terça-feira, 15 de janeiro de 2008

As palavras sensatas de Uribe e uma dúvida - ATUALIZADO (15/01)

Do ultimosegundo.com.br:

Uribe sugere deixar de chamar Farc de terrorista se houver processo de paz

15/01 - 07:37 - Reuters - BOGOTÁ - O presidente colombiano, Alvaro Uribe, disse na segunda-feira que está disposto a deixar de qualificar como terrorista a maior guerrilha do país, sob a condição de que ela avance com boa-fé e seriedade em uma negociação de paz que permita encerrar o violento conflito da Colômbia. Uribe - na Guatemala para a posse do presidente Alvaro Colom -- respondia implicitamente a um pedido do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que lhe solicitou para deixar de classificar como terroristas as principais guerrilhas da Colômbia, a fim de facilitar conversas de paz. Chávez também pediu para que fosse reconhecido o estado de insurgência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), depois que conseguiu, na semana passada, a libertação de duas políticas. 'No momento em que as Farc quiserem, que façam demonstrações de boa-fé, que queiram negociar a paz, o governo da Colômbia está disposto a conceder-lhes todos os benefícios dentro da nossa Constituição para facilitar esse processo de paz', declarou Uribe. 'O governo da Colômbia, no momento em que avançar a paz com as Farc, seria o primeiro que deixaria de chamá-los de terroristas e o primeiro que pediria ao mundo que, como contribuição à paz, não os chame mais de terroristas', acrescentou.

Está certo o presidente da Colômbia, quando mostra disposição de encaminhar a questão das Farc pelo terreno da política e não da propaganda. E uma dúvida. Nos governos militares e nos civis que se seguiram à democratização algum presidente brasileiro adotou a posição oficial de qualificar as Farc como terroristas? Parece-me que não. Por que, por exemplo, o PSDB não fez isso nos oito anos em que esteve no poder? Não é uma dúvida razoável?

Atualização, às 15:22 - O PSDB acaba de soltar uma nota oficial em que, naturalmente, critica o governo por uma suposta dubiedade em relação às Farc. Mas os tucanos tampouco referem-se ao grupo como "terrorista". Ficaria mesmo difícil o PSDB exigir de Luiz Inácio Lula da Silva que adote uma posição oficial extremista, coisa que nem FHC achou que seria adequada aos interesses do Brasil.

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28 Comentários:

Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Exatamente, deve-se reconhecer as FARC como legítima força política.
No último domingo as FARC sequestraram mais seis turistas ( cinco colombianos e um norueguês ).
Há muito tempo sabemos que para certa ideologia o crime, seja qual for, é uma legítima manifestação política.

Alon está sendo coerente com a tradição esquerdista. As FARC são legítimos atores políticos de esquerda.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008 12:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Grande sensibilidade, Angelo. É isso mesmo. Preciso.
Mas resta uma dúvida: como vc qualificaria os militares que tomaram o poder no Brsil em 1964, contra a legalidade, sequestraram, torturaram e mataram? Seriam eles de esquerda, pelo fato de que praticaram crimes? E os generais Stroessner e Pinochet, que além de assassinarem e torturarem, também roubaram um monte de grana, praticando crimes: em sua peculiar visão, seriam tais generais pessoas de esquerda, pelo fato de terem praticado ilegalidades?

Ignotus

PS. Alon, este seu blog está ficando cada vez mais divertido. "É de esquerda quem viola a Lei": sen-sa-cio-nal.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008 17:19:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Quem disse que o Brasil não pode servir de exemplo? No passado não tivemos nossos sequestradores? E veio a anistia.

Uma anistia geral e irrestrita para os narcoguerrilheiros? Funcionaria?

E no futuro um desses poderia até se transformar em ministro. Mas, tudo via democracia.

A torcida é a vitória da democracia.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008 18:52:00 BRST  
Anonymous Fernando José disse...

Caro Ignotus,
Permita-me concordar com o leitor que se intitula "Angelo da CIA".
Infelizmente, para quem se considera - ou já se considerou como é o meu caso - "de esquerda", essa forma de pensamento político sempre primou pelo rompimento do Estado de Direito e o desprezo aos valores democráticos, ainda que existam esquerdistas partidários dos sagrados valores democráticos, como é o caso do nosso querido blogueiro Alon./
Basta analisarmos a História Contemporânea, do final do século 19, quando do surgimentos das principais teorias socialistas, até o final do século 20./
As ditaduras de Stalin, Pol Pot, Fidel, Mao entre outros deixaram uma pilha de cem milhões de cadáveres em seis décadas, é muita coisa. É claro que regimes ditos conservadores ou de direita também derivaram para ditaduras, o que não se justifica, mas que passam longe dos crimes cometidos por comunistas e simpatizantes em tão pouco tempo./ Além disso dificilmente você vai encontrar alguém que se assuma conservador ou "de direita" e que venere os nomes de Strossner, Hitler ou Pinochet da forma como os esquerdistas se referem a Lênin, Stalin, Fidel e Mao, ou seja de cara limpa e peito aberto, como se estes fossem homens santos./ É por isso que você não encontra no pensamento conservador personagens de moralidade dúbia, como Che Guevara, por exemplo. Não é que ser de esquerda seja criminoso em si, mas é impossível negar que o pensamento de esquerda sempre foi leniente ou mesmo entusiasta de criminosos e tiranos. Marcuse, por exemplo, dizia que o futuro da Humanidade estava nas mãos dos marginais e das prostitutas. E o grande artista plástico Hélio Oiticica, num arroubo de má consciência, grifou a máxima: "seja marginal, seja herói".
Abraços!
Fernando José

terça-feira, 15 de janeiro de 2008 19:47:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Fernando,

permita-me discordar. Ditaduras assassinas existiram de direita e de esquerda. Em minha opinião, mais de direita que de esquerda.
A diferença é que a direita se envergonha sistematicamente de seus líderes, enquanto a esquerda não.
Pegue o exemplo de Stalin, por exemplo: dizem que matou 40 milhões de pessoas. Não é verdade, é um exagero e coloca na conta 20 milhões mortos pelos alemães na guerra, mais uns 10 milhões que morreram de fome logo depois da guerra civil (quando ainda era Lenin o governante: este, por exemplo, foi responsável, quando muito, pela morte de uns nobres russos, não chegou a mil).
Ok, vc diria, mas sobram dez milhões. Não é verdade. Em primeiro lugar, os números não são exatos, sobra menos. Em segundo lugar, as mortes provocadas pelo Stalin o foram em um contexto diverso, de luta interna no PC, embora o número seja assustador (aprox 600 mil).
Por que as pessoas veneram os líderes de esquerda? Simplesmente por reflexo da veneração que mereceram em vida. Stalin conduziu magistralmente a resistência ao ataque nazista, era chamado de "pai" por milhões de soviéticos das mais variadas nacionalidades.
Hitler foi morto depois da libertação de Berlim pelos soviéticos (o termo é esse mesmo "libertação", e aconteceu também em Viena, Budapest e outras cidades, e é assim que as pessoas se referem ao fato até hoje, sem revisão histórica). Meses depois, ninguém mais se dizia nazista, porque ficou claro para o mundo que era uma ideologia do ódio, da morte, da exploração, do mal.
Páro por aqui e sugiro que vc compare. Esqueça Pol Pot e outras aberrações por enquanto e se fixe na História da União Soviética, da França e da Alemanha. É muito instrutivo.
Métodos violentos sempre vão existir. De direita, de esquerda e do centro. A democracia encontra limite exatamente no desequilíbrio da correlação de forças. Quando alguém percebe que é o caso de gritar "catchanga", acaba fazendo.
Mas apesar de muito praticado, esse esporte de chutar cachorro morto comunista é muito ingrato: olho no olho, fato sobre fato, a discussão sempre se encerra favoravelmente aos comunas.
O comunismo caiu por razões econômicas e culturais, não por sua brutalidade.
Continuemos.

Um abraço,


Ignotus

terça-feira, 15 de janeiro de 2008 21:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Esse meu comentário acima contém umas inexatidões que só quem debate com conhecimento de causa sabe quais são. Quais são?

Ig

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 00:00:00 BRST  
Anonymous Fernando José disse...

Caro Ignotus,
Pois é, só essa diferença no tratamento a ditadores sanguinários já me faz hoje repudiar o pensamento esquerdista. Como você comentou, de fato é vergonhoso terem existido figuras nefastas como Pinochet dentro do chamado pensamento capitalista conservador e eu me envergonho deles sim, sem dúvida, e por uma questão de princípíos também me envergonharia dos crimes cometidos por Lênin e Stalin, se ainda acreditasse nos ideais de esquerda, entende? Você não considera aquilo uma barbárie sem tamanho? A morte de qualquer ser humano me aborrece, ainda que o povo possa idolatrar esses tiranos, como acontece em relação ao culto à personalidade desenvolvido pela esquerda. Num país onde houvesse realmente justiça, o PC do B, por exemplo deveria ser proibido de existir, a exemplo do que acontece com qualquer partido nazista, pois ambos foram entusiastas do genocídio como forma de expressão política com Hitler e Mao. O engraçado é os esquerdistas negarem as experiências (aberrações como você diz) em governos comunistas na Ásia. Seguindo sua lógica, eu deveria descartar também o nacional-socialismo de Hitler, pois os conservadores também o consideram uma aberração política.
Por fim, não acho que criticar o comunismo seja chutar cachorro morto. O Foro de São Paulo existe e está aí para provar que o pensamento comunista continua vivo, por meio das FARC, MIR, MST e outros movimentos revolucionários de perfil comunista na América Latina. O fato de a grande mídia ignorá-lo não o faz menos nefasto. Para concluir eu gostaria que você citasse um País comunista - ou que passou pelo comunismo - que seja hoje um exemplo de prosperidade e democracia, sem apelar para a economia de mercado.
Abraços/
Fernando José

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 02:20:00 BRST  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Ignotus e todos os outros:

Por favor, podem pesquisar em toda a história um, apenas UM ditador ou uma ditadura que se baseava em ensinamentos de algum pensador "de direita".
Me digam se os militares brasileiros ( totalmente nacionalistas, patrimonialistas e contra o Livre Mercado ) citavam Adam Smith, Bastiat, Tocqueville, John Locke... Citem então algum outro que o fizesse?
Por outro lado os soviéticos não se cansavam de citar Marx. Pol Pot, Ceausescu e até mesmo Fidel Castro também tiram ( ou tiravam ) o marxismo da cartola para justificar as piores barbaridades.
Os mais grotescos bárbaros políticos, quando em desespero, recorrem também ao marxismo. Eles sabem que o efeito é imediato: Passam na hora a contar com uma credencial "revolucionária" nos meios acadêmicos de esquerda.
Assim, mesmo um tosco como Hugo Chávez é adotado pela esquerda. Duvido que Hugo tenha passado da página 20 de "O Capital"! Evo Morales, as FARC, são um bando de primatas intelectuais que conhecem o atalho da aclamação fácil.
E eu custo, custo a entender o porquê de tantos esquerdistas caírem na conversa.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 12:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

É um custo mesmo.
Mas um dia eu ainda aprendo a evitar provocações. Sei que vai demorar, mas aprenderei.

Deponho minhas armas antes das FARC.

Ig

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 12:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Gente, essa discussão não leva a nada. Não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos.

Até o FHC bateu nos coitados dos índiozinhos que queriam protestar contra os 500 anos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 12:29:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O vietnã não seria um bom exmplo, Fernando?

Sn

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 12:30:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

Fernando José,
Radicais existem em todos os segmentos políticos de uma sociedade. Considerar que todo os esquerdistas apoiam ditaduras e tiranos é o mesmo que dizer que todos os direitistas apóiam ditaduras e tiranos, portanto, trata-se de um sofisma.
No caso brasileiro em especial, devido a nossa realidade pré-liberal, os setores mais conservadores sempre procuraram se apoiar em um discurso liberal falso que na prática sempre se consumou em autoritarismo.
O divisor de águas está no pós guerra brasileiro.
Com a decadencia do nazi-fascimo parte da direita brasileira buscou no anti-comunismo do discurso liberal da época para provar suas teses autotitárias e patrimonialistas sem levar à cabo políticas realmente liberais.
Outra parcela dela que eu identificaria como centro-direita ficou ao lado do trabalhismo/nacionalismo de Vargas.
Com as sucessivas derrotas eleitorais para centro-direita nacionalista e para setores de esquerda, mais e mais a direita pseudo-liberal foi se encapando de ideais golpistas que se concretizaram em 64 quando as inquietções provocadas por eles próprios resultaram na ditadura.
Havia setores esquerdistas golpistas naquele momento? Sim e eram minoritários, a esquerda brasileira em sua maior parte sempre foi favorável a Democracia.
Não custa lembrar que antes disso Vargas foi levado ao suicídio por uma conspiração desses mesmos setores e que JK quase não assumiu por conta de fatores parecidos e correlatos.
Enfim, tais setores pseudo-liberais sempre se utilizaram de expedietes golpistas e mais tarde encaparam a ditadura militar.
Findado o ciclo militar com a abertura, a Democracia a ser construída foi obra, acima de tudo, da esquerda e centro-esquerda brasileiras.
Os setores de extrema-direita brasileiros sempre se sentiram muito mais desconfortáveis com a Democracia do que os setores de extrema-esquerda pois os últimos sempre procuraram (e procuram) se organizar em sindicatos e movimentos sociais enquanto os primeiros nunca procuraram fazer o mesmo ficando apenas a alimentar e justificar teses golpistas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 14:36:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O mais engraçado é que o Uribe, que é quem importa no post, já amainou o discurso contra as FARC. Na posição mais dura, apenas o Jornal Nacional, a Veja (como não poderia deixar de ser) e os leitores do Alon. É uma falta de realismo que faz gosto.

Boris da Kgb
Isaac do Mossad
Albuquerque, da ABIN
(pode escolher)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 15:46:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Medeiros, eu quis dizer Mediros da ABIN (desculpe Albuquerque).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 17:10:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

Não desculpo não seu anônimo de uma figa, ora seja, eu, um araponga?!!
Brincadeiras a parte, o Uribe de fato já está sendo um pouco mais sensato nas suas ultimas declarações, pode ser jogo de cena, mas não há mais clima pra sua retórica bushiana de "ou está comigo ou está contra mim", mas cuidado, é só um recuo tático.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 18:34:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

"Até o FHC bateu nos coitados dos índiozinhos que queriam protestar contra os 500 anos"

Cheguei tarde mas ainda tive tempo de ler essa pérola! Que piada! Muito boa! Hahahaha

Eles que peçam uma indenização na forma de aposentadoria vitalícia...


PS: Não há uma só palavra citada do discurso de Uribe que não coloque como condição implicita uma expressão de desejo de paz por parte das Farc.

E paz não é só consubstanciada em palavras, mas em atos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 21:51:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

cfe,
Se um processo de paz se firmar na Colômbia tanto o Uribe como muita gente das FARC vão ter de vender pipoca porque eles vivem da guerra.
Nem da cocaína em si, da guerra mesmo e da indústria que ela movimenta.
Até o presente momento Uribe preferiu manter uma linha dura contra as guerrilhas (e contra quem quer que seja que se oponha a suas políticas) ao invés de dialogar para a construção de um processo de paz real porque ele lucra politicamente com esse estado de insegurança perene.
Daí veio o Chávez e na base da diplomacia libertou dois reféns de peso, isso desmoralizou a política de Uribe e o obrigou a adotar um dialogo mais construtivo, por enquanto, é claro.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 23:25:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Hugo,

Eu não compreendo como possa sustentar que a libertação desses dois refens possa ter desmoralizado o Uribe.

Sim, a política do atual presidente colombiano sustenta-se no combate as Farc, mas atuando estas há muito tempo, se não fosse este governante a opor-se a seus métodos violentos seria um outro qualquer, com mais ou menos exito. É próprio dum político eleger uma bandeira e lutar por ela.

Tendo ele sido eleito com esse tema por principal como poderia deixar de endurecer o combate as guerrilhas ? A guerrilha lá não é étnica, indepedentista, religiosa ou qualquer outra do gênero. É marxista, querem instalar uma ditadura! Até os paramilitares tem por objetivo combater a Farc e a ELN, e não mudar o sistema democrático.

Entendo que o estado colômbiano, ora personificado na pessoa de Uribe,só poderá negociar com as Farc numa posição de força e então ser condescendente com os grupos violentos, caso estes requeiram uma anistia.

Em relação a venda de pipoca não se preocupe porque várias industrias venezuelanas mudaram-se para lá (por isso falta todo o tipo de mercadorias na terra do Tio Chavez).

Para o Brasil é muito melhor que o Uribe esteja no poder, uma vez que garante um equilíbrio de forças entre seus vizinhos na fronteira amazônica. Uribe nunca intrometeu-se, pelo menos de maneira ostensivamente, na política de seus vizinhos. Caindo a Colômbia nas mãos de aliados de Chavez, quem é que vai ter problemas logo em seguida com vizinhos, reunidos em grupo, mais fortes em armas e tropas na região?

Cordiamente

Cfe

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 08:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Qualquer discussão que comece pela tentativa de desqualificar o interlocutor ou o objeto analisado está fadada ao fracasso.
É até bom que os arautos dessa Nova Política fiquem acusando a esquerda de assassina, porque assim já se percebe que a discussão não é séria, e quem quiser evitá-la que evite.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 14:06:00 BRST  
Anonymous taq disse...

Sobre o processo de Paz na Colombia é importante saber que, no governo uribe os paramilitares e a eln praticamente depuzeram suas armas, com o beneficio da lei de anistia que la existe, mesmo nas farc existem muitos guerilheiros "desertando".
Isso é importante saber, pois demonstra claramente que este é um processo em andamento e que o governo colombiando tem procurado o dialogo, mas sem ceder institucionalmente as pressoes guerilheiras.
Este programa de anistia pelo que se fala preve inclusive o auxilio a reinclusão social e profissional e proteção.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 15:43:00 BRST  
Anonymous Hugo Albuquerque disse...

Caro cfe,
Vamos por tópicos;
1-Desmoraliza Uribe sim, pelo fato de terem ocorido através de acordo humanitário e não por confrontação ao contrário do que propõe a lógica uribista.
2-As raízes dos confrontos colombianos são muito antigas, TODOS os grupos políticos daquele país sempre se empenharam em eliminar o outro usando métodos terroristas, portanto, o papel de um líder democraticamente eleito é traçar um novo pacto social, não gerar mais violência.
3-O marxismo é profundamento democrático. Tal prova disso é que todos os países que supostamente passaram a praticar o marxismo sem democracia tombaram. Se o autoritarismo fosse característica imanente do marxismo a Cortina de Ferro existiria ainda hoje, todavia, muito contrário, ela tombou por conta da violenta contradição existente em tentar chegar ao comunismo sem democracia.
4- Os Paramilitares servem para combater as FARC no âmbito de proteger as plantações de Coca dos figurões colombianos que não desejam se submeter aos ditâmes das FARC, muito menos serem tributados pelas mesmas. Além disso servem para fazer serviçinhos sujos que não poderm ser feitos por forças oficiais como executar jornalistas e sindicalistas, por exemplo.
5-Uribe e o Plano Colômbia são uma grande ameaça para o Brasil porque põe nas nossas fronteiras militares da única potência mundial com capacidade operacional e econômica de nos invadir: Os EUA.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 19:19:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Hugo,

Por tópicos:

1- "Lógica Uribista"? Que isso? Por favor defina o que é um "acordo humanitário". Qual foi a lista de reinvidicações em favor da "democracia" e da "paz" que aquele grupo fez para executar o tal acordo? E se foi "acordo" porque o Uribe não participou? "Acordo" não pressupõe o entendimento entre as partes? E se é "humanitário" porque foram sequestradas 6 pessoas logo em seguida? E porque, humanitariamente, não esclareceram que a criança, filhj dpma das sequestradas não estava em seu poder?

Será que foi porque o papel de estrela era dado ao Hugo Chavez, uma pessoa que não é neutra no processo. Já agora: porque é que o presidente da Venezuela teve protagonismo na questão? Quais as suas credênciais?

2- Papel de um líder democraticamente eleito é instituir/manter o estado de direito. O uso da força em estados onde a lei impera é exclusivo das forças estatais (ou delegado por em lei). Estados democráticos como a França, a Alemanha e outros classificam as Farc como terrorista!

3- Só vou repetir uma expressão marxista contrária a tudo que afirmou: "DITADURA do proletariado". Quando é que uma ditadura é democrática?

4- Eu quero lá saber dos paramilitares para alguma coisa? Eles tem de ser presos como as Farc. Eu só os citei porque são sempre acusados pelos apoiantes das Farc como um exemplo de violência, ou seja: caem em contradição. Olhem o que eles fazem mas não o que fazemos...

5- Você está repetindo um mantra. Se os Eua, supostamente quisessem comprar um qualquer país da região para servir de base de invasão ao Brasil, eles teriam poder para isso. Agora isso seria viável? Não, por completo!

Logisticamente, é muito mais fácil supor uma guerra entre uma "frente andina" e o Brasil do que entre os Eua e Brasil. Eu não estou dizendo que ela ocorresse, mas que haveria mais possibilidades. A Venezuela sozinha não tem capacidade logística de fazer nada devido a falta de gente e isolamento geográfico, mas tem dinheiro, petróleo e armas. Se juntarmos isso a população das nações vizinhas e as suas melhores condições geográficas a coisa muda de figura.

Os Eua não tem nem 10% dessas condições logísticas e táticas e muito menos políticas.

Note bem: estou falando em meras hipóteses e comparando-as.

Antes de terminar queria dizer que o melhor caminho para esquerda brasileira seria se livrar do ônus de ter que defender um bando de bandidos. Custa-me acreditar que não vejam o essencial.

Cordialmente,

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 20:47:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Hugo,

Por tópicos:

1- "Lógica Uribista"? Que isso? Por favor defina o que é um "acordo humanitário". Qual foi a lista de reinvidicações em favor da "democracia" e da "paz" que aquele grupo fez para executar o tal acordo? E se foi "acordo" porque o Uribe não participou? "Acordo" não pressupõe o entendimento entre as partes? E se é "humanitário" porque foram sequestradas 6 pessoas logo em seguida? E porque, humanitariamente, não esclareceram que a criança, filhj dpma das sequestradas não estava em seu poder?

Será que foi porque o papel de estrela era dado ao Hugo Chavez, uma pessoa que não é neutra no processo. Já agora: porque é que o presidente da Venezuela teve protagonismo na questão? Quais as suas credênciais?

2- Papel de um líder democraticamente eleito é instituir/manter o estado de direito. O uso da força em estados onde a lei impera é exclusivo das forças estatais (ou delegado por em lei). Estados democráticos como a França, a Alemanha e outros classificam as Farc como terrorista!

3- Só vou repetir uma expressão marxista contrária a tudo que afirmou: "DITADURA do proletariado". Quando é que uma ditadura é democrática?

4- Eu quero lá saber dos paramilitares para alguma coisa? Eles tem de ser presos como as Farc. Eu só os citei porque são sempre acusados pelos apoiantes das Farc como um exemplo de violência, ou seja: caem em contradição. Olhem o que eles fazem mas não o que fazemos...

5- Você está repetindo um mantra. Se os Eua, supostamente quisessem comprar um qualquer país da região para servir de base de invasão ao Brasil, eles teriam poder para isso. Agora isso seria viável? Não, por completo!

Logisticamente, é muito mais fácil supor uma guerra entre uma "frente andina" e o Brasil do que entre os Eua e Brasil. Eu não estou dizendo que ela ocorresse, mas que haveria mais possibilidades. A Venezuela sozinha não tem capacidade logística de fazer nada devido a falta de gente e isolamento geográfico, mas tem dinheiro, petróleo e armas. Se juntarmos isso a população das nações vizinhas e as suas melhores condições geográficas a coisa muda de figura.

Os Eua não tem nem 10% dessas condições logísticas e táticas e muito menos políticas.

Note bem: estou falando em meras hipóteses e comparando-as.

Antes de terminar queria dizer que o melhor caminho para esquerda brasileira seria se livrar do ônus de ter que defender um bando de bandidos. Custa-me acreditar que não vejam o essencial.

Cordialmente,

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 20:47:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

cfe,
1-A lógica uribista diz respeito a doutrina belicosa do atual mandatário colombiano que até agora não tem colaborado para findar efetivamente o conflito naquele país, só alimenta-lo. Sim, o acordo feito entre Chávez e a guerrilha foi um acordo humanitário, haja visto que visou a libertação dos reféns e não houve confrontação.
Quanto aos recentes casos de sequestros, sou da opinião que só através de uma abertura política se poderá isolar os radicais (e os oportunistas) das FARC.
Chávez tem a credencial de chefe de Estado democraticamente eleito e é sim neutro na questão, na medida que o conflito colobiano é interno.
2- É óbvio que o papel de um líder de democraticamente eleito é "instruir/manter o Estado de Direito", mas como fazer isso sem traçar um novo pacto social na Colômbia? Partir para a confrontação e alimentar mais violência é uma estratégia que tem sido repetida naquele país e não tem obtido êxito há séculos.
3-O marxismo cientifíco serviu para sistematizar as ciências sociais explicando o funcionamento das sociedades humanas através do modo como se dão as relações de produção, distribuição e trocas materiais; O marximo militante propunha a luta proletária contra a brutal opressão do Capital sobre o trabalhador, o que é plenamente democrático, confundir o que houve na URSS ou na cortina de ferro com o marxismo é falta de informação ou desonestidade intelectual, como já coloquei, se a opressão fosse condição imanente ao comunismo os Estados ditatorias pseudo-marxistas não teriam tombado.
4- Se você não quer saber dos partamilitares "para nada" não devia tê-los citado, aliás, foi voçê quem caiu em contradição ao colocar que eles não querem mudar o sistema democrático e agora quer mandar eles para a cadeia.
5-Guerra contra uma "frente andina"?!! Não me faça morrer de rir ! Aliás, dizer que os EUA não tem nem 10% das condições "logísticas e táticas" para nos invadir é que é ridículo, os EUA tem sim poder de fogo para invadir o Brasil e um PIB de 13 trilhões de doláres de retaguarda.
E comprar um pais para estacionar tropas é tão viável que os EUA fazem isso no mundo inteiro e fez isso na Colômbia.
Outro ponto é que nenhuma parte do meu argumento eu "defendi bandidos", simplesmente propus uma saída pacifíca e negociada entre as partes.
A direita brasileira é que tem de se livrar do ônus do maniqueísmo de barato e da lógica de confrontação burra que complica ainda mais situação graves, ao invés de resolve-las.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008 09:33:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Hugo,

1)
Ótimo, finalmente um reconhecer de que ao menos uma parte das Farc podes ser bandidos! Note bem: eu não nego que não haja lá pelo meio desse grupo, muitos que julguem estar lutando por causa justa. O problema é que a orgânica daquela estrutura encontra-se defasada da realidade pois não há espaço nos dias que correm para pegar em armas e lutar contra um estado de direito. Se concordar ficamos assim: vc acha que é um grupo guerriheiro com alguns bandoleiros pelo meio e eu acho o contrário. Há aqui algo em comum: que cometem crimes mas que tem de haver uma solução política.

2)
Para manter um estado de direito é necessário o uso de força, autorizada e controlada por lei, o que não é a mesma coisa que violência. Nunca uma nação consegue manter a ordem só com blá-blá-blá.

3)
Sobre isso eu não falo mais nada porque é primeira vez que vejo alguem negar o marxismo na Europa de Leste.

4)
"Até os paramilitares tem por objetivo combater a Farc e a ELN, e não mudar o sistema democrático"

Repare que fiz essa afirmação para explicar minha recusa ao reconhecimento das Farc como força política. Eu não estava realçando nenhuma virtude desse grupo, exceto o fato de não usarem uma fantasia de força política. Bandido é bandido indepedente do discurso que tenha.

5)
Os Eua tem poder para arrebentar quem quiserem. Muita tecnologia etc, mas o Brasil é um país continental, eles precisariam de muito mais milhões de soldados do que possuem para conseguir dominar tão grande território e população, e não contariam com nenhum (ou pouco) tipo de ajuda das populações locais. Uma coisa é capacidade de destruição outra é de ocupar e dominar. E depois seria preciso responder a pergunta: para que fariam isso? Porque dispender tantos recursos sem um objetivo definido?

No campo de sustentação duma guerra convencional ou de guerilha, os países andinos reunidos numa hipotética aliança teriam mais vantagens porque já estão no terreno e contariam com o apoio dos naturais de seus países. A fronteira de combate seria muito extensa, a boliviana particularmente fica muito mais próxima dos principais centros de decisão do Brasil do que a Venezuelana.
Minha colocação dessa hipótese baseia-se no fato do presidente venezuelano já ter feito ameaças a forças doutros países e ter seguidamente efetuado esforços em instalar o marxismo nos países da região.

O fato dos EUA serem muito mais ricos do que várias nações não significa nada; a Córeia do Norte é paupérrima e tem uma força militar de respeito. Nações com elevada liquidez como a Venezuela tem capacidade de armar-se e é o que está fazendo.

Cordialmente,

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008 14:50:00 BRST  
Anonymous HUgo Albuquerque disse...

cfe,
1-Desde o início eu propus uma solução política, fico feliz em ver que você concorda com isso, mas para isso se concretizar o próprio Estado colombiano tem de se renovar e limpar os quadros envolvidos com drogas, paramilitares, cartéis e afins.
Todos os grupos polítcos colombianos tem de se unirem para traçar um novo acordo nacional, para isso acontecer a presença do Brasil e dos vizinhos nas intermediações das conversas seria fundamental.
2-É claro que um Estado de Direito não é mantido apenas na base da retórica, no entanto, o caso colombiano é diferente; Historicamente naquele país o Estado sempre fez um uso muito pouco racional da força gerando um ciclo interminável de violência, isso tem de mudar ou a violência nunca cessará por aquelas paragens.
3-Há uma notória diferença entre Stalinismo e Marxismo. Stalin usava o marxismo de maneira apenas retórica (e vazia) para justificar o imperialismo russo, do mesmo modo que George W. Bush usa a idéia de democracia nos dias atuais para justificar o imperialismo americano.
4-Os paramilitares são o departamento de serviços sujos da Colômbia. Seus servicinhos são usados por muitos figurões e até políticos, portanto, não basta prende-los, é fundamental que se reforme os Estado colombiano para que as estruturas que lhes dão sustentabilidade deixem de existir.
5- Se você perguntasse para um iraquiano nos anos 80 se ele acreditava que os EUA invadiriam seu país ele certamente diriam que não, mas hoje o país deles está sob ocupação. Os EUA tem uma postura um tanto dúbia diante das leis internacionais e do respeito para com nações soberanas, portanto, eles sempre estão preparados para invadir quem quer que seja; Se precisarem invadir o Brasil eles já têm seu cavalo de tróia que é o Plano Colômbia, cabe a nós decidirmos se vamos ou não aceitar esse presente de grego (ou de gringo).
Agora citar as dificuldades de uma invasão americana no Brasil e colocar a possibilidade dos países andinos nos invadirem aí já é forçar a barra; Se para os americanos nos invadirem já seria um pouco complicado (mas que eles conseguiram, conseguiriam) imagine para a Bolívia tentar tal feito?
Quanto ao Chávez tentar nos invadir, não creio. Para isso ele precisaria do apoio dos EUA, o que, definitivamente, não é o caso, aliás, Chávez está centrado em defender seu país de uma possível invasão americana, não tem tempo, dinheiro, nem condições operacionais de pensar em nenhuma aventura no continente, principalmente tentando destabilizar o Brasil o que não lhe seria lucrativo.
Quanto as questões economicas influirem ou não em aspectos bélicos isso é evidente. A Coréia do Norte pode ter um poder de reação imediato, mas jamais suportaria um mês de combate contra quem quer que seja.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008 19:44:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Hugo,

A Bolívia sozinha não faria nada, coitada. É óbvio que estou levando longe demais essa hipótese. Só que ela é muito menos absurda de acontecer do que uma invasão americana.

Cordialmente,

sábado, 19 de janeiro de 2008 07:20:00 BRST  
Anonymous hugo albuquerque disse...

cfe,
Os EUA estão prontos para invadirem qualquer país do mundo a qualquer momento,portanto, uma invasão americana em qualquer parte do mundo é mais do que corriqueira e o Brasil não está isento disso.
A Bolívia, coitada, tem outras prioridades mais urgentes.

sábado, 19 de janeiro de 2008 22:28:00 BRST  

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