segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Brincalhão (07/01)

Qual é o sentido de propor a extinção de direitos trabalhistas, numa economia em que se criam quase dois mihões de empregos formais ao ano? Para os trabalhadores, sentido nenhum. Aliás, o crescimento recente do emprego formal deveria ter o condão de aposentar teses sobre o suposto alto custo de contratação da mão de obra no Brasil. E o fracasso do programa federal Primeiro Emprego (afinal extinto) mostrou que reduzir os direitos trabalhistas não implica necessariamente maior demanda por força de trabalho. Mas o empresário Jorge Gerdau Johannpeter comparece à imprensa neste domingo para pedir, entre outras coisas, um novo ataque aos direitos dos trabalhadores. O Gerdau é um sujeito ousado. As empresas dele devem uma dinheirama ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pois bem, logo que Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu, o Gerdau colocou para rodar na praça a tese de que ele "aceitaria" assumir o ministério do Desenvolvimento. Desde que, é claro, tivesse absoluta autonomia para mandar no BNDES. Um mega-empresário e tomador de dinheiro no BNDES sentado na cadeira de presidente do BNDES. Como era previsível, isso não foi considerado um escândalo pelos juízes de sempre do comportamento alheio -mas que, logicamente, não rasgam dinheiro. Agora o Gerdau está de volta, propondo a Lula uma agenda que nem Geraldo Alckmin teve coragem de defender na campanha eleitoral (Leia Como governos terminam prematuramente). Propondo a Lula que entre em conflito com trabalhadores, funcionários públicos e aposentados. Isso depois de os amigos do Gerdau, e o próprio, terem trabalhado ferozmente para arrebentar o financiamento da saúde pública -o que afinal conseguiram. Mais que ousado, esse Gerdau deve ser mesmo um brincalhão.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

15 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon : o maior problema do emprego
no Brasil,está na qualificação dos
trabalhadores.
Apenas o ensino universitário tem
objetivos profissionalizantes,ainda
assim um tanto acadêmico demais.
Os ensinos fundamental e médio têm
caráter estritamente propedêutico,
sem dizer da baixa qualidade ;
a sociedade e os educadores em
geral são elitistas e não enxergam
(ou fingem que não), que o
comportamento social produtivo é o
principal sustentáculo da cidadania.
Somente tem acesso à cultura quem
tem trabalho e renda;erudição e
conhecimentos enciclopédicos são
bonitos,mas não levam à realização
profissional !

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 13:07:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Concordo e vou além. Está na hora de reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais. E está na hora de acabar com a lei do estágio. Há bancos privados que tem um corpo de estagiários maior do que de funcionários. Os estagiários substituem funcionários sem que o empregador tenha os encargos trabalhistas, sem direito a férias. É bem mais nociva essa lei do que o malfadado programa de primeiro emprego. Passados 2 anos (o prazo máximo para um contrato de estágio), troca-se o estagiário. Tal lei é usada como subterfúgio para degradar as relações de trabalho.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 13:56:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

E pior que sempre são os mesmos surrados argumentos (100% de encargos) ou questões cujas premissas são insustentáveis (quem ganha mais que o próprio salário na Previdência?).
Essa história de 1005 é um dogma do neoliberalismo que está custando a ir embora. Os caras embutem parcelas salariais como 13o na conta, bem como o terço de férias, e aí fica fácil atingir 100%. Acontece que isso não é encargo, é salário.
Já essa do salário mais alto na Previdência, vai me desculpar o seu Gerdau, mas eu não conheço casos, então não falo. Só sei que mesmo um juiz que se aposente na integral não vai ganhar mais que o seu salário.

Ignotus

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 14:08:00 BRST  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Isso sem falar na alta rotatividade.

Do saldo de 130 mil empregos formais criados em Novembro, temos 1,20 milhões de contratações e 1,07milhões de demissões.

Se é tão cara demitir, como se demite tanto no Brasil?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 15:41:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Que direito tem os funcionários públicos? O direito em ser ineficiente?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 16:36:00 BRST  
Anonymous Luiz Lozer disse...

Gente

Minha empresa tem 50 funcionários, não se iludam, se não fosse tal caro contratar teríamos no mínimo 30% mais.

E não se iludam, os funcionários sabem que poderiam ganhar mais se não fossem todos os encargos, e ficam putos.

Acho que um trabalhador urbano, qualificado não precisa de tanta proteção, porém o que trabalha em regime de servidão no Pará, esse sim precisa.

13 e férias vão direto para o trabalhador, mas são sim custo para o empregador.

Não é 100% mas é perto disso, perto mesmo, e o pior é que boa parte disso não vai para o bolso do trabalhador.

Acho sim, que defender a atual CLT do jeito que está, é uma posição reacionária. Pior ainda é esse discurso puramente ideológico, desconectado da realidade.

Uma leve revisão, coisas que não fazem sentido, como multa de 50% do FGTS quando o cara é demitido, aliás esse negócio todo de FGTS, vamos combinar né!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 17:07:00 BRST  
Anonymous Luiz Lozer disse...

Mais uma coisa

demite-se muito, para não deixar o passivo grande demais, o cara não deve ficar tempo demais, senão o bixo pega.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 17:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Luiz Lozer, você está certo. Esse pessoal que critica sem fazer as contas é dose.

Alon por que você não cria uma revista? Você contrata alguns funcionários e vê como as coisas funcionam na prática.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 18:11:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

É isso aí Alon. Aos críticos, você poderia responder: o número de empresas que aumentaria as contratações em caso de redução de direitos trabalhistas é o mesmo número de empresas que reduziram os preços de seus produtos ou serviços depois do fim da CPMF. Ou seja, zero. Chega de conversa mole.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 19:03:00 BRST  
Anonymous Luiz Lozer disse...

A conta é simples, se tenho mais funcionários produzo mais, com mais qualidade, presto um serviço melhor, dou mais atenção ao me cliente e termino os projetos em um tempo menor.

Com mais gente ganho mais dinheiro!

Por isso é obvio que com menos encargos haveria mais contratações.

Bom na verdade o debate fica torto se a gente não fala dos impostos que incidem sobre o salário a carga total de impostos sobre salários passa para 42,15% é ai que temos que mexer primeiro.

Quanto a direitos do trabalhador, acho que o que tem que ser revisto é o FGTS, já há o INSS para que o FGTS? O que é isso? Pois ele é 8,5% na conta do empregador, e a multa de 50%? O que é isso?

O lado pratico disso tudo é que um cara que ganha 3000,00 só recebe 2600,00 e custa para a empresa perto de 6000,00

Tirando 13 e férias, alguém ta ficando com uma bolada E NÀO É O TRABALHADOR!

Acho que tenho uma proposta prática em que todos: patrões, governo e trabalhadores cederiam um pouco.
40 horas semanais (a parte dos empresários)
Redução dos impostos sobre a folha de pagamento (governo)
Fim do FGTS (trabalhadores)

Alguém tinha que fazer as contas, mas acho que seria um bom pacto social (lembram do Sarney?)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 20:31:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Tirando 13 e férias, alguém ta ficando com uma bolada E NÀO É O TRABALHADOR!

Data venia, discordo.

Além do 13o e das férias, que são direitos conquistados e não serão retirados, o trabalhador fica com o FGTS (que tb entra na conta dos 100%), beneficia-se do Sistema S (cursando SENAI, usufruindo do SESC, etc.). Só pra começo de conversa.

Ah, sim, tem o INSS também. Não parece, mas beneficia os trabalhadores também.

Contratar e não pagar nada tem nome: escravidão.

Quem tem competência se estabelece. E respeita a Lei.

É obsceno um empresário do tamanho do Gerdau querer mais colher de chá.

Ig

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 20:55:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Luiz Lozer
Você pode até ser um daqueles empresários "dinossauros" com sensibilidade social, ao dizer que contrataria mais gente se houvesse menos encargos. Mas desde que uma tal de reengenharia entrou na moda nos anos 80 e 90 que praticamente nenhum empresário gasta R$ 1,00 a mais que seja, principalmente na folha de pagamento se não for absolutamente necessário. Se precisar realmente contratar gente para ganhar dinheiro o empresário paga o que for preciso (dentro da viabilidade do lucro proporcionado pelo aumento da mão de obra).
O FGTS também é renda do trabalhador e não imposto para o governo. O dinheiro é uma poupança compulsória que fica retida em um fundo do trabalhador (por sinal, muito mal remunerada a 3% ao ano se não me engano), não vai para o tesouro nacional.
Se acabasse o FGTS deveria simplesmente pagar 8% a mais diretamente no salário.
A indenização de 50% do saldo do FGTS em caso de demissão, 40% vai para o trabalhador, e 10% realmente vai para o governo (não sei se é para a previdência). É como uma multa rescisória em um contrato de aluguel, de leasing ou assemelhados. Acho que a multa rescisória é justa em alguns casos e em outros não.
Há uma tendência no mercado de trabalho de grandes empresas trabalharem em sinergia com pequenas empresas. O exemplo típico é a substituição de filiais por franquias, ou de equipes de vendas por canais de empresas de revenda. Assim quem realmente precisa de empregados deve continuar mantendo um contrato equilibrado com o trabalhador que envolva os direitos da CLT. Quem não precisa de empregados, deve expandir seus negócios dividindo seus lucros com pequenas empresas que funcionam como ponto de venda.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 21:28:00 BRST  
Anonymous luiz lozer disse...

Caro Augusto

Essa palavra reengenharia me da calafrios! Foi essa danada que nos anos 80 faliu a melhor fabrica de aviões do mundo a McDonnell Douglas. Toda vez que terceirizamos algum serviço a qualidade cai e cai muito. nós aqui temos 3 filiais, raramente terceirizamos e estamos crecendo acima da média.

O problema é que quando vc olha cada ponto isolado dentro dos custos trabalhistas, realmente chega a conclusão que vc chegou, passa a considerar cada um deles importante.
Não da para cortar o dinheiro do sesc, sebrae etc
O financiamento da casa própria precisa do FGTS

E assim vai, se olharmos para os encargos e impostos isoladamente, porém eu volto a insistir na REALIDADE, em um exemplo REAL, o cara trabalha para mim, eu assino o cheque.

Ele ganha bruto R$3000,00
Recebe liquido R$2600,00
E custa para a empresa quase R$6000,00

Isso é um fato inexorável, realidade pura, inquestionável

Se vcs acham que assim ta bom, blz

terça-feira, 8 de janeiro de 2008 09:01:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

De todo modo, tais aspectos mostram o inexorável: avançam as mais variadas propostas dado o perceptível vazio político e programático vigente.
Sotho

terça-feira, 8 de janeiro de 2008 11:32:00 BRST  
Anonymous trovinho disse...

Mas que cara-de- gerdau!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008 04:03:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home