terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O cinismo do Executivo (05/02)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (05/02/2008) no Correio Braziliense.

Se houver ônus financeiro nos pagamentos em dinheiro vivo, estaremos diante do absurdo dentro do absurdo. O contribuinte estará a arcar com os altíssimos juros cobrados pelos bancos, só para financiar o conforto de autoridades federais

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

O que vende é o espetáculo. Talvez por isso, as listas de dispêndios estranhos, absurdos, sofisticados e bizarros estão no foco das revelações sobre os gastos com cartões corporativos no governo federal, a começar da entourage do presidente da República. O maior problema, porém, reside em outro lugar: na impressionante prevalência de saques em dinheiro sobre as compras com o cartão propriamente dito.

Tornou-se público que mais de três quartos das despesas de cartões no governo federal em 2007 foram feitas com dinheiro vivo, sacado com o cartão. São cerca de R$ 59 milhões, num universo de quase R$ 76 milhões. O que teria levado as autoridades a essa estranha preferência pelos saques? Quem tem seu próprio cartão de crédito sabe que deve fugir da tentação de usá-lo na modalidade de débito, ou de sacar dinheiro com ele. Os juros são proibitivos.

Tão proibitivos que uma parte saborosa dos resultados dos bancos provém da turma que só faz o pagamento mínimo da fatura, financiando o resto da dívida. Por isso é que você nunca deve vacilar, por exemplo, quando no restaurante o garçom, ao ver o cartão de crédito que você apresentou para pagar a conta, pergunta se “é débito ou crédito”.

A segunda opção evita ter de arcar com os custos financeiros da primeira, de um dinheiro tomado emprestado do banco numa das piores (para o consumidor) modalidades disponíveis. Eis uma dúvida adicional que fica desse imbróglio dos cartões corporativos federais. Quais são as despesas decorrentes da decisão de sacar dinheiro com eles, em vez de simplesmente pagar a conta com o cartão? Para que não houvesse custo financeiro na retirada, seria necessário que o dinheiro estivesse disponível em uma conta-corrente do Tesouro, o que evitaria ter de tomá-lo emprestado do banco. Com a palavra, as autoridades. Quem se digna a responder? Quem pode esclarecer?

Se houver ônus financeiro nos pagamentos em dinheiro vivo, estaremos diante do absurdo dentro do absurdo. O contribuinte estará a arcar com os altíssimos juros cobrados pelos bancos, só para financiar o conforto de autoridades federais que, por coincidência, são exatamente as responsáveis pela leniência diante da escorcha praticada pelos bancos na relação comercial diária com o cidadão comum. Note-se que, no pacote apresentado semana passada como resposta à crise dos cartões, a Presidência da República e o Ministério da Fazenda reservaram a si a prerrogativa de continuar fazendo saques sem limite com seus cartões corporativos.

Será ou não um escárnio se ficar comprovado que estamos pagando juros extorsivos para que autoridades federais saquem dinheiro com cartões de crédito em despesas cuja necessidade não poderá ser comprovada, por supostas razões de Estado?

Mas há uma outra possibilidade, ainda mais perniciosa. Se não estiverem sendo cobrados juros no dinheiro que o pessoal do governo saca com o cartão de crédito federal. Se for assim, o Banco do Brasil estará emprestando dinheiro sem juros para as felizes autoridades ocupantes de cargos de primeiro escalão no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Estariam criadas, nesse caso, duas categorias de cidadãos: 1) a corte, com seus privilégios, e 2) as pessoas comuns, com suas obrigações.

O governo federal tem muito a explicar nessa história dos cartões. Quais são as despesas eventuais e emergenciais que justificam um gasto anual de quase R$ 80 milhões? E como se explica que mais de 75% desse total tenham sido operações em dinheiro vivo? Quase R$ 60 milhões despendidos em pagamento de barcos transportadores de funcionários do censo ou de sanduíches para o pessoal do Ibama? Não faz sentido.

Os gastos com cartão, especialmente os saques, são uma modalidade de “verba indenizatória” que o Executivo arranjou para si próprio enquanto finge frugalidade ao receber salários inferiores aos da iniciativa privada. O resultado inevitável é o cinismo. Recorde-se que em 2006, quando os deputados e senadores discutiam o fim da verba indenizatória deles e a aplicação de um reajuste que equiparasse seus vencimentos aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apressou-se em dizer que não havia dinheiro disponível. Talvez a bufunfa estivesse reservada para pagar os cartões dos felizardos colegas do ministro e do chefe deles todos. Haja estômago.


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25 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon,
Grande percepção.
Vai fundo aí que a coisa rende. Você sabe bem mais que eu que isso é coisa para o jornalismo investigativo, portanto, esse iceberg tem que vir á tona.
Dê mais uma vez tua honrado contribuição e
quem sabe ainda um dia vamos ter no Brasil
algo como um país mais justo.
quem prometeu, falhou. Nós acreditamos.
Paciência, começar de novo.
Um abraço e parabéns pelo blog.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 11:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 15:22:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Alon, até você embarcando no escândalo da tapioca?
Vamos por partes. É claro que cartões corporativos sem controle são uma tentação para funcionários poucos republicanos (mesmo que sejam concursados e de carreira).
Para isso a CGU faz o portal da transparência, de onde esses dados foram tirados pela imprensa. O objetivo é qualquer cidadão poder fiscalizar (existe até uma cartilha no portal, de orientação, incentivando). E o portal não se limita a gastos com cartões, mas a todos os gastos: diárias, repasses a ONGs, repasses a estados e munícipios, convênios, etc.
Com o portal da transparência, esperava-se que funcionários adultos, concursados, conscientes de seus deveres funcionais, comportassem devidamente.
Pois bem, quem usou mal o cartão terá que pagar, ressarciando e respondendo a inquérito administrativo.
O fato de sacar em dinheiro não desobriga nenhum funcionário a prestar contas de como gastou o dinheiro.
O fato de não sacar em dinheiro, tampouco impede fraudes. Um comerciante amigo de um funcionário pode debitar uma despesa que não existiu de fato, no cartão, e "rachar" o dinheiro com o mal funcionário, assim como se faz com notas frias.
Agora imagine um grupo de fiscais de trabalho escravo que vá fiscalizar fazendas no interior profundo do Pará. A partir de certas cidades pólos não há bancos, o comércio rudimentar não aceita cartões. Viagens de barcos na amazônia para pequenas localidades também não aceitam cartões. Se furar um pneu e precisar de borracheiro precisarão pagar em dinheiro, o mesmo acontece com outras peças de carros. Esses fiscais precisarão levar algum dinheiro. É para isso que é permitido saques em cartão.
Você não gostaria que ao receber uma denúnica de trabalho escravo, tráfico de drogas, ou de desmatamento, o governo abrisse uma licitação pública para custear a operação de repressão e demorasse 6 meses para iniciá-la, desmanchando todo o flagrante, gostaria?
Daí os gastos emergenciais.
Acredito que isso seja comum com fiscais, policiais, militares em missão, rescenceadores do IBGE, gente de Funai, do IBAMA, etc. Também deve ser comum no judiciário. Como àquelas urnas dos TRE chegam nos confins da amazônia? Quem paga e como são pagas essas despesas?
Agora o governo Lula tornou os gastos transparentes. Foi um primeiro aprimoramento do serviço público. Funcionários que "se mancaram" usam o cartão corretamente, senão por virtude, por medo de serem pegos. Quem não "se mancou" está sendo denunciado. A partir dos abusos, novos controles estão sendo feitos.
O governo está fazendo o que deveria se esperar dele, está tomando as provideências à medida que verificam-se necessárias, já que, expostos à transparência, muitos não se comportaram como adultos íntegros, coisa que seria natural de se esperar por qualquer gestor.
Enquanto isso os governos estaduais e municipais da oposição não deram sequer o primeiro passo para imitar o exemplo do governo federal. Não tornaram públicos os gastos de forma detalhada.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 16:40:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Sr. Alon,
Realmente, haja estomago para tanta "maquinação" com dinheiro público.
Um gastou mais outro menos, porém, o que dói é saber que nós todos pagamento a alta conta.
Este é um país que vai prá frente, Uou,Uou, Uou!!!
Nardelino do Cavaco

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 17:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Recomendo ao Alon um passeio pela jurisprudência do TCU (www.tcu.gov.br em jurisprudência). Vai encontrar lá ao menos 3 auditorias sobre os cartões. A primeira delas, de 3 anos atrás, é uma aula sobre a sistemática dos cartões. Naquela oportunidade, o Tribunal questionou os saques em dinheiro. Quem se informa por ali não se arrisca a sair escrevendo por aí banalidades sobre o uso do cartão. Outra dica, buscar informações sobre o uso dos cartões na Europa e nos Estados Unidos. Abraço

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 18:34:00 BRST  
Anonymous Giacomo Prandini disse...

Caro Alon, vejo que há adeptos de Lula que se incomodaram com o seu post. Pois eu sempre votei no Lula, sempre defendi ele e fico feliz por um jornalista independente e equilibrado como você questionar de maneira firme essa coisa dos cartões. Trata-se evidentemente de um escândalo. Seria um escândalo num governo tucano e é um escândalo num governo petista. Parabéns. Por isso é que seu blog é prestigiado. Ele não é um blog de torcida.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 18:47:00 BRST  
Anonymous Lau Mendes disse...

Este é um atestado dos maiores que governos progressistas não precisam de oposição. Os ditos “progressistas” encarregam-se da desmoralização. E não estou falando do executivo ou legislativo, embora algumas tacadas propiciem isto, mas falo de pessoas que se ocupam como o caro Alon, de esmiuçar e refletir a política brasileira. Alon, por favor deixe o carnaval passar, tem muito confete e serpentina de cores muito manjadas, não vá dar uma mãozinha para a ressaca-tapioca que querem esticar até 2010.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 19:44:00 BRST  
Anonymous Luca disse...

Em qualquer organização onde há controles, os usuários de cartões, ou de outras formas de pagamento corporativo, são obrigados a prestar contas de seus gastos e devolver aquilo que gastaram para consumo pessoal.

É tão simples quanto isto. Prestem contas e devolvam o troco, acrescido dos custos financeiros devidos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 19:48:00 BRST  
Anonymous el chavo del ocho disse...

alon, depois de um monte de bobagem, você acertou em cheio.
já usei cartão corporativo e, já controlei seu uso.
ele é sensacional para viagens e diárias (hotel, restaurante, aluguel de carro, gasolina), principalmente porque evita o uso de espécie, grana, cash, plata, fiorino, massari....Empresas costumam depositar diárias em conta corrente e, proibem o saque.
afinal, em qualquer país, não é recomendável carregar dinheiro.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 21:21:00 BRST  
Anonymous isnougud disse...

Vem aí, a "CPI da Tapióca"!Esgotada
a pauta da "folha amarela",ato contínuo,vasculha-se o acacianismo orçamentário:os gastos de pessoas,serviços e equipamentos,do governo federal.Claro!Experimentem investigar as últimas décadas tucanas,na governança da paulicéia:o que se gastou em óbras viárias(inúteis) ,na capital, se contruiria um outro túnel sob ao Canal da Mancha...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 21:26:00 BRST  
Anonymous Maria disse...

Interessante esta história de cartões corporativos... mas, para ministros? Por quê? Ministros não têm conta corrente? Salários? Graxa nos sapatos? Bons vinhos? Ah, meu povo, quando vamos sair no bloco do "nós somente?" Em princípio, este cartão seria para bancar despesas de viagem. Seria mais decente o controle pelo extrato, portanto. Jamais sacar a grana. Agora, começa "caça às bruxas". Por que não se previu isto? Muito difícil.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 23:49:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon: Ao que parece você se julga um paladino da moralidade. Em sendo assim sugiro algum equilibrio nos seus julgamentos/questionamentos, dentro do que você proclama "jornalismo investigativo".
Ou seja: Qual sua opinião sobre:
a) A força-tarefa de políticos que saiu em defesa daquele fazendeiro que utilizava trabalho escravo;
b) A falta de transparencia nos gastos do governo de São Paulo;
c) A falta de cobertura, pela grande imprensa, de fatos desabonadores à qq. governo de oposição (DEMO/PSDB);
d) A proverbial ignorancia de tretas & mutretas ocorridas antes de 2003;
e) O comportamento flagrantemente descarado na distorsão de fatos, bem como manipulação de notícias, com intenção claramente oposicionista, quando não é esse o papel de um jornalista que preze o título.
Finalizando, você se acha um cara justo e correto no que faz???
Reflita.

Saudações

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 00:07:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, o cartão corporativo teve sucesso porque permitiu que as empresas controlassem on line, os gastos e, pudessem ter uma data ótima para pagamento. Mesmo assim, a maioria das empresas não autoriza compra de passagens aéreas, porque é mais barato comprar pelo agente de viagem, que retribui a fidelidade com descontos, o que nunca ocorrerá com a compra de balcão. Outro aspecto ainda não abordado é que esse escândalo traz a tona a uma questão correta da receita federal: a de que a utilização indiscriminada desses cartões em empresas é forma de evasão fiscal, auferir renda sem a devida contabilização com o imposto de renda. De fato essa forma de evasão ocorre, principalmente em empresas de capital fechado.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 04:10:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, chamo a atenção para a QUEBRA de contrato. Fornecimento continuado exige licitação. E licitações foram feitas. E os contratos, firmados. Então, comprar "por fora" é quebra contratual.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 09:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Quando um sujeito não se envergonha de pagar uma tapioca - de R$ 8,90 - com cartão corporativo... olha... realmente... é um escárnio.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 09:22:00 BRST  
Anonymous Ruy Acquaviva disse...

Analisando os dados disponíveis sobre gastos do governo estadual paulista (falo do meu estado, São Paulo, creio que cada um deve ter a mesma procupação em seu estado e a mesma deve estender-se às respectivas prefeturas) e reparei que as despesas dos secretários estaduais em média são maiores que as dos ministros. Existem secretários com despesas muito superiores inclusive às da ministra que está sendo apresentada como recordista de gastos. Pena não haver transparência na apresentação dos dados estaduais, que poderia seguir o exemplo federal de apresentação de contas.
Espero que esse tipo de cobrança seja feita nos demais níveis de governo, não somente no nivel federal, pois caso contrário seria falta de seriedade.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 09:58:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sr. Feuerwerker,
É muito curioso que após teu excelente comentário no blog, muitos comentaristas resolvam criticá-lo.
O artigo é impecável!!
O caso é ético e agora não adianta atacar o governo de FHC, o governo de SP dizendo que gastavam mais e agora estão pedindo CPI.
Depois do que li, vi e votei, cheguei a conclusão que esse discurso ético é conversa mole prá boi dormir.
Continuamos pagando a conta. No passado era do usineiro e do ruralista.
Agora é do socialista.
Contunue enchendo o saco desse governo "ético"
Vida longa e muita saúde,
Thomas Zhiang

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 10:35:00 BRST  
Anonymous Sandoval disse...

Quanto palavrório para justificar o injustificável.
O Giacomo definiu muito bem: é um escândalo.
Seria em outro governo e o será se voltar a ocorrer.
E aí o xis da questão: será esclarecido e a lição aprendida ou deixaremos como está?
Como querem alguns, afinal a roubalheira não começou agora, apenas vulgarizou-se. Subentenda-se: "pô, na minha vez vão querer moralizar!? Larga disso, mano. Era só papo meu, a tal da moralidade. Deixa eu ganhar e depois vai tu!!.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 10:41:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Senhores: o governo Lula foi quem colocou "a roubalheira" na internet para todo mundo ver, no portal da transparência.
Os cartões corporativos são nominais. O detentor do cartão responde por ele (mesmo que ele use para beneficiar outro, a responsabilidade é do detentor).
Confundir as malfeitorias do detentor do cartão (e beneficiários), com as benfeitorias da política de trasnparência implantada no governo Lula é o maior estelionato jornalístico que vi desde... a "epidemia" de febre amarela emplena capital Paulista criada pela imprensa, que vitimou com a morte até uma enfermeira.
Critiquem à vontade abusos no uso dos cartões. O Portal da transparência foi feito para isso.
Mas exijam dos governos Estaduais e Municipais que divulgam com transparência seus gastos como faz o governo federal.
Enxerguem o portal da transparência como um modelo exemplar a ser seguido.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 13:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Na realidade o post serve para reflexões de qualquer matiz. Não trata-se de torcida a favor ou contra. Trata-se da boa gestão de recursos públicos, sempre prometida mas nunca realizada. O problema é que, como sempre acontece, medidas como o Portal da Transparência, que faz jus ao preceito da publicidade, está sob ataque depois das informações sobre os gastos. Quem no final paga as contas, não pode saber como seus impostos são utilizados e por quem. Ora, a República e a Democracia não podem estar sujeitas à hora do recreio: podem brincar à vontade até o toque da sirene, depois do qual todos devem voltar para seus lugares e ficar no mais absoluto silêncio.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 18:07:00 BRST  
Blogger Lino Braz da Cruz disse...

Alon,é muito estranho que uma pessoa bem informada como você esteja fazendo afirmações como essas. O cartão de crédito corporativo é somente um meio de realizar uma despesa que possa ser executada como "suprimento de fundos". Lembre-se não há despesa sem prévio empenho, logo, sem a definição e a disponibilização de recursos para a sua execução. Essas despesas, "suprimento de fundos", cumprem o ritual de execução orçamentária: crédito, empenho, liquidação e pagamento. Têm formalidade para prestação de contas, que são julgadas pelos tribunais de contas e pelos órgãos de controle interno do Poder Executivo. Antigamnete, essas despesas eram pagas por meio de cheque ou dinheiro. Fazia-se assim: o detentor do suprimento de fundos (um funcionário público) recebia um empenho em seu nome; - julgo que continua assim- abria uma conta no seu nome; o tesoureiro apoiador da organização que emitiu o empenho efetuava o depósito nessa conta; o banco emitia um talão de cheques no nome do detentor do suprimento e, agora, titular dessa nova conta; o detentor do suprimento de fundos efetuava as compras dentro do enquadramento do empenho, pagando-a por meio de cheques, emitidos por ele, ou em dinheiro, quando a situação exigia. Neste último caso, ele ia ao Banco do Brasil, que era onde deveriam sempre ser abertas as contas de suprimento de fundos, sacava os recursos necessários e efetuava o pagamento em espécie. Julgo que com o cartão o detentor não precisa ir ao banco com a finalidade de sacar dinheiro para efetuar pagamento em espécie, basta ir a um caixa eletrônico. Ao findar o prazo definido no documento que estabeleceu o suprimento de fundos, normalmente, apresentando saldo zero para os recursos empenhados, que constava também do empenho, o detentor formalizava o processo de prestação de contas, juntando as notas fiscais e outros documentos, e o encaminhava aos órgãos de contole interno. Disponibilizava-o, também, para avaliação do Tribunal de Contas. Creio que essa sistemática continua valendo e até mais restrita. Portanto, o que deve ter mudado foi somente o uso do cheque que foi substituído pelo cartão de Crédito Corporativo. Caso seja realmente esse o fato, Alon, todas as despesas efetuadas com esse cartão correm sobre recursos existentes exatamente para a aquela finalidade constante do empenho. Lembre-se, não há despesa sem prévio empenho. Assim, a única semelhança com a operação de um cartão de crédito do mundo privado é: o cartão em si e a possibilidade de uso do caixa eletrônico. Um abraço. Zurconil.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 18:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,é muito estranho que uma pessoa bem informada como você esteja fazendo afirmações como essas. O cartão de crédito corporativo é somente um meio de realizar uma despesa que possa ser executada como "suprimento de fundos". Lembre-se não há despesa sem prévio empenho, logo, sem a definição e a disponibilização de recursos para a sua execução. Essas despesas, "suprimento de fundos", cumprem o ritual de execução orçamentária: crédito, empenho, liquidação e pagamento. Têm formalidade para prestação de contas, que são julgadas pelos tribunais de contas e pelos órgãos de controle interno do Poder Executivo. Antigamnete, essas despesas eram pagas por meio de cheque ou dinheiro. Fazia-se assim: o detentor do suprimento de fundos (um funcionário público) recebia um empenho em seu nome; - julgo que continua assim- abria uma conta no seu nome; o tesoureiro apoiador da organização que emitiu o empenho efetuava o depósito nessa conta; o banco emitia um talão de cheques no nome do detentor do suprimento e, agora, titular dessa nova conta; o detentor do suprimento de fundos efetuava as compras dentro do enquadramento do empenho, pagando-a por meio de cheques, emitidos por ele, ou em dinheiro, quando a situação exigia. Neste último caso, ele ia ao Banco do Brasil, que era onde deveriam sempre ser abertas as contas de suprimento de fundos, sacava os recursos necessários e efetuava o pagamento em espécie. Julgo que com o cartão o detentor não precisa ir ao banco com a finalidade de sacar dinheiro para efetuar pagamento em espécie, basta ir a um caixa eletrônico. Ao findar o prazo definido no documento que estabeleceu o suprimento de fundos, normalmente, apresentando saldo zero para os recursos empenhados, que constava também do empenho, o detentor formalizava o processo de prestação de contas, juntando as notas fiscais e outros documentos, e o encaminhava aos órgãos de contole interno. Disponibilizava-o, também, para avaliação do Tribunal de Contas. Creio que essa sistemática continua valendo e até mais restrita. Portanto, o que deve ter mudado foi somente o uso do cheque que foi substituído pelo cartão de Crédito Corporativo. Caso seja realmente esse o fato, Alon, todas as despesas efetuadas com esse cartão correm sobre recursos existentes exatamente para a aquela finalidade constante do empenho. Lembre-se, não há despesa sem prévio empenho. Assim, a única semelhança com a operação de um cartão de crédito do mundo privado é: o cartão em si e a possibilidade de uso do caixa eletrônico. Um abraço. Zurconil.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 18:11:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Quero ver a turma da inquisição agora....

Do ConversAfiada-PHA '...Note bem: o gasto total com cartões corporativos no Estado de São Paulo em 2007 chegou a R$ 108 milhões !

. Antes de fazer uma análise detalhada dos gastos do Governo de São Paulo com cartão corporativo, o Conversa Afiada encaminhou as tabelas anexas à assessoria de imprensa do Governador José Serra com as seguintes perguntas:

. Por que 44,58% dos gastos com cartão corporativo em São Paulo são saques diretos no caixa – o que dificulta julgar a propriedade do gasto ?;

. Por que os gastos com cartão corporativo cresceram 5,82% em 2007, no governo Serra, acima da inflação ?;

. O Governador pretende fazer como o Presidente Lula e encarregar seu líder na Assembléia de abrir uma CPI e investigar a propriedade dos gastos com cartão corporativo ?
TABELAS DO SIGEO


Em tempo: o Conversa Afiada soube que a Folha de S. Paulo teve acesso a essas tabelas. O Conversa Afiada encaminhou à editora-executiva da Folha de S. Paulo, Eleonora de Lucena, a seguinte pergunta: "a Folha, de fato, teve acesso a essas tabelas? A Folha pretende publicá-las?"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 01:43:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A turma da inquisição, os milhões que pagam a conta a cada centavo, deseja saber de tudo. Inclusive se depois de Caim, que inventou o crime, todos os seguintes estarão perdoados. Quer saber também se, algum dia, os planos mirabolantes engendrados pelo Cebolinha lograrão vencer a Mônica.
Sotho

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 11:04:00 BRST  
Anonymous Cláudio Gonzalez disse...

Alon
Fiquei surpreso e decepcionado com sua afirmação sobre juros dos cartões. Especialmente quando fala: "Estariam criadas, nesse caso, duas categorias de cidadãos: 1) a corte, com seus privilégios, e 2) as pessoas comuns, com suas obrigações." Ora, se quem paga as despesas dos cartões é o governo e não o tituilar do cartão, então não tem esta história de "corte" nem de privilégios. Seria um absurdo se o próprio banco do governo cobrasse juros do governo. Portanto, não há lógica nesta sua comparação.
O problema do "escândalo" dos cartões é que sempre haverá um jornalista desonesto e apressado "denunciando" uma despesa que julga abusiva e depois "esquecendo" de esclarecer os leitores quando descobre que não havia abuso nenhum na despesa. A Folha deu manchete de capa para os gastos da segurança de Lurian. Quando o genral Felix explicou os gastos e provou que não havia irregularidades, a Folha simplesmente "esqueceu" de dizer isto aos leitores. Com uma mídia podre como a nossa, não há transparência que baste.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 01:11:00 BRST  

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