sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Antes tarde do que nunca (22/02)

Notícia de hoje, vinda de Buenos Aires:

Em discurso no Congresso Nacional da Argentina, durante visita oficial ao país vizinho, nesta sexta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o fato de o Brasil deixar de ser um devedor internacional para passar a ser credor. Ele disse que o país tem "de aproveitar este momento e começar a nos endividar para gastar com infra-estrutura". Em discurso de improviso, Lula questionou quantas pontes, rodovias e outras obras podem ser realizadas a partir desse momento "depois de 500 anos de história em que fomos devedores".

Clique aqui para ler a reportagem. É o caso de recordar o que se escreveu aqui neste blog há pouco mais de um ano (Estou pronto a apoiar):

Parece haver no país um consenso de que para crecer mais é preciso investir mais. Em números, investir uns 25% do PIB para crescer uns 5% ao ano. Mas o investimento hoje está uns cinco pontos abaixo, em torno de 20%. Faltam portanto R$ 100 bilhões por ano em investimentos para atingirmos os tais 5% de crescimento. (...) Tem gente que acredita que ele [o dinheiro] vai vir do setor privado, e que, para tal, basta avançar nas reformas microeconômicas e criar um ambiente mais favorável aos investimentos. Eu tenho cá minhas dúvidas de que isso seja suficiente. (...). Ou o setor público recupera sua capacidade de investir, especialmente em infra-estrutura, ou eu acho que vamos ficar novamente a ver navios. Só que (...) não vale usar a inflação para inventar esses recursos (...). Mas, sem inflação, sem mais impostos e sem cortes radicais nos gastos (sociais), como é que esse dinheiro vai aparecer? (...) Eu tenho uma proposta. Ninguém investe e cresce de verdade sem se endividar. Fernando Henrique Cardoso usou a dívida pública para matar a inflação. Luiz Inácio Lula da Silva usou a responsabilidade fiscal para conter a dívida e assim poder baixar a taxa de juros (que ainda é alta). Hoje, nossa dívida externa foi reduzida a zero. Tem gente que acha isso ótimo. Eu prefiro ver de outro jeito, prefiro enxergar que, pouco a pouco, o Estado brasileiro vai recuperando a capacidade de se endividar. (...) Uma coisa é fazer dívida nova para cobrir gastos correntes. (...). Outra coisa, bem diferente, é endividar-se para investir. Qualquer empresário sabe a diferença entre essas duas coisas (...). O setor público no Brasil deve 52% do PIB e o país cresce menos que 3%. Na India, o Estado deve quase 100% do PIB e eles crescem quase 10%. Querem ler mais sobre o assunto? Indico dois posts: O Brasil (governo) deveria se endividar mais? e Uma dúvida sobre a renúncia fiscal.

Clique aqui para votar no Blog do Alon no Prêmio IBEST.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon, acredito que um dos maiores óbices para o crescimento econômico,esteja na educação e por
conseguinte na formação de trabalhadores qualificados.
Urge uma mudança na mentalidade do
povo ,bem como das autoridades
(que sucumbem às aspirações populares),no sentido de investir
mais na educação básica e profissionalizante.
Já está claro que existe excedente
de formandos em nível universitário,em prejuizo de cursos básicos e técnicos .
Saudações

sábado, 23 de fevereiro de 2008 12:00:00 BRT  
Blogger Enrique V. disse...

"depois de 500 anos de história em que fomos devedores"

Isso é mentira!

Fomos credores no final da Segunda Guerra Mundial também.

Lula é uma desgraça mesmo...

sábado, 23 de fevereiro de 2008 15:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Tempo".O que os homens não têm,e às nações,sobra.Os comedidos planos do nosso presidente-metalúrgico,confirmam os traços conhecidos de sua personalidade:prudência e rítmo histórico de suas iniciativas.Querem reforma tributária?Tentem fazê-la,sem os governadores de 27 estados, e a aprovação do congresso.Rápido ,instantâneo e...inócuo,foi abolir a CPMF.Portanto,falar em velocidade administrativa,vontade política,é confundir governar com competição de Fórmula I.Aquela,exige bem mais habilidade e por certo extremamente arriscada.

sábado, 23 de fevereiro de 2008 18:49:00 BRT  
Blogger Blog do Paulo Lotufo disse...

Alon, não pode passar despercebida a ação da Petrobrás em relação ao repasse de gás à Argentina. Los Hermanos están en peor crise!!
Não nos interessa asfixiá-los.
Tal como ocorreu com a Bolívia há momentos que somos mais acionistas da Petrobrás do que cidadãos de um país que tem interesses estratégicos.

sábado, 23 de fevereiro de 2008 20:44:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home