar as possibilidades de danos hepáticos quando em situação de consumo imoderado da bebida.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 21:29:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Tentemos,quem sabe,uma outra versão?
a)houve primeiramente interferência dos governadores, pressionados, por sua vez,pelos criadores, dos respectivos estados,para a inclusão da fazendas excluídas da relação original;
b)aqueles criadores que pleitearam,sem mérito a inclusão de suas fazendas, são parte dos ruralistas,representados por Caiado,e a musa da CPMF,que uma vez ,apanhados em trapaça,apontam o governo federal,claro,sempre Lula,como negligentes e outros entes.
c)Ronaldo Caiado,quem lembra e conhece seu desempenho político,sabe aos interesses a que serve.A agremiação partidária que lhe abriga, desfruta do país ,desde longa data,como campo de criação,multiplicação,engorda e abate.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 21:35:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

"Porque se a carne brasileira é boa para ser consumida pelos brasileiros ela também deve ser boa para o consumo dos europeus."

"Se o ministro Stephanes acha que as exigências européias são justas, deveria estendê-las ao mercado interno"

Alon,

Vc é um sonhador. O Brasil não tem a mínima hipótese de querer se equiparar a Europa na base de decretos. Tem de ralar.

A carne brasileira tem um "bom padrão" de qualidade mas os europeus querem um "ótimo padrão". É o cliente que escolhe. Se não existissem mazelas no processo fiscalizador das condições sanitárias brasileiras a UE não conseguiria fazer nada.

É uma questão de não se por a jeito...

Cordialmente,

PS: Os europeus são paranóicos em questão de higiene.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 23:06:00 BRST  
Blogger maxeverything disse...

Ponham mesmo!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 23:47:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Chutou o balde, né Alon!

Rodrigo

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 13:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Informo que deixo, a partir de agora, de consumir trufas, pois são produzidas na União Européia, em condições altamente insalubres, arrancadas debaixo do solo, por cachorros que enfiam nelas os seus narizes, e vendidas em bancas infectas sem que nem a terra tenha sido tirada de cima delas.
Afronta a consciência sanitária de um cidadão consumir coisas assim.
Pra não dizer do patê de foie, obtido mediante tortura.
Caviar continuarei comendo, desde que seja russo ou iraniano, e não finlandês ou dinamarquês.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 14:55:00 BRST  
Anonymous jeremias disse...

Concordo com o amigo que diz que o alon foi sonhador agora, comentário digno de Poliana.
É óbvio que cada país tem direito de impor as barreiras sanitárias que queira para comprar carne ou qualquer coisa, e mais lógico do que isso é que isso depende de interesses puramente comerciais e econômicos. Justo ou não, isso tem que ser discutido na OMC.
A questão é: o Brasil ACEITOU as condições européias. E agora o próprio ministro admitiu que não cumpriu essas exigências.
Deveríamos ter aceitado? E agora? Parte para o confronto como quer o Caiado?
Imagino que o Brasil perderia mais ainda caso fizesse isso - por isso o ministro admite, e tenta agora negociar. É política, não briga de puxão de cabelo de colegiais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 14:57:00 BRST  
Blogger Ricardo disse...

Talvez seja a hora de pensar no que significa produzir tanta quantidade de carne. Será que vale a pena? Outra questao pertinente: toda esta conversa fiada sobre a qualidade da carne europeia é pra boi dormir, né? Vaca louca, surto de aftosa na Inglaterra, etc. Quando estive na Espanha em 96, havia açougues que expunham cartazes dizendo que a carne vendida nestes lugares nao vinha da regiao infestada pela doença da vaca-louca.
Ta na hora de substituir este pastos por plantaçoes de cana ou algo equivalente, diminuindo a oferta de carne no mercado externo. Garanto que um aumento dos preços globais de carne farao as coisas ficarem mais confortaveis aqui.
Outra providencia é mexer no cambio, pra tornar nosso produto mais competitivo....

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 15:13:00 BRST  
Blogger Aurélio disse...

Chega de ministro subserviente! Já estou boicotando vinhos europeus. Parabéns ao deputado Caiado pelo trabalho em defesa da pecuária brasileira. Oposição deve, mesmo, protestar contra mais esse tipo de descaso do governo petista com os setores produtivos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 19:50:00 BRST  
Anonymous Luca disse...

O comércio exterior é sempre de dupla mão.
O Brasil tem barreiras alfandegárias com alíquotas para europeu nenhum botar defeito. Apenas para exemplificar, na área eletrônica é de 50%, sem contar com os demais tributos internos.
Até no programa do notebook para a área educacional (o tal de $100 US do Prof Negroponte), o custo ficou ainda mais elevado por esta postura protecionista (e cartorial) da indústria dita “nacional”.
Se a idéia é exportar mais, há que se refletir sobre estas questões.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 21:30:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Jeremias,

O Alon falou que para ser coerente o ministro deveria aplicar no Brasil normas iguais as européias uma vez que considereva-as corretas. Meu raciocínio deriva da impossibilidade de fazer isso. O que me chamou mais a atenção foi a defesa dessa idéia. Eu nem comentei sobre o ministro dizer "a verdade",ou "ser sincero" acho possível até ser uma estratégia, e não vou fazer juízo da questão porque desconheço a intenção de tal declaração.

Como diz,muito bem, é obvio que é jogada comercial, mas o bom vendedor deve ser precavido. E a impressão é que o Brasil não tomou precauções nesse caso.

Cordialmente,


PS: moro na Europa e já presenciei muitas dessas paranóias higienistas. Muitas normas da Comissão Européia são ridículas mas tb são aplicadas internamente.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 21:59:00 BRST  
Anonymous Manoel disse...

Os facistas já tiveram a sua vez.
Xô Facismo!!!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 23:46:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, não volto a este Blog enquanto permanecer a foto desse cara aí. E ainda rindo, cruz credo!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 21:58:00 BRST  

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