terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Dois caminhos para um ministro (26/02)

Do estadao.com.br:

BRASÍLIA - Apesar de o governo ter reduzido de forma significativa a lista de fazendas aptas a vender animais para frigoríficos que exportam carne in natura para a União Européia (UE), os técnicos europeus que estão no Brasil desde domingo encontraram inconsistências nos relatórios que trazem informações sobre as propriedades. Diante das deficiências, os europeus e técnicos do Ministério da Agricultura decidiram, de comum acordo, excluir outras propriedades da lista de fazendas que poderão ser visitadas pelos europeus nos próximos dias. Na sexta-feira, o Ministério encaminhou documento à UE informando que, após analisar a documentação das propriedades auditadas em janeiro, constatou que menos de 200 propriedades cumpriam todos os requisitos previstos na Instrução Normativa 17, de 2006, que define as regras da rastreabilidade. A lista teria apenas 150 fazendas. Nos corredores do prédio anexo do ministério, onde fica a Secretaria de Defesa Agropecuária, a torcida é para que reste alguma fazenda na lista que servirá de base para a escolha das propriedades que serão vistoriadas pelos europeus até o dia 11 de março.

Leia a íntegra da reportagem. Menos de 200 fazendas brasileiras produtoras de carne estão dentro das normas impostas pela Comunidade Européia. Hora de parar de se agachar. Vale o que se escreveu aqui em Demanda é que não vai faltar:

Se o Ministério da Agricultura considera que determinada carne é adequada ao consumo dos brasileiros, por que razão não seria adequada à mesa dos europeus? Em outras palavras, se um certo produto alimentar não tem condições sanitárias para entrar no mercado europeu, tampouco deveria ter sua venda autorizada aqui.

Se menos de 200 fazendas brasileiras produzem carne boa o suficiente para ser consumida pelos europeus, e se o Brasil aceita essa restrição, as demais propriedades deveriam ser proibidas de fornecer carne para o nosso consumo interno. É um desastre a política do governo brasileiro neste caso. Urge que o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, corrija o que tem feito até agora. Eu assisti a uma entrevista do ministro outro dia na Globonews. Ele disse o seguinte: 1) o Brasil não deveria ter aceito as normas da CE lá atrás, 2) o problema dos europeus (especialmente dos irlandeses) é que eles produzem carne que custa o triplo da nossa e precisam proteger o seu mercado e 3) a aceitação das imposições européias tem o objetivo de manter o mercado aberto para nós. O ministro está errado no item 3. Chega de concessões esdrúxulas. Que os europeus paguem o triplo para comer um bife. Há demanda de sobra para o nosso produto no resto do mundo. Mas, repito, o ministro eventualmente pode achar que a carne brasileira é imprópria para o consumo, dos europeus e dos brasileiros (por que deveríamos comer carne que não serve para os outros?). Aí há dois caminhos possíveis. Ou o ministro proíbe a venda de carne brasileira nos açougues do Brasil ou então pede demissão.

Clique aqui para votar no Blog do Alon no Prêmio IBEST.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

8 Comentários:

Anonymous Mauricio Conti disse...

Lamentável esta posição submissa que o governo Lula adota com todos os países, dos EUA à Bolívia, passando pela Comunidade Européia e pela Venezuela.

Fora a forma desatrada e incompetente que o governo tem tratado a rastreabilidade nos últimos anos.

Lamentável!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 13:45:00 BRT  
Anonymous Cfe disse...

Vamos ser sinceros: boa parte da comida que é consumida no Brasil não tem fiscalização alguma. E outro tanto tem uma fiscalização assim-assim.

E o governo não tem capacidade de fiscalizar isso, por isso é irrealista pedir a proibição de comercio da carne.

Porque será que deseja a demissão desse ministro?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 21:45:00 BRT  
Anonymous Paiva Silva (produtor rural) disse...

Provavelmente porque o ministro seja alguém mais empenhado em ficar bem com o lobby europeu do que em defender os interesses do Brasil. Parabéns ao Alon.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 06:47:00 BRT  
Anonymous Hermenauta disse...

Galera,

A posição submissa aí não é a do governo em relação à UE. É a do governo em relação à UDR.

Não caia nessa, Alon.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 12:18:00 BRT  
Anonymous Paulo Schmitt disse...

Esse comentário do Hermenauta é um ótimo exemplo de raciocínio binário. Zero ou um. Ele é contra a UDR e a favor de Lula. Portanto, Lula estará, a priori, sempre certo numa polêmica com a UDR. O que o Hermenauta não fez foi responder à questão colocada pelo Alon. Por que o governo brasileiro não impõe no mercado interno nessas normas, se as julga boas indispensáveis para o consumidor? E aí, Hermenauta? O que você diz? Por que o Lula não faz isso? Será que o Lula acha que o brasileiro pode consumir qualquer coisa?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 15:12:00 BRT  
Anonymous Hermenauta disse...

Paulo Schmitt,

Você provavelmente não percebeu, mas meu comentário anterior já responde à sua pergunta. Mas como eu sou bonzinho, segura, peão:

"Bancada ruralista quer novas leis para sanidade
Hoje, a bancada ruralista do Congresso reúne-se para discutir a elaboração de um regulamento que cria o "Sistema Sanitário Brasileiro". A proposta é que o país tenha leis próprias sobre sanidade, sem precisar criar instruções normativas que se adaptem às exigências estrangeiras.

"Queremos definir regras e critérios para não ficarmos dependentes da legislação européia", justificou o deputado Ronaldo Caiado. Para o parlamentar, a Instrução Normativa 17, que criou o sistema Estabelecimentos Rurais Aprovados no Sisbov (Eras), é fruto da pressão européia e não das necessidades do setor. As informações são de Neila Baldi, do jornal Gazeta Mercantil.

Comentário BeefPoint: A "dependência" da UE (ou de outros) países sempre vai existir se desejarmos exportar. Os atuais problemas com a UE são originados de negociações frágeis e não cumprimento do prometido. Como disse o ministro Stephanes no início do mês: "É claro que o Brasil tem alguma culpa nisso. Ou por aceitar algumas negociações que não tinha condições de cumprir ou até por não ter cumprido questões que, muitas vezes, poderia ter cumprido"."

http://bbcnews.com.br/index.php?p=noticias&cat=7&nome=Agropecu%C3%A1ria&id=127955

(Alon, desculpe a extensão do comentário)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 15:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Doido é sempre melhor não contrariar", já dizia o ditado.
Se nós sabemos que nosa carne é boa para consumo (eu, pelo menos, nunca vi intoxicação com bife) deixe que os europeus deliciem-se com sua carne "selecionada" e caríssima e vamos aproveitar e fazer um belo churrasco!!!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 20:06:00 BRT  
Anonymous Hermenauta disse...

Pois é.

Eu até reconheço que a forma preponderante da pecuária de corte no Brasil proscreve, por design, a eclosão de doenças como a da vaca louca no Brasil. Por outro lado, porém, existem várias zoonoses (doenças que trafegam de animais a humanos) que podem estar presentes, sim _ e nem falo da febre aftosa.

O problema é que dessas doenças só a tuberculose está presente na Lista de Doenças de Notificação Compulsória do Centro Nacional de Epidemiologia. E além disso, como sabemos, nosso sistema de vigilância epidemiológica não é dos melhores. Portanto, o fato de gente classe média como a que frequenta blogs jamais ter ouvido falar de alguém que passou mal por ter comido carne do açougue bacana da esquina ou do hipermercado não quer dizer muita coisa.

abçs,

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 11:26:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home