quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Só sei que nada sei (19/12)

O F Arranhaponte escreve em seu blog A torre de marfim longo post no qual diz que está em dúvida sobre minhas críticas ao que ele chama de udenismo tucano. Ele lembra que já discuti isso na campanha eleitoral. Recorde-se que a performance de Geraldo Alckmin no primeiro debate do segundo turno colheu reações orgiásticas de seus apoiadores mais ferozes. O ex-governador, como se sabe, "foi para cima" do adversário, Luiz Inácio Lula da Silva. Talvez por coincidência, a vantagem do petista acentuou-se depois da refrega. O Arranhaponte, como se poderá verificar na leitura dos posts em A torre de marfim (que ele mantém com Marcos Matamoros), pouca ou nenhuma identidade ideológica tem comigo. No post, ele divaga sobre os motivos que tem para desconfiar das minhas análises sobre o PSDB e a oposição a Lula. Como é que um sujeito que tem óbvia afinidade com algumas políticas do governo pode fazer uma análise razoavelmente equilibrada sobre a oposição? Pois pode. Daí que as idéias deste blog tenham chegado a despertar dúvidas no Arranhaponte. Este é o cerne da questão. O fato de A opinar sobre o anti-A não implica que as teses de A a respeito do anti-A estejam erradas. Assim como não basta você pertencer a uma tribo para que suas teses sobre a tribo estejam certas. Do contrário seria fácil. Você adere à torcida do Flamengo e a partir daí a torcida do Flamengo estará sempre certa. Assim como você. O esforço central deste blog é debater idéias. Se necessário, com contundência. Mas sempre lembrando que quem briga são elas, as idéias, nunca os portadores, as pessoas.

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12 Comentários:

Anonymous El Chavo del Ocho disse...

Alon, que coisa mais chata esse post!!! Depois me ridicularizam quando brigo com o Quico, aquele paspalho. Prefiro ler as amabilidades entre Nassif e Reinaldo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 15:07:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Voce disse "o esforço central deste blog é debater idéias". Acho difícil que no setor "comentários" venha acontecer o pensar "grande". O que vejo nos vários blogs políticos é uma guerra de comentários parecendo um verdadeiro Fla-Flu.

No seu blog eu diria que acontece um Fla-Flu mais civilizado.

Alguém dirá: "Mas isso é blog!". Então, tá. Se o Fla-Flu é o reflexo da política brasileira, vou dizer o que?

E quando a epidemia se espalha não sobra pra ninguém. Até os "escolhidos" são infectados, hehehe.

No meio da galera quem quer ser comentarista?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 16:34:00 BRST  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Valeu a menção, Alon. Abraço

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 17:26:00 BRST  
Blogger Adriano disse...

Engraçado, foi com esse exato espírito que descrevi tanto a Torre como este blog lá no meu novo projetinho sobre "praxiologia", o < eticapolitica.com >. hehe (:

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 17:48:00 BRST  
Anonymous paulo castor disse...

eu também gosto de discutir idéias. As do Lula, por exemplo. A melhor é aquela da metamorfose ambulante. O que vc. acha dela, Alon?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 20:35:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Paulo Castor,

Escrevi sobre o assunto em O mau uso das palavras do Raul. Está em http://blogdoalon.blogspot.com/
2007/12/
o-mau-uso-das-palavras-do-raul-0712.html

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 21:21:00 BRST  
Blogger Leonardo Bernardes disse...

É indício de que alguma coisa vai mal quando precisamos enunciar aquilo que deve ser suposto. A autonomia do discurso em relação ao autor é patente desde Aristóteles e marca, como eu não canso de repetir, as falácias "ad hominem" e as concessões da Lógica ao Direito, no que diz respeito a credibilidade.

Arranhaponte é um sujeito esforçado, mas ele ignora os princípios fundamentais da argumentação, que asseguram a possibilidade de entendimento e até do desentendimento claro -- que é tão necessário quanto o acordo. Por isso ele se alinha as bases de uma oposição truculenta, que age por atalhos e que quase sempre confunde discurso e autor e assim toma um pelo outro. Ao final o que ele produz quase sempre se resume a um agregado de psicologismo que se quer menos ser coerente do que ser polêmico, que comove porque obviamente mobiliza sentimentos e, como todos sabem, somos mais sensíveis aos sentimentos que as "frias" operações lógicas. (Pelo visto você anda um tanto sensível, Alon). Daí a necessidade de, a todo momento, pontuar tais distinções sem as quais não pode haver acordo, nem desentendimento (como Alon faz aqui).

Talvez sua sensibilidade se explique, Alon, porque você acredita que ele não sabe isso que você acaba de anunciar. O que não deixa de ser certa ingenuidade pois o que parece é que ele não entende ou que não quer entender para preservar o descompromisso que o abriga da crítica e o dispõe na condição privilegiada de franco atirador. Ou seja, não se surpreenda caso em breve ele se filie ao.. deixa pra lá.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 04:49:00 BRST  
Blogger FPS3000 disse...

É bom lembrar, Alon, que udenismo, pessedismo e petebismo getulista são conceitos que se diluiram muito depois da ditadura, quando o governo militar impôs uma cláusula de barreira de 15% em nível federal e estadual para acabar com os partidos de então e gerar a disfunção ARENA pró-militares vs MDB pró-democracia (que não é direita vs esquerda, diga-se de passagem).

Quando a ditadura acabou muitos movimentos tentaram se reerguer, mas foram vencidos por 20 anos sem atualização programática: novos movimentos formaram bases distintas de sustentação, misturando DNA´s da república de 46 com as novas expectativas da população - a qual, lembremos, não se interessava e nunca se interessou por política ideológica "nestepaiz".

Tudo isso para dizer que é muito complexa a discussão ideológica atual - como dizer que há um udenismo ou um pessedismo se os partidos atuais são todos "mestiços" de 46 com alguma coisa do século XXI? Difícil, né?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 11:29:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 12:25:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, tentando responder sua pergunta sobre o PT, no seu post anterior: Lula já demonstrou para que serve o partido que ajudou a fundar e a consolidar até a chegada ao Poder, para nada, pois hoje, ele tem toda a oposição para dar-lhe guarida e apoio. Paradoxal? Não. Não precisa nem de malabarismo mental, para dizer que há um lulismo governista e um oposicionista. E um só dando as cartas: Lula, cada vez mais parecido com a imagem que faz de FHC. Pois, o FHC real já provou que pode dar-lhe muito trabalho e ao PSDB que está com casca e tudo para ser o ápice do lulismo de oposição.
Sotho

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 12:54:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Mais do que as frases do Raul, estão dizendo que "...a coisa mais extraordinária que apareceu foi o Evo Morales...". Então tá. Até agora todo mundo pensava que a coisa extraordinária seria Lula. Metamorfose triturante é isso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 13:01:00 BRST  
Anonymous Renan disse...

Eu li alguns textos do "A Torre de Marfim", e achei-o anarquista.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 16:59:00 BRST  

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