sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Ou revolucionário, ou vítima. E a lição de Camus - ALTERADO (21/12)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (21/12/2007) no Correio Braziliense e alterada para o blog:

Não vale querer ser ao mesmo tempo vítima e revolucionário. Os papéis não combinam. Transferir à sociedade os ônus das próprias escolhas não é edificante

Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

Vamos supor que o governo tivesse cedido à greve de fome do bispo Luiz Flávio Cappio e interrompido o andamento da transposição do São Francisco. Estaria então estabelecida a greve de fome como mecanismo adequado para quem discorde de um ato de governo e pretenda alterá-lo. Um completo absurdo. Uma maluquice. Quem está disposto a morrer, assim como quem está disposto a matar, coloca o interlocutor numa situação sem escolha. Ou cede ao suicida (ou assassino) em potencial, ou torna-se supostamente responsável pela subtração de uma (ou mais de uma) vida. É o extremismo individualista levado às últimas conseqüências. Não há diálogo, não há mediação, não há arbitragem. É o tudo ou nada.

O extremismo individualista tem na sociedade da mídia e do espetáculo um terreno fertilíssimo para vicejar. Transmitida em tempo real pelos canais de comunicação de massa, a ação individual violenta encontra rapidamente, em ondas de propaganda, uma enorme gama de alvos. Assim, por meio da comunicação e da coação, pretendem-se atingir objetivos políticos que de outro modo seriam inalcançáveis. Como você já percebeu, o extremismo individualista está na raiz do terrorismo.

O que o bispo Cappio faz com sua vida é assunto entre ele e Deus. Sabe-se que o suicídio não é bem aceito pelas grandes religiões monoteístas, incluído o catolicismo. O que torna ainda mais absurdo que um bispo da Igreja Católica ameace o país com o próprio suicídio caso não veja atendidas reivindicações políticas. Chega a ser bizarro. Está tudo errado. Aliás, essa história começou torta já na primeira greve de fome do bispo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quis fazer média com o ato extremado e deu gás a que outra greve de fome acontecesse.

Estamos novamente diante da “metamorfose ambulante”. Menos mal que a mudança de posição de Lula tenha sido para melhor. Como, aliás, é hábito no ocupante do Palácio da Alvorada. Há outra observação a fazer nesse caso. Com a nova greve de fome do bispo Cappio, parece ter chegado ao limite a exploração da imagem pública de artistas em benefício de causas políticas. Trata-se de um hábito inaugurado entre nós na campanha das diretas já, mais de duas décadas atrás, e utilizado à exaustão desde lá. Qual é a importância de um artista defender determinada tese? Ou a oposta? Importância nenhuma. Como cidadão, como eleitor, como agente político, o artista é uma pessoa igual a outra qualquer. E só.

A democracia tem mecanismos para dirimir a divergência, para resolver institucionalmente os conflitos. A democracia não pode ser refém do extremismo individual ou do estrelismo. E se o indivíduo não considera os mecanismos legais disponíveis legítimos o suficiente, sempre lhe restará a opção de uma ação política contestadora radical, com o objetivo de virar a sociedade e o estado de cabeça para baixo. Decisão que lhe trará conseqüências, das quais ele não poderá depois se lamentar ou queixar-se.

Não vale querer ser ao mesmo tempo revolucionário e vítima. São dois papéis que não combinam. E a existência de Deus não anula o livre arbítrio. O homem é, em última análise, responsável pelos seus atos. Querer transferir à sociedade os ônus das próprias escolhas não chega a ser um exemplo edificante.

A transposição do São Francisco é uma obra polêmica. Como outras. Para azar dos que a ela se opõem, todos os passos legais foram dados antes que tenha sido aprovada. Como sempre acontece, a opinião dos políticos sobre o assunto foi mudando de acordo com as circunstâncias. Antes se tratava de uma oposição entre estados atravessados pelo rio e estados que poderão receber a água da transposição. Depois que o governo Lula adotou o projeto, rapidamente os políticos de sua base de apoio que combatiam a transposição mudaram de lado. Deixando órfãos os militantes anti-transposição.

O bom senso recomenda que idéias como a da obra do São Francisco sejam analisadas, em primeiro lugar, pelo ângulo técnico. Em seguida, pela compatibilidade com as leis. Finalmente, pelo critério da vontade política dos governantes e legisladores eleitos. Claro que qualquer um pode se rebelar contra essa engrenagem democrática. Mas aí, repito, não dá para posar de vítima quando a coisa aperta.

Acrescento para o blog: Albert Camus já lembrava em O mito de Sísifo (na imagem, a obra de Tiziano Vecellio; clique para ampliar) que a única questão filosófica relevante é o suicídio. Corretamente, Camus concluía que o absurdo da existência não deve ser enfrentado com o suicídio, mas com a revolta. As duas coisas, como a água e o óleo, não se misturam.

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32 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Parabéns!! Faz tempo que vc não escreve um artigo "desintoxicado" de ideologias.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 10:10:00 BRST  
Anonymous El Chavo del Ocho disse...

Brilhante, antes de São Francisco, Santo Agostinho: o livre-arbítrio é a base da existência humana, de suas forças e de suas fraquezas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 10:35:00 BRST  
Anonymous El Chavo del Ocho disse...

Brilhante, antes de São Francisco, Santo Agostinho: o livre-arbítrio é a base da existência humana, de suas forças e de suas fraquezas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 10:35:00 BRST  
Anonymous insougud disse...

Imaginemos que um cidadão , sem hábito, nem fé, resolvesse apoiar o projeto do São Francisco,adotando igualmente greve de fome. A mídia
promoveria uma disputa nos moldes de desafio esportivo?Induziria o público a se posicionar?"Esticaria"o "evento", aumentando as edições como
um emocionante seriado?
Não percam o próximo episódio!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 10:45:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Mas não é exatamente o que fazem o MST e os outros movimentos sociais? Uma greve de fome não é um meio de revolta, uma forma de pressionar por mudanças? O Lula e outros petistas já fizeram greve de fome no passado (no tempo do sindicato). Não foi válida? Vc. queria que D.Cappio assaltasse um quartel, roubasse fuzis e munições e fugisse para uma Serra Mestra qualquer para liderar uma revolução?
Além disso, nem tudo o que é legal é justo. No caso do projeto do S.Francisco, há apenas a legalidade formal. Cadê a justiça? Os maiores beneficiados serão as empreiteiras e não a população mais sofrida do Nordeste. Fora o dano ambiental evidente. Projetos, delcarações de renda e romances são elaborados pelos mesmos procedimentos, ou seja, uma idéia recheada de ficção.
Também é preciso considerar que a greve de fome não se equipara a suicídio. A diferença está no fim desejado pelo agente e não pelo resultado.
Sds.,
de Marcelo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 10:54:00 BRST  
Anonymous Ruy Acquaviva disse...

A greve de fome é um recurso extremo, somente justificável quando não existe nenhum canal de expressão ou particação políticas, como ocorreu na ditadura ou com Gandhi em relação ao colonialismo inglês. Não tem cabimento utilizar esse recurso em uma sociedade democrática, com diversos canais de participação e expressão política.
Nunca ví, lí a respeito nem ouví falar de greve de fome do Lula ou dos sindicalistas do ABC. E olha que acompanho a vida política deste País desde 1978.
Durante a ditadura sabe-se que presos políticos, privados de quais quer direitos humanos, utilizaram a greve de fome como forma de protesto em relação a sua situação. O que é uma coisa completamente diferente do que o bispo fez. A atitude do bispo encontra paralelo apenas na bizarra greve de fome do ex-governador Garotinho, em 2006.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 11:43:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Alon,

Esse texto está muito bem feito, a escrita nem é lida mas saboreada pois nem parece um artigo, antes um extrato de um romance ou conto. Quem sabe não tivesse sorte nessa carreira.

No entanto, um reparo: fazer uma equivalência entre a ação do Bispo e assassinatos é um exagero.

As consequências físicas da ação do Bispo são só para a sua pessoa. Obviamente que a greve de fome, quando levada ao termo, seria uma afronta as leis canônicas, mas isso é um assunto interno da Igreja, que quando muito poderia ser acusada de leniência diante de um seu prelado, o que não me parece o caso já que a greve não deve ter passado de um jeum. Atenção:"deve".

Quantos aos passos dados para aprovação desta obra específica, parece-me que não foram tomadas todas as salvarguadas. Não tenho formação específica na área, não sou natural nem morei nos estados envolvidos e estou longe de ser um ecochato mas tenho assistido com apreensão o caminhar dessa obra que acho não terminará bem. O esforço financeiro envolvido não compensa os benefícios, que serão muito poucos.

Só há uma grande cidade do Nordeste com problema crônico de água: Campina Grande. Isso poderia ser resolvido com muito menos dinheiro. Se o verdadeiro problema do Nordeste fosse água então o Maranhão teria um IDH altíssimo e a vizinha Região Norte seria muito mais desenvolvida do que é.

Gandhi, talvez o mais famoso grevista, tambem fez chantagem contra uma democracia muito respeitadora da legalidade. Mas Gandhi era hindu e usava aquelas fraldas: não era católico nem usava barrete...

Cordialmente,

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 11:59:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Uma frase do post remete bem ao que ocorre hoje:"Depois que o governo Lula adotou o projeto, rapidamente os políticos de sua base de apoio que combatiam a transposição mudaram de lado. Deixando órfãos os militantes antitransposição".
Assim, não chega a ser uma chantagem tão grande assim, quando comparada, a atitude do Bispo, com as ações de um Governo de um só. A um só tempo recua e avança. Talvez não seja questão de orfandade, mas de herança. E os herdeiros somos todos nós, relembrando o título de um filme brasileiro.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 12:01:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

A Globo já convidou D. Cappio para participar da próxima edição do Big Brother Brasil?

Alon, eu só acrescentaria um detalhe em sua nota:

Quando você diz: "Depois que o governo Lula adotou o projeto, rapidamente os políticos de sua base de apoio que combatiam a transposição mudaram de lado."

Por outro lado, há também muita gente que passou a posicionar-se contra o projeto apenas porque o governo Lula posicionou-se a favor.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 12:09:00 BRST  
Blogger Benedicto Saturnino Da disse...

Salvo engano meu o artigo faz um enfoque equivocado para poder apresentar o resultado que deseja impor.
A atitude do Bisbo não tinha a finalidade de parar as obras do S.Francisco, era um protesto pelo não cumprimento de um acordo por parte do governo e mais do que isso mostrar à sociedade que antes de desviar as águas do rio se faz necessário fazer a revitalização, (e revitalização não se consegue do dia para a noite), pois, do jeito que o São Francisco se encontra, deixando até de ser navegável em muitos trechos, dentro de pouco tempo suas águas não irão para o mar como dizem, vão sumir e aí em vez de rio teremos um córrego com água no período chuvoso e seco fora desse período.É sempre bom colocar as coisas no lugar e após isso concluir, não sendo assim a verdade se obscurece.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 12:59:00 BRST  
Blogger Giuseppe disse...

Boa tarde, Alon!
Penso que vc tem razão quanto à escolha que deve ser feita. Eu prefiro ser revolucionário, mas uma andorinha só não faz verão... a propósito, acho que eu e um grupo de companheiros (304 atualmente) estamos defendendo idéias tão revolucionárias que andam incomodando gente da Direita e da Esquerda!... Explico: trata-se de expandir a experiência de ORÇAMENTO PARTICIPATIVO para o âmbito dos Estados e do País!!! Para conferir basta clicar abaixo da figura ABAIXO-ASSINADO no nosso blog:
http://vozdasgerais.blogspot.com

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 14:08:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O que é mesmo democracia neste país? O descaso que se vê diariamente, os roubos, os desmandos, os atrelamentos, a corrupção. A falta de diálogo, a prepotência, o cinismo, a ditadura?... Se isso e muito mais for democracia, não faço parte dela e sou feliz por isso.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 14:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Há alguma lei proibindo que se faça greve de fome por qualquer motivo? Então o D.Cappio, e quem quer que seja, pode fazer sua greve de fome. Ninguém será forçado a fazer, ou a deixar de fazer, alguma coisa, senão em virtude de lei: é um princípio básico do Direito. Se vai atingir os resultados que pretende, isso é outra coisa.
Sds.,
de Marcelo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 14:21:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Sugestão de amigo, para todos os brasileiros, inclusive liberais:

No site da agência Brasil tem um infográfico explicativo simplificado em linguagem e mapas didáticos para leigos, bastante honesto na minha opinião, pois esclarece inclusive os impactos negativos.
Só faltou na minha opinião uma explanação financeira nos quesitos custos e benefícios.
O link é
http://www.agenciabrasil.gov.br/
media/infograficos/2007/02/20/
260207.swf/view

Gostaria que os opositores apresentassem seus argumentos de forma semelhante, senão o fato de ser contra torna-se mero oposicionismo (*).

(*) oposicionismo é acreditar (ou defender sem acreditar mesmo) que tudo o que o um governo faz é ruim, independente do mérito da obra. Uma prática muito comum em revistas como a Veja e congêneres.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 15:50:00 BRST  
Blogger De Óculos disse...

Representantes do governo declararam (e o próprio Lula) que "o governo não pode se curvar a vontade de uma só pessoa"). Ora, é apenas o bispo que é contra este megaprojeto? Alguém que compareceu a estas "consultas públicas" promovidas pelo governo, acredita realmente neste projeto? E as dezenas de outros projetos de revitalização do Rio e de regiõs do sertão nordestino que se arrastam há anos, o que será disto? e o dinheiro que já foi para estas obras? Mas não me iludo - o governo precisa desembolsar esta dinherama em mais um elefante branco e vai realmente fazer isto. Não como impedir.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 17:25:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

D. Cappio e a CNBB (que inicialmente apoiou a greve de fome) melhor fariam se trouxessem a público fatos e dados técnicos relevantes sobre a impropriedade da transposição.

Tenho dúvidas e um profundo desconhecimento sobre o projeto. Mas greves de fome não provam nada (contra ou a favor)sobre questões relativas à técnica e à ciência.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Alon

Um feliz Natal e um 2008 com muita paz e repleto de realizações e alegrias para você, sua família e todos os amigos do blog.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 18:36:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

A "greve de fome" é parente dos "homens-bombas" do Iraque e Israel. Também próximo daqueles "atiradores suicidas" que costumam aparecer nos EUA.

Uma forma desnecessária, mas legítima, seria lutar por um plebiscito. E isso não é moda do momento?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 19:08:00 BRST  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Clap clap clap. Muito bom

sábado, 22 de dezembro de 2007 00:49:00 BRST  
Blogger Pedro disse...

Caríssimo,
deixa de ser preguiçoso, escreva mais. Como está difícil encontrar textos articulados e consequentes atualmente...

sábado, 22 de dezembro de 2007 01:58:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Alon,

Como não tenho certeza se vc é judeu ou não, por via das dúvidas desejo-lhe um Feliz Natal a vc e sua família.

A todos seus leitores tambem.

Cfe

sábado, 22 de dezembro de 2007 10:26:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon : parabéns pela sua apreciação
da estapafúrdia greve de fome.
Alguns leitores não estão conseguindo enxergar o óbvio : são
2 questões distintas (mas interligadas),o questionamento da
obra em si e a insubordinação do
bispo,com relação à hierarquia da
sua igreja.
Seus superiores certamente condenam
(mas se calam)sua atitude nefasta.

sábado, 22 de dezembro de 2007 23:41:00 BRST  
Anonymous Luiz disse...

Suscintamente:
- Esse bispo é um chato de galocha. Até a família admite que ele é exageradamente teimoso.
- Transposição e revitalização não são excludentes. Muito pelo contrário.
- Dizer que só os ricos empresários se beneficiariam é sofisma. E desconhecimento da realidade do sertão.
- Tem muita gente que nunca saiu do Sudeste e do Sul e fica dando pitaco "de ouvir falar". Venham, vejam e depois falem.

domingo, 23 de dezembro de 2007 08:16:00 BRST  
Anonymous Marco Vitis disse...

Parabéns pela lucidez.

domingo, 23 de dezembro de 2007 12:02:00 BRST  
Anonymous Idelber disse...

Junto-me aos aplausos, Alon. Feliz 2008 para você.

domingo, 23 de dezembro de 2007 15:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Com relação a transposicão das águas do rio São Francisco, o já conhecido dito popular ¨Não se faz omelete sem quebrar os ovos¨aplica-se bem ao caso e explica muito bem devido a vários interesses envolvidos, como a problemática da seca e às questões social e financeira que ditam um paradigma que levam a divergência de um religioso que discorda da obra. É assaz interessante verificar até que ponto pode chegar um posicionamento discordante de uma autoridade religiosa sem levar em consideração as discussões que a sociedade pode fazer para conhecer de fato do problema da transposicão das águas do tão famoso rio. Afinal de contas, quem é que está realmente interessado na construção da polêmica obra ? A sociedade brasileira como um todo, principalmente as populações dos estados envolvidos ou é apenas uma velha questão que faz com que os interesses de Estado sobreponham-se a uma questão espiritual? É de se esperar maiores debates acerca deste importante fato.Alon, este caso é muito sério e não sabemos se ainda chegou às suas últimas conseqüências. Boas Festas e Feliz Ano Novo para todos nós.

domingo, 23 de dezembro de 2007 15:58:00 BRST  
Blogger Fernando disse...

Jesus Cristo, o fundador do cristianismo, rejeitou todo poder político. Em pelo menos uma ocasião, o povo, entusiasmado por causa dos seus milagres, tentou a força fazê-lo rei, mas ele “retirou-se novamente para o monte, sozinho”. (João 6:15) Quando indagado pelo governador romano quanto a se era rei, Jesus respondeu: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus.” — João 18:36.

Cristo disse adicionalmente aos seus discípulos: “Porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia.” (João 15:19) Portanto, os primitivos cristãos não se deixavam envolver em problemas sociais ou políticos. A escravidão, por exemplo, era naquele tempo um grande problema, mas os cristãos não faziam empenhos para aboli-la. Em vez disso, ordenava-se aos escravos cristãos ser obedientes aos seus amos. — Colossenses 3:22.
‘Mas olhe para a cristandade hoje’, alguns talvez digam. ‘Está irremediavelmente dividida, seus membros muitas vezes matam uns aos outros, e seus clérigos envolvem-se na política. Que aconteceu com o cristianismo?’ Bem, Jesus avisou que falsos cristãos seriam ‘semeados’ entre os verdadeiros cristãos. (Mateus 13:24-30) Paulo igualmente profetizou: “Sei que . . . entrarão no meio de vós lobos opressivos e . . . surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos.” — Atos 20:29, 30.
Essa tendência havia começado já no primeiro século. O discípulo Tiago achou necessário escrever as seguintes palavras vigorosas: “Gente infiel! Será que não sabem que ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus?” (Tiago 4:4, A Bíblia na Linguagem de Hoje; o grifo é nosso.) Muitos preferem desrespeitar este conselho divino — tanto que no quarto século um lobo em pele de ovelha, o imperador Constantino, conseguiu fazer com que o “cristianismo” corrupto transigisse mais ainda por torná-lo a religião oficial do Império Romano. Mas, ao tornar-se ‘amiga do mundo’, a cristandade tornou-se inimiga de Deus. Uma eventual colisão tornou-se inevitável.

domingo, 23 de dezembro de 2007 16:39:00 BRST  
Blogger cacos meus botoes disse...

Cheguei aqui pelo blog do galinho e tenho me deliciado com seus lúcidos comentários. Esse do bispo está excepcional. Parabéns e um grande 2008 pra vc. Abraço, christiana fausto.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007 03:08:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, por mais que eu dê tratos à bola não entendo como pode dizer que se trata de extremismo individualista. Claro que você visa à idéia de individualismo por traz da ideologia liberal capitalista, mas justamente aí que se torna incompreensível. Trata-se de um ato individual, sim, mas como todo ato voluntário também é, como escovar os dentes ou filiar-se a um partido de esquerda. Recusa o diálogo e a mediação, justo, trata-se de uma chantagem emocional, nada mais anti-individualista. Veja, de um lado, se vivêssemos em uma sociedade inteiramente individualista o ato seria inócuo, pois comer ou deixar de comer ou morrer de uma forma ou de outra seriam problemas individuais de cada um. De outro, para alguém que desposa uma ideologia individualista e queira influenciar o comportamento de outrem, o diálogo e a mediação são irrecusáveis, já que ele está obrigado a reconhecer a autonomia da individualidade alheia e a necessidade de mediação. Interessante é que na lista de comentários, mesmo aqueles que normalmente se opõem ao pensamento de esquerda, parecem aceitar a sua classificação.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007 06:26:00 BRST  
Anonymous Antonio Carlos disse...

O martírio é um ato legítimo na Igreja Católica, o Bispo quis chamar à atenção da Sociedade para algo relevante, uma modificação gigantesca da natureza, a transposição do Rio São Francisco, que eu, na minha ignorância sou a favor. O que lamento, e muito, foi a pobreza de informações técnicas, ou falta de capacidade, da Imprensa me fornecer dados e reportagens confiáveis, para uma melhor avaliação do público. Os grandes veículos se comportaram, muito aquém de suas nobres funções que é o de informar, não gostei da cobertura. Um bom tema não acha?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007 14:26:00 BRST  
Blogger Walmir disse...

Caro Alon, mano blogueiro,
Feliz Natal.
Vida longa, fértil, criativa e bem sucedida e este blog.
Paz e bom humor sempre.
Walmir
http://walmir.carvalho.zip.net

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007 18:41:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Shalom

terça-feira, 25 de dezembro de 2007 03:26:00 BRST  
Blogger Hugo disse...

Não vejo essa atitude de Dom Luís Cappio de maneira negativa.
Em momento algum o governo pareceu disposto a debater a questão da transposição, simplesmente se decidiu isso e tocaram o barco.
Dom Luís fez um protesto e pacifíco, nada mais.
Há riscos ambientais muito grandes nesse projeto e mesmo que não existissem duvido que ele vá alterar a realidade do sertão nordestino.
Mais que a questão da seca está a situação agrária na região.
As relações injustas entre latifundiários e camponeses matou, mata e, infelizmente, matará muito mais gente do que qualquer seca.
Como o cfe colocou, se o problema fosse água o norte seria uma região muito mais desnvolvida do que é e o Maranhão não seria um dos piores estados do próprio nordeste.

sábado, 29 de dezembro de 2007 22:46:00 BRST  

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