domingo, 16 de dezembro de 2007

Marketing amador (16/12)

Luiz Inácio Lula da Silva defende bem os interesses políticos dele ao mandar o ministro da Fazenda catar coquinho e esquecer do tal novo imposto para financiar a saúde. Qualquer um que raciocine cinco minutos perceberá que uma nova proposta do Executivo nesse sentido representaria a oportunidade de ouro para a oposição, especialmente o PSDB, saír do banco de areia movediça em que se meteu, ao derrubar a prorrogação de um imposto cujos recursos abastecem a saúde pública e os programas sociais do governo. Recursos que, tonificados, iriam integralmente para o Sistema Único de Saúde (SUS) em futuro próximo. Um novo projeto arrastaria novamente o governo para uma refrega no Senado, terreno desfavorável. Para debater uma agenda que nem a oposição defendeu na última campanha eleitoral. Como Lula é bem mais esperto politicamente do que Guido Mantega, aparentemente decidiu deixar o PSDB em paz na oposição, tendo que responder doravante pela atitude que adotou na votação da última quarta feira. Para quem ainda não percebeu o tamanho do problema político-eleitoral do PSDB, vale ler o artigo semanal do senador José Sarney (PMDB-AP) na Folha de S.Paulo, publicado nesta sexta-feira, a respeito da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Destaco um trecho:

O certo é que, com os anos, a aplicação desse imposto foi de boa qualidade. Tem sido uma grande arma, que evitou, a partir de 2001, que fossem sonegados R$ 6 bilhões anuais. Depois, 72% dele são pagos por empresas. Apenas 17% são pagos por quem ganha mais de R$ 100 mil. A metade da população mais pobre contribui com apenas 1,8%. Ele é empregado em Bolsa Família, aposentadoria rural, saúde. Outro aspecto bom é que ele corrige as desigualdades regionais. O Norte e Nordeste, por exemplo, arrecadam 24% e recebem 42%. É uma transferência de renda. Mas a oposição não quis ouvir nada, porque, como se diz no Nordeste, quando boi não quer beber, não adianta assoviar.

Clique aqui para ler a íntegra
. É isso. Quase três quartos da CPMF são pagos por empresas. quase um quinto do dinheiro da contribuição vem da conta bancária dos brasileiros que ganham mais de R$ 100 mil (imagino que por ano), a metade mais pobre da população entra com menos de 2% do total e as regiões mais carentes do país recebem quase o dobro do que arrecadam. Trata-se, portanto, de um imposto marcadamente social. Eu conheço os argumentos contrários. Alguns deles são contorcionistas. Como por exemplo o fato inegável de que os pobres, por serem mais pobres, utilizam percentagem maior de sua renda para pagar o custo da CPMF embutido nos produtos e serviços. Respondi a isso em Quando o antipopulismo encontra a vida real:

Se fosse assim, dever-se-iam adotar alíquotas progressivas, de acordo com a renda do consumidor, nos impostos sobre valor agregado, como por exemplo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O rico pagaria uma alíquota maior de ICMS do que o pobre, ainda que ambos comprassem exatamente o mesmo produto. Ninguém propõe isso, por duas razões. A primeira razão é que se trata de uma maluquice. A segunda razão é que a pressão contra o pagamento de impostos provém principalmente de quem poderia e deveria pagar até mais do que paga hoje.

Por que em vez da CPMF não começaram então acabando com o ICMS? Como diria o habitualmente elegante senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), trata-se apenas de conversa fiada. Quem ganha muito não quer pagar imposto, pois não precisa do estado para nada. Ou para quase nada, já que do dinheiro a juros subsidiados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) eles não abrem mão. Como tampouco abrem mão de dar o calote nos generosos empréstimos de bancos estatais para a atividade rural. Nem da publicidade oficial. Etc. Mas chega de lero-lero. Este post é sobre marketing, assunto no qual eu sou amador. É nessa condição que opino. Como observador atento, percebo que a vida política no Brasil tem dois momentos bem distintos, e que se alternam conforme o biorritmo eleitoral. Quando a eleição passa, entra em cena a turma que defende redução de gastos públicos, que ataca o populismo e o assistencialismo, bem como qualquer mecanismo de transferência de renda por meio do estado. Mas, quando a nova eleição vai chegando perto, o mesmo político que cultivou cuidadosamente a ladainha liberal (o que, por sinal, pode ser decisivo para que ele adentre ao panteão dos queridinhos da opinião pública e adquira a necessária imunidade) coloca uma camisa simples e vai ser filmado num restaurante popular (aqueles a R$ 1), num posto de saúde, numa creche ou em outro equipamento público qualquer destinado à população mais pobre. Até o Democratas centrou fogo no viés social de suas prefeituras em seu mais recente programa gratuito no rádio e na televisão. Aí eu fico pensando como vai ser na próxima eleição, se um marqueteiro esperto do situacionismo bolar algo mais ou menos assim. Entra um locutor, com uma cara bem feliz:

- Nos últimos anos, o Brasil melhorou. (Tantos) milhões de pessoas deixaram de ser pobres e entraram na classe média. Isso aconteceu por três motivos. O primeiro é o que o país cresceu e aumentaram muito as oportunidades de trabalho. O segundo é que com a inflação controlada e o salário maior você pode comprar mais coisas para você mesmo e para sua família. E o terceiro é que o governo Lula aumentou muito os investimentos na área social. Na saúde, na educação e no Bolsa Família.

Aí o locutor fica sério e adverte:

- Mas, cuidado. Antes de votar, pense bem. O candidato adversário é de um partido que participou do movimento para derrubar a CPMF, o imposto do cheque. E não propôs nada para colocar no lugar. Muita gente tinha críticas à CPMF, mas ela cumpria uma função importante. Todo o dinheiro ia para a área social. Ia para a saúde, para a aposentadoria rural e para o Bolsa Família. E o imposto era justo: só era cobrado de quem tinha conta em banco. E cada um pagava de acordo com o dinheiro que movimentasse na conta. O rico pagava muito e o pobre não pagava quase nada. Infelizmente, o partido do candidato adversário acabou com o imposto do cheque. Por causa disso, só nos últimos três anos mais de 100 bilhões de reais deixaram de ser aplicados na rede pública de saúde. 100 bilhões a menos em hospitais, postos de saúde, remédios e vacinas.

E conclui:

- Por isso é que é importante pensar bem antes de votar. Se eles fizeram isso quando estavam na oposição, você já imaginou o que eles serão capazes de fazer se ganharem a eleição e chegarem ao governo?

A oposição tem três anos para pensar numa boa resposta. Dada a quantidade de gênios e profissionais em suas fileiras, não vai ser difícil bolar uma que sirva.

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21 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

Boa Alon

E assim de mentira em mentira o povo fica sabendo da verdade.

domingo, 16 de dezembro de 2007 21:22:00 BRST  
Anonymous Cristiano disse...

Muito bom!

domingo, 16 de dezembro de 2007 21:23:00 BRST  
Blogger Rodrigo disse...

Esse negócio de "liberal" aparecer em época de eleição nas obras sociais que ele ajudou a detonar é dose...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 00:01:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 07:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, às vezes fico com a impressão que você acha deveria ser proibida a existência de oposição em governos de esquerda. É só uma impressão, que às vezes paira sobre minha cabeça ao ler alguns textos de sua lavra.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 08:37:00 BRST  
Anonymous Antônio de Pádua Martins disse...

Prezado Editor.

Na expressão coerente e cordial de Oscar Wilde, referendando dados para mim inerentes à própria Lei Natural, - o Estado deve e pode atender o Bem Comum, deixando à responsabilidade dos cidadãos particulares cuidarem de si e de seus empreendimentos.- Sua abordagem sobre a existência, agora inexistência imposta, da CPMF me aparece como uma das mais corretas e objetivas. Agradecimentos também por este serviço de Jornalismo eletrônico!

Tenho 78 anos. Filosofia Pura em universidade européia. Base pré-universitária de um grupo escolar, ginásio e colegial dos anos 40, portanto um currículo daqueles tempos, onde ensinamento e aprendizado na rede pública de ensino dava de 10 a dois contra inúmeros centros de ensino particular, quase nem dando de citar o público, de há muito tempo para cá...

Já trabalhei como professor, livreiro, hoteleiro e sobretudo como fotógrafo, afazer ao qual sou ligado desde o ano em que o voto feminino entrou em vigor no Brasil. Vacinado, casado, "de maior", claro, nos termos da lei sou também um dos que, na esfera da previdência trabalhista, recebo essa coisa tão estranhamente chamada de "benefício da previdência social". Confesso que a cada dia me torno mais descrente sobre a solidariedade social pública/particular. E no âmbito de tal ceticismo entram escalas mil de dúvidas a respeito de outras tantas mil realidades que nos rodeiam. E que a ignorância de uns, o fechar olhos, o cinismo de outros deixam-nas escapar. Destaco uma, cujo fim e aplicação dos dinheiros diurnamente cobrados, não sei para onde vão: a coleta de cobranças de áreas azuis, existente em todas as cidades brasileiras. E ao menos, de momento, perguntaria o porquê de não existir um clamor apocalíptico sobre os bilhões de reais abiscoitados pela constelação ciclópica dos bancos, a cobrarem-nos tarifas, que em comparação suave, se fossem sangue deixariam o conde Drácula, encabulado, frustrado por sua eterna voracidade vampirica ser inferior a essa de seus hercúleos concorrentes. E por ai vai: área azul, tarifas de bancos, icm duplo em conta de luz e telefone, multas em contratos, disfarçando a cobrança ilegal de valores proibidos, defesa de igualdade racial, classificando no entanto as pessoas como pardos, pretos, brancos... Cadê o brasileiro seja da ascendência que fosse, mas, pura e simplesmente o b r a s i l e i r o?!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 10:14:00 BRST  
Anonymous Luiz Lozer disse...

Alon
é isso ai, meu medo, como já disse, é o governo não saber capitalizar sobre o erro primário da oposição

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 10:20:00 BRST  
Blogger Fernando disse...

Pelo amor de Deus, o Alon, não tem nada contra a oposição a governos de esquerda. Tudo que ele escreve é que essa oposição esta perdida, sem rumo, e qdo é obrigada a optar por um rumo é sempre o errado.

Exemplo pratico, eu sou partidario da alternancia no poder (por isso votei 2x no FHHC, 2x no Lulla) e me prepara va para uma opçao obvia, entre Serra e Aecio, que alem de "mais bem preparados" (sim isso sim é ironia) teriam o melhor suporte politico para fazer o pais "avançar".

Definitivamente depois dessa "vitoria de Pirro" mostraram que ainda nao estao aptos, pois nao conseguem controlar proprio partido.

Agora, para mim como eleitor, o que sobrou ?? Começo a buscar opçoes. Nao precisam dizer as suas opçoes, apenas aguardemos 2010.

PS.: Preconceito é ler um texto e julga-lo pelo que as pessoas fizeram no passado. O artigo do Sarney é perfeito, independente do seu passado. Queria que o FHC voltasse a pelo menos escrever o que escrevia...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 10:30:00 BRST  
Blogger Fernando disse...

Pelo amor de Deus, o Alon, não tem nada contra a oposição a governos de esquerda. Tudo que ele escreve é que essa oposição esta perdida, sem rumo, e qdo é obrigada a optar por um rumo é sempre o errado.

Exemplo pratico, eu sou partidario da alternancia no poder (por isso votei 2x no FHHC, 2x no Lulla) e me prepara va para uma opçao obvia, entre Serra e Aecio, que alem de "mais bem preparados" (sim isso sim é ironia) teriam o melhor suporte politico para fazer o pais "avançar".

Definitivamente depois dessa "vitoria de Pirro" mostraram que ainda nao estao aptos, pois nao conseguem controlar proprio partido.

Agora, para mim como eleitor, o que sobrou ?? Começo a buscar opçoes. Nao precisam dizer as suas opçoes, apenas aguardemos 2010.

PS.: Preconceito é ler um texto e julga-lo pelo que as pessoas fizeram no passado. O artigo do Sarney é perfeito, independente do seu passado. Queria que o FHC voltasse a pelo menos escrever o que escrevia...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 10:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
gozado que a CPMF não pegou nenhum dos aloprados do dossiê Vedoim, mas pegou o caseiro Francenildo. Não pegou o Zuleido da Gautama, nem o cara que pagava a pensão da filha do Renan. Se 3/4 do imposto saía das empresas, era custo. Portanto, cortar a CPMF será uma redução de custos, com benefícios apra todos os consumidores. Como a maioria dos consumidores é pobre, veja o tamanho do benefício social. E se a CPMF ajudasse tanto a saúde, ninguém mais estaria pagando convênios médicos, estaria na fila do SUS perfeito do Lula.
Sds.,
de Marcelo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 11:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Quando um cara inteligente como o Marcelo escreve algo assim dá para entender por que a oposição está mais perdida do que cachorro que caiu do caminhão de mudança.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 11:14:00 BRST  
Blogger Renato disse...

Olá Alon,

Só discordo de um ponto:

"(...) Quase três quartos da CPMF são pagos por empresas (...)"

Empresa não paga imposto: quem paga é o cliente da empresa, embutido no preço do produto ou serviço.

O José Paulo Kupfer passa pelo tema neste excelente post sobre a CPMF. Vale ler.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 11:24:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Bush se elegeu contra Al Gore vendendo ao distinto público as maravilhas da diminuição de impostos (aliás igual a oposição venceu Lula na batalha da CPMF: venceu dentro das regras do jogo, mas com votos da minoria da sociedade).
Bush também dizia o mesmo que o DEM e os Tucanos: que o crescimento econômico dos EUA garantiria o superávit.
Governou com seguidos déficts, endividando os EUA para cobrí-lo. Por conta dessa irresponsabilidade, o dólar despencou frente ao Euro, às moedas asiáticas e ao Real. Isso significa que os EUA estão encolhendo em participação relativa na economia mundial (e consequentemente no poder político, frente à China, Europa, Rússia, Japão, América Latina e todo o resto do mundo).
O Brasil cresce a vigorosos 5% ao ano, gera 2 milhões de empregos, com a carga tributária que aí está. Isso prova que o surrado discurso do custo Brasil dos impostos, tem lá seus fundamentos, mas não é aquela verdade absoluta que a FIESP, DEM, FEBRABAN e Tucanos dizem, de que "com essa carga tributária" não tem jeito. Tem sim, tem gente crescendo a 5% ano, empregos e renda estão aumentando.
O estrago fiscal que a retirada da CPMF faz em 2008 no custo do serviço da dívida (juros) atrasando inclusive o grau de investment grade é muito maior para a sociedade produtiva e para a classe média do que a CPMF.
FHC e Bronhaussen já disseram que a lógica de votar contra foi retirar dinheiro de Lula em ano eleitoral (os governadores encheriam seus caixas em 20 ou 30%, o governo federal o restante de 70 a 80%). FHC esquece que tanto o SUS como o cadastro do Bolsa-família são geridos nas prefeituras por prefeitos tucanos e democratas também. Além disso, obras do PAC serão feitas nos municípios, sobretudo quando trata-se de saneamento e moradia. Quem é bom prefeito também sabe tirar proveito eleitoral disso, fazendo a coisa certa: melhorando a rede credenciada e os quadros profissionais (no caso da saúde) e começando a resolver a vida dos excluídos via bolsa-família. Um bairro, uma cidade, com os bolsões de miséria erradicados, consagraria qualquer prefeito.
O DEM eu até entendo, sua plataforma é essa mesmo: Estado mínimo (O Kassab de agora em diante deverá ter que ir às vias de fato várias vezes nas unidades de saúde pública da prefeitura, dado o número de protestos que deverão passar a acontecer).
Mas os tucanos traem seu programa, sua obra e seu ex-eleitorado social-democrata, que tentava reconquistar.
Eu concordo que a oposição deve defender suas teses de forma aguerrida. Mas quando um governo adota uma tese da oposição, a oposição não deveria inverter sua plataforma pautando-se pelos atos do governo, e sim procurar capitalizar como se fosse uma capitulação. Se não sabem fazer isso, não sabem fazer política com competência.
O oposicionismo de mera sabotagem deixa um desalento perigoso no eleitor. Qual a vantagem da democracia brasileira se oposição funcionar meramente como um freio de mão à governabilidade comprometendo todo e qualquer projeto nacional?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 12:00:00 BRST  
Anonymous antonio luiz calmon filho disse...

Alon:

Felizmente, o PSDB e o DEM mostraram que existe oposição no Brasil.
Mas é realmente comovente e tocante sua preocupação com o futuro do PSDB.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 12:28:00 BRST  
Anonymous Jão disse...

Hipocrisia pura falar que a oposição barrou a CPMF.
O Governo que foi incopentente para não conseguir fazer com que a base governista votasse a seu favor, já que possui maioria!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 13:01:00 BRST  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Alon, você é um ótimo marqueteiro (sério). Ficou muito boa a peça da propaganda anti-tucana (pode parecer que estou sendo irônico, mas não estou). Acho que o PT vai ir por aí mesmo. E acho que pode funcionar. Acho, não tenho certeza. Para a economia vai ser bom, já que obriga o governo a fazer conta. Para os tucanos, só o futuro dirá

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 13:25:00 BRST  
Anonymous SilasV disse...

Seu post sobre deixar o PSDB em paz na oposição foi citado hoje na coluna semanal do professor Fábio Wanderley Reis no Valor Econômico. Eis o trecho:

(...) Mas é difícil engolir que o líder parlamentar da derrota do governo na questão da CPMF seja, além do defensor de outros tempos do imposto, o homem da verve truculenta de cangaceiro amazonense pobre de votos, da surra no presidente, do blefe da ameaça da CPI do caixa dois, brandida de mentirinha e convenientemente esquecida, dos insultos no plenário do Senado a um Pedro Simon de loucura quixotesca e respeitável - sem falar das alusões ofensivas aos candidatos potenciais do próprio PSDB à Presidência. Ou que o líder desse líder seja Fernando Henrique Cardoso, da elegância de sempre de repente desvirtuada em estranho azedume de poliglota politicamente incorreto. E que a irracionalidade da conduta atinja, como salientou Alon Feuerwerker em seu blog, o ponto em que quanto mais o governo capitule e conceda nas propostas relativas ao imposto diante das exigências da oposição que o líder comanda, tanto mais se radicalizem as posições contra o governo: para o PSDB, pelo menos, e para a integridade da imagem de paladino da saúde que pode reclamar, é com certeza melhor, em vez de tentar cooptá-lo, deixá-lo em paz em seu oposicionismo de "eu também sei ser destemperado"... (...)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 20:21:00 BRST  
Blogger Valery Marie René disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 21:27:00 BRST  
Anonymous José disse...

Falando em marketing:

A Folha de São Paulo segue firme na blindagem do José Serra:

Ao divulgar uma pesquisa sobre os primeiros 100 dias do governo Serra, a Folha fez uma comparação - aliás festejou os números - com os governos anteriores, ao de Covas e de Alckmin, porque era favorável ao Serra. Veja o que foi publicado pela folha:

“Serra é o governador com melhor média de aprovação nos três primeiros meses de trabalho na chamada "era tucana". Em março daquele ano, Mario Covas tinha 31% de ótimo ou bom. Geraldo Alckmin obteve 34% em junho de 2001, quase três meses após ter assumido o cargo”.

Agora, encerrado o 1º ano do Serra no governo, a Folha, tão rigorosa com estatisticas, deixou de fazer a mesma comparação com o 1º ano do governo Alckmin em 2003.

Sabe por quê?

Porque os números são muito negativos para o Serra. Pesquisa de janeiro de 2004 mostra que “Alckmin recebe nota 7,1 e é aprovado por 65%”. Portanto muito acima da aprovação do Serra que é de apenas 49%.

A Folha acha que todo mundo é bobo! Não dá pra acreditar mais nesse jornal!!!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 22:34:00 BRST  
Anonymous Islander disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 23:21:00 BRST  
Anonymous Ruy Acquaviva disse...

Ninguém, acredita que nenhum preço de nenhum produto ou serviço caia um centavo sequer por causa do fim da CPMF. então porque os oposicionistas insistem nessa tese furada de que os mais pobres serão beneficiados pelo fim da CPMF via redução de preços? Porque não tem mais nada para falar e é melhor falar algo em que nem eles mesmos acreditam, do que ficar quieto.
A burrada da oposição foi tão grande que no dia seguinte à rejeição da CPMF o próprio Arthur Virgílio (assim como seu titereiro, FHC) falou em "abrir negociações" com o governo para a reedição do imposto.
A ressaca oposicionista deveu-se ao fato de que eles perceberam que a farra revanchista não foi de graça... Aqui se faz, aqui se paga. Em 2010 a resposta virá das urnas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 10:38:00 BRST  

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