terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Eleições muito municipais (01/01)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (01/01/2008) no Correio Braziliense.

O governo Lula tem tudo para alcançar bem o terço final de 2008. O que deve levar a oposição a trabalhar duro para fugir da federalização do pleito


Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

O senso comum diz que quando o governo federal vai bem os candidatos do partido do presidente da República levam vantagem na corrida eleitoral pelas prefeituras. Essa verdade ainda está por ser comprovada. O oposto parece mais razoável. Quando o ocupante do Planalto está em baixa, é mau negócio associar-se à imagem dele numa disputa eleitoral dura, como costumam ser as municipais. Quando o país colhe bons ventos, como agora, a tendência é que o localismo prevaleça ainda mais na disputa de poder nas cidades.

Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2004. Depois do começo duro, o governo Lula saboreava um período de aceleração da economia. E como foi o desempenho do PT? O partido se deu bem no primeiro turno, reelegendo entre outros os prefeitos de Recife e Belo Horizonte. Mas o isolamento político custou-lhe espaços preciosos de poder nos lugares em que a corrida teve segundo turno. Os casos mais emblemáticos foram São Paulo e Porto Alegre.

Um PT forte, mas isolado. Foi isso que se viu quatro anos atrás. E agora? Na coluna dos ganhos, é improvável que os candidatos do PT não sejam vitaminados por cinco anos de posse da chave dos cofres das União. Nas perdas, é preciso saber qual será o efeito local de mais de três anos de ataques e acusações contra o petismo no plano assim chamado ético.

Máquina de um lado, desgaste ético do outro, é provável que o desempate se dê, como sempre, pela política. O PT terá aprendido a lição de 2004? Vai conseguir manobrar para evitar o isolamento, para impedir que formem frentes antipetistas de norte a sul do país? Vai ser capaz de oferecer espaços reais de poder a aliados, ainda que isso cause dor e desconforto em correntes do partido?

Há pelo menos uma mudança palpável na atitude do petismo em relação a quatro anos atrás. A partir mesmo do ocupante do Palácio do Planalto, o partido parece imbuído do desejo genuíno de construir uma aliança sólida com o PMDB. O PT é um organismo de cúpula forte e raízes municipais nem tanto. Daí uma complementaridade quase perfeita com o PMDB. O peemedebismo pode ter pedido boa parte de sua identidade ideológica dos tempos de oposição, mas manteve a capilaridade no território nacional, especialmente em pequenas e médias cidades.

Uma aliança sólida do PT com o PMDB nas eleições locais deste ano seria também um antídoto contra o crescimento do bloco PSB-PDT-PCdoB. Desde o ano passado, o “bloquinho” trabalha para chegar a 2010 como uma alternativa de esquerda não petista para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Do lado da oposição, o desafio será atenuar as diferenças entre o PSDB e o Democratas, tensão cujo símbolo mais vistoso é a ameaça de rompimento na cidade de São Paulo. O tucanato ensaia adotar um comportamento historicamente classificável como “petista”, ao ameaçar com a derrota o prefeito Gilberto Kassab (DEM). O que dificulta a aliança entre os dois partidos na capital paulista é a divisão entre os partidários do governador José Serra e do ex-governador Geraldo Alckmin.

O serrismo controla a máquina do estado e é sócio majoritário na prefeitura de Kassab, que herdou a cadeira com a saída do hoje governador. O alckminismo está, como se diz, na chuva. E teme depender do serrismo na sucessão estadual de 2010. Já os serristas desconfiam de que o alckminismo trama uma aliança com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Para eventualmente dar a este uma cabeça de ponte paulista, útil às pretensões presidenciais do mineiro na disputa interna com o próprio Serra.

De volta ao início desta coluna, é provável que a economia brasileira chegue a agosto — época em que o eleitorado começará a prestar atenção na refrega política municipal — com o pé na tábua. Bombando. Noves fora a crise imobiliária nos Estados Unidos e improváveis tropeços orçamentários decorrentes da perda da CPMF, o governo Lula tem tudo para alcançar bem o terço final de 2008. O que deve levar a oposição a trabalhar duro para fugir da federalização do pleito. Ela tem boa chance de conseguir. O eleitor médio costuma estar bem mais preocupado com a própria vida do que com as brigas dos políticos em Brasília. Vêm aí eleições muito municipais.


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19 Comentários:

Blogger Cesar Cardoso disse...

Eleições municipais, muito dificilmente, são afetadas por questões que não sejam paroquiais. Então esse trabalho a oposição não precisa fazer, ela já joga com essa vantagem.

Os diretórios municipais do PT costumam ter uma lógica própria, muitas vezes de afirmação pelo confronto com a diretriz da cúpula. Vamos ver como vai acabar essa história.

A oposição tem DOIS problemas: o de São Paulo e o do Rio, onde, apesar do prefeito Cesar Maia, aparentemente, querer apoiar Eduardo Paes (PSDB), o tucanato, sabendo do desastroso pós-Pan da prefeitura, pode querer derrotar o último prócer DEMo com cargo executivo, garantindo assim que o DEM não terá como escapar de apoiar o candidato tucano em 2010. Aliás, a eleição para prefeito do Rio promete ser uma das mais interessantes e confusas dos últimos tempos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008 12:51:00 BRST  
Anonymous Ze Augusto disse...

Alon,
No jogo de xadrez da política, porque o melhor para o Serra não seria a eleição de Marta Suplicy?
Serra só não vai e nem pode admitir isso publicamente nunca.
Vejamos:
Se Kasssab for reeleito, os demos se fortalecem e criam asas para a propagada candidatura própria, o que não é bom para Serra. Se Kassab perde, os demos de SP ficam no sereno e não terão outra alternativa a não ser abrigar-se mais ainda sob o grupo político de Serra.
Quanto a Alckmin você já analisou bem. É melhor deixá-lo no sereno, e depender de Serra para sair candidato a governador em 2010.
A derrota dos 2 "aliados" aumenta e concentra poder político nas mãos de Serra, porque ele assume o controle total do PSDB de SP, e dos demos de SP também.
Se Marta ganha, Serra desvia o curso de uma adversária à presidente da República (renúncia com 1,5 anos de mandato sempre é problema, mesmo que tenha dado certo com Serra), e o PT não tem outro nome vistoso ainda, apesar da força eleitoral que Lula deve ter para transferir votos.
Além disso, com Lula no governo federal e Marta na prefeitura, Serra pode fazer um governo de bom relacionamento com ambos e vender a sonhada imagem de "Serrinha paz e amor", aquele que convive bem com Lula, e por isso se apresentaria aos olhos do distinto eleitor como um "bom sucessor" a continuar o legado de Lula, e não um oposicionista.
Assim eu aposto minhas fichas em que Serra vai trabalhar para rifar Alckmin na prefeitura e fazer Kassab candidato para perder.
É ruim para os tucanos e demos? É. Mas o que fizeram os tucanos e demos com a candidatura de Serra quando impediram-no de colher uma bela vitória no episódio CPMF, justamente na bandeira da saúde, onde ele ainda colhe resultados de sua passagem no Ministério?
A guerra pelo controle desses partidos foi deflagrada, e agora só um dos lados sairá vencedor.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008 13:35:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Alon, eu acho que as oposições quererem fugir da federalização das eleições é óbvio, mas falta combinar com o adversário.
Todo candidato da base governista, até o vereador do menor município, irá colocar uma foto de Lula abraçado em seu santinho (nem que seja feita com o photoshop).
E haverá até oposicionista tentando pegar carona, dizendo que faz oposição ao PT mas não à Lula.
Se os partidos da base tiverem juízo, explorarão à exaustão a importância da integração municipal aos programas federais, uma vez que educação, saúde, programa sociais, PAC da habitação e saneamento e até segurança pública, são políticas federais descentralizadas, executadas nos municípios, através de convênios com prefeituras.
Se os governistas souberem explorar essa mensagem, o discurso local cola-se ao nacional.
Lembre-se que a opinião publicada na imprensa não funcionou na última eleição. Talvez as oligarquias políticas locais também não funcionem mais com a eficiência de antes.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008 13:44:00 BRST  
Blogger Tene disse...

Uma análise de pouca amplitude, sobre as eleições de 2008.
Supervaloriza o efeito da economia nos pleitos municipais, sem levar em conta as recentes pesquisas do DataFolha, que mostra um esgotamento desse governo nas áreas urbanas. Acredito que o PT e a atual gestão, acabou, noto desgaste profundo em relação ao atual mandatário, principalmente na Classe Média. Não acredito que a Esquerda prospere em 2008, em São Paulo não ganha mais nada, no Rio é simplesmente impossível, Belo Horizonte improvável, Fortaleza não se reelege, o que resta então? Periferia? Não tem impacto algum, o governo PT, começou muito cedo a sua desmontagem, acho.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008 15:40:00 BRST  
Anonymous Antonio Carlos disse...

Na verdade, Aécio comporá chapa com o Serra, impossível o PSDB se dar ao luxo de dispensar, ao não compor, uma dobradinha café com leite, imbatível em 2010.
Todos no PT sabem, que não existe hoje na esquerda, um nome forte capaz de bater o Serra, a sociedade tende ao conservadorismo, quanto mais a economia amadurece, se estabiliza, mais o Povo tende a um padrão de escolha, e este sempre estará a direita, tudo evidenciado pela não necessidade de grandes mudanças, e sim da manutenção do rumo.
Não existe amor em política e, sim um casamento de interesses, nestes casos, a jovialidade já nos deu mostras dos estragos que podem causar.
Nossas eleições cada vez mais serão americanizadas, personalizadas e, bipolarizadas, nossa sociedade está se tornando uma Balzaquiana responsável e previdente.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008 16:01:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

Em SP teremos um pleito interessante para a prefeitura.
Kassab x Alckimin x Marta.
Os dois últimos estão desgastados.
Muita gente no PSDB não perdoa Alckimin porque ele moveu céus terras para se candidatar a presidnte em 2006 e acabou "ressucitando" Lula.
Os petistas pensam o mesmo da Marta por ter "ressucitado" o Serra.
Os dois não têm nada a perder e tudo ao mesmo ao tempo.
Quem perder esqueça eleições majoritárias nessa vida.
Kassab não, esse não tem nada a perder e pode acabar surpreendendo.
Se isso acontecer tucanos e demos terão de reavaliar sua relação e discutir quem é que manda agora.
Os demos nunca gostaram da aliança com os tucanos em si, no entanto, sempre a salvação para a legenda no plano ds eleições majoritárias.
Se Kassab vencer muita coisa vai mudar.
S

terça-feira, 1 de janeiro de 2008 19:54:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

E se o Maluf entrar na disputa, divide os votos de Alquimin e Kassab e a Marta ganha.
MALUF 2008, JÁ.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 09:30:00 BRST  
Blogger FPS3000 disse...

Hugo, creio que o duelo de SP será interessante mas não creio na vitória do Kassab, muito embora esteja claro que a mídia pró-Serra e pró-"cidade perfeita com cara européia" fará de tudo para que ele seja eleito novamente - Alckmin, apesar do murismo de 2002, tem o pedigree tucano, o que faz muita diferença para o eleitorado que o PSDB herdou desde a década de 80 (a "esquerda pero no mucho"); e Marta, bem ... Marta tem o PT e 30% de votos garantidos, o que não é pouca porcaria.

Kassab poderia ser o candidato ideal ... poderIA, se não fosse por um problema: não é do PSDB ...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 10:25:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Apenas uma lembrança, dado o post do Cesar Cardoso: Eduardo Paes não é do PSDB. Era. Passou para o PMDB de Sérgio Cabral, deixando a Secretaria-Geral do PSDB. Realmente eleições municipais são de doer.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 11:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Será muito difícl qualquer grupo fugir da federalização de temas. Muito menos nas Capitais mais cosmopolitas. As eleições minicipais já estão federalizadas e há temas favoráveis e há os muito desfavoráveis ao Governo Federal nestas metrópoles. Porém, se olharmos pelo retrovisor, as oposições têm uma certa inaptência em não fazer faltas dentro da pequena área. Para Lula bater sem goleiro.
Sotho

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 11:34:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A eleição da prefeitura de São Paulo é sempre nacional.

Já a eleição do Rio de janeiro terá o candidato do Cesar Maia e o atual alcaide se mete muito na política nacional e a falar mal do Lula.

Nessas duas capitais a eleição será nacional.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 11:48:00 BRST  
Anonymous insougud disse...

Com a interferência do ministro
Mello,STF & TSE,anulando ou limitando
a execução de programas federais,de vez que o orçamento ainda depende de aprovação do congresso,esse trimestre,promete emoções,com acenos tardios de um olvidado "terceiro turno"...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 13:50:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

PT e PMDB têm tudo em comum. Jogaram a idelogia para o mato (adeus principismos, disse Lula), desconhecem escrúpulos e limies para suas ambições. E, além de tudo, adoram uma boquinha para multidões de correligionários.
Sds.,
de Marcelo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 14:07:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

fps 3000,
Não vá pensando que eu sou um militante do demo, hein!
O que eu coloquei é que se o Kassab for esperto, não se meter em nenhuma grande confusão até o pleito, se posicionar ao centro e fazer Marta e Geraldo se degladiarem, ele se elege.
Isso tem a ver com o desgaste de seus hipotéticos adversários (com sua hipotética candidatura, tb, é claro)e com o gosto paulistano de votar em quem prima por ficar na moita, pondo-se numa posição mais frágil, mais em cima do muro.
Sempre vence em SP quem assume a posição de "bom moço", não quem é mais combativo.
Marta e Geraldo precisaram ser combativos e isso, por si só, já é uma desvantagem pra eles.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 15:18:00 BRST  
Anonymous celso janio moskorz disse...

Desculpe discordar, meu caro pirotécnico, mas parece que você não conhece as pequenas comunidades
brasileiras (sei lá, digamos, até 50 mil habitantes). Vivo numa delas, em que já fui secretário de saúde. Todos deveriam ter uma experiência negativa dessa importãncia em qualquer área da administração municipal. Sempre foi -e será- um caos, porque nossa política de distribuição de verbas é infame (nas pequenas comunidades é por produtividade)e só quem está inserido no contexto pode contestar ou exaltar, dependendo da sua inserção (e consciência) no esquema.Isso dá um tratado. ou pelo menos, boas discussões, coisa que não vi muito aprofundadas nos seus eruditíssimos textos.
Mas, se com a sentença explícita -sei que é redundância-, sem meias palavras, de que sem a CPMF a saúde vai "ó", a 10 meses da eleição, a dita oposição não souber explorar essa saída pela lateral do governo no que concerne ao financiamento da desgraça brasileira e aceitar, sem sequer balir, a pecha de responsável por isso, melhor tivesse deixado como estava. "M" por "m", fede menos quando se mexe,

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008 15:37:00 BRST  
Blogger FPS3000 disse...

Hugo, não acho que ser democrata seja um defeito, embora eu prefira ser santo que "demo"(brincadeira ...).

Entretanto creio que a eleição de São Paulo será muito interessante pelo seguinte: o PSDB, em tese, tem condições de governar São Paulo infinitamente beneficiado pelo fato do PT - que mantém 30% de votos em primeiro turno e 40% no segundo, no mínimo (somando-se os nanicos de esquerda) - perder sistematicamemte eleições porque no segundo turno o eleitorado fiel dos tucanos, herdado do "MDB ético", se alia à antiga classe média tradicional (ex-malufistas) para derrotar o inimigo comum - malufista tem ódio de petista, para os que não são daqui dessas bandas ...

Há, porém, uma novidade, que se vê em algumas pesquisas sérias: o descontentamento de parte do fiel eleitorado dos tucanos (herdado do antigo MDB ético) com a postura de certas lideranças do partido - muitos tucanos de SP são de esquerda e não vão votar no Democratas só porque o Serra mandou, eles preferem alguém com o pedigree tucano do Alckmin,por exemplo. Covas ao menos foi inteligente ao aceitar o apoio do PFL mas criticá-lo em público; e Serra paga um preço caro por isso, expondo os defeitos do tucanato em praça pública.

Quanto ao Kassab: é um bom moço, um nerd que faz direitinho o que lhe pedem e sabe o que fazer - mas não tem luz própria; tenta ser um Jânio, mas o estilo "governar para a imprensa" que tem adotado é a maneira mais fácil de quebrar a cara, já que o povo quer alguém que faça, não que doutrine.

E no meio disso tudo ainda tem os 30% fixos de votos do PT ... vai ser dura essa batalha, ah, se vai ...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008 18:21:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

fps 3000,
NO final dos anos 90 Maluf era a direita, o PSDB o centro e o PT era a esquerda da política paulista.
Daí que o Maluf vencia o primeiro turno das eleições e depois era derrotado pq petistas e tucanos se aliavam no segundo turno. Isso reelegeu Covas em 98 para governador e elegeu Marta em 2000 como prefeita.
Daí que o Maluf desapareceu da cena política, Covas morreu e Lula virou presidente. O PSDB mudou, foi mais pra direita e abraçou o antigo eleitorado malufista.
Dominando todo o espectro político de SP da direita até o centro os tucanos monopolizaram o controle da política do estado isolando o PT e montando as bases de reetomar a presidência da República em 2006.
No entanto, as coisa deram errado e Lula venceu. Quem arcou com o maior prejuízo disso foi o próprio DEM, massacrado nas eleições legislativas federais.
Daí que a candidatura Kassab ganha uma importância grande pq pode redesenhar o mapa político brasileirona derrota ou na vitória,não pela importância de Kassab em si, mas pela sua posição.
Também não acho o Kassab grande coisa, mas Alckimin também nunca foi e se deu bem em 2002 pra governador.Há um frisson aqui em SP por "bons moços" e uma deficiência em avalia-los.
Continuo achando que ele pode surpreender, não por ele em si, mas por sua situação de não ter o que perder e pelo desgaste de Marta e de Geraldo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008 19:11:00 BRST  
Blogger FPS3000 disse...

Hugo,
Kassab a meu ver só ganha a eleição se o PSDB aceitar se subordinar ao DEM em S. Paulo, fechando centro e direita em torno da mesma plataforma - o que dificilmente acontecerá, visto que Alckmin só tem essa eleição para se firmar no cenário paulista e credenciar-se ao governo do Estado (ele vai ser candidato nem que seja para perder e marcar posição, considerando-se que Serra saia como presidente em 2010) ou que ele imprimisse marca própria, sendo mais "adhemarista" (tocador de obras) que "janista" (defensor da moralidade).

Do lado do PT, não há dúvidas de que Marta sairá candidata com o controle do partido - e ela está mais blindada do que antes, já que o efeito do "relaxa e ..." foi aos poucos digerido pela população.

Curioso é perceber que adhemarismo e janismo sobrevivem como os esteios da política paulista, já que o PSDB-Democratas usa táticas do janismo para se estabelecer na política (honestidade e atitudes de efeito moral) e o PT apela para o adhemarismo pseudo-malufista (medidas populistas e desenvolvimentismo baseado em obras públicas); a diferença hoje está na tendência esquerdista, mas se você verificar bem Adhemar e Jânio sobrevivem, seja em um partido, seja em outro.

O mundo se repete? É, pois é ...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 10:27:00 BRST  
Anonymous hugo albuquerque disse...

fps 3000,
É óbvio que o PSDB não vai aceitar se subordinar ao DEM na prefeitura, nem o DEM parece estar muito disposto a se submeter ao PSDB.De um modo ou de outro, a relação entre demos e tucanos vai sair abalada da aí.
O fato é que o PSDB tem se saído bem-sucedido eleitoralmente por controlar 2/3 da polítca paulista, no entanto, uma candidatura Kassab vai, novamente, fragmentar o quadro de forças no estado como não se via desde a eleição para prefeito da capital em 2000.
Se Kassab se colocar ao centro e deixar Geraldo e Marta se debatarem lá na frente, ganha.
Geraldo tem chances, Marta um pouco menos, precisaria de algo mais do que vancer o primeiro turno: Ser capaz de tirar votos de PSDB e DEM no segundo turno, o que é bem difícil.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 18:45:00 BRST  

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