quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

De volta ao front (03/01)

2007 foi um ano bom para este blog. Registramos um crescimento de 50% em visitantes únicos em relação a 2006. Que, note-se, foi um ano eleitoral. No mês a mês, dezembro de 2007 foi a segunda maior audiência da história do blog, só superada (em menos de 5%) por outubro de 2006 e seus dois turnos presidenciais. Melhor ainda, tanto o terceiro como o quarto trimestre de 2007 bateram o último trimestre (eleitoral) de 2006. Então vamos em frente. Sinto-me como se estivesse de volta à guerra, com seus inúmeros horrores e sua total perda de referências civilizatórias. Vejo que os adversários do governo federal comemoram o fracasso da operação que visava a resgatar três reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) -incluído aí um menino de três anos. Como é que alguém pode se deleitar com o fracasso de uma negociação de libertação de reféns? Qualquer que seja? Para as Farc, sua luta justifica que se mantenham reféns que nada têm a ver com o conflito entre a guerrilha e o estado colombiano. Já para alguns adversários do presidente da Venezuela (idealizador da operação diplomática de resgate), seus próprios interesses e objetivos políticos levam-nos a festejar que se tenha frustrado a libertação de inocentes que vivem em cativeiro. Esse é o ambiente político com que vamos conviver doravante. Paciência. Como já escrevi em algumas oportunidades neste blog, quem não tiver estômago, que procure outra atividade. E que o presidente Hugo Chávez não esmoreça em suas tentativas de conseguir trocas humanitárias entre reféns da guerrilha e do governo de Álvaro Uribe. Vejo também que o governo federal deixou para lá as firulas e espetou nos bancos parte da conta da derrubada da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Tudo bem que os bancos vão querer repassar a conta para o cidadão. Talvez fortaleçam com isso a consciência de que é preciso colocar um freio na ganância do capital financeiro. Fez bem Lula de dar essa "paulistinha" nos bancos. Eles têm gordura para queimar. Além disso, como escrevi aqui ano passado (Deixem o PSDB em paz na oposição e Memórias do Afeganistão), está na hora de parar de perder tempo com coisas que não vão mesmo acontecer, como por exemplo um hipotético acordo entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva e seu arquiinimigo, o PSDB, em torno da reforma tributária. Aliás, escrevo sobre o assunto na coluna de amanhã, dia em que volto da curta folga para minhas funções na redação do Correio Braziliense. Vamos parar de desperdiçar o nosso tempo e o dos nossos leitores com essa conversa de que o governo e o PSDB podem ser amigos. Por falar nisso, o repórter Kennedy Alencar (a quem devo a ótima dica de visitar o Zoológico de Buenos Aires, visita que me rendeu a foto de dois posts atrás), sempre bem informado e bem informando aos seus muitos leitores, escreve que Lula tomou a decisão de deixar o Congresso para lá e governar. Parabéns a Lula. Se conseguir cumprir a estratégia à risca, ele repetirá em Brasília o que o PSDB faz em São Paulo há anos. Qual foi a última vez em que você ouviu falar da Assembléia Legislativa de São Paulo? A diferença, porém, é que o PSDB tem sido competente para formar maiorias que lhe permitam ignorar o Legislativo. O que não tem sido o caso de Lula. Vem aí uma temporada de radicalização verbal no Senado. Creio, porém, que o país poderá conviver perfeitamente com isso. Será melhor do que ter um governo atolado em negociações e mumunhas sem fim com os senadores para emplacar uma reforma tributária que ninguém sabe qual é nem para que serve.

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7 Comentários:

Blogger Cesar Cardoso disse...

Ninguém quer (de verdade) a reforma tributária pelo MESMÍSSIMO motivo que ninguém quer (de verdade) acabar com as MPs.

Ao decidir não mandar mais nada de importante pro Senado, o governo dá a resposta que a oposição sem-voto não queria, já que não dá pra ficar sustentando conversa fiada e escapar de apresentar uma alternativa ao governismo por 3 anos.
Já a oposição com-voto ganha porque uma hora a conversa fiada vai acabar e aí os que têm ganas de poder vão aparecer.

O aumento de impostos era esperado, o aumento do IOF era esperado, já que só depende de canetada do presidente. Claro que os bancos vão repassar pros clientes, mas é aquela história, banqueiro não perde nunca...

Ah sim, tem a Fiesp. Alguém ainda leva a sério a Fiesp? Pelo menos para alguma coisa serviu a economia brasileira ter sido arrombada por Collor, a Fiesp não tem mais importância política.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008 21:19:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Discordo que os bancos vão conseguir repassar tarifas aos clientes.
Com a eliminação da CPMF as tarifas que já são abusivas, por serem cartelizadas, ficarão mais reluzentes no extrato bancário.
Além disso o Banco do Brasil e a CEF não devem aumentar tarifas. Então se os bancos privados o fizerem, muitos clientes da classe C para baixo e mesmo parte da classe B (os bancos costumam cobrar tarifa zero da classe A e parte da B com aplicações altas), muda para um banco estatal, e o banco privado perde o lucro gerado pelas tarifas sobre as quais incide o imposto. Então é melhor absorver o aumento da CSLL e manter a parte restante do lucro, do que perder tudo.
Quanto aos tucanos e demos, imagino que tem hordas de candidatos a vereadores e prefeitos, com encontro marcado com as urnas em outubro, simplesmente apavorados com o comportamento das bancadas de seus partidos no Senado.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 01:22:00 BRST  
Anonymous Mars disse...

Vou comentar sobre o caso FARC. Primeiro, O governo brasileiro para ser um mediador ou um observador tem que ser objetivo, isto e, sem tomar lados. Segundo, todo mundo quer que os 700 reféns, isto mesmo 700 sejam libertados, alguem acha que as Farc quer? Terceiro, Hugo Chaves financiar isto so pode se tornar politicagem. Quarto, as FARC e um grupo narcoterrorista. Vende drogas, que muitos casos passam pelo Rj e favelas aumentando a violência la e aqui.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 04:40:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Acho que uma mediação como essa deveria ter como ponto focal qual a posição do Brasil no caso: mediar a resolução de um fato pela sua importância ou simplesmente apoiar o posicionamento de um aliado. Não está claro o que pretende o Governo brasileiro nesse caso. O aspecto humanitário é uma tautologia, o que facilita em muito atitude sem posição definida. Quanto ao aspecto da Assembléia Legislativa de São Paulo, Alon, de qual Assembléia ouvimos falar alguma coisa e de qual Estado da Federação? É a mesma coisa do deixar o Legislativo para lá e governar. Alguém acredita mesmo que nessa afirmação? Então porque a luta intensa para obter maioria?
Sotho

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 10:38:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Nâo existe mediação possível com as Farc, simplesmente porque estas não querem paz nem participar de eleições na Colômbia.

E ainda não devemos esquecer que se a Colômbia é uma democracia, o que é que as Farc estão combatendo?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 12:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
e explorar demogagicamente os problemas internos de outros países, como faz Chavez no caso das Farc, aliás seus aliados no Foro de S.Paulo, isso pode? É éticamente válido? Na ética de esquerda pode ser... Sem vícios pequeno-burgueses, não é?
Sds.,
de Marcelo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 15:00:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O nome disso tudo que está acontecendo e já há algum tempo, costumava-se chamar de vazio político. Hoje há malabarismo mental para não chamar as coisas pelo nome que elas realmente têm.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 15:54:00 BRST  

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