sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Arrastado para o pântano, para uma agenda que ninguém defendeu (14/12)

São três princinpalmente os motivos que levam as forças vitoriosas na derrubada da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) a apostar numa tentativa de diálogo com o governo, até -quem sabe?- para reintroduzir a contribuição no rol dos tributos nacionais. Sobre isso, aliás, é sempre ilustrativo notar como na política nunca se pode dizer com certeza que o limite do nonsense já tenha sido atingido. Os que ontem vociferavam sobre os defeitos da CPMF, "o pior dos impostos", agora querem-na de volta. E nas condições expostas pelo presidente da República em sua carta ao Senado na madrugada fatídica (100% para a Saúde, um ano de prazo). Condições essas recusadas então pelos senadores. Mas falávamos dos tais motivos por que os vitoriosos comemoram apenas discretamente o seu sucesso, enquanto são tomados de súbita moderação. Em primeiro lugar, porque temem ser associados à amputação da principal artéria que abastece de recursos o sistema de saúde pública. Mas essa, infelizmente, já foi. Alea jacta est. Já está na bizaca, como se diz no nordeste do Brasil. Em segundo lugar, porque é uma maneira de manter a iniciativa política. Ora, quem deve decidir como dar um jeito na situação criada com o fim da CPMF é o governo. À oposição sempre restará o direito democrático de criticar e, se for o caso, tentar criar obstáculos ao processo orçamentário. Se o governo aceitar abrir agora uma mesa de negociações com a oposição, chancelará a partilha do poder com os vitoriosos da derrubada da CPMF. Depois de ganhar a guerra, eles terão vencido também a paz. Em terceiro lugar, a oposição tenta arrastar o governo para o pântano do debate da reforma tributária. Mato do qual não sairá coelho, dado que cada político tem sua própria visão sobre o assunto. Como diria antigamente o então presidente Fernando Henrique Cardoso, reforma tributária é processo. É trilha lenta e marcada por avanços pontuais, sempre de acordo com a correlação de forças. Mergulhar num debate amplo sobre impostos no Brasil é a receita ideal para o imobilismo. Mas há outra armadilha nessa pauta tributária: a tese do corte de gastos de custeio. Para falar a sério da coisa, seria necessário propor redução de investimentos na saúde, na previdência (inclusive rural) e no salário de funcionários estáveis dos três poderes. O assunto é tão popular que nem o candidato da coligação PSDB-PFL teve como defender essa agenda na eleição presidencial do ano passado. Ao contrário, o presidenciável do PSDB jurou que não ia fazer essas maldades. E agora os tucanos querem que um presidente recordista de aprovação popular enverede por esse caminho cheio de armadilhas. Só se Luiz Inácio Lula da Silva tiver perdido completamente o juízo. Para quem acha que a reforma tributária é o tema do momento, há uma prontinha para ser discutida na Câmara dos Deputados. Se não me engano, o relator é Virgílio Guimarães (PT-MG). Divirtam-se.

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31 Comentários:

Anonymous F. Arranhaponte disse...

Não precisa cortar salário de funcionário não, ô Alon. Basta não seguir dando reajustes que são o triplo ou o quádruplo dos obtidos pelos manés que trabalham no setor privado. Se fizer isso, os salários dos pobres funcionários (por falar nisso, a renda média do DF é o dobro da do estado de São Paulo, sabia? Por que será?)continuarão aumentando, mas a despesa salarial cai como proporção do PIB

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 14:41:00 BRST  
Anonymous isnougud disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 14:53:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Alon, como você está ferino e preciso nos últimos posts.
Sua análise é perfeita.
Só faltou dizer que Governo deve devolver a conta dos R$ 40 bilhões a quem de direito deve pagar: aumente significativamente a CSSL dos bancos. Corte o que puder dos R$ 13 bilhões sistema "S" da FIESP. O presidente do SENAI é Paulo Skaf, o mesmo da FIESP. Ele recebe 1% sobre o salário dos trabalhadores industriários (bem mais do que os 0,38% da CPMF) para gerir o SENAI, e ninguém fiscaliza o uso desse dinheiro, nem o TCU. A FIESP patrocinou até showmícios contra a CPMF. Se o SENAI é uma escola pública deveria estar subordinada ao Ministério da Educação ou às redes Estaduais e Municipais de cada local.
Por fim se eu fosse governo passaria todos os fundos de renda fixa lastreados em títulos públicos para gestão da CEF, sem nenhum prejuízo para os cotistas, mas acabando com o spread entre as taxas de captação e financiamento aos tesouro praticada pelos bancos.
Por fim, se tivesse poderes, eu estatizaria todos os planos de saúde, incorporando-os ao SUS em um período de transição de uns 5 anos. Ficaria permitido apenas seguros de risco com pagamento de sinistros em saúde em dinheiro, nunca remuneração direta a médicos e hospitais por planos de saúde.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 15:27:00 BRST  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Ainda bem que o J Augusto não é presidente :-)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 17:24:00 BRST  
Blogger Vera disse...

Evidente, reforma tributária significa refazer ou reconstiuir o pacto federativo nacional, é uma questão política de Estado, das relações entre União, Estados e muncicípios, não é simplesmente uma questão técnica de natureza fiscal de um governo. Um exemplinho: onde cobrar o ICMS, na origem ou no destino? Como repartir o ICMS? Serão os senadores e deputados apenas a discutir isso? E os governadores, e os prefeitos e os legislativos estaduais e municipais? Assim em seis meses, né?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 18:40:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A margem do debate financeiro, a morte da CPMF instalou uma atmosfera de velório na alma das pessoas que atuam no combate à sonegação, à lavagem de dinheiro e ao crime organizado. Juízes e procuradores da República afirmam que, junto com o tributo, morreu um dos mais eficientes instrumentos de fiscalização de que dispunha o Estado.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 20:05:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Artur Virgílio deu uma ótima idéia, considerando a insistência do Lula no tratamento cordial e democrático que ele vem dispensamdo à oposição: derrubar a DRU na próxima votação.

Aí o Lula vai ter que fazer o que destesta: vai ter que se decidir entre banqueiros e a saúde. Vai ter que agir menos como peão sindicalero de porta de fábrica e mais como governante, coisa que, aliás, já demonstrou várias vezes que detesta fazer.

sábado, 15 de dezembro de 2007 00:47:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Enquanto a tal falada reforma tributária não vem, a CPMF já foi. E foi tarde. PRÓXIMO!

Nessa disputa toda, o que vi de positivo foi a dificuldade em se alterar um artigo da Constituição. Isso garante ao país uma certa estabilidade jurídica. Veja o caso da Bolívia e Venezuela. Uma total bagunça.

Alon, o importante era a saúde? Continua sendo, pois a saúde no Brasil já era caótica. Não venha o governo querer "tapar o sol com a peneira", pois com ou sem CPMF o Brasil é um país "gripado".

sábado, 15 de dezembro de 2007 01:26:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A Saúde andava mal com a CPMF, vai andar mal sem ela e andaria mal se fosse prorrogada a prorrogação. Quem defendia, no início, que o imposto sobre movimentação financeira fosse o único imposto, perdeu. Colocaram a CPMF como financiadora da Saúde, mas 100% dela nunca foi para a Saúde e não iria agora se fosse prorrogada. Como bem meritório, a bandeira da Saúde sempre rende bons dividendos políticos a quem a defende. Por isso, agora, a bola da vez é malhar FHC, a oposição e sua estratégia para derrotar a prorrogação. Na realidade não foi o País ou a Saúde os derrotados como querem os governistas. Foi o Governo, foi uma derrota política do Governo. A reação do Governo será apontar o dedo, de novo, para os eternos outros que impediram que mais dinheiro fosse para a Saúde dos pobres, a surrada balela. Assim, esconde a derrota política porque foi arrogante até com governistas e tenta colocar a oposição no corner, mais uma vez. Pode não dar certo desta vez, pois a oposição garantiu a DRU e o Governo não colocou nenhum projeto de gestão válido para equilibrar as contas. Se é que possuia algum.
Sotho

sábado, 15 de dezembro de 2007 11:40:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Alon,

Vc dá a impressão de que corte de impostos afeta a sociedade negativamente.

Até parece que o Brasil não vem batendo sucessivos recordes de arrecadação! Até parece que a despesa corrente não vem aumentando mais do que a receita! E até parece que o Brasil não tem a carga fiscal mais elevada dos países emergentes e que se não houvesse sonegação seria maior que a de muito país rico!

Acha que alguem está ligando pra CPMF ou outro qualquer imposto em particular? O pessoal quer saber de carga fiscal: esse "imposto sobre cheques" era a bola da vez. Outras virão.


PS: eu sou completamente favorável a CPMF com aliquota de 1% e extinção dos demais tributos, exceto imposto de importação, contribuição previdênciária, IPTU e IPVA. Queria ver esses tecnocratas do estado, autarquias e corporações sem serviço e sem maneira de fazer chantagem com normas interpretativas de expor a massa tributável.

sábado, 15 de dezembro de 2007 15:10:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Esqueci dum exemplo de desperdício de dinheiro: as indenizações aos anistiados!

País rico, o Brasil, se comparamos a qualquer outro inclusive os pouco sofredores judeus dos campos de concentração na pobre Alemanha!

sábado, 15 de dezembro de 2007 15:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Uma reforma tributária realmente efetiva deveria ser realizada no bojo de uma Assembléia Constituinte. Para fazer uma reforma tributária que funcione parece imprescíndivel alterar o tamanho e estrutura do estado. Precisamos de tantos municípios, grande parte deficitários? E o poder legislativo, nas diversas esferas, não tem dimensões elefantinas?

sábado, 15 de dezembro de 2007 16:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Não acredito que renda média do DF seja do dobro de SP. Quem disse isso? Se o PIB do BRasil está em SP?
È cada uma. Ô povo!!

sábado, 15 de dezembro de 2007 19:32:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Pô Alon,

não é por nada não, mas creio que vc vai ter que escrever mais uns posts sobre o assunto. Nunca vi tanta desinformação nos comentários. De onde o cara acha que funcionários públicos ganham aumentos de quatro vezes mais que o pessoal do setor privado? Que bagunça se vê na Venezuela, saída de um referendo tranquilo e com resultado não contestado? Um outro vem falar de judeus em campos de concentração - que coisa é essa? Meter as indenizações dos anistiados no mesmo balaio, não tem absolutamente nada a ver... E o Sistema S, que também não tem nada a ver com o pato...

Esse descompromisso intelectual com a verdade que envolve os debates no Brasil transforma toda e qualquer discussão em uma briga de torcida entre times da terceira divisão.

Ignotus

PS. Técnica antiga essa de pegar uma coisa e atacá-la para atingir outra. Anteontem mesmo fez 25 anos que alguns patriotas passaram um tempinho na cadeia sob a acusação (de resto verdadeira) de que estivessem participando do VII Congresso do PCB, coisa que ninguém me tira da cabeça que foi apenas uma operação para tentar atingir o governo Montoro e retardar o processo de democratização do Brasil. Feliz aniversário!

sábado, 15 de dezembro de 2007 21:59:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, o nonsense do processo político nacional decorre da falta de disciplina partidária. Qualquer iniciativa política, quer do governo quer da oposição, enfrenta fortes resistências. Por que foi escolhida pela oposição justamente a CPMF? Por que estava à mão, era uma votação já agendada desde sua criação. Pouco teve a ver com carga tributária, ou qualquer questão programática. Mesmo assim, o esforço da oposição para garantir a fidelidade de seus parlamentares ameaçou rachar os partidos. O DEN foi atrás da fidelidade até de ex-integrantes, aceitando não processa-los em troca de votos contra a CPMF. Assim, apesar dos pesares, vi um lado positivo em todo esse teatro, caminhava-se na direção da reforma política: para evitar novos desastres o governo teria de passar a cobrar, por sua vez, fidelidade de sua base. Nada disso, toda essa comédia teve por objetivo para a oposição aparecer como vitoriosa, ainda que uma única vez, e apenas para quem não vê que já o governo e a oposição se recompõem para trazer tudo de volta, como era antes. Cheguei a pensar que a oposição conseguira uma vitória reduzindo a capacidade de ação do governo (no todo, não apenas na saúde, apesar de nós insistirmos em recusar as instituições ocidentais que imitamos: dinheiro não é carimbado), ingenuidade, a indisciplina partidária traz um custo enorme para quem se posiciona a favor ou contra, é melhor ser a favor de todos e de tudo... oposição existe apenas porque não cabe todo mundo no governo com o conforto de que se julgam merecedores.

domingo, 16 de dezembro de 2007 10:05:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Paulo Araújo, não existe a disjuntiva saúde x banqueiros. Dívida se paga com os juros contratados, se não se faz isso tampouco se faz o resto adequadamente, principalmente quando se está em uma sociedade capitalista, e mesmo que esta tenha sido instalada a partir de uma cópia pirata, como é o nosso caso. Assim, o estadista na presidência, mostrou que sabe muito bem ser “peão sindicaleiro” como mostra saber ser governante. Melhor que o doutor que o antecedeu – e manteve o país sempre na marca do pênalti –, e o qual, desconfio, tampouco como professor é lá essas coisas.

Caro Sotho, para equilibrar as contas não se necessita nenhum “projeto de gestão válido”. Este governo mostrou até agora que possui muito maior controle das contas fiscais que qualquer outro “antes na história deste país” de que tenho conhecimento, basta olhar a trajetória da dívida.

A propósito, pelo andar da carruagem, aposto que a ameaça de não aprovar a DRU não passa de pose para a platéia.

domingo, 16 de dezembro de 2007 10:46:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

O Congresso montou seu orçamento com emendas parlamentares paroquiais de pouco interesse público, o orçamento passou por acordos com prefeitos e governadores, a maioria de oposição, no fatiamento do bolo, foi feito com verbas para supérfluos palácios de justiça orçados em mais de 1 bilhão ao todo. Com verbas de 2.7 bilhões para manter o Senado funcionando em 2008 para fazer o mesmo que fez em 2007 (cada um tire suas próprias conclusões do quanto foi importante a existência do Senado em 2007, e o quanto é importante desde os tempos dos senadores biônicos). Tudo isso prevendo a receita da CPMF. Faltando 1 quinzena para início do exercício do orçamento de 2008, resolve tirar a CPMF, não em 2009, mas em 2008.
Se isso não é, mais do que uma irresponsabilidade, uma verdadeira operação de sabotagem contra o governo atingindo toda a nação brasileira, eu não sei o que é.
Faça isso em qualquer empresa privada para ver o que acontece.

domingo, 16 de dezembro de 2007 14:02:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Com tanta verba a cortar na montagem do orçamento, resolveram cortar receitas com verbas carimbadas para a saúde, bolsa família e fundo de combate à pobreza.
Para quem acha que 24 bilhões na saúde não faz tanta falta assim, porque a saúde já era ruim, abstraia um pouco dos interesses políticos e partidários e pense:
Se você ou algum familiar seu tiver o infortúnio de sofrer um acidente, e ficar inconsciente sozinho, ninguém sabe qual seu plano de saúde, nem "com quem está falando".
Um brasileiro solidário que não seja individualista passará a mão no celular e discará o 192, ou um policial de trânsito (FUNCIONÁRIO PÚBLICO) acionará o 192. Vem a ambulância do SAMU ou do Corpo de Bombeiros (com menos verbas, haverá menos ambulâncias e menos paramédicos), e leva a vítima para a emergência do hospital PÚBLICO, recebendo o primeiro atendimento pelo SUS. O primeiro atendimento é mais importante em casos graves para salvar a vida e não deixar sequelas. Se tiver a sorte de ser atendido a tempo e se restabelecer, depois de transferido para um hospital particular, entenderá a falta que faz mais um centro cirúrgico no hospital público que está fechado por falta de verba para reforma. A falta que faz mais leitos para não ser atendido no corredor. Mais vagas nas CTI's e UTI's que estão fechadas por falta de verbas para manutenção de equipamentos. A falta que faz a contratação de médicos e enfermeiros, em substituição àqueles "vilões" que aposentam em vez de morrer na ativa, obrigando o Estado brasileiro a aumentar gastos, pagando a aposentadoria do aposentado e pagando um novo médico para prestar o serviço.
Isso é o Século XXI. As pessoas vivem mais. Você gostaria de ser atendido na emergência, no plantão de madrugada por um médico de 69 anos, para fazer uma longa cirurgia de emergência de 6 ou 8 horas? Não é melhor que esse médico se aposente, e que se contrate outro de 30, 40 anos? Isso é gasto, mas é gasto NECESSÁRIO.
Independente de ideologia, será que é tão difícil entender isso assim?
No Século XXI os custos sociais invariavelmente aumentaram em qualquer país que se desenvolveu um pouco pelo próprio envelhecimento da população, daí a carga tributária ser invariavelmente maior do que século XX, para fechar as contas.
Em compensação, os empreendedores produtivos ganharam capacidade contributiva, porque ganharam produtividade. Tem mais lucro sobre o que produzem com a mais valia sobre o trabalho das máquinas.
Os ganhos econômicos proporcionados pela tecnologia já foi colocada a serviço do lucro dos grandes empreendedores, mas ainda não foi colocada a serviço da sociedade como um todo, pelo contrário gera desemprego estrutural, pela automação da mão de obra e pelo self-service.
Com essa carga tributária que está aí, o PIB cresceu 5,7% no 3o. trimestre e o Brasil gerou quase 2 milhões de empregos este ano.
A simples leitura desses números demonstra que o problema prioritário brasileiro continua sendo a qualidade do gasto do dinheiro público, e não a carga tributária, que tornou-se problema secundário. No bolsa-família, o dinheiro não fica no Estado. Vai direto para o bolso do pobre. Não há como desviar verbas em licitações de cestas básicas por exemplo. Por isso esse dinheiro é muito bem gasto. As fraudes nos cadastros são pequenas dentro do universo, muito menores do que as fraudes nas declarações de IR sobre dependentes, gastos escolares e com saúde. E ninguém fala em extinguir essas deduções da declaração de IR porque existem fraudes. As fraudes na saúde são maiores, mas são pulverizadas nos Estados e Municípios. Não há fraudes nos REPASSES aos Estados e Municípios que são transparentes. O governo Federal PRECISA de verbas para conseguir combater essas fraudes, de cesarianas e outros procedimentos que nunca existiram, através ods instrumentos que tem: a CGU, a Receita Federal e a Polícia Federal. Todos ocupados por FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, "vilões" que vivem muito, e não morrem na ativa, aumentando o imposto do contribuinte da iniciativa privada, que também se aposenta um dia e recebe aposentadoria do INSS.

domingo, 16 de dezembro de 2007 14:48:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro alberto009

"principalmente quando se está em uma sociedade capitalista"

Hum hum. Esse realismo político nos olhos do outro é sempre refresco...

Vamos aos fatos: os banqueiros têm alguma reclamação sobre a quota de sacrifícios imposta aos cidadãos usuários do sistema público de saúde para fins de superavit primário? Publicamnete, não? Talvez na intimidade defendam que essa quota até que poderia aumentar um pouquinho.

Então me diga: por que os valentes do petismo, a começar pelo fanfarrão-mór, não ameaçam ou chantageiam os bancos em relação à CPMF? Eu faço uma idéia. Mas acho que se a expuser aqui o meu comentário, que seria repleto de palavras de baixo calão, seria acertadamente cortado pelo Alon.

O direito dos bancos receberem o seuzinho é sagrado, meu caro. Nisso ninguém toca. Nem PT ou PSDB, meu caro. Tá todo mundo dentro desse $saco$, meu caro.

domingo, 16 de dezembro de 2007 17:35:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Ignotus,

O problema não é grana? Ou só a CPMF é que gera receita para o estado pagar seus compromissos? A receita sendo imensa pode e deve ser gerida de modo a dar resposta a todas as necessidades. O que não pode é criar-se necessidades desnecessárias. Eu apenas dei um exemplo, como outros referiram aumentos de salários.

Já que fez referência ao que escrevi, então explica porque o estado brasileiro é mais benévolo com certos grupos do que outros congêneres que sofreram muito mais noutros países, entre os quais os tais "judeus na Alemanha". E fica com essa aí: as indenizações na África do Sul rondaram os 3.000 euros. Parcela única.

Como é que se pode justificar a exorbitância que alguns receberam e recebem? E isenta de Imposto de Renda! (Eu não estou sequer pondo em causa a justeza ou não da indenização, que em certos casos beira o ridículo) E a culpa dessa "coisa" não é do Lula: é do FH. Mas bem que o companheiro poderia ter dado uma amenizada nessas quantias porque são uma afronta a qualquer cidadão.

Cordialmente,


PS: sobre a justeza do referendo venezuelano, é um pena que não posa ver o artigo na página abaixo referenciada porque o conteúdo é só para assinantes.
(em investigacion)

http://www.elmundo.es/diario/cronica/

Eu li a edição impressa e apenas refiro aquilo que já me haviam dito: que há cubanos mandando e desmandando na Venezuela. O mais surpreendente (ou não se pensarmos um pouco) é : Fidel aconselhou Chavez a aceitar o resultado por causa do perigo de revolta militar.

Se um artigo desses fosse publicado em algum jornal brasileiro... pra que sonhar, ne?

domingo, 16 de dezembro de 2007 19:16:00 BRST  
Anonymous J Augusto disse...

Caros amigos,
O fim da CPMF pode atrasar ao Brasil o recebimento da avaliação de "investment grade" pelas agências de risco.
O Brasil não vai vai sofrer nenhuma "crise internacional" por causa disso. Graças à austeridade do governo Lula, o Brasil está blindado pelas reservas e exportações.
Pelo que entendo (me corrijam se eu estiver errado) o "investment grade" abriria as portas do Brasil à entrada do dinheiro dos Ricos Fundos de Pensão do Primeiro Mundo.
Isso aumentaria em muito a oferta de crédito para financiar a dívida pública brasileira derrubando a taxa de juros, pela simples lei da oferta e da procura. E olha que isso tudo dentro das regras mais ortodoxas do capitalismo.
Com taxas de juros reais baixas, aí sim haveria uma significativa sobra orçamentária, que abriria as comportas para uma substancial diminuição de carga tributária da classe média e setor produtivo, comcomitante com a melhoria dos serviços públicos como saúde e educação, e com a continuação da escalada na erradicação da miséria.
Isso é tudo o que o que qualquer brasileiro quer. Menos os bancos, por motivos óbvios (não é verdade que só cotistas financiam a dívida pública. O dinheiro em caixa dos bancos de depósitos à vista também).
"Investment grade" seria o sonho dos tucanos também, que sempre pregaram isso da boca pra fora, mas nunca tiveram vontade real ou competência para conseguir. E não admitem, nunca, jamais, que isso aconteça durante o governo Lula. Pois se a popularidade de Lula já está alta com o Brasil crescendo acima de 5%, se 2 milhões de empregos estão sendo gerados ao ano, se o PAC fará do Brasil um canteiro de obras em 2008; caso os juros reais caíssem a níveis de primeiro mundo, Lula tornar-se-ia praticamente unanimidade (para o público racional, não para o público passional).
Lula fez o dever de casa. Gerou superávits acima do recomendado pelo FMI, indispôs-se com segmentos de esquerda por causa disso. Fez o mesmo sacrifício que uma pessoa física endividada faz para pagar a dívida do cheque especial e ver-se livre dos encargos de juros altos todo mês.
A oposição SABOTOU não apenas a saúde, mas esse PROJETO NACIONAL, que não é do interesse apenas de Lula. Mas é de todos os brasileiros, até de capitalistas empreendedores que querem dispor de capitais a juros globalizados para produzir no Brasil e competir mundialmente.
A oposição conservadora partidária e midiática, e o sectarismo da FIESP e FEBRABAN atrasam o Brasil. Não foi só a saúde quem perdeu. Foi a classe média e até a elite econômica liberal mais progressista, produtiva.

domingo, 16 de dezembro de 2007 19:45:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

cfe

Depois da vergonhosa barrigada dos jornalões brasileiros sobre os resultados do referendo, eu não espero nada desses jornais.

Alon

Ana Julia Jatar é uma analista cujo pensamento sobre a política na Venezuela é de uma lucidez sem comparação.

Se te interessar, acompanhe no seu blog as suas análises sobre o pós-referendo.

Sugiro iniciar as leituras pelo post "Hoy tres de Diciembre" (03/12/2007 | 12:55:00 pm), e não deixar de ler seus comentários sobre o artigo do Heinz Dieterich, antigo ideólogo do Chávez:
"Después de los resultados del referendo sobre la reforma constitucional: Derrota estratégica en Venezuela; peligro mortal para Bolivia y Cuba"
(06/12/2007 | 08:26:24 am ).

Sobre a principal tarefa dos democratas venezuelanos no pós-referendo:

Reconciliación y enemigo interno (08/12/2007 | 04:05:38 am); Fiera Herida (08/12/2007 | 05:19:16 pm ); Por qué Chávez no conciliará (16/12/2007 | 09:19:51 am )

Neste último ela aborda um fenômeno na atual política na Venezuela que a imprensa brasileira nem descofia existir: a iminência política do "chavismo sem Chávez".

Suas análises dão um novo sentido para a matéria do El Mundo linkada pelo cfe.

Nesse último post, Ana Julia avança suas análises para a iminência política do "chavismo sem Chávez".

O paranóico Chávez não vai conciliar. Ao contrário, vai persistir no seu intento de impor aos venezuelanos o que só egocrata sabe: a verdadeira liberdade que os venezuelanos necessariamente estão obrigados a conquistar. Oxímoro banal no totalitarismo:
"obrigar a ser livre".

Jatar aposta que essa persistência será determinante no isolamento politico de Chávez, tanto na Venezuela como no exterior. Ela acresenta na sua lúcida análise a variável política do "chavismo sem Chávez" como a única alternativa viável de sobrevivência do movimento político que hoje lhe dá sustentação. A vitória do "não" também evidencia uma irreversível fratura política no chavismo.

http://www.anajuliajatar.com/

A matéria do El Mundo está reproduzida com livre acesso aqui

http://doc.noticias24.com/0712/md16.html

Abs.

domingo, 16 de dezembro de 2007 20:12:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

As notícias confirmam cada vez mais que as suspeitas sobre um golpe de estado chavista em andamento no dia 2 de dezembro tinham fundamento nos fatos. O deprezado (pela imprensa brasileirra) general Baduel (para mim, a principal liderança hoje no "chavismo sem Chávez") foi personagem central que atuou firmemente contra a tentiva de melar o referendo.

Como explicar essa raivosa demonstração de força do Chávez aqui nesse vídeo?

http://www.dailymotion.com/video/x3odul_chavez-y-la-victoria-de-mierda-de-l_news

http://uivenezuela.blogspot.com/ é a origem das falsas pesquisas de boca de urna. Publicou às 17:36 do do domingo do dia 2 de dezembro as pesquisas que a Reuters divulgou pelo mundo, dando como certa a vitória do "sin". O blog não é atualizado desde o dia 2 de dezembro!

Isso tudo, Alon, são fatos.

domingo, 16 de dezembro de 2007 20:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro CFE,

1. Não duvido de que haja cubanos atuando em posições estratégicas na Venezuela (não duvido quer dizer que não duvido, mas não sei de nada disso). Mas, seja verdade isso, e daí? Cuba é um país como qualquer outro, com notável desenvolvimento em algumas áreas, como a medicina. Fidel e Chavez são aliados, então colaboram. Isso acontece o tempo todo em todo lugar. Utilizar isso como argumento em uma discussão, sem maior contextualização me parece, com todo o respeito, pura manifestação de preconceito.

2. Não entendo nada de indenizações para judeus ou sul-africanos, mas posso dizer que, no geral, indenizações não podem ser iguais, pois desiguais foram as situações em que estavam aqueles que merecidamente as recebem ou receberão.
Ex.: um judeu de Berlim que era dono de uma pequena alfaiataria e foi agredido, desapropriado etc. etc. deve receber uma indenização. Um judeu de Berlim que era dono de uma grande indústria e era colecionador de arte, foi privado de sua indústria e de seus bens, merece uma indenização maior.

No Brasil será a mesma coisa. O Cony, por exemplo, tinha uma posição de destaque, ganhava um salário vultoso, terá uma indenização correspondente. Outros receberão menos, porque recebiam menos.

Repare que isso diz respeito a indenizações por danos materiais. Pelos danos morais eu até concordaria em pensar em algo mais linear.

E indenização não paga IR porque não é ganho, é indenização. Não paga e pronto. Fosse ganho, pagava. Não sendo, não paga. É a lei e a lei é (mais ou menos) justa (ao menos nesse ponto).

Última coisa: se fosse o caso de uma ditadura de esquerda que tivesse praticado o que a nossa, de direita, praticou, eu pensaria do mesmo modo. A propósito,é o que vem acontecendo na República Tcheca, na Hungria, na Rússia.

3. Sobre os salários, posso dizer, por experiência própria, que os servidores públicos federais permaneceram 12 anos sem aumento até 2005, enquanto nenhum trabalhador da iniciativa privada passa mais que 12 meses na mesma situação. Foi algo muito injusto, e vc deve considerar que há servidores de diversas faixas salariais, que vão de uns mil reais até mais de vinte mil. São trabalhadores necessários, em número inferior ao necessário, que trabalham em setores importantes como são o Executivo, o Legislativo e o Judiciário e que existem - veja só - em todos os países do mundo sem exceção alguma. E todos ganham salários por um motivo muito simples: precisam ganhar para viver.

(O capitalismo já praticou o trabalho sem contrapartida salarial, inclusive com a adoção do trabalho escravo: não deu certo.)

4.Finalmente, sobre a CPMF: é só ler o Alon: foi peão de uma batalha política. Até os caras do DEMo e do PSDB sabiam que as consequências seriam nefastas. E serão, é esperar para ver.

Um abraço,

Ignotus

domingo, 16 de dezembro de 2007 23:27:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Ignotus,

Concordo que foi uma irresponsabilidade deixar o funcionalismo sem aumento durante vários anos. Acabou represando expectativas e criando uma enxurrada. Não deixo de dizer que qualquer funcionário deve ganhar, ao menos, o mínimo condizente com sua função e não ficar dependente de gorjeta.

O exemplo do Cony só demonstra o quão distantes são os nossos pontos de vista.

Cordialmente,


PS : o socialismo tambem teve e tem escravos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 12:53:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

CFE,

nem tão distantes assim. concordo com o seu PS. E identifico na China um enorme problema para o Direito Internacional do Trabalho. Mas vamos adiante.

Abs,

Ig

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 16:33:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Paulo Araújo, o “seuzinho dos bancos” não é sagrado, o Fernando de la Rúa na Argentina interrompeu o pagamento, o Sarney fez até moratória SOBERANA da dívida externa. A ganância desses banqueiros acaba provocando a disciplina dos governos, tão necessária à estabilidade e ao desenvolvimento. Banqueiros não exigem superávit primário de ninguém, apenas se adaptam à disposição de repagar demonstrada pelos devedores, você gosta de emprestar a quem não devolve? Não pense em dinheiro, mas naquele livro que lhe é especialmente caro. Realismo não é refresco, nem pimenta, nos olhos de quem edulcora a realidade. Creio mesmo que a recusa em tirar as conclusões lógicas do que se vê, fazendo com que repisemos sempre as mesmas questões, sem avançar, é um dos fatores que explicam a assombrosa incapacidade de enfrentar problemas deste país. Com toda sinceridade, não entendo o que você quer dizer com “ameaçar ou chantagear os bancos em relação à CPNF”, mas não deve poder ser feito à luz do dia (não é?), e nesse caso sou contra.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007 07:37:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Alberto009

Vou ser bastante objetivo sobre o que penso.

1. Lula e o PT são os queridinhos de Busch e dos intelectuais orgânicos a serviço do capital financeiro.

Lembro do Olavo Setúbal dizendo que para ele a disputa entre Alckmin ou Lula era indiferente para a FEBRABAN. O importante sempre foi que os bancos continuassem a apresentar ótimos balanços no final do ano. Lula (PT) e Alckmin (PSDB) nunca discordaram do Setúbal. Ao contrário, a isso eles (PT e PSDB) chamam realismo político, elevado pelos intelectuais orgânicos (PT e PSDB) à condição de dogma, ou seja, direito sagrado do capital financeiro.

2. O 3º mandato de Lula seria perfeitamente consentido pelo governo americano e pelo capital financeiro e pelo poder econômico brasileiro. Não se mexe em time que está ganhando, diz o realismo político desses interesses.

Um arranjo nesse sentido vinha sendo encaminhado nos bastidores da política por importantes políticos do PT e do PSDB, com vistas a uma aglutinação dessas forças partidárias no grande pântano da fisiologia (super centrão). Toparam com duas enormes e intransponíveis pedras nesse caminho: a pesquisa dos 65% contra o 3º mandato e a derrota do Chávez.

3. O governo Lula (1º e 2º governos) nunca confrontou verdadeiramente os interesses do governo americano, do capital financeiro e do poder econômico no Brasil. Ao contrário, apresentou-se como gestor confiável desses interesses. Tudo isso, claro, muito bem embalado pelos seus intelectuais orgânicos com o vistoso papel da "governabilidade" e do projeto "estratégico" (qual?) do PT. No discurso das esquerdas que se digladiam por posições de poder no PT e por disputas de cargos ($$$) públicos e estatais, isso cresce que nem mato. Mas é só "bela" retórica entre "belas" retóricas.

Essa é a minha visão realista da política partidária da esquerda brasileira (PT e PSDB).

Abs.

PS: Não aceito seu recurso estilístico sobre o "livro que lhe (me) é especialmente caro". Meus livros nada tem a ver com o interesse público. Meus livros são coisas relativas à minha vida privada. Faço com eles o que bem entender. O interesse público é coisa muito distinta. Para o bem do debate que travamos aqui, é bom evitar misturar alhos (público) com bugalhos (privado).

terça-feira, 18 de dezembro de 2007 17:58:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Paulo Araújo, não pretendia dar continuidade a essa discussão, mas de fato não entendi se seu ponto é a discrepância entre discurso e prática da esquerda, que é imensa mesmo e deploro, ou se acredita que existe mesmo um confronto vantajoso com os bancos - pelo que me lembro de suas posições esse não parece ser o caso. Já quanto aos livros, justamente, são interesse privado, como o dinheiro para os bancos, o do banco mesmo e o de seus depositantes.

abraço

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 07:22:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Todo mundo sabe que nenhum preço vai cair por causa da não prorrogação da CPMF. E não há como defender que algo de bom possa vir de se retirar 24 builhões da saúde e 16 bilhões de programas sociais. A queda da CPMF é uma transferência de renda perversa, aumentando a concentração de renda e a injustiça social deste PAís, que já são as maiores do mundo. A oposição agiu contra o povo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 10:51:00 BRST  
Anonymous comprar seguidores instagram disse...

Muito bom o blog, parabéns!

domingo, 23 de março de 2014 17:29:00 BRT  

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